Anhangabaú, o novo Minhocão da metrópole

Instagram - Anhangabaú

Imagem muito replicada no Instagram e WhatsApp hoje.

Foi com espanto que em dezembro último parei para observar, do viaduto do Chá, a paisagem do Vale do Anhangabaú como terra arrasada. Naqueles poucos minutos, encostado no guarda-corpo, tive uma sensação de volta ao tempo, mais precisamente aos anos 1970 e sua corrida rumo ao progresso das metrópoles que “não podiam parar de crescer” à custa do verde. Vieram a cabeça edições da extinta revista Manchete da época apresentando a obra do Minhocão e Praça Roosevelt.

Passado meio ano,  recebo hoje uma enxurrada de fotografias do resultado das obras. A premonição se concretizou, literalmente. Ganhamos um novo “Minhocão” para a metrópole,  uma eficiente ilha de calor urbana. Pior do que o já árido e desagradável Largo da Batata em Pinheiros, o novo Anhangabaú não tem árvores ou  qualquer vegetação sobre uma enorme laje impermeável e absorvente de calor que deve passar de 15.000 m² de ponta a ponta. Isso em uma das regiões mais cinzas e com menores índices de verde da urbes.  Tem alguns chafarizes de água, que conhecendo o histórico de manutenção de tais estruturas públicas assemelhadas, terá um futuro incerto, e isso sem refletirmos de onde virá o escasso recurso água.

Ilhas de calor

O centro de São Paulo já é uma importante ilha de calor urbana

Mas o inacreditável é a falta deliberada de natureza, ou a algo que remeta a ela no projeto – a biofilia, hoje tão apregoada. Porque árvores e o paisagismo não participam? É um equivoco achar que arborização e paisagismo afastam pessoas. O que afasta pessoas da rua é a falta de segurança pública, a falta de comércio vivo, de atrações culturais, de conforto térmico, a falta de natureza, enfim, de condições para criar um público variado e dinâmico. O verde, ao contrário atrai. Vide parques que conciliam florestas urbanas com amplos gramados, como o Ibirapuera e Villa-Lobos, que viviam lotados antes da pandemia, e tinham enormes filas de carros para entrar nos domingos. Fenômeno urbano esse que não é só do Brasil, a exemplo do Central Park em Nova Iorque. Aliás, quem é paulistano lembra da resposta tradicional para quando alguém lhe convidava para ir ao parque Villa-Lobos: “Mas lá não tem sombra, não tem árvore, é muito quente!” Problema que hoje passa o Parque do Povo, e que provavelmente passará o bastão ao novo Anhangabaú.

Se o projeto anterior, fruto de um concurso público vencido há quase 40 anos atrás pela paisagista Rosa Kliass e equipe foi desconsiderado, porque não propor um projeto do século 21, consciente da importância da vegetação urbana e dos serviços ambientais prestados para  a saúde pública e qualidade de vida da população? São evidências cientificas amplamente confirmadas em todo o mundo nas últimas décadas, basta uma breve pesquisa no Google Acadêmico. Porque não compatibilizar o respeito a paisagem ancestral (que diga-se de passagem foi  de natureza riquíssima nos arredores do ribeirão Anhangabaú séculos atras), e prestigiar a sua fauna e flora em projeto,  inclusive como um patrimônio cultural e ferramenta de educação ambiental?

Enfim, uma pena. Teremos talvez que esperar mais 40 anos para que venha um novo projeto que mostre o caminho da cidade do futuro, que compreenda ser possível a harmonia entre a cidade construída, adensada, vertical, viva, dinâmica, divertida e a nossa extraordinária e necessária natureza nativa. Acredito nisso. A Floresta de Bolso de Mata Atlântica vizinha ao Largo da Batata é uma pequenina contribuição nesse sentido. Que um dia tenhamos um rio de verdade correndo do Viaduto do Chá ao Santa Ifigênia, e não de concreto armado.

Ricardo Cardim

Paisagista e Botânico

Anhangabau Insta Ricardo Cardim

Minha vista em dezembro último

 

anhangabau em 3 tempos

Antes, durante e depois no Google Earth

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Apagão verde em São Paulo: em 10 anos

 

tipuana em rua de são paulo - foto de Ricardo Cardim - árvores de são paulo

Típica tipuana solitária remanescente da arborização original em Alto de Pinheiros – cercada de novos plantios de “árvores anãs”

Considero a tipuana (Tipuana tipu) a árvore mais comum na malha urbana formal paulistana. Um espécie exótica, originária da Bolívia e Argentina, que foi amplamente plantada principalmente até a década de 1960, sendo sua grande incentivadora a Cia. City, que loteou os “bairros-jardins” de São Paulo, como Pacaembú, Alto de Pinheiros, Jardins, entre outros.

De crescimento rápido e vigoroso, em poucas décadas viraram árvores de grande porte, que sombreavam generosamente e continuamente as ruas paulistanas, a ponto de virar uma espécie de identidade cultural da metrópole. Interessante que em São Paulo a tipuana parece crescer mais rápido e alcançar um maior porte do que em sua terra de origem.

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Tipuanas na arborização de São Paulo na década de 1950: ainda jovens.

Com o passar dos anos e a transformação em meados do século passado da cidade em grande metrópole, o verde muitas vezes virou incômodo para alguns setores, como o a fiação elétrica, garagens e a transformação de residências em comércio e prédios, e as tipuanas foram sendo cortadas e mutiladas por podas equivocadas que permitiam a entrada de cupins, corte de raízes e muitas outras agressões, agravadas por sua madeira de baixa resistência.

Como resultado desse histórico, chegaram a velhice bastante comprometidas, e hoje temos um quadro interessante – e também preocupante – são atualmente as maiores árvores da malha urbana, e fazem enormes serviços ambientais como sombra, filtragem do ar, etc, e  estão chegando ao fim da vida útil, do ciclo de vida. Como consequência, tivemos nesse milênio inúmeras quedas e acidentes com a espécie, que vem sendo removidas e mutiladas em grande velocidade.

Com isso, some a grande árvore, a cobertura vegetal ampla, a sombra – que constitui uma parte do problema. A outra é que não estamos repondo as velhas tipuanas com novas árvores de mesma biomassa vegetal ampla, a grande “copa urbana”. Canso de ver nas calçadas, onde existiam tipuanas, um “cimentado” escondendo na má-fé que ali havia uma árvore ou sua substituição por uma frágil muda de alguma espécie que jamais chegará ao seu porte, por melhores que sejam as condições de crescimento. São plantas diminutas como resedás e ipêzinhos-amarelo.

O resultado dessa situação será um verdadeiro “apagão verde” em poucos anos da principal espécie  de cobertura verde da cidade, conforme forem caindo e cortadas as velhas e enormes tipuanas até o seu desaparecimento das ruas paulistanas – sem substituição à altura, mesmo no longo prazo.

Em minha opinião, temos excelentes espécies da Mata Atlântica (mais indicadas) para as substituir, só que temos que manter a ousadia do porte das tipuanas, isso é imprescindível, a despeito dos muitos obstáculos a sua existência na urbes, como fiação  aérea, calçadas estreitas, traumas psicológicos coletivos, etc, etc. Não podemos esperar a cidade refazer suas calçadas, enterrar sua fiação, reeducar a população para mantermos a cobertura verde vital.

Exemplos de árvores de porte semelhante para substituir a tipuana, com características adequadas ao meio urbano (que claro, tem que ser avaliadas tecnicamente caso a caso) são  nativas como copaíba (Copaifera langsdorffii), jatobá (Hymanaea courbaril), açoita cavalo (Luehea grandiflora), pau-viola (Cytharexyllum myrianthum), jacarandá paulista (Machaerium villosum), cabreúva (Myrocarpus frondosus), cedro-rosa (Cedrela fissilis), entre muitas outras. Mesmo as plantando em profusão agora nos bairros- jardins, não escaparemos de algumas décadas áridas, fruto da falta de planejamento.

 

Ricardo Cardim

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O Brasil ganha seu 1º livro sobre as árvores gigantes das suas florestas

Países como Alemanha, EUA e Canadá, com uma biodiversidade ínfima comparado ao Brasil, tem livros publicados com algumas das maiores árvores do seus territórios – as mais antigas, interessantes, entre outros atributos. Dono de Hot Spots mundiais como o Cerrado e a Mata Atlântica, o Brasil é um país que abrange uma coleção fantástica de árvores nativas seculares e de proporções imensas. Como então não temos nenhum livro apresentando essas gigantes?

Pensando nisso, publicamos o livro “Remanescentes da Mata Atlântica: As Grandes Árvores da Floresta Original e seus Vestígios”, que conta uma história visual da Mata Atlântica e apresenta cerca de 90 exemplares incríveis observados em 12.500 km de expedições pelo bioma. São preciosidades como jequitibás, perobas e figueiras sobreviventes de cinco séculos de devastação predatória.

Figueira-gigante descoberta no Legado das Aguas. 2018

Livro Remanescentes da Mata Atlântica Ricardo Cardim

 

Descrição:

ISBN: 978-85-62114-86-1
Autor: Ricardo Cardim
Número de páginas: 344
Formato: 25,5×33,6cm
Acabamento: Capa dura

Peso 2.2 kg
Dimensões 5 × 25.5 × 33.6 cm

Site para adquirir o livro e receber em sua casa:

https://www.editoraolhares.com.br/produto/remanescentes/

Para ler a crítica:

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/mariosergioconti/2018/12/a-ferro-e-fogo.shtml

Publicação em parceria com o Museu da Casa Brasileira – São Paulo, patrocínio de Fibria, Legado das Águas Votorantim, Viveiro Fábrica de Árvores, Café Orfeu e Avenues School São Paulo.

Ricardo Cardim

 

 

 

 

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O fotógrafo Claro Jansson e o livro Remanescentes da Mata Atlântica

Um dos fotógrafos mais importantes da história da Mata Atlântica é sem dúvida Claro Jansson. Nascido na Suécia em 1877, chegou ao Brasil em 1891 e foi morar em Jaguariaíva, no estado do Paraná. Na região Sul do Brasil realizou um extenso e pioneiro trabalho de documentação da sociedade e paisagens da época, e dentre seus diferentes temas se destaca a relação entre a floresta e o homem, que possibilitou farta documentação no livro Remanescentes da Mata Atlântica.

Na primeira metade do século XX, a ainda primitiva Mata Ombrófila Mista estava sendo paulatinamente acessada para sua conversão em madeira,  com foco principalmente nas araucárias (Araucaria angustifolia) de tronco retilíneo e fácil aproveitamento. Nesse contexto surge a Lumber, empresa de capital americano considerada a serraria mais moderna da época. Jansson fotografou com habilidade artística e documental a sua rotina operacional, florestas e personagens, perpetuando imagens fundamentais para o entendimento  do que foi o ciclo da madeira no Sul do Brasil. Além da Lumber, muitas outras localidades foram registradas, que mereceram sua reprodução em mais de cinquenta fotografias no livro Remanescentes da Mata Atlântica.

Por um erro de edição, infelizmente os créditos de Claro Gustavo Jansson saíram incompletos no livro impresso. Assim, segue abaixo uma correção possível, com a reprodução das páginas de suas fotografias e o devido crédito:

Acervo Paulo Moretti Junior e  Museu Histórico e Antropológico da Região do Contestado em Caçador, SC: 63c, 63d, 85c, 87c, 104a, 105b, 105c, 110a, 110b, 111c, 111d, 111e, 116a, 116b, 119c, 126a, 126b, 132a, 132b, 133c, 133d, 134a, 135c, 135d, 136a, 136b, 137c, 137d, 138a, 138b, 139c, 139d, 140a, 141b, 142a, 143b, 143c, 144a, 144b, 144c, 145d, 145e, 145f, 146a, 147b, 147c, 148a, 334a.

Acervo Museu Histórico de Três Barras, SC: 62b, 147d

Fotografias de Claro Augusto Jansson no livro Remanescentes da Mata Atlântica 01Fotografias de Claro Augusto Jansson no livro Remanescentes da Mata Atlântica 02Fotografias de Claro Augusto Jansson no livro Remanescentes da Mata Atlântica 03Fotografias de Claro Augusto Jansson no livro Remanescentes da Mata Atlântica 04Fotografias de Claro Augusto Jansson no livro Remanescentes da Mata Atlântica 05Fotografias de Claro Augusto Jansson no livro Remanescentes da Mata Atlântica 06Fotografias de Claro Augusto Jansson no livro Remanescentes da Mata Atlântica 07Fotografias de Claro Augusto Jansson no livro Remanescentes da Mata Atlântica 08Fotografias de Claro Augusto Jansson no livro Remanescentes da Mata Atlântica 09Fotografias de Claro Augusto Jansson no livro Remanescentes da Mata Atlântica 10Fotografias de Claro Augusto Jansson no livro Remanescentes da Mata Atlântica 11Fotografias de Claro Augusto Jansson no livro Remanescentes da Mata Atlântica 12Fotografias de Claro Augusto Jansson no livro Remanescentes da Mata Atlântica 13Fotografias de Claro Augusto Jansson no livro Remanescentes da Mata Atlântica 14Fotografias de Claro Augusto Jansson no livro Remanescentes da Mata Atlântica 15Fotografias de Claro Augusto Jansson no livro Remanescentes da Mata Atlântica 16Fotografias de Claro Augusto Jansson no livro Remanescentes da Mata Atlântica 17Fotografias de Claro Augusto Jansson no livro Remanescentes da Mata Atlântica 18Fotografias de Claro Augusto Jansson no livro Remanescentes da Mata Atlântica 19Fotografias de Claro Augusto Jansson no livro Remanescentes da Mata Atlântica 20Fotografias de Claro Augusto Jansson no livro Remanescentes da Mata Atlântica 21

 

Ricardo Cardim

Dezembro de 2018

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Lançamento do livro Remanescentes da Mata Atlântica – As Grandes Árvores da Floresta Original e Seus Vestígios, de Ricardo Cardim

Com grande alegria convidamos todos que gostam de natureza, árvores e da Mata Atlântica ao lançamento do nosso livro no próximo dia 27 às 19 horas no Museu da Casa Brasileira em São Paulo.

livro remanescentes da mata atlantica ricardo cardim museu da casa brasileira

 

APROVEITE PARA ADQUIRIR O LIVRO COM 20% DE DESCONTO ATÉ O LANÇAMENTO, e retirar sem custo no dia. O livro apresenta 344 páginas em grande formato a cores e mais de 500 fotografias modernas e antigas da floresta e suas grandes árvores. Clique no link abaixo para comprar:

 

https://olhares.store/produto/remanescentes/

 

Ricardo Cardim livro remanescentes da mata atlantica

Release oficial:

O Museu da Casa Brasileira, em parceria com a Editora Olhares, lançará o livro “Remanescentes da Mata Atlântica – As Grandes Árvores da Floresta Original e Seus Vestígios”, de autoria do botânico e paisagista Ricardo Cardim, no dia 27 de novembro, com entrada gratuita.

A publicação, que deriva da exposição Remanescentes da Mata Atlântica & Acervo MCB, apresenta uma história visual desde fotografias e desenhos dos séculos passados da floresta primitiva original, registros do processo de desmatamento, vestígios materiais (como móveis antigos), construções e ferramentas, até o que restou do bioma atualmente.

Para complementação do conteúdo a ser apresentado, expedições a diferentes pontos da Mata Atlântica, em busca dos últimos espécimes de grande porte, ocorreram no período de julho a setembro nos estados de SC, PR, SP, ES, BA e AL. Além de Ricardo Cardim, participaram o fotógrafo Cassio Vasconcellos e o botânico Luciano Zandoná. Os registros desta empreitada, produzidos também com uso de drone, estarão presentes no livro.

A ideia é lançar uma semente para um futuro museu da Mata Atlântica, uma provocação para que comecemos a formar um necessário e inédito acervo que conte a história de nossa floresta para esta e as futuras gerações”, adianta o autor.

Os patrocinadores do livro são a Fibria, Reservas Votorantim, Viveiro Fábrica de Árvores, Avenues School São Paulo e Café Orfeu. Não foi utilizado nenhum tipo de isenção fiscal.

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Convido todos os amigos das árvores a nos acompanharem agora pelo Instagram ricardo__cardim

O nosso blog Árvores de São Paulo migrou para o Instagram, com mais conteúdo e dinamismo.

https://www.instagram.com/ricardo__cardim/

Por favor no acompanhe pela conta:

ricardo__cardim

Espero vocês lá!!

 

Abraços

 

Ricardo

 

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Nesse sábado vamos juntos plantar o novo Largo das Araucárias em Pinheiros!

Para fechar o ano de 2017 convidamos quem gosta de árvore para um plantio muito significativo para a cidade de São Paulo, o novo Largo das Araucárias, no bairro de Pinheiros, resgatando uma dívida secular com a espécie que batizou o local.

Significativo porque essa será a floresta de bolso que mais modificará uma paisagem urbana. O projeto começou em maio desse ano, quando após plantarmos o “Bosque da Batata” percebemos um terreno todo cercado por tapumes velhos pixados e cercados de lixo no meio das ruas, como que “invisível ” a todos que ali passavam. Uma área grande, com cerca de 600 m² com um portão trancado a cadeado e muito lixo dentro.

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O local todo cercado, “invisível”

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Dentro, muito lixo!

Após conversa com a Subprefeitura de Pinheiros foi descoberto que o terreno era público e era sobra das obras de remodelação do bairro anos atrás. Com o apoio de um doador privado para a execução de todo o projeto, começou em outubro um intenso trabalho para transformar aquele espaço degradado. Saíram toneladas de lixo e entulho.

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O piso limpo. Atrás, a nossa floresta de bolso do “Bosque da Batata” plantada em maio último.

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A máquina removendo toneladas de concreto sobre o solo, um recomeço

No meio da terra encontramos novamente a belíssima e fértil terra preta das antigas margens do Rio Pinheiros, sepultada há 200 anos!

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Sob um metro de aterros humanos aparece uma preciosidade!

Em novembro, começaram os jardins de chuva de projeto de Guilherme Castagna que receberão mudas de plantas ornamentais da Mata Atlântica. Hamilton Cezar, paisagista sustentável, também começou a plantar um trecho com plantas dos antigos e raríssimos cerrados da cidade de São Paulo os “Campos de Piratininga” transplantadas de terrenos em desmatamento próximos em Embu, e as calçadas, que estavam completamente degradadas e foram substituídas por novas plenamente acessíveis, homogêneas e muito duráveis. Obra do urbanista Sérgio Reis.

Agora é todos juntos nesse sábado plantarmos um paisagismo com Mata Atlântica, Floresta de Bolso e muitas araucárias, para mostrar que é possível transformar um posto de gasolina abandonado em uma nova área verde e de lazer para a cidade – e que também uma nova cidade é possível. Esse projeto será uma praça,  com acessos em paralelepípedos e bancos para a multidão que ali passa diariamente descansar e contemplar a natureza.  Leve as crianças, a família, amigos!! Todos convidados para plantar juntos!!

Informações:

Dia: 16 de dezembro de 2017, sábado.

Hora: 10 horas da manhã

Local: Rua Pais Leme com Rua Padre Carvalho, Pinheiros, atrás da Igreja de Pinheiros. Fácil acesso por bicicleta, metro e onibus.

Parceiros:

Ricardo Cardim – Floresta de Bolso

Nik Sabey – Novas Árvores Por Aí

Sérgio Reis – Urbanista

Mudas de árvores e paisagismo: Viveiro Legado das Águas Votorantim (plantas ornamentais), Viveiro Fábrica de Árvores (arborização) e  Brasilensis Paisagismo Ecológico (plantas do cerrado).

Apoio institucional: Subprefeitura de Pinheiros.

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Nesse sábado 23, às 10 hs, tem floresta de bolso em plantio coletivo, todos convidados!! Verdejando 2017

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, pessoas em pé, criança e atividades ao ar livre

Enfim chegou a hora! Vamos plantar uma Mata Atlântica em um local especial, o árido Parque da Juventude, na Zona Norte de São Paulo, a 1° da região.  Levem a família, principalmente as crianças, para plantar árvores raras como a araucária, cambuci, peroba e jequitibá. A terra será toda super preparada e enriquecida, para as 600 árvores crescerem bem fortes.

Porque esse local é especial?

Até 2002, ali funcionou o presídio do Carandiru, com 8.000 presos, um local de verdadeiro drama humano, que a nova floresta de Mata Atlântica ajudará a recuperar e “curar” esse solo.

Imagem relacionada

O local até 2002

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O mesmo local hoje. Do lado esquerdo da foto, será a nova floresta de bolso, trocando um gramado agressivo e seco pela biodiversidade

 

CONFIRME SUA IDA NA PÁGINA DO EVENTO:

https://www.facebook.com/events/118427778843281/

INFORMAÇÕES:

Local: Em frente a biblioteca, na Avenida Cruzeiro do Sul, fora da cerca do parque.
Endereço: Av. Cruzeiro do Sul, 2630 – Carandiru, São Paulo – SP, 02030-100

Horário: A partir das 10 hs.

Data: Sábado, 23 de setembro de 2017
COMO CHEGAR?
Melhor meio é de metrô, descendo na frente, na Estação Carandiru.
De carro, tem estacionamento pago com 228 vagas pela entrada da Av. Cruzeiro do Sul. R$ 5,00.
Aguardamos vocês!
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Amargo é o remédio. Porque defendo retirar as palmeiras invasoras do Parque Trianon

“Amargo é o remédio, mas é ele quem vai salvar o doente”. O doente, nesse caso, é o querido Parque Trianon ou Siqueira Campos, na Avenida Paulista. Pedacinho da antiga mata do Caaguaçú, ou “mata grande” em tupi, constitui o último trecho de Mata Atlântica original na região central da metrópole. Até dois séculos atrás fazia parte de uma extensa floresta, com antas, onças, macacos, cervos, catetos e muitos outros vivendo juntos a enormes jequitibás, perobas, cambucis, no ponto mais alto da então cidadela de São Paulo. Formavam um ecossistema equilibrado, interdependente, com o jatobá contando que a anta comesse seus frutos para quebrar no seu estômago a dormência das sementes e germinar uma nova árvore. Pouco antes de virar Avenida Paulista, seu antigo dono Paim Vieira, da Chácara do Capão, escreveu: “Era uma imensa floresta, povoada por abundante fauna“.

Quando a cidade derrubou a floresta, expulsou seus bichos, e deixou somente um vestígio do Caaguaçu. Rapidamente se pôs a modificar sua natureza, trazendo paisagistas europeus que plantaram espécies estrangeiras em moda na Europa para combinar com a arquitetura das casas, copiadas das cidades do outro lado do oceano. Assim também foi feito com os jardins das casas, e uma paisagem européia surgiu onde pouco tempo antes foi o berço da Mata Atlântica paulistana.

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Em pouco tempo, a “mata grande” dos índios cedeu lugar a pinheiros e plantas européias, criando uma paisagem que poderia estar em Berlim, Paris ou Londres. No fundo, o Trianon.

Com a cidade virando metrópole no século passado, poucos atentaram para a Mata Atlântica do Trianon. Os olhares estavam no progresso, nos carros, nos edifícios. Enquanto isso, não havia mais nenhum bicho para plantar as sementes de jatobá, de palmito jussara, e de tantas outras que foram sumindo, e nem eles podiam alcançar a floresta trazendo novas sementes dos arredores. Os ventos agora canalizados por construções, derrubavam as mais antigas e altas árvores. Eucaliptos australianos tiravam o sol das plantas nativas, enquanto as ornamentais exóticas, o espaço. O ar ficava cada vez mais seco. Os últimos pássaros e pequenos mamíferos não adaptados a cidade, eram caçados e mortos por gatos e cães domésticos.

TRIANON

Nessa foto do Botânico Hoehne do começo do século, ainda era possível ver plantas hoje desaparecidas, como o samambaiaçu, à esquerda

Inviabilizado como pequeno fragmento de mata tropical, seu ecossistema foi gradativamente e silenciosamente se deteriorando. Para o visitante amigo da natureza, estava tudo bem, a mata continuava com suas árvores e arbustos, e agora mais bonita, “civilizada” pelo paisagismo da moda.

Assim, sumiram os pássaros restritos a Mata Atlântica e entraram os generalistas, aqueles que conseguem viver nas hostis condições urbanas e se alimentam de muitas coisas diferentes. Ao mesmo tempo, nos jardins sofisticados da cidade uma palmeira de origem australiana entra na moda e participa dos mais sofisticados jardins, a seafórtia (Archontophoenix cunninghamii). Não se sabia na época que era uma  espécie invasora, e nem que isso existia.

seafórtia - arvores de são paulo - ricardo cardim

A palmeira australiana seafórtia no Vale do Anhangabaú no começo do século XX.

Nos anos 1990, o Parque Trianon, dormitório dos pássaros generalistas, está com o seu solo forrado de sementes e mudas da palmeira seafórtia, que sem inimigos naturais, um clima mais propício que sua terra natal, e com amplos espaços livres dentro da floresta deixados pelas espécies que sucumbiram ou foram cortadas, se desenvolve rapidamente. Em poucos anos alcançam porte e formam uma densa copa, que sombreia a mata abaixo. As mudas das árvores nativas ainda sobreviventes a todas essas agressões lutam para resistir a competição por água, luz e nutrientes com o “tapete” de palmeiras australianas que vai se formando e ocupando progressivamente o espaço que já foi dos palmitos-jussara, ingás, angicos e muitos outros. Para os usuários desavisados, aquele denso palmeiral esbelto, de sombrio verde-escuro, vigoroso e cada vez mais denso significa a pujança da mata tropical, e um motivo de deleite. Na primeira década do milênio, a palmeira seafórtia torna-se a senhora do sub bosque do Trianon.

parque trianon - palmeiras invasoras - foto de ricardo cardim

De Mata Atlântica biodiversa a palmeiral exótico. No meio, um eucalipto australiano.

Nesse momento o fragmento do Caaguaçu vira um doente terminal. Sua Mata Atlântica não resiste mais ao histórico de um século de agressões, descasos e isolamento. Em cada verão, caem árvores seculares que não conseguiram deixar descendentes. Ano passado foi um enorme jequitibá-branco na cerca da Al. Casa Branca. O sub bosque, cada vez mais pobre pelo excesso de sombra das seafórtias e falta de novas sementes, vira apenas um tapete de folhas com plantas comuns de paisagismo.

Se nada for feito, e as palmeiras exóticas não forem removidas rapidamente, como é feito em muitos lugares do mundo onde a sociedade e técnicos se mobilizam pela preservação de seus “museus vivos” da natureza ancestral, nossos filhos e netos terão apenas uma floresta de palmeiras australianas. Sem Mata Atlântica. Sem jequitibás e perobas. Não é previsão alarmista, isso ocorreu na Mata Atlântica da USP da Cidade Universitária, veja a foto de satélite abaixo:

parque trianon - palmeiras invasoras invadindo a USP - foto de ricardo cardim

A mancha de palmeiras na região central se espalha, como um tumor, na Mata Atlântica. Reparem que no meio da mancha, não existe mais nenhuma copa de árvore, só a seafórtia australiana. Esse é o destino do Parque Trianon se nada for feito.

Como tirar as palmeiras?

Quando em 2010 se cogitou remover as seafórtias da reserva de Mata Atlântica da Cidade Universitária da USP ocorreu uma breve polêmica e reações emocionais entre as pessoas menos informadas, e isso estimulou diversas pesquisas de cientistas do Instituto de Biociências para comprovar o extenso dano que estava ocorrendo para a sobrevivência da floresta nativa. Assim,  com os claros resultados obtidos, o governo removeu  todas as palmeiras seafórtias adultas em 2011 e as substituíram por 120 espécies nativas. Como aluno de mestrado no local na época, testemunhei todo o processo e vi a Mata Atlântica renascer sem as palmeiras invasoras, voltando a receber sol no interior da mata e despertar seu banco de sementes, brotando muitas espécies nativas antes “afogadas” pela invasão. Passados 6 anos, ver a mata da USP hoje é muito diferente. É uma Mata Atlântica típica, mais saudável, em sua dinâmica e perpetuação natural.

usp - remoção das palmeiras invasoras

Remoção da palmeira invasora, com dano mínimo ao ecossistema e plantio de mudas nativas em 2011 na USP

Outro aspecto importante é que a fauna não passará fome sem a seafórtia, pesquisadores descobriram que seus frutos são praticamente nulos de elementos nutritivos. Ela apenas “engana” o pássaro generalista com sua cor vermelho vibrante.

No Trianon, a troca da palmeira invasora australiana será por plantas que ocorriam na região séculos atrás, como o palmito-jussara (Euterpe edulis), palmeira nativa e ameaçada de extinção da nossa Mata Atlântica que séculos atrás foi muito abundante nessa floresta – e os pássaros adoram. Para isso, uma verdadeira “operação cirúrgica” será realizada junto a profissionais e pesquisadores, extraindo cuidadosamente as palmeiras invasoras e as substituindo por espécies nativas mantendo ao máximo a integridade da floresta. Embora as seafórtias sejam bonitas, lhes asseguro que a Mata Atlântica bem preservada vence de forma disparada em beleza e encanto aos olhos. E mais, o Trianon não é nosso. É de nossos filhos e netos, e devemos passá-los a eles como o testemunho de Mata Atlântica que é. Por isso é que desde 2014 junto com a ONG S.O.S. Mata Atlântica trabalho e estou como consultor para essa medida e restauração do parque. Em 2008 fiz um artigo sobre o problema: https://arvoresdesaopaulo.wordpress.com/2008/07/07/seafortia/

Esse “amargo remédio” nos faz lembrar que a responsabilidade de tudo isso é nossa. Da arrogância humana de achar que pode “embelezar” uma floresta que demorou milênios para se formar, com toda uma fauna e flora interdependentes. Que pode trazer plantas e bichos de longe por mero capricho ou status em jardins sem ter consequências terríveis. A invasão biológica é tema tão sério, que hoje é considerada a segunda maior causa da perda de biodiversidade no planeta, só perdendo para a destruição direta dos habitats, causada por instrumentos como fogo e tratores.

Ricardo Cardim

Para saber mais, seguem bibliografias para consulta sobre o tema com o respectivo link:

1.IABIN- Inter American Biodiversity Information Network. I3N – Invasives Information Network:

http://i3n.institutohorus.org.br/www/

2. 100 of the world’s worst invasive alien species: a selection from the global invasive species database. S Lowe, M Browne, S Boudjelas, M De Poorter – 2000 – academia.edu

https://scholar.google.com.br/scholar?q=invasive+species+un&btnG=&hl=pt-BR&as_sdt=0%2C5

3. Os processos de degradação ambiental originados por plantas exóticas invasoras. Revista Ciência Hoje, São Paulo, 2001

Clique para acessar o Ciencia%20Hoje.pdf

4. Williamson, M. 1996. Biological Invasions. London. Chapman & Hall:

https://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&lr=&id=eWUdzI6j3V8C&oi=fnd&pg=PR11&dq=williamson+1996+invasions&ots=azEhGeytbv&sig=B2DUKnhPhSJ8eb2H_aXWNyecVsM#v=onepage&q=williamson%201996%20invasions&f=false

5. Projeto de Preservação do fragmento de Mata Atlântica da Universidade de São Paulo (USP) para remoção das palmeiras invasoras. Instituto de Biociências, disponível em:

http://www.ib.usp.br/manejo-de-palmeiras.html

6. Phenology and fruit traits of Archontophoenix cunninghamiana, an invasive palm tree in the Atlantic forest of Brazil. Ana Luisa Mengardo & Vânia Regina Pivello. Disponível em:

http://www.soctropecol.eu/PDF/Ecotropica_2012/Mengardo_2012_Ecotropica_18_1.pdf

7. Subsídios para o manejo da invasão biológica de uma palmeira em áreas de Mata Atlântica. ALT Mengardo. Mestrado USP, 2011.

http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/41/41134/tde-09122011-131538/en.php

8. Fecundidade, dispersão e predação de sementes de Archontophoenix cunninghamiana H. Wendl. & Drude, uma palmeira invasora da Mata Atlântica. AV Christianini. Revista Brasileira de Botânica, 2006 – SciELO Brasil.

http://www.scielo.br/pdf/%0D/rbb/v29n4/07.pdf

9. A invasão de um fragmento florestal em São Paulo (SP) pela palmeira australiana Archontophoenix cunninghamiana H. Wendl. & Drude. RICARDO DISLICH, NABOR KISSER e VÂNIA R. PIVELLO. Rev. bras. Bot. vol.25 no.1 São Paulo Mar. 2002.

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-84042002000100008

10. The effects of an exotic palm on a native palm during the first demographic stages: contributions to ecological management. Ana Luisa T. Mengardo ; Vânia R. Pivello. Acta Bot. Bras. vol.28 no.4 Belo Horizonte Oct./Dec. 2014.

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-33062014000400009

11. Comparing the establishment of an invasive and an endemic palm species in the Atlantic rainforest. MENGARDO, A. L. ; FIGUEIREDO, C. L. ; TAMBOSI, Leandro Reverberi ; PIVELLO, V. R. Plant Ecology & Diversity (Print), v. 5, p. 345-354, 2012.

http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/17550874.2012.735271

12. O impacto das plantas invasoras nos recursos naturais de ambientes terrestres: alguns casos brasileiros. DMS Matos, VR Pivello – Ciência e Cultura, 2009 – cienciaecultura.bvs.br

http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?pid=S0009-67252009000100012&script=sci_arttext

13. Tree structure and species composition changes in an urban tropical forest fragment (São Paulo, Brazil) during a five year interval. DISLICH, Ricardo ; PIVELLO, V. Boletim de Botânica da Universidade de São Paulo, v. 20, p. 1-10, 2002.

http://www.jstor.org/stable/42871514

 

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Grama esmeralda, a inimiga das árvores

 

arvores de são paulo - ricardo cardim

Cena comum onde existe grama esmeralda nas praças paulistanas: muitas árvores estagnadas, enfezadas e aneladas.

Nas praças, parques e canteiros das cidades é comum ver mudas de árvores enfezadas, raquíticas, com algumas folhas e aspecto de sofrimento. Embaixo dela, uma densa e vigorosa cobertura da grama-esmeralda (Zoysia japonica), uma espécie de grama chinesa e japonesa difundida a partir dos anos 1970 e que é a mais popular atualmente.

Nossa experiência tem mostrado uma clara correlação entre as duas situações. A grama esmeralda é uma forração muito agressiva, de sistema radicular fibroso, amplo, formando uma verdadeira camada de vedação ao solo, com cerca de 15 a 20 cm de biomassa. Muito eficiente na captação de água e nutrientes, essa grama praticamente rouba a nutrição e hidratação das mudas de árvores na camada superficial do solo, deixando-a em estado de inanição, e não a deixando ganhar força para suas raízes alcançarem camadas mais profundas, que a fariam crescer e escapar da concorrência do gramado.

arvores de são paulo 2 grama esmeralda ricardo cardim

Além da fibrosa e densa biomassa competindo com a muda, o quase inevitável “anelamento” pela roçadeira

Associado a isso, ainda existe um efeito colateral, o corte do gramado com roçadeira que invariavelmente arranca a casca do tronco da muda em forma de anel (anelamento) e a sufoca, matando-a ou a enfezando mais. Alguns preferem fazer a remoção da grama em volta com enxada, uma atitude péssima para a muda de árvore, já que arranca e lesa suas raízes superficiais, as mais importantes para a nutrição da jovem árvore, além de ressecar o solo ainda mais pela sua total exposição.

Se vai plantar árvores e quer vê-las crescer saudáveis, fuja da grama esmeralda. Embaixo da árvore vão bem forrações como vedélia, grama amendoim, lantanas e outras. Se quiser gramado, tem espécies que aparentemente competem menos com as árvores, como a batatais e a são carlos, ambas nativas.

Ricardo Cardim

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As 3 espécies de árvores mais plantadas hoje na cidade de São Paulo são exóticas

Até a virada do século, a cidade de São Paulo plantava muitas espécies de árvores estrangeiras nas suas ruas e praças, como a tipuana, árvore-da-china e resedá. Isso mudou, e com o adventos dos manuais de arborização da prefeitura uma nova lista surgiu repleta de espécies nativas do Brasil e algumas nativas regionais, o que foi ótimo para a sustentabilidade ecológica da metrópole. Entretanto, mesmo com a dezenas de espécies da Mata Atlântica local disponíveis na lista oficial e atualmente muito raras na arborização urbana, as espécies de novas árvores que vemos sendo plantadas nas ruas são sempre as mesmas três. Até hoje. Trata-se da sibipiruna, do pau-ferro e mirindiba. Observar atentamente as árvores jovens e mudas plantadas em paisagismo privado, compensações ambientais e arborização é só achar elas, o que é péssimo para a biodiversidade em uma cidade que tem mais de 300 espécies de árvores nativas no seu território e a árvore-símbolo é o cambuci, que aliás está quase extinta por aqui, com pouco menos de 10 exemplares adultos na malha urbana. Detalhe importante: a sibipiruna, o pau-ferro e a mirindiba são exóticas na cidade de São Paulo, de formações vegetais do Rio de Janeiro para cima. Planta não reconhece fronteiras políticas, mas ambientais, e planta nativa é aquela que existia originalmente na região, regional, assim, essas três espécies são tão exóticas na cidade como a boliviana tipuana (Tipuana tipu).

  1. Sibipiruna (Poincianella pluviosa  L.P.Queiroz)

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2. mirindiba (Lafoensia glyptocarpa Koehne)

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3. pau-ferro (Libidibia ferrea  L.P.Queiroz)

pau-ferro - distribuição no Brasil - Árvores de São Paulo - Ricardo Cardim

 

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Bibliografia:

Reflora – Flora do Brasil 2020 – Jardim Botânico do Rio de Janeiro:

http://reflora.jbrj.gov.br/reflora/listaBrasil/ConsultaPublicaUC/ResultadoDaConsultaNovaConsulta.do#CondicaoTaxonCP

Inventário da Biodiversidade do Município de São Paulo 2016:

Clique para acessar o pubbiodiversidademunsp2016.pdf

 

Ricardo Cardim

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10 plantas nativas boas para usar no paisagismo

No último artigo falamos das dez plantas mais comuns no paisagismo brasileiro atual, todas exóticas e seguindo modas do estrangeiro, levando ao triste cenário de 90% da vegetação urbana ser de origem estrangeira. Uma velha justificativa da persistência do uso desse elenco insustentável por alguns profissionais é que não existem plantas nativas disponíveis no mercado de paisagismo. Isso não é verdade, temos várias nativas do bioma Mata Atlântica disponíveis nos viveiros. A questão é conhecer e procurar. Usar plantas nativas do local reequilibra o meio ambiente, ajuda a salvar plantas e bichos da extinção, educa para a preservação dos remanescentes naturais e ainda economiza água de irrigação, dá menos manutenção e cresce mais rápido. No Brasil, o país mais rico em espécies de plantas do mundo, é o único caminho a se seguir.

Seguem abaixo:

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1. araçá piranga ( Eugenia leitonii ) – Uma árvore de casca dourada belíssima e frutos comestíveis.

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2. Cambucá (Plinia edulis), a jabuticaba amarela gigante e super saborosa. Sua árvore é muito ornamental, podendo ser usada em vasos inclusive.

3. Pati ou patioba (Syagrus bothryophora) uma palmeira de estética fantástica nativa da Mata Atlântica do Espírito Santo e Bahia.

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4. Palmito-jussara (Euterpe edulis). Essa elegante palmeira ameaçada de extinção da Mata Atlântica é uma enorme fonte de alimentos para pássaros e mamíferos. Na fase jovem gosta de meia-sombra e da companhia de outras plantas adensadas ao lado.

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5. Palmeira de petropolis (Lytocaryum weddellianum), uma planta belíssima para ambientes internos e sombreados.

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6.  jerivá (Syagrus romanzoffiana) é uma palmeira muito bela, principalmente quando em grupo e sem poda das folhas mais velhas. Alimenta pássaros como papagaios.

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7. pitanguinha (Eugenia mattosii), arbusto frutífero e de estética idêntica ao exótico buxinho. Produz frutos comestíveis a humanos e pássaros e forma ótimas cercas-vivas.

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8. guaimbé (Philodendron bipinnatifidum), uma planta de folhas impressionantes e que vai bem em quase todos os ambientes, do sol a sombra.

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9. capim rabo-de-burro (Andropogon bicornis). Um capim de fácil cultivo e manutenção com estética belíssima, ainda mais em maciços.

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10. Dicorisandra ou gengibre-azul (Dichorisandra thyrsiflora), arbusto muito florido da floresta atlântica, apreciado por pássaros.

Isso é apenas uma ínfima amostra do potencial que temos nos biomas brasileiros. No dia em que usarmos apenas 1% (!!) das 50.000 espécies de plantas nativas do Brasil teremos muitas opções estéticas e sustentáveis. Lembrando que planta nativa é aquela que estava no terreno em questão antes da colonização humana, e que não tem nada a ver com fronteiras políticas, algo inventado pelo homem. Quanto mais regional, local, melhor.

Todas essas plantas são encontradas em grandes viveiros. No Ceasa de São Paulo e Campinas algumas são comuns.

Ricardo Cardim

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Quais são as 10 plantas mais comuns no paisagismo? Porque precisam ser trocadas?

De onde vem as espécies de plantas “ornamentais” disponíveis nas lojas e viveiros no Brasil? Quando você vai escolher uma palmeira ou arbusto, quem escolheu antes para você entre as centenas de milhares de espécies de plantas existentes no planeta? Porque o cardápio é só aquele?

São perguntas ainda pouco feitas no Brasil a se observar nos projetos de paisagismo residenciais, públicos e privados e seu elenco de plantas. A esmagadora maioria usa as mesmas espécies disponíveis, mudando apenas sua composição e quantidade nas áreas verdes. Os resultados são jardins sempre parecidos, monótonos e com baixa capacidade de serviços ambientais e biodiversidade.

Essas “plantas ornamentais” comuns no mercado são quase todas de origem estrangeira, e seguem as modas lançadas em países de clima frio e realidade natural e urbana bem diferente das nossa, como Holanda, Inglaterra, EUA e Japão. O Brasil, país de maior diversidade de plantas do mundo, com mais de 50.000 espécies de plantas nativas diferentes, quase não usa sua biodiversidade e sim esse “pacote” exótico importado, que faz cerca de 90% da vegetação usada no paisagismo brasileiro ser estrangeira.

As consequências desse nosso hábito traz enormes prejuízos para os biomas nativos, por causa da proliferação de plantas exóticas invasoras, extinção de fauna e flora locais e o desconhecimento da nossa população, dona da maior biodiversidade mundial.

É urgente um movimento de renovação no paisagismo brasileiro e no seu mercado para resgatar e utilizar todo o enorme potencial de plantas ornamentais nativas regionais, formando não somente projetos belos, mas principalmente funcionais para a comunidade, cultura e meio ambiente. Abaixo a lista das 10 plantas ornamentais mais comuns:

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1. palmeira azul (Bismarckia nobilis) Origem: África

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2. palmeira rabo de raposa (Wodyetia bifurcata) Origem: Austrália

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3. areca-bambu (Dypsis lutescens) Origem: África

 

 

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4. palmeira fênix (Phoenix roebelenii) Origem: Ásia

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5. cica (Cycas revoluta) Origem: Ásia

 

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6. buxinho (Buxus sempervirens) Origem: Europa

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7. capim do texas (Pennisetum setaceum) Origem – África

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8. kaizuka (Juniperus chinensis torulosa) – Origem: Ásia

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9. agaves (Agave sp.) – América Central

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10. podocarpus (Podocarpus macrophyllus) Origem: Ásia

No próximo post vamos trazer opções de espécies dos biomas brasileiros já produzidas no mercado brasileiro para a troca.

Ricardo Cardim

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Plantio coletivo de Mata Atlântica nesse domingo!! Participe da Floresta de Bolso no meio de Pinheiros

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Vamos juntos transformar totalmente uma praça árida e cheia de lixo em Pinheiros na mais nova Floresta de Bolso na cidade de São Paulo. Você e sua família estão convidados, principalmente as crianças, que poderão deixar sua marca na metrópole por muitas décadas e acompanhar com seu crescimento em uma lembrança única.

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Nesse 1° plantio de 2017 escolhemos uma área completamente abandonada e desprovida de vegetação atrás da Igreja de Pinheiros, local de passagem e vivência diária de milhares de pessoas. O local provavelmente é habitado há mais de 300 anos, e sofreu sucessivas construções ao longo do tempo, tornando seu solo cheio de entulhos e muito compactado. Com uma máquina conseguimos “quebrar” a barreira de entulhos de espessura de até 1 metro de profundidade e achar a antiga terra preta das margens do Rio Pinheiros, que passava ali perto.

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O encontro com a fantástica terra preta original sepultada há séculos pela cidade

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As camadas de entulhos e barro sobre a terra original do Rio Pinheiros ainda limpo.

Essa bela terra fértil, quando voltou a receber a luz do dia séculos depois, estava ainda limpa e com suas características aparentes originais . O terreno de 500 m² recebeu três caminhões de triturados de podas de árvores urbanas e teve o seu entulho maior coletado, revivendo para receber de novo a floresta nativa.

Floresta de Bolso é uma metodologia para trazer de volta a Mata Atlântica para o cotidiano dos paulistanos e melhorar os serviços ambientais urbanos  e a biodiversidade nativa, e seus principais benefícios são:

  • Grande densidade e diversidade de espécies nativas regionais;
  • Alimento para a fauna que combate pragas urbanas;
  • Redução da temperatura e ilhas de calor;
  • aumento da umidade do ar;
  • Diminuição da poeira e fuligem no ar;
  • Retenção das águas da chuva, miniminizando enchentes e alimentando o lençol freático;
  • Liberação de sementes e aumento espontâneo da Mata Atlântica na cidade;
  • Redução de gases tóxicos da poluição urbana;
  • Lazer e descanso para a comunidade.

Nessa floresta serão plantadas cerca de 300 árvores e arbustos de 70 diferentes espécies nativas de nossa região, incluindo frutíferas raras e espécies em extinção. Também plantaremos espécies nativas de PANCs (Plantas Alimentícias Não Convencionais) dentro do conceito de AgroFloresta e outras espécies alimentares como abóboras e melancias.

Todo os recursos provenientes para o plantio da ação Floresta de Bolso é oriundo de doações privadas, não participando nenhuma forma de recursos públicos. A 1° Floresta de Bolso também será parte dos eventos do Feira Viva, de agricultura orgânica e gastronomia sustentável.

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A praça com a terra já preparada para o nosso plantio!!

PLANTAR UMA FLORESTA DE BOLSO É PLANTAR A ETERNIDADE. A CERTEZA DE ALGO QUE IRÁ ATRAVESSAR GERAÇÕES E QUE COM A NOSSA BOA VONTADE DEIXAMOS DE LEGADO PARA OS PAULISTANOS DO FUTURO. PARTICIPE!

LOCAL e Horários:

Rua Pais Leme, altura do número 42, esquina com a Rua Padre Carvalho, atrás da Igreja de Pinheiros. Fácil acesso por bicicleta, metrô, trem, ônibus e carro.

Dia 07 de maio, domingo, a partir das 10 horas da manhã.

Participação gratuita. Quem tiver ferramentas para cavar, pode levar, precisamos!

Também são bem-vindas mudas e sementes nativas da Mata Atlântica.

CONFIRME PRESENÇA AQUI:

https://www.facebook.com/events/1251460341640877/

Parceiros:

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Ricardo Cardim

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Vamos plantar uma floresta de Mata Atlântica nesse sábado? Você e sua família estão convidados!

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Todos juntos vamos plantar uma Mata Atlântica com 500 árvores!! Será a ação de encerramento do Verdejando 2016 da Globo e que contará com muitas outras atrações, como diferentes oficinas, principalmente para as crianças.

O local! Em breve existirá uma Mata Atlântica aí.

O tema dessa Floresta de Bolso será a embaúba, uma árvore típica da Mata Atlântica e que é a “casa” do bicho preguiça, hoje ambos muito raros na metrópole, plantaremos 23 delas. Dentre as espécies que todos terão a oportunidade de plantar temos:

  • Arvores que viverão mais de 200 anos! A figueira-brava poderá ser visitada por paulistanos no ano de 2216!
  • 130 árvores frutíferas da Mata Atlântica e muito raras atualmente, como o cambuci, araticum, uvaia e cereja brasileira!
  • Espécies de madeira-de-lei como o jatobá, peroba e jequitibá.

 

Acesso fácil pelo Metrô Belém

Parceira- Novas Árvores Por Aí e Fábrica de Árvores

Ricardo Cardim

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Fruta do araticum

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bicho preguiça na embaúba

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Também teremos mudas de araucárias

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Fruto da peroba

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As árvores mais indicadas para plantar na cidade de São Paulo no Dia da Árvore

A metrópole nasceu em berço de Mata Atlântica, Cerrado e araucárias. Cresceu, e hoje substituiu sua biodiversidade por plantas estrangeiras. Plantar as nossas árvores nativas é resgatar o equilíbrio ecológico, diminuir manutenção, trazer mais água, ter plantas que se desenvolvem melhor, atrair mais fauna e ensinar as pessoas sobre o nosso maior patrimônio: a natureza.

Assim, nesse Dia da Árvore, o blog traz uma seleção de espécies que acreditamos fundamentais em projetos de arborização e paisagismo em São Paulo. Todas são nativas do território.

  1. PARA CALÇADAS ESTREITAS:

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Pitangueira (Eugenia uniflora) – árvore frutífera de até 4 metros, tem Madeira resistente, e vira um buquê branco em setembro, ficando depois carregada de pequenos frutos que fazem a festa da passarada e pessoas.

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Palmito jussara (Euterpe edulis) (lugares de meia-sombra) planta-mãe da Mata Atlântica, alimenta inúmeros bichos do bioma, está em extinção e é muito elegante.

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Ipê amarelo (Handroanthus ochraceae) – cresce até uns 4 metros nas condições urbanas de São Paulo e fica totalmente florido em agosto. Madeira dura e resistente.

PARA CALÇADAS MÉDIAS:

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Cambuci (Campomanesia phaea) – árvore símbolo da cidade e que hoje está quase extinta por aqui. Já foi comum a ponto de nomear bairro e rio. Dá frutos muito saborosos, tem madeira resistente e forma elegante. Na cidade altura média de 4 metros e tronco de 25 cm de diâmetro.

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Inga (Inga sp.)- árvore frutífera que recobria às margens dos rios paulistanos, cresce rápido e é muito ornamental.

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Tarumã do cerrado (Vitex polygama) – árvore escultural, produz frutos comestíveis semelhantes a uma azeitona preta. Muito rara hoje.

PARA CALÇADAS LARGAS:

Copaíba (Copaifera langsdorffii) árvore belíssima, de copa ampla e arejada, Madeira resistente, com folhas médias e frutos pequenos apreciados pelos pássaros, pode viver mais de dois séculos.

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Canelinha (Nectandra megapotamica)- copa redonda e cheia, folhas médias e frutos pequenos queridos pela fauna, foi a madeira usada nas casas bandeiristas.

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Jacarandá-paulista (Machaerium villosum) – árvore de crescimento rápido e copa ampla, com raízes profundas, muito bonita.

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Resultado de imagem para flores Jacarandá-paulista

PRAÇAS E PARQUES:

Araucária (Araucaria angustifolia) – espécie extinta na forma nativa na cidade, é escultural e emblemática. Cresce rápido e a sol pleno.

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Figueira-brava (Ficus organensis, Ficus insipida, Ficus enormis, Ficus gomelleira, Ficus guaranitica, entre outras espécies nativas com esse nome popular) – são as árvores-monumento da flora paulistana. Duram séculos, planta-las é deixar um legado para as próximas gerações. Tem muitas espécies nativas, sendo a mais indicada a Ficus organensis. Muitas crescem em frestas de muros, onde podem ser removidas com cuidado e plantadas em recipientes de mudas para depois ir para a cidade.

Jequitibá-branco (Cariniana estrellensis) – árvore-rei da floresta paulistana, dura séculos e forma uma enorme e bela copa. Muito rara atualmente.

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DICAS DE PLANTIO-

Consulte o manual de arborização da prefeitura de São Paulo:

Clique para acessar o MARBOURB.pdf

Atente para o espaço e interferências próximas, abra um berço quadrado de no mínimo 50x50x50 cm, encha o fundo de água antes de por a muda com terra bem adubada, deixe o nível da muda alguns dedos abaixo da calçada e sem mureta para receber a água da chuva e nutrientes, espalhe matéria orgânica seca em volta para evitar ressecamento e coloque um tutor amarrado suavemente com cordinha degradável. A muda deve ter um tamanho mínimo de 1,5 metros para melhor sobreviver.

Para adquirir mudas, recomendamos nosso viveiro parceiro, o único que usa a tecnologia Root-Maker, que evita o enovelamento de raízes:

Viveiro Fábrica de Árvores - mudas de árvores prontas para paisagismo, compensação ambiental e restauração florestal

Viveiro Fábrica de Árvores – mudas de árvores prontas para paisagismo, compensação ambiental e restauração florestal

Fábrica de Árvores –  http://www.fabricadearvores.com.br/

Bom plantio!

Ricardo Cardim

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Agradecemos aos mais de 500 amigos das árvores que juntos plantaram a Floresta de Bolso das araucárias!

Depois do curso gratuito de paisagismo ecológico no dia anterior, em um dia ensolarado, São Paulo ganhou sua primeira Mata Atlântica com araucárias na Floresta de Bolso que contou com a participação ativa de mais de 500 plantadores. Começando as 9 hs, o plantio foi animando e cobrindo com 700 mudas de diferentes tamanhos de 90 espécies uma terra dura e repleta dos mais variados entulhos em 800 m².

Algumas espécies do nosso plantio: 70 araucárias, 20 cambucis, angico-branco, araça-amarelo, sete-capotes, açoita-cavalo, embaúba, aroeira-branca, figueira-brava, jequitibá-rosa, pau-pólvora, uvaia, manacá-da-serra, tapiá, guatambu, jerivá, cedro-rosa, copaíba, jatobá, fumo-bravo e araribá. Também foi plantado um trecho de Cerrado nativo da cidade de São Paulo.

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Junto ao Novas Árvores Por Aí, agradecemos:

  • Erika, karim, Ana Lúcia e equipe do Parque Villa Lobos e Cândido Portinari
  • Albertino e equipe de jardineiros;
  • SAAP – Sociedade de Amigos de Alto dos Pinheiros;
  • Biblioteca Villa Lobos;
  • Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo;
  • E principalmente todos os ajudantes e voluntários!!!
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Participe nesse domingo do plantio da maior Floresta de Bolso até hoje! E curso gratuito no sábado.

Créditos – Árvore, Ser Tecnológico

Vamos plantar uma Mata Atlântica com pinheiros (araucárias) no Bairro de Pinheiros e resgatar uma dívida histórica com a  natureza. Em mutirão voluntário iremos plantar nesse domingo, 31, às 10 horas no Parque Villa Lobos / Cândido Portinari cerca de 600 mudas nativas de 90 espécies diferentes.

Antes, no sábado 30, às 16.30 horas teremos um curso gratuito envolvendo os temas paisagismo ecológico, hortas urbanas e poluição do ar em São Paulo. Será na nova e bela biblioteca do Parque Villa Lobos.

A proposta dessa Floresta de Bolso é recriar no antigo pátio de depósito de tubos de concreto das obras do Metrô, hoje parque, um pedaço da biodiversidade de São Paulo que desapareceu no último século, a floresta de araucárias que ocorria naturalmente no terreno da metrópole e foi totalmente desmatada. Também serão plantadas espécies frutíferas raras da Mata Atlântica como o cambuci e  palmeiras como a jussara. A floresta será regada com água de reúso até a estação chuvosa.

Parte 1: Minicurso de Paisagismo Ecológico
Palestrante: Ricardo Cardim, Thais Mauad e Nik Sabey
Dia: Sábado, 30/07/16
Hora: Das 16h30 às 18h00
Local: Auditório da Biblioteca do parque Villa Lobos
Endereço: Av. Prof. Fonseca Rodrigues, 2001, Zona Oeste. Fácil acesso por ciclovia, Metrô e trem CPTM (Estação Villa Lobos – Jaguaré).

Parte 2: Atividade prática – Plantio
Dia: Domingo, 31/07/16
Hora: Das 10h às 15h
Local: Av. Queiroz Filho, 1365 (colado ao Villa Lobos) Zona Oeste. Fácil acesso por ciclovia, Metrô e trem CPTM (Estação Villa Lobos – Jaguaré). LOCAL NO FINAL DO ESTACIONAMENTO DO DETRAN A DIREITA, ENTRADA EM FRENTE AO CARREFOUR.

SUA PRESENÇA É MUITO IMPORTANTE!! CONVIDE A FAMÍLIA E AMIGOS!!

Localização do plantio – perto da estação CPTM

Foto do local nessa segunda, com a terra super compactada sendo afofada e misturada junto a matéria orgânica doada pelo Parque.

Apoio – Parque Villa Lobos / Parque Cândido Portinari

Associação de Amigo dos Altos de Pinheiros

Novas Árvores Por Aí

Amigos das Árvores de São Paulo

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ONDE??? 30% de SP ainda é de Mata Atlântica

Onde??? Na cidade, malha urbana, local do cotidiano de milhões não existe Mata Atlântica. Talvez 0,02%… Ela está toda nos limites do município sendo expulsa. Fora que a Praça da República NÃO é um remanescente de Mata Atlântica, a vegetação predominante lá é estrangeira, resultado da arborização Belle Époque do começo do século passado, quando então era apenas um terreiro de touradas.

E o bioma Cerrado, que deu nome a antiga cidade de “São Paulo dos Campos de Piratininga” nem é levado em consideração pela Secretaria do Verde. São Paulo não é só Mata Atlântica.

Manchete do jornal O Estado de São Paulo de 01 de julho de 2016

Matéria na íntegra:

Mapa mostra que 30% da área de São Paulo é de Mata Atlântica

Ache a Mata Atlântica no meio da malha urbana!

Ricardo Cardim

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A nova moda do corte de árvores em São Paulo: a degola

 

árvore cortada em São Paulo - foto de Alessandra Araújo

Destruição sem causa, uma verdadeira “caça as bruxas”

São Paulo vive nesse ano uma verdadeira moda de “degolar” as suas árvores em derrubadas travestidas de “podas”, que removem toda a copa do exemplar, como se assim ela pudesse sobreviver.

Essa epidemia se deve a população e prefeitura apavoradas com as árvores que insistem em cair por falta crônica de cuidados, seguindo talvez uma suposta lógica de que árvore boa é a árvore sem copa, porque aí não oferece riscos de queda.

Isso está ocorrendo em toda a cidade. Aqui no blog recebemos muitas denúncias semelhantes por dia, e que tem aumentado bem ultimamente. A vítima dessas fotos fica na Rua Sampaio Vidal, ao lado do restaurante Mercearia do Conde. Trata-se de um pau-ferro (Caesalpinia ferrea) da Mata Atlântica em estado fitossanitário aparentemente adequado, adulto, com as característica típicas da espécie, como sua madeira de resistência extraordinária, e que foi sumariamente destruído por motivações alheias que certamente não atendem o interesse coletivo e de qualidade de vida da metrópole. As perguntas são: a quem isso interessou? Qual técnico autorizou? Sob qual argumento?

árvore a ser cortada em São Paulo - foto de Alessandra Araújo

O frondoso pau-ferro (Caesalpinia ferrea) antes de sua destruição

 

árvore cortada em São Paulo - foto de Alessandra Araújo 2

Tronco em bom estado, com a madeira (cerne) em boas condições. Isso sem considerar a qualidade e dureza da madeira dessa espécie, tão resistente que recebeu no nome “FERRO”

árvore cortada em São Paulo 3- foto de Alessandra Araújo

Chega a ser cômico o “6 dias úteis para apresentar recurso a partir da publicação no DO” Qual cidadão tem tempo de ler o Diário Oficial todo dia para saber se as árvores de sua rua estão em perigo?

árvore cortada em São Paulo - foto de Ricardo Cardim

Aqui outra árvore degolada de forma idêntica na Avenida Europa, mostrando indícios de que existe um padrão na atual gestão.

Os cidadãos revoltados com esse corte elaboraram um abaixo assinado, abaixo:

https://secure.avaaz.org/po/petition/Subprefeitura_de_Pinheiros_Sao_Paulo_Capital_Criar_um_simbolo_de_maus_tratos_com_nossas_arvores/?cQbArab

Ricardo Cardim

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Domingo é dia de plantar uma Mata Atlântica no Ibirapuera, vamos?

São Paulo vai ganhar por meio dos cidadãos amigos do verde mais uma “Floresta de Bolso” que recria a Mata Atlântica paulistana original dentro da malha urbana. A ação será nesse domingo 15, a partir das 9 horas da manhã, em forma de mutirão. Todos que gostam de plantar estão convidados (podem trazer ferramentas como enxadas, cavadeiras, picaretas – a terra é bem dura – e baldes para água).

Participam o Conselho de Meio Ambiente, Desenvolvimento Sustentável e Cultura de Paz (CADES) da Subprefeitura de Vila Mariana e Agenda 21, o Novas Árvores por Aí e Árvores de São Paulo. Outros movimentos que quiserem aparecer no dia serão muito bem vindos!

A floresta será composta por cerca de 50 espécies diferentes da Mata Atlântica do Planalto Paulistano representadas por 120 exemplares, e a ideia é que, por sua grande densidade e diversidade, ajude a melhorar a umidade do ar, a baixar a temperatura, reter a fuligem dos veículos, reciclar os gases tóxicos, minimizar a poluição sonora e servir de abrigo para a fauna nativa, além de se tornar uma “Bomba de Biodiversidade” para a cidade, espalhando pelo vento e fauna, as sementes de novas florestas nativas na metrópole.

Esperamos vocês lá!!

NOVO LOCAL DE PLANTIO –

NOVO LOCAL

Ricardo Cardim

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Há 50 anos uma floresta existia no cruzamento da Faria Lima com Juscelino Kubitschek

Poucas cidades no mundo cresceram com a velocidade de São Paulo no século passado. Para quem tem menos de 40 anos, pode parecer que a metrópole sempre foi assim, asfalto e concreto por todos os lados. Essas fotografias abaixo mostram bem como a transformação foi rápida. Em um dos cruzamentos mais movimentados da São Paulo atual, há cerca de 50 anos existia uma tranquila Mata Atlântica na beira de um ribeirão serpenteante.

jk antes

JK hoje

crédito das imagens: Geoportal.

Ricardo Cardim

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Os guapuruvus e paineiras estão morrendo na cidade de São Paulo

paineira morta em Sao Paulo 2- arvores de sao paulo - foto de Ricardo Cardim - direitos reservados

Paineira-rosa que morreu em pouco meses na Avenida Dr. Gastão Vidigal, Zona Oeste. Devia ter cerca de 50 anos de idade.

Nos últimos meses se tornou comum observar grandes árvores secas e com as amplas copas em decomposição na cidade de São Paulo. Trata-se principalmente de duas espécies, o guapuruvu (Schizolobium parahyba), nativo na Mata Atlântica Ombrófila Densa, da nossa Serra do Mar próxima ao litoral e a paineira-rosa (Ceiba speciosa), típica na Mata Atlântica Semidecidual do interior do Estado.

As duas espécies parecem acometidas de um mesmo mal, uma doença que rapidamente seca toda a planta. Pelos furos facilmente visíveis na casca das paineiras, julgo que possa ser um besouro associado a um fungo os responsáveis pelo estrago. A situação para as paineiras não é de agora, há alguns anos trás aconteceu fato semelhante na Zona Oeste em grande parte dos exemplares adultos.

guapuruvu morto em Sao Paulo - arvores de sao paulo - foto de Ricardo Cardim - direitos reservados

Guapuruvus adultos mortos recentemente na alça de acesso da Ponte Cidade Universitária.

Já o guapuruvu apresenta problema semelhante nos seus locais de origem, como Ilhabela, que apresentou no ano passado intensa mortalidade da espécie em meio a floresta, a ponto de ser divulgada uma potencial extinção regional da árvores, tão simbólica para a cultura local tradicional.

E o que está sendo feito a respeito? Até onde sei, infelizmente nada de muito eficaz, e essas “arvores-monumentos” de nossa metrópole seguem desaparecendo. Fatos assim mostram a importância de se ter diversidade de espécies arbóreas na malha urbana, para que não ocorram perdas drásticas da cobertura vegetal, como aconteceu com o ficus exótico em 2010.

guapuruvu morto em Sao Paulo - tronco - arvores de sao paulo - foto de Ricardo Cardim - direitos reservados

Tronco do guapuruvu já sem casca, em estado de decomposição. Vai cair…

paineira morta em Sao Paulo - arvores de sao paulo - foto de Ricardo Cardim - direitos reservados

Outra paineira…

Ricardo Cardim

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7 meses depois! Restauração florestal em São Paulo no sistema Pocket Forest

Pocket Forest Ricardo Cardim - junho de 2015

Floresta recém plantada em junho de 2015.

Pocket Forest Ricardo Cardim - janeiro de 2016

A mesma floresta 7 meses depois!

Nossa metodologia de restauração florestal “Pocket Forest” que copia a dinâmica natural das capoeiras da Mata Atlântica e sua competitividade, permite a criação inédita de pequenos trechos do bioma na escala urbana em grande velocidade de crescimento e diversidade espécies.

Nos sete meses da implantação trechos das fotografias acima, além do intenso ganho de biomassa e serviços ambientais, o espaço trouxe abrigo e alimento para a avifauna da região, que já recompensou  o espaço com sementes de muitas plantas nativas de outras matas, como trepadeiras e arbustos de sub bosque.

Nós, do Árvores de São Paulo, acreditamos que essas “florestas de bolso” são um excelente caminho para a reintrodução da Mata Atlântica nas metrópoles em diferentes escalas urbanas e a geração de serviços ambientais relevantes como a diminuição das ilhas de calor, produção de água, aumento da umidade do ar, filtragem de poeiras e gases tóxicos, bloqueio da poluição sonora, abrigo da fauna e biodiversidade nativa, educação ambiental e lazer para os cidadãos.

Ricardo Cardim

 

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Feliz Natal aos amigos das árvores!!

Mata Atlântica crescendo na cobertura do Edifício Citibank na Avenida Paulista

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Todos os amigos das árvores convidados para um agradável passeio guiado e gratuito nesse sábado no Museu da Casa Brasileira

Ricardo_Cardim_12_12_JORNADA DO PATRIMONIO

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Plantar árvores em São Paulo e os Cerrados nativos da cidade – muito cuidado!

No pé de um ipê plantado, uma caroba-do-campo à direita, planta rara e existente até os anos 1940 na cidade. Quando o ipê crescer, eliminará por sombreamento a carobinha.

São Paulo originalmente apresentava amplas extensões de vegetação de Cerrado, campestre com ervas e arbustos em grande biodiversidade e beleza. Eram os denominados “Campos de Piratininga” no século 16, atualmente quase extintos.

Pouca gente sabe disso. Até mesmo o Poder Público. O resultado é que os poucos e raríssimos campos-cerrados sobreviventes seguem esquecidos e sujeitos a todo tipo de agressão. Sendo uma dela insuspeita para os amigos das árvores e profissionais: o plantio de árvores em terrenos vazios e com capim.

Muitas vezes, vendo um terreno com um “capinzal” em meio a malha urbana, plantam-se inúmeras árvores nativas acreditando estar fazendo o melhor para o meio ambiente, quando na verdade está se destruindo uma vegetação extraordinariamente rara na metrópole. O motivo é que o Cerrado precisa do sol para viver, e quando as árvores crescem e fazem sombra, o matam.

Assim, é fundamental antes de uma ação de plantio de árvores, por melhor que seja a intenção, tomar conhecimento e pesquisar visualmente se aquela área tem remanescentes de Cerrado – e se tiver – não plantar nada e sim preservar o que lá está há milênios.

Em São Paulo, principalmente na região do Morumbi, Parque do Carmo, Jaraguá, Butantã e arredores da malha urbana ainda existem alguns poucos e preciosos trechos dos “Campos de Piratininga”.

Ricardo Cardim

“Capinzal” repleto de raridades do Cerrado na região do Morumbi e que recebeu equivocadamente um plantio de árvores que pode matar a vegetação ancestral.

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Como plantar o palmito-jussara no paisagismo e diminuir o risco de perdas

Marginal Pinheiros em SP - Palmitos-jussara plantados de forma isolada e a pleno sol: já estão morrendo vagarosamente

Marginal Pinheiros em SP – Palmitos-jussara plantados de forma isolada e a pleno sol: morrendo vagarosamente

Nos últimos anos, o palmito-jussara (Euterpe edulis) começou a participar mais dos projetos de paisagismo urbanos. Muitos jardins de prédios corporativos receberam alguns exemplares. Entretanto, também é fácil perceber a pouca sobrevivência dos palmitos plantados. Folhagem amarelada, “enforcamento” do palmito e diminuição da copa progressivamente até ficar só a estipe são alguns dos problemas mais comuns.

Palmeira típica da Mata Atlântica e produtora de recursos fundamentais para a fauna, o palmito-jussara é mesmo um item indispensável para o paisagismo sustentável.  Na floresta o seu habitat – principalmente  na fase juvenil – é a sombra das grandes árvores, vivendo na “estufa” úmida e quente proporcionada pelo sub bosque. Quando mais velho, pode alcançar o dossel florestal e ficar a pleno sol. Raras são as exceções na natureza.

Algumas dicas importante para prevenir esse problema (além da boa procedência da muda e seu desenvolvimento dentro do pote e não arrancada do chão) é recriar no projeto parte das condições naturais da Mata Atlântica, escolhendo o local de plantio em meia sombra, com microclima úmido, próximo a outras plantas e deixar a terra a sua volta preferencialmente bem vegetada, se possível com arbustos, protegendo do ressecamento do solo. Evitar ao máximo seu plantio em alameda, com um palmito bem afastado do outro e a pleno sol.

Ricardo Cardim

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Árvores urbanas…

ipe figura

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Dia da Árvore – Homenagem para a extintas araucárias nativas de São Paulo

Paisagem muito semelhante a vegetação original da cidade de São Paulo na sua fundação, no século XVI. que Anchieta encontrou

Araucárias plantadas há mais de um século no Horto Florestal, Zona Norte.

Árvore belíssima e singular, o pinheiro brasileiro ou araucária (Araucaria angustifolia) é um símbolo da Mata Atlântica do Sul do Brasil. Mas o que poucos sabem é que a espécie foi abundante no território hoje ocupado pela metrópole de São Paulo. Os relatos dos primeiros europeus na região mostram isso, como a descrição do Padre Fernão Cardim em 1583:

Piratininga… há muitos pinheiros, as pinhas são maiores… e os pinhões são também maiores… e é tanta abundância que grande parte dos índios do sertão se sustentam com pinhões…”

Até os anos 1940 ainda existiam grupos de araucárias nativas na cidade, como mostram algumas velhas fotografias. Com o crescimento acelerado, elas foram desaparecendo sem deixar vestígios em praças e parques, e extinguiram como grupo genético. As poucas araucárias atualmente presentes na malha urbana são exemplares plantados e provavelmente não descendem das originais.

Mesmo assim, restaram vestígios importantes, como o Bairro de Pinheiros, na Zona Oeste, que deve seu nome a espécie, e era no século XVI a Aldeia de “Nossa Senhora dos Pinheiros”.

Ao plantar a araucária na cidade devemos escolher grandes espaços verdes e evitar calçadas e construções próximas, mas em praças e parques ela é fundamental para o nosso meio ambiente, cultura e história. Viva a araucária!

Os saborosos pinhões das araucárias. Petisco que já foi muito apreciado na São Paulo antiga, onde escravas quituteiras os vendiam quentes pela então vila. Os índios também os apreciavam muito, sendo parte importante do cardápio. Na foto, vemos vários com marcas do

Os saborosos pinhões das araucárias. Petisco que já foi muito apreciado na São Paulo antiga, onde escravas quituteiras os vendiam quentes pela então vila. Os índios também gostavam muito, sendo parte importante do cardápio. Na foto, vemos vários com marcas deixadas por um provável roedor.

Ricardo Cardim

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Parques de São Paulo no futuro, utopia?

aeroporto

Olhando uma foto de satélite da cidade de São Paulo, percebemos rapidamente que são extremamente raras as manchas verdes dentro da malha urbana, ainda mais aquelas amplas e com poucas edificações. Um fato que chama a atenção é como a metrópole cresceu sem  criar parques públicos de grande porte, que podem ser a “praia” em uma cidade sem grandes atrativos naturais. Talvez o único assim pode ser o Ibirapuera, frequentado por pessoas de todos os locais da metrópole.

Mas será o Ibirapuera suficiente para toda a população paulistana? Claro que não, precisamos de mais parques do mesmo porte no centro expandido e o problema é que os grandes terrenos praticamente desapareceram na sanha construtiva paulistana. Ao meu ver, somente dois terrenos relevantes sobraram para as futuras gerações de paulistanos: o Jockey Clube e o Aeroporto de Congonhas.

jockey

O Jockey Clube é um caso aparentemente mais fácil de se tornar parque em um futuro próximo, dado a aparente diminuição de sua utilidade nas últimas décadas e dívidas com a prefeitura – mas claro que serão inúmeras batalhas entre população, poder público e incorporadoras. Com um pouco de vontade política, pode-se passar a marginal para os seus fundos e a população ganhar o primeiro grande parque com acesso a beira do ainda morto Rio Pinheiros.

Já no aeroporto de Congonhas, ainda beira a utopia a sua desativação – mesmo estando em uma área densamente populosa – bem diferente do vazio de quando foi inaugurado. Mas certamente no futuro será incompatível sua operação, e o terreno ficará disponível para, quem sabe, se tornar outro “Ibirapuera”.

A provocação nesse post é justamente para percebermos a São Paulo que vamos querer para o futuro e nossos filhos. E não deixarmos perder a última chance de uma cidade com mais “praias” aos seus habitantes, que é o que representam essas duas áreas livres e verdes.

Ricardo Cardim

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A árvore mais antiga de São Paulo terá leilão no Design Weekend para projeto de restauração e clonagem

Um projeto nosso junto ao Designer Hugo França e Lauro Andrade, do Design Weekend, pretende ajudar na sobrevivência da história e importância ambiental da “Figueira-das-Lágrimas”, um exemplar da Mata Atlântica (Ficus organensis) com provavelmente mais de dois séculos de existência, e que já foi tema de diferentes artigos no blog.

Peça do Designer Hugo França que será leiloada em prol da árvore

Peça do Designer Hugo França que será leiloada em prol da árvore

O “Lágrimas de Alegria” tem o objetivo de clonar o exemplar em fim de vida – nossa participação – e formar mudas para serem plantadas em outros parques da cidade de São Paulo, de forma a passar para as próximas gerações sua história e genética, que tem origem possivelmente no final dos anos 1700, e que em 1861 era relatada como a “árvore das despedidas saudosas”, o local onde os paulistanos se despediam dos entes queridos que iriam viajar para o Porto de Santos, daí o apelido “das lágrimas”.

Outras ações como a restauração da estrutura em volta da árvore original, nova placa com dados corretos, capacitação de guias turísticos na região e educação ambiental nas escolas paulistanas também estão previstos, e serão possíveis graças a doação da peça de Hugo França que será leiloada com o apoio do Design Weekend, que está no Jockey Clube SP até o dia 15 às 19 hs para obtenção dos recursos.

Para saber mais acesse a matéria do SPTV:

http://globotv.globo.com/rede-globo/sptv-1a-edicao/t/edicoes/v/artistas-desenvolvem-projeto-para-ajudar-a-salvar-a-figueira-das-lagrimas/4390284/

Ricardo Cardim

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A música das sibipirunas em agosto

Na Rua do Matão, na Cidade Universitária, é um bom lugar para "ouvir" a sibipiruna

Na Rua do Matão, na Cidade Universitária, é um bom lugar para “ouvir” a sibipiruna

Nas ruas de São Paulo bem arborizadas, uma árvore da Mata Atlântica do Norte é comum, a sibipiruna (Caesalpinia pluviosa). Essa espécie de leguminosa produz um fruto(legume) parecido com uma vagem de consistência rígida (lenhosa) que contém em seu interior algumas sementes arredondadas do tamanho de uma moeda de um real.

Os frutos e sementes da sibipiruna. Crédito: Apremavi

Quando chega a época de seca na cidade de São Paulo, de dias ensolarados e céu límpido, um observador atento embaixo das sibipirunas percebe alguns fortes estalos vindos da copa. Esse som rápido e alto, é seguido pelo impacto de um grupo de sementes  no asfalto. Tal “sinfonia” nas ruas mais sossegadas do Jardim América, Pacaembú e Cidade Universitária é facilmente percebida.

A causa é o mecanismo de dispersão da sibipiruna, que ao abrir a “vagem”, a faz com violência e gera um impulso para lançar as sementes longe da árvore-mãe, em uma verdadeira estratégia explosiva.

Grupo de sibipirunas na Zona Oeste

Ricardo Cardim

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Colabore para um novo telhado verde com horta em São Paulo – Pé de Feijão e SkyGarden

Nosso telhado verde com horta na Zona Oeste de São Paulo completa hoje 60 dias. Nesse período já colhemos alface, rúcula, cebolinha, beterraba, morangos e tomates. Impressionante observar como a vegetação se desenvolve bem mesmo no meio da metrópole e no alto, e como o ciclo dos alimentos – muda, flor, fruto, colheita – pode voltar a participar facilmente de nossas vidas.

Essa primeira horta no alto é o resultado da parceria da SkyGarden Telhados e Paredes Verdes com o Negócio Social Yunus Pé-de-Feijão, que trabalha pela produção agrícola nos telhados paulistanos e uma melhor nutrição e educação alimentar e ambiental para a população.

telhado verde com horta skygarden www.skygarden.com.br.jpg4

telhado verde com abelhas na horta skygarden www.skygarden.com.br

As abelhas, inclusive as nativas, já são frequentadoras assíduas da laje que antes era da perigosa telha de amianto.

telhado verde com horta skygarden www.skygarden.com.br

Uma borboleta entre os morangos e repolhos. A horta não é só dos humanos…

telhado verde horta em São Paulo - www.skygarden.com.br

Com a colheita do dia: beterrabas. Ao lado os repolhos, que nos impressionaram pela exuberância em tão pouco tempo.

A Pé-de-Feijão começou uma campanha de financiamento colaborativo para um novo projeto de horta na cobertura de 80 m² do espaço chamado Fábrica de Criatividade, um prédio de 3 andares no Capão Redondo, Zona Sul, que abriga um centro de inovação e oferece, a preços acessíveis, aulas de danças urbanas, teatro, inglês, música, entre outras, com uma circulação de 800 pessoas todos os meses.

A equipe do Pé de Feijão, junto com parceiros, terá o papel de:

  1. Desenhar e implantar a horta e espaço de convivência na laje;
  2. Elaborar, organizar e facilitar dinâmicas de grupo na horta para o público da Fábrica de Criatividade;
  3. Medir e compartilhar o impacto social e ambiental das atividades durante todo nosso ciclo de trabalho.

 

PARA APOIAR ESSA MUDANÇA TÃO NECESSÁRIA, ACESSE:

https://beta.benfeitoria.com/pedefeijao

http://pedefeijaosp.com/

Muito obrigado!!!

Ricardo Cardim

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Lei de uso e ocupação de solo de São Paulo perpetua erro ambiental histórico

Uma tragédia para as raras áreas verdes sobreviventes da cidade de São Paulo. Assim pode ser caracterizada a legislação de uso e ocupação do solo apresentada recentemente à Câmara Municipal pelo prefeito Fernando Haddad. Com o objetivo de construir mais creches sem ter que adquirir novos terrenos, o prefeito pode ocupar e eliminar áreas verdes públicas e espaços livres da metrópole, incluindo unidades de conservação integral, parques urbanos e lineares, praças e até áreas de preservação permanente, como as matas “produtoras e protetoras de água” nas beiras de represas e rios.

Tal postura inaceitável repete os erros típicos do século passado na metrópole, de justificar o sacrifico das já escassas áreas verdes públicas, que garantem a qualidade de vida, saúde pública e a biodiversidade para a população, por um motivo também nobre (hospitais, escolas, creches). Esses equipamentos públicos devem coexistir com o verde nas comunidades e nunca se contraporem.

Na cidade de São Paulo são inúmeros os exemplos de bairros e regiões que perderam suas praças e parques para ações realizadas por gestões públicas irresponsáveis e populistas. O resultado é sentido fisicamente e psicologicamente por todos que vivem o cotidiano insalubre da metrópole com apenas 2,6 m² de áreas verdes por habitante e que em alguns bairros chega a míseros cm². Abaixo um exemplo típico, na região central.

O antigo Largo Conde de Sarzedas na região central em 1944. Ainda um espaço verde de encontro e brincadeiras da comunidade do Glicério, na região central.

O antigo Largo Conde de Sarzedas na região central em 1944. Ainda um espaço verde de encontro e brincadeiras da comunidade do Glicério.

Atualmente uma escola pública

Sacrificado para uma escola pública em uma região completamente árida atualmente. Porque a escola não foi construída desapropriando outros terrenos construídos?

Matéria na íntegra:

http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,governo-haddad-cobra-cota-verde-mas-fica-isento,1699288

Ricardo Cardim

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Conheça 5 telhados verdes modernos na cidade de São Paulo

Enquanto cidades como Copenhague, Toronto e Berlim estão mudando a cara de seus telhados com jardins e hortas, o Brasil ainda está começando. O telhado verde transforma áreas problemáticas urbanas em soluções para maior qualidade de vida, abrigo da biodiversidade, lazer e cultivo de alimentos. Conheça agora cinco telhados verdes que realizamos na metrópole paulistana nos últimos anos:

1. Telhado verde na Avenida Faria Lima com espécies da Mata Atlântica.


SkyGarden Telhados verdes - telhado ecológico - construção sustentável

SkyGarden Telhados verdes - telhado ecológico - construção sustentável 4

2. Telhado verde dentro de edifício certificado LEED na Marginal Pinheiros.

SkyGarden Telhados verdes - telhado ecológico - construção sustentável 3

3. Com a biodiversidade nativa dos quase extintos campos-cerrados da cidade de São Paulo. Vila Madalena.

SkyGarden Telhados verdes - telhado ecologico de cerrado

SkyGarden Telhados verdes - telhado ecologico de cerrado 5

4. Gramado e flores nativas que atraem borboletas na Zona Sul.

SkyGarden Telhados verdes - telhado ecológico - construção sustentável w2

5. Floresta de Mata Atlântica com árvores de até 3,5 metros e praça suspensa em edifício na Avenida Paulista.

SkyGarden Telhados verdes - telhado ecológico - construção sustentável 677

SkyGarden Telhados verdes - telhado ecológico - construção sustentável 45

A diferença entre um jardim sobre laje com terra e um telhado verde é que esses últimos são finos, leves e duráveis quando realizados com tecnologia específica. Os 5 projetos acima tem uma espessura de 4 a 15 cm de um substrato especial e peso de 40 a 200 kg por m² – o que permite normalmente instalar sobre prédios antigos.

Também diminuem em até 18°C a temperatura da cobertura e como reservam água no substrato, precisam de 60% menos água de irrigação e a sua água sai transparente, podendo ser aproveitada no edifício. Outro aspecto é o aumento da durabilidade da impermeabilização devido a estabilidade térmica.

Telhados verdes são ferramentas fundamentais para melhorar o meio ambiente nas cidades e a saúde da população, e por isso que já são lei em cidades da Dinamarca e Canadá. No Brasil, Recife recentemente aprovou uma legislação em prol das coberturas ecológicas.

Para conhecer mais: http://www.skygarden.com.br

Ricardo Cardim

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A árvore que floresceu em cima do viaduto da Avenida dos Bandeirantes

árvore pata de vaca Bauhinia - árvores de São Paulo 1 - foto de Ricardo Cardim - direitos reservados

Árvore comum na arborização de São Paulo, e geralmente exigente quanto as condições de solo, uma pata-de-vaca (Bauhinia blakeana) cresceu na junta de dilatação do movimentado viaduto de acesso da Marginal do Rio Pinheiros a Avenida dos Bandeirantes, Zona Sul de São Paulo.

Não conheço outro exemplar da espécie vivendo “nas alturas” como esse, e ainda mais adulto e florescendo. Essa espécie é originária de Hong-Kong e suas flores lembram orquídeas, sendo muito ornamentais. Na Mata Atlântica temos uma árvore do mesmo gênero, a B. forticata, de flores menos vistosas e com a cor branca.

árvore pata de vaca Bauhinia - árvores de São Paulo - foto de Ricardo Cardim - direitos reservados

 

Ricardo Cardim

 

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O primeiro telhado verde com floresta de Mata Atlântica é em São Paulo

Um desafio importante da sustentabilidade urbana no Brasil é equilibrar a cidade construída com a sua rica natureza original. Ainda distantes desse objetivo, nossas cidades apresentam pouca vegetação e o desaparecimento da biodiversidade nativa.

Como melhorar esse quadro em cidades que foram pensadas para edifícios e carros, e não o verde? Uma solução para regiões adensadas é aumentar a vegetação e seus benefícios através de telhados verdes. Mas não aqueles feitos para a realidade de países frios e com urbanismo de primeiro mundo, mas algo que respeite a realidade brasileira.

Além desse blog, um dos nossos trabalhos é desenvolver métodos que permitam a biodiversidade nativa retornar para as cidades. Depois de mais de cinco anos de pesquisas, conseguimos criar um método inovador para telhados verdes com o máximo de funções ambientais, que reproduz a dinâmica da floresta tropical, e permite uma verdadeira Mata Atlântica na cobertura de prédios com apenas 15 cm de espessura de uma “terra especial” da empresa SkyGarden, e a composição/espaçamento das espécies de árvores semelhante ao natural.

Telhado Verde com paisagismo, plantas nativas e o capão de Mata Atlântica  na esquerda da foto. Edifício Gazeta, Av. Paulista.

Telhado Verde com paisagismo, plantas nativas e o capão de Mata Atlântica na esquerda da foto. Edifício Gazeta, Av. Paulista.

Com mais de 100 árvores nativas, a floresta recebeu em janeiro de 2014 mudas de 1 metro de altura e que agora tem de 2 a 3 metros.

Com mais de 100 árvores nativas, a floresta recebeu em janeiro de 2014 mudas de 1 metro de altura e que agora tem de 2 a 3 metros.

O resultado são florestas densas e verdejantes de até 3,5 metros de altura, que resistem a ventanias, consomem pouquíssima água, não dão manutenção, podem abrigar diversas espécies da fauna e pesam apenas 300 kg por m², o mesmo que um gramado em terra comum sobre laje. A cobertura diminui até 18° C de temperatura.

O projeto apresentado nessas fotos tem um ano de idade, e foi plantado em uma das coberturas do Edifício da Fundação Cásper Líbero – Gazeta, na Avenida Paulista. Além da Mata Atlântica, conseguimos recriar a vegetação de Cerrado nos telhados verdes.

Não temos outro caminho para a abundância de água, qualidade de vida e saúde pública nas caóticas cidades brasileiras sem resgatar de volta o verde, e o telhado verde com a vegetação nativa pode ser uma ferramenta importante para isso.

Para saber mais:

http://www.skygarden.com.br

Dentro da Mata Atlântica, a sensação é semelhante a uma floresta nativa espontânea.

Dentro da Mata Atlântica, a sensação é semelhante a uma floresta nativa espontânea.

O microclima que a floresta proporciona pode melhorar muito a questão do calor e água da cidade de São paulo, se usada em larga escala.

O microclima que a floresta proporciona pode melhorar muito a questão do calor e água da cidade de São paulo, se usada em larga escala.

Com a tecnologia, apenas 15 cm de espessura são necessários. O baixo peso, de cerca de 300 kg por  m², permite o plantio também em prédios antigos.

Com a tecnologia, apenas 15 cm de espessura são necessários. O baixo peso, de cerca de 300 kg por m², permite o plantio também em prédios antigos.

A cidade de São Paulo em um futuro possível, que harmonize a natureza e cidade, com Mata Atlântica, praças e hortas em suas coberturas. Vida melhor para todos. Crédito: UOL

Ricardo Cardim

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O capim braquiária acabará com os Cerrados até o final desse século?

 

Pequi-anão no Cerrado bem preservado. Até quando?

Pequi-anão no Cerrado bem preservado. Até quando?

De inegável valor para a pecuária brasileira, o capim-braquiária (Brachiaria sp.) apresenta vantagens importantes, como alta produtividade, valor nutritivo e abafamento de “invasoras” de pasto. Tais fatores levaram a intensa utilização das suas espécies por todo o território, principalmente a Brachiaria decumbens, no Bioma Cerrado. Essa última, também nativa da África, foi introduzida no Brasil recentemente – há duas décadas – e já se espalha por parte considerável do país.

Pode ser ótima opção para a pecuária, mas virou um enorme problema para a vegetação nativa de Cerrado, e com potencial de se tornar seu exterminador. A questão é a imbatível capacidade de competição do braquiária, que rapidamente elimina centenas de espécies de ervas, arbustos e árvores do Cerrado por sombreamento, rapidez e eficiência de propagação.

A esquerda, o capim braquiária invadindo, e na direita da estrada, o Cerrado ainda preservado. Parque Estadual do Juquery - SP.

A esquerda, o capim braquiária invadindo, e na direita da estrada, o Cerrado ainda preservado. Parque Estadual do Juquery – SP.

Os tufos de braquiária (capim mais claro) invadindo o Cerrado agressivamente. Parque Estadual do Juquery - SP.

Os tufos de braquiária (capim mais claro) invadindo o Cerrado agressivamente. Parque Estadual do Juquery – SP.

O capim-braquiária pode ser encontrado também invadindo praticamente todas as áreas verdes urbanas, e nas zonas rurais é hoje a espécie dominante da paisagem. Sua capacidade de “assassino de biomas” ocorre principalmente naqueles não-florestais, como o Cerrado, que tem bastante luz do sol disponível para sua capacidade competidora.

Como o Cerrado está cada vez mais fragmentado e cercado por áreas cultivadas, extensões importantes de reservas nativas estão sendo espontaneamente e silenciosamente substituídas pela espécie invasora, o que equivale quase ao seu desmatamento. Com a rapidez do sucesso da invasão biológica (poucas décadas) e sua eficiência, não será um pensamento irreal imaginar que o Cerrado pode desaparecer em grande parte do Brasil ainda neste século.

1 - o começo da invasão - entremeado as espécies nativas. Parque Estadual do Juquery - SP.

1 – o começo da invasão – entremeando as espécies nativas (a esquerda). Parque Estadual do Juquery – SP.

2 - o braquiária já ocupando todo o espaço da vegetação nativa. Parque Estadual do Juquery - SP.

2 – o braquiária já ocupando todo o espaço da vegetação nativa. Parque Estadual do Juquery – SP.

3 - a "cama" que o braquiária faz impede a luz de chegar ao solo e continuar a vegetação de Cerrado. É o fim. Parque Estadual do Juquery - SP.

3 – a “cama” que o braquiária faz impede a luz de chegar ao solo e continuação da vegetação de Cerrado. É o fim. Parque Estadual do Juquery – SP.

Como resolver? Muita pesquisa para encontrar saídas que não prejudiquem os Cerrados preservados e nem a pecuária. Mas o problema é que nada vem sendo feito. Assim, certamente sobrará aos nossos netos extensos pastos de braquiária em todo o ex-Bioma Cerrado e perderemos um dos maiores ativos ambientais do mundo.

capim braquiária com sementes. Inconfundível.

capim braquiária com sementes. Inconfundível.

Ricardo Cardim

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Plantas que gastam pouca água – escolhas erradas podem piorar a seca

Agaves, plantas originária da América Central e invasoras. Foto: casa.abril.com.br

Nesse tempo de escassez de água, cada vez mais são publicadas matérias em diferentes mídias de como criar jardins que “gastam pouca água” e são portanto, mais sustentáveis no quesito. Listas das “5 espécies de plantas que não gastam água” estão em todos os lugares da internet trazendo uma sucessão de cactos e plantas suculentas, principalmente o sedum (Sedum sp.).

Aparentemente essa tendência não representa problema algum, mas na verdade não é bem assim. Primeiramente, muitas das plantas de deserto vendidas (para não falar todas) são de origem estrangeira, exóticas, e algumas invasoras agressivas dos remanescentes de vegetação nativa, como a agave, que podem provocar perda severa da biodiversidade no Cerrado e Restinga, e a kalanchoe tubiflora, comum nas capoeiras urbanas.

Mas a principal questão é a água. Essas plantas geralmente apresentam um tipo diferente de fotossíntese, a CAM (Metabolismo Ácido das Crassuláceas), adaptada para ambientes áridos como desertos e rochas nuas. Nesse caso, gastam pouca água mesmo, mas podem liberar menos ainda, não contribuindo para o que mais precisamos da vegetação urbana nessa época de seca: liberação de água pela evapotranspiração das plantas que vai umidificar o ar e ajudar na formação de mais chuvas na cidade. Saiba mais nesse trabalho – CAM Dyckia

Para ter um jardim que utilize bem a água, a dica mais sustentável que podemos dar é escolher as espécies nativas de sua região – que já estão adaptadas há milênios ao regime de chuvas local – e adequadas para a insolação e características do projeto. Quanto a irrigação, pode-se lançar mão de estratégias no manejo da água, como essas abaixo:

1. cobrir o solo do vaso ou ao redor da planta com uma cobertura morta, que pode ser composta de pedriscos, argila expandida, folhas secas, palha… (o importante é não usar matéria orgânica fresca, como cascas de laranja, que pode fermentar e prejudicar a planta). Assim, você evita a perda de água pelo solo;
2. Para quem tem chuveiro a gás, colocar um balde embaixo antes de abrir a torneira, a fim de recuperar a água enquanto não esquenta. Também pode usar a água de banho usada enquanto não usar o sabão (aquela que sobra da 1° molhada do corpo);
3. A água da lavagem de frutas e verduras, se não tiver químicos como hipoclorito de sódio, pode ser usada na irrigação;
4. Com uma garrafa plástica é possível montar um sistema de gotejamento simples e barato para molhar as plantas sem desperdiçar água. De forma contínua, mas em pouca quantidade, a água passa por um pequeno furo aberto no fundo da garrafa ou na tampa e cai direto no vaso. Assim, a terra fica sempre úmida e perde bem menos água por evaporação. Quando o reservatório seca, é só enchê-lo novamente (de preferência, com água da chuva).
5. A hora de regar é muito importante – guarde a água da chuva e regue sempre de manhã  bem cedo ou a noite, evitando que a água evapore com o calor do dia.

Kalanchoe tubiflora, uma invasora de origem africana

Dyckia sp. – um gênero de fotossíntese CAM com muito representantes nativos nas rochas áridas do Sudeste

Ricardo Cardim
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Pau-formiga, uma árvore da moda na lista de nativas e que não é nativa, e sim invasora

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Grupo de pau-formiga na Cidade Universitária da USP

A cidade de São Paulo recebeu na última década uma verdadeira floresta de exemplares de pau-formiga (Triplaris americana) especificados em diferentes projetos de paisagismo, recuperação, compensação ambiental e arborização. Virou senso comum que é uma espécie nativa, sustentável, e adequada como aquelas da Mata Atlântica e Cerrado.

A beleza da espécie é certamente indiscutível, com suas flores vermelhas e arquitetura peculiar, mas existe um sério problema ambiental, o gênero não é nativo para a Grande São Paulo, ocorrendo principalmente na região amazônica e Centro-Oeste do Brasil, e ainda se comporta como uma árvore invasora muito agressiva.

Já havia reparado em diversos pontos urbanizados ou naturais da metrópole paulistana mudas espontâneas do pau-formiga, principalmente no sub bosque. Mas em alguns lugares remanescentes da Mata Atlântica e reflorestamentos a situação é realmente preocupante, formando populações densas e puras, que impedem totalmente as espécies de regenerarem.

População de pau-formiga densa e pura que surgiu espontaneamente em reflorestamento na Zona Oeste

População de pau-formiga densa e pura que surgiu espontaneamente em reflorestamento na Zona Oeste

Nativa só pode ser considerada aquela espécie que existia na região antes da colonização européia, e não se trata de preciosismo, uma planta de fora pode causar problemas ecológicos muito mais sérios do que podemos observar e imaginar.

Outro trecho ainda mais repleto da espécie

Outro trecho ainda mais repleto da espécie

Ricardo Cardim

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Árvores, chuvas, falta e economia de água em São Paulo

Ouvi o seguinte comentário essa semana “Tem que parar de plantar árvores, porque não podemos gastar água para regar até elas pegarem”. Na feira de plantas do Ceagesp, um tradicional vendedor reclamava que ninguém queria mais comprar plantas com o medo de não ter água para regar depois, e o movimento estava ruim.

Parece que está havendo uma inversão de valores: de “fábrica de água” que são as plantas, elas passaram a ser vilões e responsáveis ou exemplos de desperdício de água. Que situação. Continuando essa linha de pensamento, o futuro de São Paulo está claro, é um extenso deserto construído empoeirado e quente.

Daqui a pouco começam a indicar o plantio de cactos e plantas suculentas de deserto – que gastam pouca água, mas também não retornam quase nada para a atmosfera e mais chuvas – é o caminho para deixarmos de ser uma cidade na Mata Atlântica para uma estepe desértica.

Pouco se falou ultimamente na mídia, mas a vegetação tem um papel fundamental para a abundância de água na cidade. Através da fotossíntese, ocorre a liberação de vapor no ar, que o umidifica e favorece as precipitações. As árvores adultas, com suas profundas raízes, tiram milhares de litros de lugares inacessíveis do solo e a jogam na atmosfera.

E sem esquecer do mais importante na urbes: a chuva que cai não escorre e desaparece rapidamente no bueiro, ela se retem nas folhas e galhos, e  se houver espaço permeável, segue para alimentar o lençol freático, que abastece os rios e represas.

Estratégias de irrigação e reaproveitamento não faltam para regarmos as nossas “fábricas de água urbanas”. Desde a água da lavagem de alimentos até cobertura morta no solo podem ser usados. Água para áreas verdes urbanas, se usada com inteligência, não é desperdício, é investimento.

Para lembrar…

Ricardo Cardim

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FELIZ NATAL E PRÓSPERO 2015!

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Serra da Cantareira, São Paulo.

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Fruta nativa do Cerrado, a guabiroba quase desapareceu na cidade de São Paulo

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Tempo de guabiroba era a alegria de muitos paulistanos no passado. Os campos cerrados, nativos na cidade, ficavam com arbustos repletos dessa pequena goiabinha amarela de casca lisa, muito doce e não enjoativa, e bem diferente de seus primos goiaba e araçá.

Com o crescimento da metrópole nos últimos 50 anos, os campos cerrados praticamente desapareceram, e com eles, os pés de guabiroba (Campomanesia pubescens), já que é fruta “do mato” e não cultivada. Assim, sobreviveu na memória da infância dos mais velhos.

Com a moda crescente de plantas estrangeiras nos jardins e paisagismo, hoje é uma super raridade. Em São Paulo, você pode experimentar itens como trufas negras ou caviar beluga,  mas guabiroba não, por mais dinheiro que tenha.

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Onde sobrou os arbustos de guabiroba em São Paulo? Julgo que menos de 20 exemplares na malha urbana, espalhados nos trechos de cerrado do Campus da USP no Butantã (vários foram destruídos nesse ano pela absurda obra do Centro de Convenções), no Parque do Carmo e em um grande terreno baldio no bairro do Morumbi, perto do Clube Paineiras.

Coletamos uma pequena parte desses frutos (70% ficou para a fauna manter a espécie) e plantamos em nosso viveiro. Se der certo, a ideia é levá-la de volta para alguns parques da metrópole e reapresentá-la aos paulistanos.

Um pé de guabiroba muito antigo, sobrevivente da época em que toda a região do Butantã e Morumbi eram campos cerrados nativo nos campos cerrados paulistanos

Um pé de guabiroba muito antigo, sobrevivente da época em que toda a região do Butantã e Morumbi eram campos cerrados 

Ricardo Cardim

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Bromélias, orquídeas e outras epífitas nas copas das árvores centenárias paulistanas – relíquias de uma Mata Atlântica desaparecida

Na Zona Sul

Na Zona Sul, no bairro da Granja Julieta, vive isolada esta centenária copaíba, repleta de epífitas nativas na copa. Trata-se de uma sobrevivente da  Mata Atlântica das margens do Rio Pinheiros e hoje está em um terreno privado.

Árvores muito antigas na Mata Atlântica costumam ter uma complexa biodiversidade nas suas copas, que formam um outro “andar de floresta” constituída por plantas epífitas – que não são parasitas – e abrigam uma fauna especializada. São orquídeas, bromélias, cactos, imbés, samambaias e várias outras aproveitando o microclima e a luminosidade proporcionados pela árvore.

Da vegetação original da cidade de São Paulo – que em um passado não muito distante – era formada por densas florestas em forma de capões (ilhas), sobreviveram algumas árvores seculares.  Muitas vezes as únicas remanescentes de uma floresta com milhares de árvores. Exemplos são as raras copaíbas e jequitibás-brancos eleitas na campanha “Veteranas de Guerra” da SOS Mata Atlântica.

Poucos desses já escassos exemplares antigos tem na sua copa uma grande diversidade de epífitas nativas, que representam as últimas sobreviventes das florestas paulistanas. É como se uma árvore fosse capaz de suportar um “micro mundo” repleto de pequenas raridades biológicas, que já perderam todos os outros da mesma espécie na metrópole, e são os últimos repositórios da genética paulistana.

Essas “relíquias da biodiversidade” infelizmente seguem não pesquisadas e ameaçadas pelo desconhecimento, e poderiam gerar ótimos trabalhos de pesquisa acadêmica, além da possibilidade de serem reproduzidas e reintroduzidas na metrópole.

Copa

Copa com inúmeras espécies diferentes.

No Colégio Friburgo, Avenida João Dias, Zona Sul,

No Colégio Friburgo, Avenida João Dias, Zona Sul, ainda existem várias bromélias hoje raras na metrópole sobre essa secular copaíba.

O jequitibá-branco do Parque Trianon também reserva uma biodiversidade p´ropria e não observada nas outras árvores antigas do Parque

O jequitibá-branco do Parque Trianon também reserva uma biodiversidade própria e não observada nas outras árvores antigas do Parque

Ricardo Cardim

****POST NÚMERO 350 ****

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