Pavilhão Japonês do Ibirapuera ganha jardim com plantas raras e em extinção

Na semana da Árvore, São Paulo vai ganhar de presente um jardim feito exclusivamente com espécies nativas da Mata Atlântica e Cerrado do Município, incluindo espécies raras e em extinção. A área verde tem uma proposta simbólica, representar a amizade entre o Brasil e Japão.

Jardim nativo no Pavilhão Japonês do Ibirapuera - projeto de Ricardo Cardim

Comemorando os 60 anos do Pavilhão Japonês do Parque do Ibirapuera, o jardim brasileiro foi projetado e realizado por nossa equipe e viabilizado com patrocínio da Honda, e fica em frente ao jardim Zen típico do Japão, procurando trazer a união das terras, das duas paisagens distintas que se tornaram familiares para ambos os povos.

Após uma longa jornada pelos oceanos, os imigrantes japoneses encontraram  no Brasil de mais de um século atrás, um outro mundo, ainda coberto pela exuberante Mata Atlântica e Cerrado, de aspecto tão diferente das paisagens do Japão. Novas plantas e animais em um grande território praticamente desconhecido, até mesmo para os  brasileiros. Nessas terras criaram fortes raízes, aqui simbolizadas nos dois jardins, que representam a amizade entre as nações.

Entre as plantas utilizadas, temos:

cambuci (Campomanesia phaea) – árvore frutífera da Mata Atlântica que já foi muito comum nos antigos pomares. Seus frutos em forma de “disco-voador” são perfumados e suculentos.

palmeira-prateada (Lytocarium hoehnei) – essa rara e bela palmeira só existe originalmente na região metropolitana de São Paulo e está ameaçada de extinção devido a urbanização. Vive nas áreas sombreadas da Mata Atlântica, e no Jardim Honda temos 3 exemplares cultivados em viveiro a partir de sementes.

araçá-do-campo (Psidium guineense) - é uma das frutas que os japoneses encontraram nos Cerrados do Estado de São Paulo e que desapareceram com o crescimento das cidades e atividades agropecuárias.

língua-de-tucano (Eryngium paniculatum) – Essa estética planta do Cerrado já recobriu a paisagem paulistana nos antigos “Campos de Piratininga” e hoje restam somente algumas dezenas na metrópole. O fundador de São Paulo, Pe. Anchieta, fazia alparcatas com ela no distante século XVI.

Jardim no Pavilhão Japonês do Ibirapuera - foto de Ricardo Cardim

Em primeiro plano, o Jardim Zen,  e atrás o Jardim Brasileiro, unidos por uma ponte entre os pavilhões.

 Ricardo Cardim
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Dia da Árvore – o Palmito jussara cada vez mais comum nos jardins paulistanos

Palmito em rua paulistana

Palmito em rua paulistana

Comemorando o dia da árvore, homenageamos uma árvore “guerreira” da Mata Atlântica, o palmito-jussara (Euterpe edulis), que produz frutos para boa parte da fauna da floresta e infelizmente ainda continua sendo explorada clandestinamente no seu meio acima de sua capacidade de sobrevivência. Para se obter o tão apreciado palmito jussara na culinária, é preciso matar a árvore cortando a parte entre o final de seu estipe (tronco) e começo das folhas.

Mas a boa notícia para o palmito-jussara é que ele está voltando para os projetos de paisagismo, principalmente nos novos edifícios corporativos. Muitos novos jardins estão recebendo a espécie, o que certamente ajudará na sua propagação para outras áreas verdes da malha urbana e é uma escolha muito mais sustentável perante modismos estrangeiros como a palmeira-triângulo e seafórtia.

Uma dica importante é sempre plantar o palmito em grupo ou perto de outras plantas para se ter um ambiente úmido e com meia-sombra, principalmente na fase jovem. A Mata Atlântica e pássaros como o tucano-de-bico-verde agradecem.

Palmito jussara criminosamente recém-cortado na Mata Atlântica da Serra do Mar

Palmito jussara criminosamente recém-cortado na Mata Atlântica da Serra do Mar

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Na Folha de São Paulo: USP derruba vegetação de cerrado após prometer ‘museu vivo’ na área

cerrado usp folha 2014

O que o Blog alertou em 29 de maio, saiu na edição impressa no último sábado.

LINK PARA BAIXAR O PDF DA MATÉRIA:

USP Cerrado devastação 2014

Abaixo, confira em três tempos a destruição de importantes trechos do cerrados tipo “Campos de Piratininga” e de trechos do “Butantã”, chão duro em Tupi, ocorrido na obra do Centro de Convenções da USP.

Cerrado tipo "Campos de Piratininga" no ano em que a USP decretou a área como 'museu vivo'

2012: Cerrado bem preservado tipo “Campos de Piratininga” – USP decretou a área como ‘museu vivo’

Trechos de terra naturalmente expostos no Cerrado, o que nomeou o bairro de Butantã - "chão duro" em Tupi

2012: Trechos de terra naturalmente expostos no Cerrado, o que nomeou o bairro de Butantã – “chão duro” em Tupi

O mesmo local hoje, 2014, com o cerrado destruído por um aterro e barracão.

Em 2014 com o barracão construído exatamente sobre os lugares das fotos acima

Depois da destruição, o absurdo - plantio de árvores genéricas de Mata Atlântica onde antes era um Cerrado raríssimo para a história e meio ambiente da cidade de São Paulo

Julho 2014 – Depois da destruição, a patética tentativa de “recuperação” e o absurdo – um plantio de árvores genéricas de Mata Atlântica onde antes era um Cerrado raríssimo para a história e meio ambiente da cidade de São Paulo. Mesmo que tenha sobrado alguma planta de Cerrado aí, ela morrerá no futuro devido ao sombreamento das árvores de outro bioma.

 

Ricardo Cardim

 

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O eucalipto centenário foi sufocado pelo asfalto em São Paulo

No bairro do Campo Belo, Zona Sul, vive um exemplar de eucalipto com aparência de centenário, sobrevivente da já distante época rural do bairro. De porte impressionante e vigoroso, convivia em harmonia com as construções vizinhas que cresceram a sua volta ao longo do tempo. Nesse mês, a harmonia foi quebrada por um infame asfaltamento de precisão milimétrica em volta da antiga árvore, que impermeabilizou seu entorno e excluiu a possibilidade de ele obter água da chuva, oxigênio nas raízes e nutrientes.

Impermeabilização impecável

Impermeabilização impecável

Tal ato não tem justificativa e deveria ser corrigido imediatamente, sob pena de perdermos uma árvore centenária importante não somente para os serviços ambientais e história de um bairro, mas para toda a metrópole paulistana.

Vista do outro lado da rua.

Vista do outro lado da rua.

Ricardo Cardim

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Aléia de palmeiras em frente ao Parque Burle Marx está sendo arrancada

palmeiras burle marx - foto de ricardo cardim

Mais um atentado ao Parque Burle Marx, no Panamby, Zona Sul. Agora, além da ameaça de destruição da biodiversidade rara dos brejinhos e Mata Atlântica em frente do parque por edifícios, são as dezenas de palmeiras-imperiais plantadas há cerca de duas décadas que estão sendo removidas rapidamente nessa semana.

palmeiras burle marx - foto de ricardo cardim 2

Mesmo que sejam transplantadas – o que sempre é um risco para a sobrevivência dos exemplares, ainda mais nessa época de seca – perde-se a última paisagem bela e verde do lado direito das poluídas e congestionadas marginais do Rio Pinheiros. A aléia das palmeiras já fazia parte da vida de quem mora na região.

Se as promessas de “demolição” dessa preciosa região verde continuar nesse ritmo, em menos de 5 anos teremos apenas uma pequena ilhota de vegetação cercada por enormes grupos de edifícios com paisagismo exótico e ainda emoldurados por uma ponte de concreto semelhante ao horroroso viaduto “Diário de São Paulo” do parque Dom Pedro.

palmeiras burle marx - foto de ricardo cardim 3

 

Projeto da nova ponte da região que está em andamento.

 

Ricardo Cardim

 

 

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Depois da tragédia, a centenária figueira da Mata Atlântica em Santo André foi assassinada.

figueira do parque celso daniel em santo andré - foto de Luciano Hernandes


No Parque Celso Daniel, em Santo André, São Paulo, no final sobrou para a árvore a culpa pelo descaso da sua manutenção que culminou na queda de um grande galho e morte de uma frequentadora em 2011. Árvore tombada pelo Condephaat e patrimônio cultural da cidade, a figueira era um ponto turístico no parque, com 20 metros de altura, copa de 40 metros de diâmetro e raízes com extensão de sete metros.

Ainda em 2011 o Departamento de Parques e Áreas Verdes realizou a poda drástica do exemplar, que obviamente culminou na sua sentença de morte “em pé” como podemos observar nas fotos abaixo enviadas pelo nosso leitor Luciano Hernandes. Situação infelizmente típica no Brasil para a arborização urbana: se ocorre a queda de uma árvore ou um galho, a culpa é sempre do vegetal, e nunca das podas equivocadas, falta de manutenção, negligências, fiação elétrica aérea, cimentação do colo, etc, etc…

É possível verificar pelas fotos, que não há ocos nos troncos cortados pela podas.

É possível verificar pelas fotos, que não há ocos nos galhos cortados pela podas.

figueira do parque celso daniel em santo andré - foto de Luciano Hernandes 3

O raro exemplar está completamente morto e em franco apodrecimento. Note as raízes tabulares típicas das figueiras nativas centenárias.

figueira do parque celso daniel em santo andré - foto de Luciano Hernandes 4

Monumento ao descaso histórico com o verde no Brasil

Abaixo, fotos da figueira centenária antes da poda que a matou:

figueira do parque celso daniel em santo andré - antes

figueira do parque celso daniel em santo andré - antes 2

Ricardo Cardim

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Árvores centenárias “Veteranas de Guerra” da Mata Atlântica na Praça da República

Novas “Veteranas de Guerra”  em pleno centro da cidade de São Paulo. São duas árvores nativas da Mata Atlântica que provavelmente tem mais de um século de vida e foram plantadas na implantação da Praça da República. Uma, figueira-brava, aparentemente Ficus organensis, apresenta um tamanho impressionante com cerca de 20 metros de altura e ampla copa que fica nas margens do laguinho. O interessante desse exemplar é que diferente das outras figueiras antigas da mesma espécie na metrópole, essa tem uma formação típica florestal, com tronco comprido, reto e copa somente no alto do dossel.

Figueira-brava centenária

Figueira-brava centenária

Tronco da figueira-brava

Tronco da figueira-brava

A outra, um jequitibá-rosa (Cariniana legalis), apresenta o porte típico da espécie, e copa bem formada. É a árvore símbolo do Estado de São Paulo e na metrópole temos outro de tamanho parecido na Praça Coronel Fernandes, também no centro.

O jequitibá-rosa em sua formação típica.

O jequitibá-rosa em sua formação típica.

Antes de se tornar um espaço ajardinado no começo do século passado, a Praça da República era conhecida principalmente como “Largo dos Curros” devido a prática de touradas e circos de cavalinhos no local. Interessante a escolha de espécies típicas da Mata Atlântica em uma época de moda européia na arborização, e pena que isso não prosseguiu e hoje essas duas espécies sejam raríssimas na cidade de São Paulo.

Abaixo, fotos das três épocas distintas da Praça da República, de terreiro a ilha de verde em meio ao concreto.

 

Para conhecer outras árvores veteranas de guerra acesse o site da campanha junto a SOS Mata Atlântica e compartilhe essas raridades ameaçadas:

http://www.veteranasdeguerra.org

 

Ricardo Cardim

 

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