Dia da Árvore – a árvore mais antiga de São Paulo

Figueira-das-lágrimas em abril de 2010.

O dia da árvore não é somente um bom dia para plantá-las, mas também de lembrar das existentes nas cidades, principalmente daquelas que fazem parte da nossa história. Na metrópole paulistana temos uma muito interessante, e infelizmente quase esquecida - a figueira-das-lágrimas.

Pode-se dizer que ela é  a árvore  mais antiga vivente e documentada na cidade de São Paulo. Para se ter uma idéia, Dom Pedro I passou sob sua copa na proclamação da Independência em 1822. Em 1861, o viajante português Emilio Zaluhar já relatava seu grande tamanho e importância para os paulistanos.

O nome figueira-das-lágrimas vem do fato que os antigos faziam dela o ponto obrigatório de despedida dos entes queridos rumo ao Porto de Santos. Assim foi com os soldados que partiram rumo a Guerra do Paraguai e os estudantes de Direito no século XIX.

Árvore centenária e nativa das florestas paulistanas, da espécie Ficus Organensis, hoje encontra-se ameaçada por um vigoroso e jovem Ficus benjamina (originário da Ásia) plantado equivocadamente  a um metro de seu tronco, que lhe tira nutrientes e luz, debilitando-a ainda mais. 

Urgente é a sua valorização e conhecimento pela população, como resgate de nossa história viva e de uma árvore nativa que deveria ser reproduzida e estar presente nos parques paulistanos.

Seu tronco mostra claramente sua antiguidade e porte. No lado direito da foto, o tronco do ficus estrangeiro que está ameaçando a anciã.

Para conhecer:

Estrada das Lágrimas entre os números 515 e 530, próximo a Rodovia Anchieta, no Sacomã - Zona Sul.

Ricardo Cardim

 

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Sobre Ricardo Cardim

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19 respostas para Dia da Árvore – a árvore mais antiga de São Paulo

  1. dalva disse:

    Bacana, Ricardo! E pensar que já morei por aqueles lados, há muito tempo atrás… e nem sequer olhei para ela. Quantas pessoas há que, igual a mim, passam pela velha árvore sem perceber o quanto ela é vital naquele seu cantinho. Vida longa para ela!

  2. Caro Ricardo:

    Que preciosidade! Merece proteção e estudo, esse ancião!

    Propriedade privada, não? Tombada?

    A extirpação da congenere exotica é urgente!
    Aqui em Minas um individuo de “cedro” (Cedrela fissilis), nascido espontaneamente, sombreia e ameaça
    o enorme “pequizeiro” (Anacardium brasiliense) sob o qual Peter Lund foi enterrado, em Lagoa Santa.

    E quanto à velha arvore que deu nome à Praça da Arvore, na Vila Mariana? Nada achei a respeito, mas meus parentes mais idosos a conheceram.
    Eles me relataram o fato (lenda?) de que também essa arvore (paineira?) seria “santa cruz” viva, onde moradores se despediam dos parentes que deixavam a cidade.

    Parabens por seu esforço a favor do pouco de natureza “perdida” em nossas cidades.

    Abraço do

    paulista

    Celso

    Celso do Lago Paiva

    Instituto Pró-Endêmicas

    Curvelo, Minas Gerais

    http://br.groups.yahoo.com/group/proendemicas/

    Assine o “Manifesto pelo Rio das Velhas”, contra construção de represa nesse importante rio de Minas Gerais:
    http://www.petitiononline.com/Velhas/petition.html

    • Ricardo Cardim disse:

      Olá Celso,

      Obrigado! vamos continuar trabalhando assim como vc em Curvelo, aliás cidade de belos cerrados, que conheci bem. O cedro faz muita sombra no pequi de Lund?

      abs,
      Ricardo

  3. Nossa, muito interessante. :-D

  4. Muito interessante..nunca tinha ouvido falar desta figueira. Parabéns pelo assunto.

  5. Leda Lucas disse:

    Você já havia postado notícias sobre esta senhora árvore. Mas nada melhor que vê-la aqui na comemoração do Dia da Árvore para comemorar este dia, para mim, tão importante e significativo.
    Com relação à árvore que está ao lado da figueira centenária, tomara que esta sua informação acorde as autoridades para o cuidado com a figueira, e com a educação mais incisiva dos cidadãos em suas práticas de amor às árvores quando as plantamos.
    Parabéns por sua dedicação incansável às árvores de nossa cidade.
    Vida saudável – e longa – às árvores!

  6. Sandra Reynaldo disse:

    Fiquei estarrecida de nunca ter ouvido falar a respeito de um marco tão importante em nossa história. Soube que o carvalho onde Robin Hood teria se abrigado está vivo até hoje e é preservado pelo governo britânico como um monumento de seu história.

    Espero que consigam salvá-la da influência do ficus. Pena que moro em Curitiba.

  7. Ricardo:

    O “cedro” já matou, com sua sobra densa, varios galhos do velho pequizeiro tombado em Lagoa Santa (no tumulo de Lund). O “pequizeiro” é altamente dependente de insolação plena.
    Vai acontexcer o mesmo com essa velha “gameleira”.
    Encaminhei Parecer tecnico ao Ministerio Publico Federal, solicitando providencias ao IPHAN.
    E quanto à arvore historica da “Praça da Arvore”, descobriu algo? Será lenda?
    Abraço,
    Celso

    Celso do Lago Paiva
    Instituto Pró-Endêmicas
    http://br.groups.yahoo.com/group/proendemicas/

    • Ricardo Cardim disse:

      Olá Celso,
      é, o melhor é tirar o cedro mesmo, senão perderemos uma exemplar que faz parte da história da ciencia brasileira, pobre Lund… Sobre essa árvore que citou não achei registros infelizmente, mas deve ter existido. O fato é que só agora está começando a se valorizar o meio ambiente e perdemos nesse tempo muitas árvores-ícone.

      Abraços,
      Ricardo

  8. Leia-se “[...] com sua sombra densa [...]“.
    Celso

  9. Vilton Giglio disse:

    Boa tarde
    Cardim

    Já foi retirada muda dessa arvore da estrada das lagrimas?
    Parabéns pelo seu otimo trabalho.
    Qdo. precisar conte comigo.
    Vilton Giglio cel. 11 98351117

    • Ricardo Cardim disse:

      Vilton,

      ainda não, precisamos de uma equipe com especialistas em propagação vegetal. Obrigado pela força e disponibilidade, quando conseguirmos ir lá lhe chamo.
      abs,
      Ricardo

  10. jonathan disse:

    muito legal a ultima árvore

  11. Prezado Ricardo:

    Sobre a multiplicação da árvore preciosa da Estrada das Lágrimas, informo que já obtive resultados excelentes com estaquia de ponteiros em todas as espécies de “gameleiras” ou “figueiras” que testei.
    Espécies de folhas miúdas (como Ficus pertusa) enraízam com mais facilidade que as espécies de folhas maiores (como Ficus enormis e Ficus nymphaeifolia).
    Vale a pena salvar ao menos o material clonal desse indivíduo (e insistir com o “proprietário” que elimine a congênere exótica).
    Aliás, fica a questão ética: pode uma pessoa ser “dona” de uma planta ou de um animal nativos?
    Abraço,
    Celso do Lago Paiva
    Instituto Pró-Endêmicas
    http://br.groups.yahoo.com/group/proendemicas/
    instituto_proendemicas@hotmail.com

    • Olá Celso,

      A estaquia foi com tratamento de hormônios ou em in natura? Boa notícia, de qualquer forma, e a organensis tem folhas pequenas!
      Essa árvore está em terreno público, e minha briga tem sido com funcionários da Subprefeitura e SVMA que insistem em proteger a exótica. A situação é complicada, e precisamos assegurar a continuidade do exemplar.

      Abraços,
      Ricardo

    • Caro Ricardo:
      Nunca utilizei hormônio de enraizamento para produzir mudas de “figueiras” por estaquia. Apenas deixei as estacas sem plantar de um dia para o outro, enterrando mais de um terço das mesmas, por serem suculentas. A perda de estacas é pequena.
      Se é área pública, deveria ser mais fácil erradicar o “ficus” exótico, não? Mas como é que argumentos técnicos não convencem?
      Acontece. Na década de 1980 plantei no Parque da ESALQ, em Piracicaba, muda da raríssima árvore Manihot flabellifolia Pohl (“mandioqueira-de-árvore”), nativa do sul do Brasil, Argentina, Bolívia e Paraguai. A muda, já com quatro metros de altura, era bem protegida por tutores laterais fortes. Mas, por azar, nasceu, na mesma cova, exemplar de “sibipiruna”. Logo um oficial de manutenção ordenou o corte da “mandioqueira”, que desapareceu, sem que tivessem sido formadas outras mudas. A vitória foi da “sibipiruna” ubíqua e vulgar.
      Manutenção de coleções vivas é muito complexa, especialmente por envolver pessoas, que decidem por sua própria vontade, sem consultar especialistas ou responsáveis técnicos. Todo jardim botânico já perdeu plantas assim.
      Podemos unir forças e informar a Prefeitura da importância da “gameleira” nativa.
      Abraço,
      Celso
      Celso do Lago Paiva
      Instituto Pró-Endêmicas
      http://br.groups.yahoo.com/group/proendemicas/
      instituto_proendemicas@hotmail.com

    • Olá Celso,

      Sim, vou tentar mais algumas vezes, com estacas maiores. Essas situações que esbarram na falta de conhecimento e vontade política são infelizmente normais mesmo, e a tendência é o “técnico” exercer sua vontade caprichosa.

      Agradeço sua disponibilidade em ajudar na divulgação da figueira-das-lágrimas, tenho me empenhado bastante nisso, colocando o assunto na mídia, mas os caminhos continuam ainda nebulosos e a árvore semi-abandonada.

      Abraços,
      Ricardo

  12. Pedro Luiz disse:

    Existe um ABACATEIRO centenario no estacionamento do Instituto Adolfo Lutz da avenida Dr.Arnaldo, em São Paulo

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