A árvore gigante das praças paulistanas

Avenida Santo Amaro

Sua copa parece um guarda-chuva imenso sobre as outras árvores nas áreas verdes de São Paulo. Muitos pensam que tem séculos de vida. Essa planta exuberante em todos os sentidos é a falsa seringueira (Ficus elastica) hoje comum na cidade.

O mais interessante é que esses colossos estão geralmente em lugares estreitos ou incompatíveis com seu tamanho. O fato se deve a uma história curiosa. A falsa seringueira é uma árvore nativa da Ásia que foi muito popular para enfeitar ambientes internos na década de 1950 a 1970 no mundo todo.

Aqui no Brasil ela também era moda – rara foi a agência bancária ou escritório sem ela nos vasos – e aí permanecia, até que alguém bem-intencionado a plantava na calçada, canteiro central e jardins. Rapidamente crescia com suas raízes-escora (que parecem cipós) e aparentava ter séculos de vida, quando na verdade tem 30/50 anos – a idade da maioria em São Paulo.

falsa-seringueira no Parque da Água Branca - tamanho impressionante.

Sua moda passou e ficaram as adultas como gigantescos pontos de referência verdes. Mas as figueiras asiáticas insistem em participar de nossas cidades, e a eleita atual é a ficus (Ficus benjamina), também vendida para decoração interna,  que hoje é a 2° árvore mais comum em São Paulo, graças ao intenso plantio pela população.

Ambas, tanto a ficus quanto a falsa-seringueira, não devem ser plantadas no meio urbano devido a agressividade de suas raízes e o tamanho desproporcional. No seu lugar precisamos plantar árvores nativas como copaíbas, cambucis e jacarandás e muitas outras, que contribuem para o equlíbrio ecológico e ainda possuem as raízes adequadas.

acima o exemplo clássico - plantada por um cidadão em uma calçada estreita perto da avenida paulista

 

Ricardo Cardim

Sobre Ricardo Cardim

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Esse post foi publicado em amigos das árvores de São Paulo, arborização urbana, Árvores de São Paulo, ficus e marcado , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

15 respostas para A árvore gigante das praças paulistanas

  1. dalva disse:

    Realmente, o tamanho dessas monstrinhas assusta! E elas se adaptam muito bem no nosso país, tal como a “temida” cheflera…

    • Ricardo Cardim disse:

      é verdade, se adaptam até demais! obrigado Dalva,

      abraços

  2. Rubens Chagas disse:

    Caro Cardim, bom dia.

    Trabalho com TI, entretanto sou amante do verde, pratico caminhadas (bushcraft, técnicas de sobrevivência) na mata desde os oito anos, e sou estudante amador de dendrologia.
    Poderia me informar se a reprodução assexuada da árvore Figueira (Ficus elastica) pode ser por extração das pontas dos cipós e plantio dos mesmas na terra?

    Cordialmente,

    Rubens Chagas

    • Ricardo Cardim disse:

      Olá,

      o melhor é usar estacas de galhos em solo bem úmido até o pegamento. Hormônio enraizante ajuda.
      att
      Ricardo

  3. herman disse:

    Ricardo, poderia nos dar exemplos de fiqueiras nativas as desta cidade de pedra , pois gostaria de introduzir algumas arvores de grande porte em uma praça abandona perto de casa , que alias tinha uma ficus elastica, que era enorme ,mas depois que uma ventania a derrubou acabou a praça e a alegria da criançada do bairro!!

    • Ricardo Cardim disse:

      Hermam, podem ser essas:

      figueira mata-pau – Ficus enormis, outras:
      Ficus organenensis
      Ficus guaranitica

      att

  4. Humberto disse:

    Eu estava planejando plantar uma dessas em uma praça perto de casa porque parecem muito resistentes. Essas espécies que você recomendou para o Herman são resistentes? Tem desenvolvimento rápido?

    Na praça havia duas arvores que morreram há pouco mais de dois anos. Desde então tentei plantar ali um jacarandá mimoso e uma paineira. Mas a paineira demorou muito para pegar corpo e foi atropelada pelas crianças. O Jacarandá, já com mais de 1,5m e resistindo às trombadas, secou e morreu em dois dias – aparentemente pela mesma doença que matou as arvores que ele substituiria.

    • Ricardo Cardim disse:

      Humberto,

      Sim, e plante árvores nativas de crescimento rápido como o angico-branco, tapiá, açoita-cavalo para vencer as dificuldades iniciais e parabéns por sua inciativa!

  5. Carlos José da Silva disse:

    Ricardo gostaria se possivel a historia da serigueira que estar localizada na av santo amaro a altura do 3271 a mesma da foto que esta no canteiro da avenida, gostaria de saber a idade, quando foi platada e porquem sera que consegue estas informações, sou apaixonado por ela, passo por ela todos os dias,ela é um marco da avenida e do bairro

  6. antonio carlos gonçalves disse:

    Tenho uma grande admiração por essa espécie ,na minha infancia plantamos algumas mudas de falça seringueira nas escolas mas hoje foram cortadas devido oseu crecimento.
    mas há um exenplar na av monteiro lobato alt do n-3500 pq cecap guarulhos.
    o patrimonio tombou essa magnifica árvore .

  7. Alan disse:

    Gostaria de dar os meus parabéns a esta matéria lúcida e bem elaborada. As Falsa-Seringueiras realmente são árvores impressionantes, E a minha opinião, como um ávido ornitólogo, prefiro muito mais as árvores nativas, na qual as nossas aves estão melhor adaptadas para nidificar, buscar alimento e abrigo, especialmente no MEIO AMBIENTE URBANO, que possui sim uma fauna que precisa ter suas unidades arbóreas nativas preservadas para se manter saudáveis. Mas, infelizmente as pessoas tendem a dar maior prioridade ao aspecto paisagístico que funcional para as árvores, graças a Deus, uma tendência que está gradativamente sendo mudada.

    Gostaria de deixar bem claro aos leitores deste comentário que não estou dizendo que deveríamos sair em uma “caça às bruxas” e sair derrubando toda e qualquer falsa seringueira, especialmente porque atualmente na cidade de São Paulo, todo manejo arbóreo precisa de uma justificativa plausível e somente é aprovada quando apresentada um projeto para compensar o corte ou mesmo transplante das árvores, indicando como e onde esse plantio (de unidades nativas) será realizado. Sendo assim, gradativamente a flora Paulistana será substituída por árvores mais adequadas ao Meio Ambiente Urbano

  8. Pingback: Avenida Santo Amaro perde sua árvore gigante, a falsa-seringueira, que foi cortada pelo Metrô | Árvores de São Paulo

  9. Evandro benke disse:

    como vai,recentemente adquiri uma muda deste gigante, da variedade variegada,estudei bastante antes de plantá-la e já sabia do seu tamanho monstruoso.moro na zona rural onde tenho uma verdadeira coleção de árvores com cerca de 130 espécies nativas e exóticas,portanto seu porte não será problema.A única restrição que tenho é o nosso rigoroso inverno gaúcho,muito bom o site,parabéns.

  10. Mário Arve disse:

    Em todas as reportagens que leio sobre a má utilização da Fícus Benjamina e os estragos em calçadas no Brasil a fora (concordando plenamente), pois já os vi nas calçadas de minha cidade, Campinas. Em nenhuma dessas reportagens falou se da situação das raízes e seus estragos nas Fícus plantas no chão tendo o seu controle de crescimento por topiária, como fica essa situação, por baixo dessa inocente árvore poderá estar ocorrendo estranho?, apesar desse controle ainda sim as raízes tem o mesmo poder de destruição das árvores que crescem sem controle?

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