Palmeira-seafórtia – Uma invasão silenciosa em São Paulo

 

  Os poucos redutos de florestas nativas da cidade de São Paulo estão ameaçados por um inimigo poderoso, que avança sem alarde e disfarçado de muita beleza. Disseminado pela avifauna, a palmeira seafórtia (Archontophoenix cunninghamii) vem ocupando o espaço nas matas que antes era das árvores paulistanas nativas.

  A primeira vista, para o observador leigo, pode parecer que sua presença maciça no sub-bosque da floresta, seu local preferido, é absolutamente normal, dando o aspecto de floresta tropical densa tão característico à Mata Atlântica.

  A exploração predatória por séculos do nosso tão apreciado palmito – jussara (Euterpe edulis), antigo ocupante tradicional dessa faixa da vegetação em nossas matas, propiciou, entre outros fatores, a substituição por essa palmeira seafórtia, que encontrou aí seu lugar favorito.

  Originária da Austrália, atinge alturas de oito a dez metros, e formam populações quase homogêneas, graças aos seus pequenos frutos, de coloração vermelho-vivo, que atraem a passarada e possibilitam que as matas freqüentadas por eles sejam “bombardeadas” pelas sementes contidas nos frutos.

  Na reserva florestal da Cidade Universitária (USP), pode-se observar um tapete de pequenas plântulas no chão da floresta e palmeiras de todos tamanhos e idades. Diversas discussões e propostas de controle da espécie são debatidas, afim de que a mata tenha sua perpetuação o mais próximo do original garantida, sem a competição feroz da espécie às nossas plantas nativas.

 

Ricardo Henrique Cardim

Amigos das Árvores de São Paulo

 

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Sobre Ricardo Cardim

www.arvoresdesaopaulo.com.br
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12 respostas para Palmeira-seafórtia – Uma invasão silenciosa em São Paulo

  1. Pingback: A impressionante propagação das árvores urbanas pelos passáros « Árvores de São Paulo

  2. Pingback: O palmiteiro, uma planta quase extinta na cidade de São Paulo « Árvores de São Paulo

  3. a prefeitura de minha cidade (Itu, interior de SP) está empenhada em plantar palmeiras por todo lado. Por intuição apenas, pois não sou conhecedora de plantas, acho que é um grande erro. As palmeiras não dão frutos que possam interessar aos pássaros daqui, não dão sombra, imagino que roubem muito da pouca água que conseguimos armazenar na cidade e, pelo seu porte, tornam-se perigosas em dias de vento forte, comuns à região. Além de serem horrorosas, pois parecem postes com franjas. Gostaria de uma opinião de vocês sobre plantio sistemático de palmeiras pelas ruas de uma cidade.

  4. Ingo Haberle disse:

    Não concordo com sua posição de que a palmeira real seja um problema.
    Aqui no Rio de Janeiro há centenas de plantios economicos nos entronos de parques ( como do Tingua, dos Três Picos, etc) e estes plantios são como aceiros verdes e substituem os bananais e pastos.
    Nestas condições o fogo atingue a mata e morrem centenas e milhares de hactares de matas.
    Com os aceiros de palmito da palmeira real o fogo não passa.
    Sendo usado para palmito, não há a frutificação que menciona em seu texto.
    Há então com manejo adequado uma solução inclusive para o continuo extrativismo do pouco de Jussara que ainda existe nas matas nativas aqui do rio de janeiro.
    Idem os plantios economicos de Palmeira real tem evitado o absurdo para o planeta de trazer palmito de assai para consumir no Sudeste, pois se leva vidro vazio por 6000 Km para Amazonia e traz de volta água da Amazonia e um pouco de palmito.
    Pense sobre isto.

    • Ricardo Cardim disse:

      Ingo,

      com certeza vc desconhece a severidade do problema na cidade de SP. É possível avistar a invasão de palmeiras seafórtias pelo Google Earth. A Prefeitura já autorizou o manejo em dois locais amplamente afetados em sua biodiversidade nativa devido a espécie – USP e parque Trianon. Agora uma coisa não entendo em seu posicionamento – Qual a diferença entre plantar uma bela jussara nativa e uma seafórtia australiana?? Até onde sei, o trabalho é o mesmo, entretanto, as diferenças de resultados e preservação da biodiversidade animal/vegetal enormes. Pense sobre isso.
      Ricardo

  5. Guilherme Gaudereto disse:

    Caro Ricardo,
    Hoje mesmo um evento vem acontecendo no IB(USP) sobre o problema. As palestras, que começaram ontem, trazem o plano de manejo que será desenvolvido pela cidade universitária. Mas um interessante trabalho sobre a palmeira e avifauna já aponta que sua retirada dificilmente afetará a avifauna de São Paulo, pois as espécies que consomem a palmeira são muito generalistas (as principais espécies são o bem-te-vi e o sabiá-laranjeira).
    att,

    • Ricardo Cardim disse:

      Olá Guilherme, obrigado pelas considerações ! Já estou frequentando o curso desde ontem. Sinto só não ter conseguido divulgar o evento por aqui.

      att
      Ricardo

  6. Guilherme Gaudereto disse:

    Putz, fui nos dois dias e pensei que vc poderia estar por lá mesmo.
    Uma pena, teria sido um prazer conhece-lo.

  7. Pingback: Universidade de São Paulo (USP) fará manejo de palmeiras invasoras na Cidade Universitária « Árvores de São Paulo

  8. Liliaqm Enid Rezzara disse:

    para “alimentação da avifauna”, as sementes da seafortea é PURO ENGODO !!! nada têm de alimento, apenas uma casquinha VERMELHA , pra enganar incautos. A MELHOR PROPOSTA para essa invasão é cortar a invasora aproveitando o palmito.
    Liliam

  9. eduardo seraphim disse:

    Grato pela explicação para a identificação. Temos 2 áreas de reserva em Sampa, estou fazendo um trabalho de recuperação com nativas do Planalto Paulista, já introduzi a Palmeira Prateada Lytocarium hohenei e suas dicas foram preciosas. Abs

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