Pau-formiga, uma árvore da moda na lista de nativas e que não é nativa, e sim invasora

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Grupo de pau-formiga na Cidade Universitária da USP

A cidade de São Paulo recebeu na última década uma verdadeira floresta de exemplares de pau-formiga (Triplaris americana) especificados em diferentes projetos de paisagismo, recuperação, compensação ambiental e arborização. Virou senso comum que é uma espécie nativa, sustentável, e adequada como aquelas da Mata Atlântica e Cerrado.

A beleza da espécie é certamente indiscutível, com suas flores vermelhas e arquitetura peculiar, mas existe um sério problema ambiental, o gênero não é nativo para a Grande São Paulo, ocorrendo principalmente na região amazônica e Centro-Oeste do Brasil, e ainda se comporta como uma árvore invasora muito agressiva.

Já havia reparado em diversos pontos urbanizados ou naturais da metrópole paulistana mudas espontâneas do pau-formiga, principalmente no sub bosque. Mas em alguns lugares remanescentes da Mata Atlântica e reflorestamentos a situação é realmente preocupante, formando populações densas e puras, que impedem totalmente as espécies de regenerarem.

População de pau-formiga densa e pura que surgiu espontaneamente em reflorestamento na Zona Oeste

População de pau-formiga densa e pura que surgiu espontaneamente em reflorestamento na Zona Oeste

Nativa só pode ser considerada aquela espécie que existia na região antes da colonização européia, e não se trata de preciosismo, uma planta de fora pode causar problemas ecológicos muito mais sérios do que podemos observar e imaginar.

Outro trecho ainda mais repleto da espécie

Outro trecho ainda mais repleto da espécie

Ricardo Cardim

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Árvores, chuvas, falta e economia de água em São Paulo

Ouvi o seguinte comentário essa semana “Tem que parar de plantar árvores, porque não podemos gastar água para regar até elas pegarem”. Na feira de plantas do Ceagesp, um tradicional vendedor reclamava que ninguém queria mais comprar plantas com o medo de não ter água para regar depois, e o movimento estava ruim.

Parece que está havendo uma inversão de valores: de “fábrica de água” que são as plantas, elas passaram a ser vilões e responsáveis ou exemplos de desperdício de água. Que situação. Continuando essa linha de pensamento, o futuro de São Paulo está claro, é um extenso deserto construído empoeirado e quente.

Daqui a pouco começam a indicar o plantio de cactos e plantas suculentas de deserto – que gastam pouca água, mas também não retornam quase nada para a atmosfera e mais chuvas – é o caminho para deixarmos de ser uma cidade na Mata Atlântica para uma estepe desértica.

Pouco se falou ultimamente na mídia, mas a vegetação tem um papel fundamental para a abundância de água na cidade. Através da fotossíntese, ocorre a liberação de vapor no ar, que o umidifica e favorece as precipitações. As árvores adultas, com suas profundas raízes, tiram milhares de litros de lugares inacessíveis do solo e a jogam na atmosfera.

E sem esquecer do mais importante na urbes: a chuva que cai não escorre e desaparece rapidamente no bueiro, ela se retem nas folhas e galhos, e  se houver espaço permeável, segue para alimentar o lençol freático, que abastece os rios e represas.

Estratégias de irrigação e reaproveitamento não faltam para regarmos as nossas “fábricas de água urbanas”. Desde a água da lavagem de alimentos até cobertura morta no solo podem ser usados. Água para áreas verdes urbanas, se usada com inteligência, não é desperdício, é investimento.

Para lembrar…

Ricardo Cardim

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FELIZ NATAL E PRÓSPERO 2015!

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Serra da Cantareira, São Paulo.

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Fruta nativa do Cerrado, a guabiroba quase desapareceu na cidade de São Paulo

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Tempo de guabiroba era a alegria de muitos paulistanos no passado. Os campos cerrados, nativos na cidade, ficavam com arbustos repletos dessa pequena goiabinha amarela de casca lisa, muito doce e não enjoativa, e bem diferente de seus primos goiaba e araçá.

Com o crescimento da metrópole nos últimos 50 anos, os campos cerrados praticamente desapareceram, e com eles, os pés de guabiroba (Campomanesia pubescens), já que é fruta “do mato” e não cultivada. Assim, sobreviveu na memória da infância dos mais velhos.

Com a moda crescente de plantas estrangeiras nos jardins e paisagismo, hoje é uma super raridade. Em São Paulo, você pode experimentar itens como trufas negras ou caviar beluga,  mas guabiroba não, por mais dinheiro que tenha.

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Onde sobrou os arbustos de guabiroba em São Paulo? Julgo que menos de 20 exemplares na malha urbana, espalhados nos trechos de cerrado do Campus da USP no Butantã (vários foram destruídos nesse ano pela absurda obra do Centro de Convenções), no Parque do Carmo e em um grande terreno baldio no bairro do Morumbi, perto do Clube Paineiras.

Coletamos uma pequena parte desses frutos (70% ficou para a fauna manter a espécie) e plantamos em nosso viveiro. Se der certo, a ideia é levá-la de volta para alguns parques da metrópole e reapresentá-la aos paulistanos.

Um pé de guabiroba muito antigo, sobrevivente da época em que toda a região do Butantã e Morumbi eram campos cerrados nativo nos campos cerrados paulistanos

Um pé de guabiroba muito antigo, sobrevivente da época em que toda a região do Butantã e Morumbi eram campos cerrados 

Ricardo Cardim

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Bromélias, orquídeas e outras epífitas nas copas das árvores centenárias paulistanas – relíquias de uma Mata Atlântica desaparecida

Na Zona Sul

Na Zona Sul, no bairro da Granja Julieta, vive isolada esta centenária copaíba, repleta de epífitas nativas na copa. Trata-se de uma sobrevivente da  Mata Atlântica das margens do Rio Pinheiros e hoje está em um terreno privado.

Árvores muito antigas na Mata Atlântica costumam ter uma complexa biodiversidade nas suas copas, que formam um outro “andar de floresta” constituída por plantas epífitas – que não são parasitas – e abrigam uma fauna especializada. São orquídeas, bromélias, cactos, imbés, samambaias e várias outras aproveitando o microclima e a luminosidade proporcionados pela árvore.

Da vegetação original da cidade de São Paulo – que em um passado não muito distante – era formada por densas florestas em forma de capões (ilhas), sobreviveram algumas árvores seculares.  Muitas vezes as únicas remanescentes de uma floresta com milhares de árvores. Exemplos são as raras copaíbas e jequitibás-brancos eleitas na campanha “Veteranas de Guerra” da SOS Mata Atlântica.

Poucos desses já escassos exemplares antigos tem na sua copa uma grande diversidade de epífitas nativas, que representam as últimas sobreviventes das florestas paulistanas. É como se uma árvore fosse capaz de suportar um “micro mundo” repleto de pequenas raridades biológicas, que já perderam todos os outros da mesma espécie na metrópole, e são os últimos repositórios da genética paulistana.

Essas “relíquias da biodiversidade” infelizmente seguem não pesquisadas e ameaçadas pelo desconhecimento, e poderiam gerar ótimos trabalhos de pesquisa acadêmica, além da possibilidade de serem reproduzidas e reintroduzidas na metrópole.

Copa

Copa com inúmeras espécies diferentes.

No Colégio Friburgo, Avenida João Dias, Zona Sul,

No Colégio Friburgo, Avenida João Dias, Zona Sul, ainda existem várias bromélias hoje raras na metrópole sobre essa secular copaíba.

O jequitibá-branco do Parque Trianon também reserva uma biodiversidade p´ropria e não observada nas outras árvores antigas do Parque

O jequitibá-branco do Parque Trianon também reserva uma biodiversidade própria e não observada nas outras árvores antigas do Parque

Ricardo Cardim

****POST NÚMERO 350 ****

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Nascentes de água, trechos de Cerrado, Mata Atlântica e antigos caminhos indígenas e de tropeiros – o necessário Parque Fonte Peabiru em São Paulo

Seculares, os arcos de pedra resistem junto com a água limpa ao descaso e ameaças.

Seculares, os arcos de pedra resistem junto com a água limpa ao descaso e ameaças.

Na mais severa seca da cidade de São Paulo a água continua correndo, transparente, entre dois arcos antigos de pedras, obra provavelmente do século XVIII. Em volta, um grande terreno de 39.000 m² repleto de árvores da Mata Atlântica e trechos de Campos Cerrados em meio ao adensado bairro do Butantã na Zona Oeste.

Esse cenário, em uma cidade preocupada com sua água, meio ambiente e história, certamente seria um parque público para toda a população, mas segue abandonado e ameaçado por lixo, invasões e lançamentos imobiliários, embora o terreno seja tombado desde 2012. 

Estudos realizados pela Associação Cultural do Morro do Querosene, que lutou e conseguiu o tombamento do terreno, mostram que possivelmente nessa área existia um ponto de parada de bandeiras e tropeiros na nascente, que fazia parte do antigo caminho indígena do Peabiru, esse anterior ao século XVI.

Observando atentamente a construção dos arcos em pedra que abrigam a nascente e comparando com construções históricas paulistanas ainda existentes, fica nítido que ele pertence a outra época, colonial. Prospecções arqueológicas futuras naquele local poderão certamente fornecer pedaços importantes do passado de São Paulo e Brasil.

Trecho de Cerrado tipo "Campos de Piratininga" que margeiam o terreno da nascente. Paisagem secular.

Trecho do raro Cerrado tipo “Campos de Piratininga” que margeiam o terreno da nascente. Paisagem secular. A planta florida à direita é um araçá-do-campo (Psidium guineense), arbusto frutífero que nomeou o caminho e depois cemitério do Araçá. O capim em floração, uma espécie que quase desapareceu da metrópole (Andropogon leucostachyus) .

Outro aspecto valioso do terreno para a história e meio ambiente da metrópole são trechos preservados de campos cerrados, remanescentes dos antigos “Campos de Piratininga” vegetação nativa que nomeou São Paulo nos primeiros séculos, e que resgatam as paisagens que os antigos viajante de séculos atrás vivenciaram quando paravam na bica.

Argumentos, água e fatos não faltam para justificar a desapropriação da área e entregar esse parque público interessantíssimo e fundamental para a população, o Parque das Fontes do Peabiru.

Na cidade que corre o risco de secar, água limpa em abundância.

Na cidade que corre o risco de secar, água limpa em abundância.

Outra surpresa no terreno - um pomar centenário com as maiores mangueiras que existem na cidade de São Paulo

Outra surpresa no terreno – um pomar centenário com as maiores mangueiras que já vi na cidade de São Paulo, e que estavam carregadas de frutos. Sobreviventes possivelmente de uma antiga chácara do local.

Para mais informações sugiro o site:

http://www.fontedopeabiru.com.br/1135-2/

Endereço do local:

Entre a Avenida Corifeu de Azevedo Marques, Rua Santanésia e Rua Padre Justino (no começo dessa rua tem uma curta rua sem saída com um pequeno portão, a rua da fonte, que acessa o local).

Meus agradecimentos ao pessoal do Rios e Ruas e a Associação Cultural do Morro do Querosene.

Ricardo Cardim

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Pavilhão Japonês do Ibirapuera ganha jardim com plantas raras e em extinção

Na semana da Árvore, São Paulo vai ganhar de presente um jardim feito exclusivamente com espécies nativas da Mata Atlântica e Cerrado do Município, incluindo espécies raras e em extinção. A área verde tem uma proposta simbólica, representar a amizade entre o Brasil e Japão.

Jardim nativo no Pavilhão Japonês do Ibirapuera - projeto de Ricardo Cardim

Comemorando os 60 anos do Pavilhão Japonês do Parque do Ibirapuera, o jardim brasileiro foi projetado e realizado por nossa equipe e viabilizado com patrocínio da Honda, e fica em frente ao jardim Zen típico do Japão, procurando trazer a união das terras, das duas paisagens distintas que se tornaram familiares para ambos os povos.

Após uma longa jornada pelos oceanos, os imigrantes japoneses encontraram  no Brasil de mais de um século atrás, um outro mundo, ainda coberto pela exuberante Mata Atlântica e Cerrado, de aspecto tão diferente das paisagens do Japão. Novas plantas e animais em um grande território praticamente desconhecido, até mesmo para os  brasileiros. Nessas terras criaram fortes raízes, aqui simbolizadas nos dois jardins, que representam a amizade entre as nações.

Entre as plantas utilizadas, temos:

cambuci (Campomanesia phaea) – árvore frutífera da Mata Atlântica que já foi muito comum nos antigos pomares. Seus frutos em forma de “disco-voador” são perfumados e suculentos.

palmeira-prateada (Lytocarium hoehnei) – essa rara e bela palmeira só existe originalmente na região metropolitana de São Paulo e está ameaçada de extinção devido a urbanização. Vive nas áreas sombreadas da Mata Atlântica, e no Jardim Honda temos 3 exemplares cultivados em viveiro a partir de sementes.

araçá-do-campo (Psidium guineense) é uma das frutas que os japoneses encontraram nos Cerrados do Estado de São Paulo e que desapareceram com o crescimento das cidades e atividades agropecuárias.

língua-de-tucano (Eryngium paniculatum) – Essa estética planta do Cerrado já recobriu a paisagem paulistana nos antigos “Campos de Piratininga” e hoje restam somente algumas dezenas na metrópole. O fundador de São Paulo, Pe. Anchieta, fazia alparcatas com ela no distante século XVI.

Jardim no Pavilhão Japonês do Ibirapuera - foto de Ricardo Cardim

Em primeiro plano, o Jardim Zen,  e atrás o Jardim Brasileiro, unidos por uma ponte entre os pavilhões.

 Ricardo Cardim
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