Feliz Natal aos amigos das árvores!!

Mata Atlântica crescendo na cobertura do Edifício Citibank na Avenida Paulista

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Todos os amigos das árvores convidados para um agradável passeio guiado e gratuito nesse sábado no Museu da Casa Brasileira

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Plantar árvores em São Paulo e os Cerrados nativos da cidade – muito cuidado!

No pé de um ipê plantado, uma caroba-do-campo à direita, planta rara e existente até os anos 1940 na cidade. Quando o ipê crescer, eliminará por sombreamento a carobinha.

São Paulo originalmente apresentava amplas extensões de vegetação de Cerrado, campestre com ervas e arbustos em grande biodiversidade e beleza. Eram os denominados “Campos de Piratininga” no século 16, atualmente quase extintos.

Pouca gente sabe disso. Até mesmo o Poder Público. O resultado é que os poucos e raríssimos campos-cerrados sobreviventes seguem esquecidos e sujeitos a todo tipo de agressão. Sendo uma dela insuspeita para os amigos das árvores e profissionais: o plantio de árvores em terrenos vazios e com capim.

Muitas vezes, vendo um terreno com um “capinzal” em meio a malha urbana, plantam-se inúmeras árvores nativas acreditando estar fazendo o melhor para o meio ambiente, quando na verdade está se destruindo uma vegetação extraordinariamente rara na metrópole. O motivo é que o Cerrado precisa do sol para viver, e quando as árvores crescem e fazem sombra, o matam.

Assim, é fundamental antes de uma ação de plantio de árvores, por melhor que seja a intenção, tomar conhecimento e pesquisar visualmente se aquela área tem remanescentes de Cerrado – e se tiver – não plantar nada e sim preservar o que lá está há milênios.

Em São Paulo, principalmente na região do Morumbi, Parque do Carmo, Jaraguá, Butantã e arredores da malha urbana ainda existem alguns poucos e preciosos trechos dos “Campos de Piratininga”.

Ricardo Cardim

“Capinzal” repleto de raridades do Cerrado na região do Morumbi e que recebeu equivocadamente um plantio de árvores que pode matar a vegetação ancestral.

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Como plantar o palmito-jussara no paisagismo e diminuir o risco de perdas

Marginal Pinheiros em SP - Palmitos-jussara plantados de forma isolada e a pleno sol: já estão morrendo vagarosamente

Marginal Pinheiros em SP – Palmitos-jussara plantados de forma isolada e a pleno sol: morrendo vagarosamente

Nos últimos anos, o palmito-jussara (Euterpe edulis) começou a participar mais dos projetos de paisagismo urbanos. Muitos jardins de prédios corporativos receberam alguns exemplares. Entretanto, também é fácil perceber a pouca sobrevivência dos palmitos plantados. Folhagem amarelada, “enforcamento” do palmito e diminuição da copa progressivamente até ficar só a estipe são alguns dos problemas mais comuns.

Palmeira típica da Mata Atlântica e produtora de recursos fundamentais para a fauna, o palmito-jussara é mesmo um item indispensável para o paisagismo sustentável.  Na floresta o seu habitat – principalmente  na fase juvenil – é a sombra das grandes árvores, vivendo na “estufa” úmida e quente proporcionada pelo sub bosque. Quando mais velho, pode alcançar o dossel florestal e ficar a pleno sol. Raras são as exceções na natureza.

Algumas dicas importante para prevenir esse problema (além da boa procedência da muda e seu desenvolvimento dentro do pote e não arrancada do chão) é recriar no projeto parte das condições naturais da Mata Atlântica, escolhendo o local de plantio em meia sombra, com microclima úmido, próximo a outras plantas e deixar a terra a sua volta preferencialmente bem vegetada, se possível com arbustos, protegendo do ressecamento do solo. Evitar ao máximo seu plantio em alameda, com um palmito bem afastado do outro e a pleno sol.

Ricardo Cardim

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Árvores urbanas…

ipe figura

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Dia da Árvore – Homenagem para a extintas araucárias nativas de São Paulo

Paisagem muito semelhante a vegetação original da cidade de São Paulo na sua fundação, no século XVI. que Anchieta encontrou

Araucárias plantadas há mais de um século no Horto Florestal, Zona Norte.

Árvore belíssima e singular, o pinheiro brasileiro ou araucária (Araucaria angustifolia) é um símbolo da Mata Atlântica do Sul do Brasil. Mas o que poucos sabem é que a espécie foi abundante no território hoje ocupado pela metrópole de São Paulo. Os relatos dos primeiros europeus na região mostram isso, como a descrição do Padre Fernão Cardim em 1583:

Piratininga… há muitos pinheiros, as pinhas são maiores… e os pinhões são também maiores… e é tanta abundância que grande parte dos índios do sertão se sustentam com pinhões…”

Até os anos 1940 ainda existiam grupos de araucárias nativas na cidade, como mostram algumas velhas fotografias. Com o crescimento acelerado, elas foram desaparecendo sem deixar vestígios em praças e parques, e extinguiram como grupo genético. As poucas araucárias atualmente presentes na malha urbana são exemplares plantados e provavelmente não descendem das originais.

Mesmo assim, restaram vestígios importantes, como o Bairro de Pinheiros, na Zona Oeste, que deve seu nome a espécie, e era no século XVI a Aldeia de “Nossa Senhora dos Pinheiros”.

Ao plantar a araucária na cidade devemos escolher grandes espaços verdes e evitar calçadas e construções próximas, mas em praças e parques ela é fundamental para o nosso meio ambiente, cultura e história. Viva a araucária!

Os saborosos pinhões das araucárias. Petisco que já foi muito apreciado na São Paulo antiga, onde escravas quituteiras os vendiam quentes pela então vila. Os índios também os apreciavam muito, sendo parte importante do cardápio. Na foto, vemos vários com marcas do

Os saborosos pinhões das araucárias. Petisco que já foi muito apreciado na São Paulo antiga, onde escravas quituteiras os vendiam quentes pela então vila. Os índios também gostavam muito, sendo parte importante do cardápio. Na foto, vemos vários com marcas deixadas por um provável roedor.

Ricardo Cardim

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Parques de São Paulo no futuro, utopia?

aeroporto

Olhando uma foto de satélite da cidade de São Paulo, percebemos rapidamente que são extremamente raras as manchas verdes dentro da malha urbana, ainda mais aquelas amplas e com poucas edificações. Um fato que chama a atenção é como a metrópole cresceu sem  criar parques públicos de grande porte, que podem ser a “praia” em uma cidade sem grandes atrativos naturais. Talvez o único assim pode ser o Ibirapuera, frequentado por pessoas de todos os locais da metrópole.

Mas será o Ibirapuera suficiente para toda a população paulistana? Claro que não, precisamos de mais parques do mesmo porte no centro expandido e o problema é que os grandes terrenos praticamente desapareceram na sanha construtiva paulistana. Ao meu ver, somente dois terrenos relevantes sobraram para as futuras gerações de paulistanos: o Jockey Clube e o Aeroporto de Congonhas.

jockey

O Jockey Clube é um caso aparentemente mais fácil de se tornar parque em um futuro próximo, dado a aparente diminuição de sua utilidade nas últimas décadas e dívidas com a prefeitura – mas claro que serão inúmeras batalhas entre população, poder público e incorporadoras. Com um pouco de vontade política, pode-se passar a marginal para os seus fundos e a população ganhar o primeiro grande parque com acesso a beira do ainda morto Rio Pinheiros.

Já no aeroporto de Congonhas, ainda beira a utopia a sua desativação – mesmo estando em uma área densamente populosa – bem diferente do vazio de quando foi inaugurado. Mas certamente no futuro será incompatível sua operação, e o terreno ficará disponível para, quem sabe, se tornar outro “Ibirapuera”.

A provocação nesse post é justamente para percebermos a São Paulo que vamos querer para o futuro e nossos filhos. E não deixarmos perder a última chance de uma cidade com mais “praias” aos seus habitantes, que é o que representam essas duas áreas livres e verdes.

Ricardo Cardim

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