Um leitor do blog doa as seguintes árvores adultas:
1) Mangueira de aproximadamente 8 metros de altura, deve ter uns 15 anos, produz muito bem num ano e no outro é fraco. É uma árvore heróica porque não tem nenhum trato especial e dá frutos muito doces.
2) Uma mexeriqueira enchertada num limoeiro. Tem galhos que dão mexirica tipo pokan e outras limão.
3) Laranjeira. São árvores rústicas, sem nenhum tratamentos especial de adubação, correção do solo e provavelmente não foram de sementes selecionadas. Provavelmente caroços ou sementes de frutas normais.
Elas tem que ser removidas porque ficam num terreno onde irei construir uma casa em meados de Set/2009 e não haverá sobra de terreno para o replantio delas no mesmo terreno. Além de que a construção agredirá as árvores de forma irreversível. Localização: Barueri Custos por conta do Receptor. Dou preferência para pessoas que tenham plenas condições técnicas de transporte e replantio sem agredir as árvores. Se possível ainda permitir a vistoria das árvores replantadas por algum tempo (meses…) Se alguém se interessar favor entrar em contato por email: apto2003@ig.com.br
A tipuana (Tipuana tipu), uma árvore muito comum na arborização urbana de São Paulo e dominante em diversos bairros da Capital, chega a ser um símbolo de alguns, como o Jardins. As ruas repletas delas formam “túneis verdes” e podem ser consideradas um cartão-postal de São Paulo. Geralmente grandes árvores, na Cidade seus exemplares são antigos, remanescentes de plantios da década de 20 a 60 do século passado.
Nativa da Bolívia e Argentina, seu nome vem do rio boliviano Tipuani, onde vivem no seu vale, uma zona montanhosa e de atividade mineira. Quem as observa, percebe uma densa “grama” crescendo e cobrindo o tronco e ramos de tipuanas, aumentando ainda mais a sensação de vegetação densa que elas proporcionam.
Trata-se de uma samambaia epífita nativa, que mal nenhum causa à árvore. É a Microgramma vaccinifolia, ou samambaia-grama, que gosta da rugosidade e umidade do tronco da tipuana, além de sua ampla sombra. Usa a tipuana apenas como suporte, e traz ainda mais beleza aos bairros arborizados com ela.
Ricardo Henrique Cardim
Ontem, domingo, os Amigos das Árvores de São Paulo participaram junto ao pessoal do Pedal Verde, Árvores Vivas, Plant-Ar e Bicicletada.org de uma manifestação de repúdio ao corte de árvores do canteiro central da Marginal Tietê e impermeabilização de mais áreas verdes na Capital.
Aproveitei a ocasião para conhecer melhor a condição ambiental local e chegar na margem do Rio Tietê, abaixo do talude concretado, a menos de um metro de suas águas(!?). A impressão é realmente forte. Rapidamente um cheiro pesado impregna o nariz e o corpo. A água parece sólida de tão poluída, infestada de flocos escuros e dezenas de garrafas pet, além de todo o tipo de objeto plástico desfilando na minha frente.
Pisar em cima da sua escura e fétida lama não foi nada agradável e tive que deixar os tênis de molho depois. Quando teremos novamente um rio na Cidade e não isso? Se depender do rumo atual das coisas…
Matéria no G1:
Ricardo Henrique Cardim
Colher a semente, plantá-la na terra, fazer a muda, irrigar constantemente, podar a muda até ter o formato desejado, transportar até o local de plantio definitivo, abrir uma grande cova, espalhar adubo, plantar a muda, irrigar, estaquear e pronto! Deu trabalho, custou dinheiro, mas mais uma árvore foi plantada. Sim. Embora isso seja apenas uma parte de se plantar uma árvore. Falta a manutenção. Falta quase tudo.
A manutenção, etapa pós-plantio, é crucial para a muda ter sucesso e virar uma árvore adulta. Quando se organizam plantios, muitas vezes fazem-se mutirões comunitários, festas, presença de autoridades, e depois de tudo, as mudinhas são largadas à própria sorte. Assim como filhotes de qualquer espécie animal, as mudas precisam de cuidados para ter futuro. E um fator de grande importância é a disponibilidade de água, seja de chuva ou irrigação.
Em São Paulo existe uma época onde NÃO se deve plantar árvores – a estação seca – de abril a setembro, sendo muito fácil a muda morrer nesses meses por falta de água se não for regada constantemente, e todo o trabalho despendido ser inútil. Por isso, caso queira plantar árvores, fazer uma ação legal de plantio, e não pode regar as mudas duas vezes por semana durante muitos meses, espere as chuvas do mês de outubro, você terá mais chances de ver seu trabalho dar frutos.
Ricardo Henrique Cardim
Embora seja uma árvore não indicada para se plantar em cidades devido ao seu grande porte e facilidade de queda de galhos, o eucalipto (Eucalyptus sp) aparece frequentemente na Metrópole, principalmente em praças e parques. A razão disso é geralmente histórica, com velhos exemplares remanescentes da pré-urbanização, como antigas chácaras ou resquícios rurais. O Parque do Ibirapuera, por exemplo, teve o eucaliptal plantado para “secar” seus brejos no começo do século XX.
Já foi usado na arborização urbana paulistana no final do século XIX pelo Prefeito Antônio Prado e seu encarregado Arthur Etzel graças ao rápido crescimento. Em1993, o Prefeito Paulo Maluf teve a absurda idéia de plantar milhares de mudas de eucaliptos nas áreas verdes urbanas (coincidentemente ele tinha um grande viveiro dessas árvores em sua empresa, a Eucatex) que foi logicamente rechaçada.
Originário da Austrália, teve seu plantio disseminado por Navarro de Andrade no começo do século passado para suprir de lenha as locomotivas. Entretanto, ainda é mal visto por alguns. Exagero. Quando praticada de modo sustentável, é uma cultura agrícola importante para satisfazer nossas necessidades de celulose e madeira e evita o corte de mais matas nativas. A velha história que arruína o solo, não é verdade se os cuidados necessários forem tomados, basta para isso ver a Fazenda Melhoramentos em Caieiras, que o planta há mais de 80 anos.
Agora, em áreas de preservação ambiental como beiras de rios substituindo as árvores nativas ou na malha urbana, ele não pode e nem deve ser plantado.
Ricardo Henrique Cardim
Quarta-feira passada, na noite antes do feriadão, São Paulo teve seu maior recorde de congestionamento: quase 300 quilômetros! Ontem na televisão, dezenas de chamadas publicitárias dos feirões para venda de automóveis novos de todas as marcas que irão ocorrer nesse final de semana. Centenas de árvores adultas estão sendo cortadas agora em uma das áreas mais áridas e cinzas da Metrópole, a marginal Tietê. Tudo relacionado.
Até quando vamos ampliar as avenidas e ruas na Cidade para comportar mais e mais automóveis? De onde sairá o espaço para isso? A resposta dada pelo Poder Público é óbvia – das áreas verdes urbanas, claro! Afinal, árvores não gritam e nem entram na justiça, só ficam lá quietas, à espera da moto-serra…é bem mais fácil e barato do que desapropriar terrenos construídos. E perdemos mais da já escassa qualidade de vida aqui dentro.
Com a ampliação das marginais Tietê, cerca de 228 mil m² não receberão mais a luz do sol e nem a água da chuva, estarão sepultos para sempre por espessa camada de asfalto. As árvores plantadas há dois anos nas margens do Tietê também desaparecerão, além de várias figueiras, paineiras, ipês e tipuanas adultas dos canteiros centrais. Não vai ser fácil, depois da obra pronta, ficar parado no trânsito da marginal em pleno sol, sem essas árvores para dimuir o calor, melhorar o microclima e a paisagem.
E o trânsito vai voltar nas novas marginais, mesmo com as obras, é só uma questão de (pouco) tempo, com o número de carros novos que entram nas ruas paulistanas todos os dias.
Velha fórmula: para problemas do século 21, soluções do século 20.
Veja o vídeo de André Pasqualini com a derrubada noturna das árvores da foto acima:
http://www.youtube.com/watch?v=ZJglfUILR5k
Assine também o manifesto do IAB para lutarmos a favor da qualidade de vida em São Paulo:
http://www.iabsp.org.br/noticias.asp?nota=1057
Ricardo Henrique Cardim
Com o céu azul e o frio do mês de junho, vários ipês-roxo das ruas e praças paulistanas já perderam suas folhas e estão com exuberante floração. As cores variam do roxo ao róseo, conforme a espécie.
Embora existam em menor quantidade na Cidade perante o estrangeiro ipê-rosa (Tabebuia pentaphyla), a floração do nosso ipê-roxo enfeita a Cidade nessa época do ano e traz uma beleza intensa, ainda mais contrastando com o profundo azul dos dias de outono.
Na marginal Tietê, no canteiro central que em breve será destruído para abrigar mais asfalto e carros, existem belos exemplares em talvez sua última floração da vida.
Ricardo Henrique Cardim
No começo do ano passado, plantei experimentalmente uma muda já grande de cabeludinha (Plinia glomerata) da família Myrtaceae, em um vaso do terraço no apartamento. Não sabia qual seria a sua reação a viver confinada, já que é uma planta adepta do sub bosque da Mata Atlântica, inclusive das matas paulistanas.
Qual não foi a supresa ao ver que ela aceitou muito bem a vida em vaso e ainda frutificou abundantemente no ano passado, cobrindo seus ramos com inúmeros frutinhos amarelos de gosto adocicado. Esse ano, repetindo o anterior, sua floração efêmera foi intensa com constante visita de abelhas e outros insetos polinizadores, o que promete mais uma boa safra.
Essa é uma ótima opção para quem mora em apartamento e dispõe de varanda, até porque não precisa de muito sol, uma vez que vive na sombra das grandes árvores da floresta naturalmente.
Ricardo Henrique Cardim
Na última terça-feira, 2, os Amigos das Árvores e o projeto Árvores Vivas realizaram uma ação de educação e sensibilização sobre as árvores e a arborização da cidade de São Paulo. Começamos com uma exposição do acervo de elementos recolhidos das árvores, seguida de palestras de Juliana Gatti e Ricardo Cardim. Na sequência fizemos uma caminhada no entorno da unidade reconhecendo as árvores e vegetações.
Agradecemos à todos que compareceram, ao Luciano Ogura, e a equipe do SENAC Santa Cecília - em especial a Fátima Vilela.
Uma árvore não muito apreciada pelas pessoas, mas muito querida pelos animais e insetos, assim pode ser definida a embaúba (Cecropia sp.). Seu formato diferente, até bizarro, é inconfundível. E nas florestas brasileiras mostra-se presente em diversos tipos de vegetação. Nativa da Mata Atlântica paulistana, ela pode ser considerada uma árvore símbolo, de tão comum em alguns lugares.
Sua ampla distribuição é devido ao apreço da fauna por seus frutos, principalmente os morcegos e pássaros, que depois de digeri-los, espalham as sementes por todos os cantos, até em cima de telhados e frestas de muros. O bicho-preguiça tem nas suas folhas o prato principal.
Com grande diversidade de espécies, em algumas seu tronco abriga formigas, que a defendem de invasores e são alimentadas em troca pela planta. Não são poucos os “lenhadores” que ao dar a primeira batida com o machado no tronco receberam uma dolorosa chuva de pequenas (e ardidas) formigas vermelhas.
Acredito ser uma árvore interessante para plantar em calçadas estreitas, conheço alguns exemplares na cidade e nunca os vi derrubar grandes galhos depois das tempestades, além de suas folhas serem facilmente removidas. Mas sua principal contribuição é o equilíbrio ecológico urbano com a atração da fauna, além de embelezar a cidade com uma estética bem tropical.
Ricardo Henrique Cardim
Em 455 anos de colonização e urbanização que geraram a maior metrópole brasileira um fato inusitado e pouco notado chama a atenção. Um terreno, em pleno núcleo da fundação de São Paulo permaneceu não construído durante todo esse tempo. O seu solo, desde a chegada de Anchieta na colina histórica entre o rio Anhangabaú e o Tamanduateí em 1554, ainda recebe os raios solares dentro de uma região onde seus vizinhos há muito estão cobertos de concreto e asfalto.
Trata-se do largo desnível que separa o Pátio do Colégio da atual Rua 25 de março, antiga região de várzeas e capoeiras do rio Tamanduateí até começo do século passado. Hoje cercado por grades, o acesso não é permitido para passear embaixo das dezenas de árvores adultas que acompanham e sombreiam o talude. Em gravuras e fotografias do século 19, ali eram os grandes quintais das casas nobres da São Paulo de Piratininga.
As árvores existentes ali não são muito antigas e refletem um pouco da história da arborização da Cidade, com muitas espécies estrangeiras misturadas as nativas. Mas trazem um verde para a paisagem tão densamente cinza do Centro histórico. Como é possivel, um grande terreno na parte mais antiga de São Paulo ter permanecido intacto por tantas gerações e à predatória especulação imobiliária tão típica de nossa história?
Ricardo Henrique Cardim
Na Semana do Meio Ambiente o Amigos das Árvores de São Paulo em parceria com o Projeto Árvores Vivas realizarão um evento gratuito na unidade Santa Cecília do SENAC – São Paulo! PARTICIPEM!

semana do meio ambiente - SENAC SP
Evento gratuito
DIA 02 de junho das 13h30 às 16h30
Atividade educacional estimulante sobre as Árvores de nossa Cidade
Facilitadores:
- Juliana Gatti Pereira e Luciano Ogura – Árvores vivas (www.arvoresvivas.com.br)
- Ricardo Cardim – Amigos das Árvores de SP (http://arvoresdesaopaulo.wordpress.com)
Programação:
13h30 – Exposição aberta, acervo de coletas realizadas na cidade e matas.
14h00 – Palestra – Apresentação de histórias sobre as árvores da cidade de São Paulo
15h30 – Caminhada coletiva nas ruas do entorno da unidade Senac Santa Cecília, apreciação estética das árvores e vegetação.
Local: Senac Santa Cecília – Al. Barros 910
Inscrições no Atendimento da unidade, pessoalmente ou por telefone (11) 2178-0200 ou ainda por e-mail: santacecilia@sp.senac.br
A natureza não admite se dar por vencida, mesmo na maior cidade do País. Prédios, casas, calçadas, asfalto e, entremeado a isso tudo, jardins enfeitando e trazendo um pouco de verde para a paisagem. Verde artificial, assim por dizer, respondendo a escolhas e gostos das pessoas que o plantaram. Geralmente com canteiros simétricos e desenhados, juntando plantas parecidas e coloridas.
O jardineiro, responsável por sua manutenção, constantemente é chamado para podar, recolher folhas e arrancar ervas daninhas…daninhas!? Quem são essas? As diferentes das plantas compradas. Consideradas prejudiciais ao jardim e sua organização, muitas vezes não podem ser chamadas assim.
Nas calçadas e jardins paulistanos, principalmente naqueles onde o jardineiro não é muito requisitado, parte das “ervas daninhas” são mudas de árvores da Mata Atlântica originais do local onde está a Metrópole, mostrando que a natureza sempre tenta conquistar de volta o terreno tomado. Na fotografia acima, várias mudas de tapiá (Alchornea sidifolia), bela árvore típica de nossa floresta, plantadas por morcegos que gostam dos seus frutos e depois dispersam.
Ervas daninhas…
Ricardo Henrique Cardim
Como é bizarra essa mania de inserir plantas estrangeiras em São Paulo! O Brasil é a terra dos ipês, temos diversas espécies com florações fantásticas de muitas cores, onde não são poucas as que tem madeiras tão resistentes a ponto de não pegar fogo. Mas sabem qual é a origem da espécie de ipê mais plantada nas ruas da Cidade?
El Salvador, na longínqua América Central, acima de toda a Amazônia (que também tem muitos ipês). Essa árvore na foto acima, é ela, o ipê-de-el salvador (Tabebuia pentaphylla) . Sua floração é bonita, com flores rosas de tom suave, mas sua madeira é fraca quando comparada aos outros ipês nacionais como o ipê-roxo. Essa semana, por exemplo, com a ventania de terça, diversos caíram ou tiveram a copa danificada, enquanto aos ipês-roxo nativos nada ocorreu.
É o que eu ouvi outro dia sobre uma planta típica de jardim por aqui, o podocarpo (Ásia) - “Essa daí é mais bonita, é rara! Vem lá de longe, não é mato…”
Ricardo Henrique Cardim
A fotografia mostra pequenos quadrados de verde espremidos na paisagem construída do centro velho de São Paulo, mais precisamente nos fundos da rua do Carmo. São uma das raras áreas particulares de solo exposto em toda a região.
A divisão original dos terrenos ainda é visível, remontando a Cidade nos seus primeiros tempos. Hoje abandonados e tomados por arbustos e capim, são depósitos informais de entulho. No século 19, esses fundos de casas já estiveram plantados de jaboticabeiras, laranjeiras, limoeiros e pequenas hortas ladeando galinheiros. Recebiam sol o dia inteiro, e o cuidado de seus moradores, que dali tiravam parte do que ia para a mesa.
São pedaços da história de uma qualidade de vida perdida.
Ricardo Henrique Cardim
O Departamento de Botânica da Universidade de São Paulo convida todos os amigos das árvores, principalmente aqueles da terceira idade, para participar do Ciclo de Palestras sob coordenação do Prof. Dr. Gregório Ceccantini, que vai abordar aspectos relevantes e atuais sobre tópicos diversos relacionados à importância biológica e econômica das plantas utilizadas pela humanidade.
Veja o programa:
Inscrições com Eduardo Garcia, fone 3091-9956 ou e-mail: edugarcia@ib.usp.br
Aproveite! As vagas são limitadas.

Os vários troncos da figueira-das-lágrimas ao centro e, na extrema direita, uma ficus plantada recentemente. Ricardo Cardim
Com o céu azul do mês de abril, resolvi finalmente conhecer a histórica figueira-das-lágrimas situada nos limites de São Paulo, perto da via Anchieta. Chegar lá não é fácil para quem não conhece, e se passar rápido corre o risco de não a vê-la. Escondida atrás de um muro gradeado de aspecto antigo, ela continua lá, lutando.
Seus inúmeros troncos apresentam marcas de uma história mais que secular, com restos ainda de cascas da antiga copa da árvore que caiu na década de 1970 e continuou a brotar até formar uma nova árvore. Seu nome vem devido a ser ali, onde ela está, o antigo limite da Cidade para a despedida dos entes queridos que seguiam pela estrada de terra de Santos até porto, como os militares na Guerra do Paraguai (1865-1870) e os estudantes da Academia de Direito no século XIX.
O viajante Emilio Zaluhar, no seu livro Peregrinação pela Província de São Paulo, de 1862, conta: “Pouco mais adiante do Ipiranga encontra-se uma belíssima figueira brava, cujos galhos bracejando em sanefas de verdura, formam um bonito dossel em toda a largura da estrada (”Caminho do Mar”). É este o sítio das despedidas saudosas. Aqui vêm abraçar-se, e jurar eterna amizade, aqueles que se separam para, em opostas direções da estrada, seguirem depois, e quantas vezes na vida, um caminho e um destino também diverso.”
Na literatura, internet e na própria placa embaixo da planta dizem ser uma Ficus microcarpa, conhecido como Figueira-benjamina ou outra espécie, a Ficus benjamina, a popular “ficus”, ambas da Ásia. Mas vendo de perto suas folhas posso assegurar que a identificação está equivocada, na verdade é uma figueira-brava, como Zaluhar afirmou, e nativa das matas paulistanas. Trata-se provavelmente de uma Ficus gomelleira, espécie de crescimento lento e longeva.
Perto dela foi plantada uma ficus estrangeira (Ficus benjamina), que hoje faz companhia à anciã e confunde quem passa em uma só massa verde. Para visitar: Estrada das Lágrimas entre os números 515 e 530, Ipiranga.
Ricardo Henrique Cardim
As cidades, como estruturas artificiais que são, tendem a repelir a árvore fora de seus domínios, e em São Paulo isso não é diferente. Nossa cidade atualmente tem verde, mas muito mal distribuído, sendo na verdade algumas “manchas verdes” concentradas em parques e bairros privilegiados, ou quando fora deles, em áreas de difícil acesso para os pedestres e aproveitamento urbano, como as alças de acesso e espaçosos canteiros centrais em avenidas movimentadas.
Plantar árvores em locais não usados por pedestres tornou-se a ação mais comum, benéfica é verdade, por melhorar a qualidade de vida urbana, mas também desconectada, já que não exerce efeitos diretos nas calçadas, local onde as pessoas trafegam e mais precisam dos fatores amortecedores das árvores, como sombra, diminuição de barulhos, umidade do ar, entre outros. Porque?
A resposta é simples: Plantar árvores em lugares isolados da cidade aumenta muito mais a chance de sucesso no “pegamento” da muda, é mais fácil. Não precisa, como nas calçadas, de educação ambiental da comunidade de entorno para evitar vandalismo, convencimento de comerciantes e camêlos sobre a sombra nos seus comércios, verificar os encanamentos e estruturas debaixo da calçada, os postes cheios de fios logo acima, cerca de proteção para não depenarem suas folhas…a lista é longa.
Porém, a calçada é que precisa de árvores, ali é onde se vive o cotidiano. Uma rua arborizada é um convite a ir a pé ao trabalho, à convivência, à uma Cidade mais habitável. O desafio tem que ser encarado por todos aqueles que plantam árvores em São Paulo, uma árvore na calçada dá mais trabalho, mas vale por várias que não tem sua sombra aproveitada.
Ricardo Henrique Cardim
Todo outono em São Paulo tem a coloração rosa e branca das paineiras (Ceiba sp) plantadas pela Cidade. Nas marginais Tietê e Pinheiros elas são muito comuns nos canteiros centrais e descansam a vista daqueles que enfrentam o trânsito de todo dia. Se reparamos, a maioria das árvores da espécie existentes são plantas grandes, adultas, algumas com idade até bem avançada, isso se deve a suas avantajadas dimensões e madeira frágil, o que não a torna aconselhável para calçadas e locais de muitos pedestres ou edificações próximas, e seu plantio na Metrópole vem diminuindo. Fato necessário, mas uma pena…
Ricardo Henrique Cardim
Raros são os privilegiados conhecedores dessa frutinha aparentemente sem-graça. Quem já provou, sabe que por trás da aparência insípida existe um sabor doce intenso, parecido até com “pipoca-doce” segundo alguns. A calabura (Muntingia calabura), produtora do fruto, é uma árvore originária da América Central, e relativamente comum na metrópole. Plantada nas ruas e parques por cidadãos amigos do verde, ela acabou sendo mais espalhada pelos pássaros e morcegos, ainda seus principais consumidores.
A calabura só tem um porém: com muitas sementes dentro do fruto, que germinam rápido e em quantidade, ela tem grande potencial de se tornar mais uma invasora das nossas já tão invadidas florestas nativas urbanas. Em São Paulo, um bom lugar para experimentá-la é o Parque Villa-Lobos, na Zona Oeste, ali, árvores jovens e acessíveis estão atualmente carregadas de frutos esperando alguém colher.
Ricardo Henrique Cardim
Nas bancas de todo o Brasil o “Guia de Árvores do Brasil” publicado pela Editora Online em parceria de informações e fotografias com os Amigos das Árvores de São Paulo. A publicação traz 84 espécies nativas de diferentes biomas brasileiros, além de artigos e reportagens sobre árvores urbanas, educação ambiental, sustentabilidade, árvores e as mudanças climáticas, consumo consciente e mais.
Para adquirir clique no endereço:
http://loja.revistaonline.com.br/online/vitrines/detalhes/Detalhe20203.asp
Muitos leitores do blog vem denunciando ataques as árvores de São Paulo. Eu mesmo assisti a um desses atos no domingo de manhã, no Alto da Lapa, bairro nobre e arborizado do Oeste da Cidade. Uma árvore adulta de uva-japonesa (Hovenia dulcis), planta nativa do Japão e muito apreciada pelos pássaros, foi podada no começo da manhã de domingo irregularmente com um facão(!!) em frente a uma residência por funcionários imperitos contratados pela proprietária , na surdina.
Aparentemente, a copa da árvore estava deixando folhas no insípido jardim, e isso bastou para que galhos de grande diâmetro fossem derrubados à golpes do instrumento deixando extensas porções de casca arrancadas nos tocos remanecescentes. Ao chamarmos a atenção, o ato foi paralisado, porém, o estrago já estava feito. O mais incrível, é ver como a pessoa que não valoriza a árvore dentro da Cidade geralmente também não tem menor noção de cidadania e respeito aos outros. Algumas horas após, os galhos cortados jaziam na calçada da Avenida Cerro Corá, 200 metros longe do corte, obstruindo a passagem de pedestres da movimentada avenida, talvez na tentativa de esconder o crime.
Em tempo: somente a Prefeitura, concessionárias elétricas e bombeiros podem realizar podas nas árvores urbanas, patrimônio público de todos nós. Depois, pessoas como esse proprietário acima, fazem alarde e falam que é culpa da árvore e da Prefeitura quando essa cai em cima da casa delas.
Ricardo Henrique Cardim
Todo verão é a mesma história: árvores caídas nas manchetes dos jornais como causadoras de prejuízos na cidade de São Paulo. A primeira culpada, logicamente, é a árvore, apontam muitos. Mas a verdade não é muito bem essa.
O ser humano tem mais culpa quando se fala em árvores urbanas no chão. É fácil ver cenas como essa acima nas calçadas da Cidade – o tronco todo cimentado em volta, sem nada de solo exposto – isso impede a aeração do solo e das raízes consequentemente, prejudicando a saúde da planta e a deixando vulnerável. Podas destrutivas que desequilibram a árvore devido algum interesse particular, como letreiros de uma loja, também colaboram. Corte de raízes que estavam “quebrando a calçada” (aliás as raízes quebram o piso na tentativa de conseguir a areação de solo ) tiram a sustentação e basta uma tempestade para ventar e amolecer a terra, derrubando a árvore.
Isso sem falar na escolha errada de espécies, muitas exóticas ou nativas em locais errados dentro da malha urbana. Existe a árvore certa para o local adequado, e nativa de preferência, já que temos mais de 200 espécies de árvores de todos os tipos na mata original da Cidade.
As quedas naturais ocorrem, seja pela idade avançada, cupins e até a inevitável poluição do meio urbano. Mas muitas poderiam ser evitadas se as pessoas e as concessionárias elétricas tivessem um pouco mais de cuidado com essas prestadoras de serviços ambientais urbanos, principalmente aqueles que tem árvores na porta de casa.
Ricardo Henrique Cardim
Uma árvore de rara dimensão e beleza é ainda desconhecida da grande maioria dos paulistanos. Poucos são aqueles que param para admirá-la em pleno centro de São Paulo, no histórico Largo da Memória. Conforme antigas fotografias mostram, ela está ali há mais de um século, assistindo às mudanças ao seu redor. É um dos símbolos verdes da maior cidade brasileira.
Para saber mais a respeito dessa figueira nativa do solo da Cidade, veja o outro texto.
Ricardo Henrique Cardim
Qualidade de vida atualmente é quase um mantra. Nas grandes cidades então, se tornou uma preocupação geral, algo determinante para a felicidade. No cotidiano de São Paulo, uma aliada importante está precisando de mais empenho de nossa parte – a árvore. Hoje, mais do que um enfeite verde na paisagem cinza, a árvore é uma “prestadora de serviços ambientais urbanos”.
O bem-estar proporcionado por elas é fácil de se observar e sentir, basta comparar, no sol do meio-dia, uma rua bem arborizada como a Alameda Santos, e alguns trechos da Avenida Paulista quase sem árvores um quarteirão acima. A diferença é visível e dá para sentir na pele. Nos dias quentes fica difícil transitar pela Cidade, principalmente a pé, imagine então se não tivéssemos as árvores urbanas. Aí seria impraticável, quase um deserto.
Hoje é um dever dos paulistanos zelar pelas árvores existentes e plantar novas, ainda mais imaginando que nas próximas décadas teremos um aumento de temperatura de cerca de 3° C devido às mudanças climáticas. Precisamos decidir se vamos querer uma cidade cinza e quente ou verde e amena para o futuro.
Faça a sua parte, veja se na frente de sua casa ou trabalho tem uma árvore, se não tiver ou se couber outras, plante. Para isso, a Prefeitura, no telefone 156, disponibiliza o serviço.
Ricardo Henrique Cardim
Nos lugares mais inesperados da nossa “selva de pedra” essa figueira insiste em germinar e crescer. Trata-se da Ficus microcarpa, uma figueira nativa da Ásia, que foi muito utilizada na arborização de ruas, praças e em cercas-vivas de antigos palacetes e prédios públicos na primeira metade do século passado em São Paulo.
Essa espécie de figueira, ao contrário de outra asiática muito disseminada atualmente – a Ficus benjamina – produz sementes viáveis, e tem os pequenos figos muito consumidos pelos pássaros que acabam a espalhando por toda a metrópole. Algumas dessas sementes são depositadas em frestas de edificações e aí brotam, podendo virar grandes árvores e colocar em risco toda a construção, como no caso do viaduto acima.
Também temos figueiras nativas (epíftas) que crescem fora do solo, o popular “mata-pau” da Mata Atlântica, mas esse prefere os troncos de outras árvores perante as construções humanas.
Ricardo Henrique Cardim
Um costume bastante difundido entre os paisagistas, jardineiros e empresas de manutenção de áreas verdes em São Paulo é o corte das folhas mais “velhas” das palmeiras urbanas, principalmente quando se trata do jerivá (Syagrus romanzoffiana). Se apenas as folhas mortas fossem removidas por motivo de segurança em lugares movimentados, tudo bem. A questão é que geralmente ocorre a mutilação de quase toda a copa da palmeira, desfigurando-a. Nem mesmo as bainhas (base das folhas) e os cachos com flores e frutos são poupados.
Assim como passar cal nos troncos, o ato de “devastar” a copa de palmeiras é de total inutilidade, pois debilita a árvore por diminuir a área de fotossíntese, abre entradas para causadores de doenças, tira alimento da fauna urbana e principalmente traz um aspecto horrível a tão estética palmeira. Quem conhece o jerivá em matas ou no meio rural sabe a bela aparência que a palmeira adquire quando ninguém a molesta, apresentando uma copa redonda com inúmeras folhas pendentes para todos os lados.
Ricardo Henrique Cardim

O caqui, fruta muito rara na Cidade, em um caquizeiro carregado de frutos já alaranjados na calçada de frente do Palácio Anchieta, no Centro. Ricardo Cardim
Uma coisa que tem me chamado bastante a atenção ao andar pela cidade de São Paulo é o grande número de árvores frutíferas nas ruas e praças da metrópole. Abacateiros, mangueiras, amoreiras, goiabeiras e outras são presença certa na maioria das ruas arborizadas. A pergunta é – como essas árvores foram parar aí? Quem as plantou?
Sabe aquele costume de pegar o grande caroço do abacate, espetá-lo com palitos e colocá-lo em um copo com água pela metade para germinar? É assim que começou a vida da maioria dessas árvores na Cidade. As mangueiras também tem um início parecido, suas sementes são germinadas em vasinhos e depois acabam nas ruas.
Essas árvores e outras, como a jaqueira, são plantadas pelos paulistanos em um gesto de apreço ao verde e as frutas. Outras como a pitangueira, goiabeira, nêspera são espalhadas pelos pássaros que ao consumirem os frutos os “bombardeam” na malha urbana. A Prefeitura historicamente não planta muitas frutíferas, salvo projeto específico, e prefere as nativas e com fruto pequeno.
O ato do cidadão é nobre, mas muitas vezes inadequado, já que um abacate ou manga na cabeça e no carro não são nada agradáveis, imagine então uma jaca (!). O ideal é o paulistano escolher árvores frutíferas nativas da Cidade, como a pitangueira, goiabeira, cambuci, jabuticabeira, grumixama, cabeludinha, cambucá e jerivá, que apresentam frutos pequenos e saborosos e ainda ajudam a equilibrar o meio ambiente urbano e sua fauna.
Ricardo Henrique Cardim
Elencando as árvores produtoras de frutas mais presentes dentro da Cidade de São Paulo, podemos citar:
1. abacateiro (Persea americana) – originário da América Central, frutifica de dezembro a março.
2. mangueira (Mangifera indica) – vinda da Ásia, frutifica de dezembro a março.
3. amoreira (Morus nigra) – nativa da China e Japão, frutifica de setembro a outubro.
4. goiabeira (Psidium guajava) – nativa em São Paulo, frutifica de janeiro a março.
5.nêspera ou ameixa-amarela (Eriobotrya japonica) – originária do Japão, frutifica de junho a agosto.
7.pitangueira (Eugenia uniflora) – nativa em São Paulo, frutifica de setembro a novembro.
8.jerivá (Syagrus romanzoffiana) – nativa em São Paulo, frutifica o ano todo.
9. limoeiro (Citrus sp) – vindo da Ásia, frutifica de dezembro a abril.
10. bananeira(Musa paradisiaca) – originária do Sudeste Asiático, frutifica o ano todo.
Das dez árvores citadas acima, somente três (pitangueira, jerivá e goiabeira) são nativas da Cidade. A razão principal se baseia em nossa cultura alimentar atual, com as frutas vendidas nos supermercados e presentes nas mesas paulistanas como as preferidas e mais acessíveis para fazer mudas usando as sementes da fruta e plantar.
Ricardo Henrique Cardim
Talvez a árvore nativa da cidade de São Paulo mais presente dentro da metrópole. Dentre uma imensa maioria de espécies estrangeiras (acredito que 80% do total da Cidade), a quaresmeira – Tibouchina granulosa – enfeita e alegra os paulistanos com suas coloridas flores roxas variando ao lilás nesse começo de 2009.
Presente naturalmente na floresta Atlântica de Encosta, aquela abundante na Serra do Mar, foi muito plantada a partir de meados do século passado nas ruas e praças. Embora adaptada ao ambiente urbano e sua poluição em diversos níveis, não são raros os indivíduos que sofrem na Capital e ficam com porte pequeno e poucas folhas e flores.
Mas por sua beleza, origem, e conexão cultural com São Paulo é um árvore indicada para plantio nas calçadas, já que possui um porte médio e raízes profundas.
Ricardo Henrique Cardim
Passar cal nos troncos das árvores é um costume disseminado há bastante tempo em alguns jardins, deixando as árvores com uma “saia” branca. Não se sabe quem começou com essa idéia e nem quando. Talvez no intuito de passar uma aparência de higiene, sofisticação e evitar possíveis pragas. O fato, é que esse procedimento é de completa inutilidade e ainda pode fazer mal a árvore.
Algumas espécies não respiram somente pelas folhas e possuem nos troncos estruturas chamadas “lenticelas” que servem para trocas gasosas que auxiliam no funcionamento da planta. Quando o tronco da árvore é pintado essas importantes estruturas são fechadas, prejudicando-a. Portanto, para ajudar a manter uma árvore saudável, nunca se deve caiar os troncos, o que também é esteticamente muito feio.
Ricardo Henrique Cardim
O Fernando está querendo doar uma das mais belas árvores nativas da cidade de São Paulo, um exemplar adulto - segue o seu texto:
Estou tentando doar uma árvore que tenho no meu quintal que
infelizmente terei que me desfazer, trata-se de um manacá-da-serra (Tibouchina mutabilis) que está com uns 4 m de altura.
a árvore já encontrou nova moradia em fev 2009

Caso típico de arborização anã no Bairro de Perdizes, com árvore (?) adulta e quase inútil em serviços ambientais para a Cidade.
Os centros urbanos desde o advento da eletricidade vivem um conflito. O embate são a falta de planejamento com fios pendurados em postes acima da cabeça dos pedestres e as árvores urbanas nas calçadas. Nos países desenvolvidos e raras cidades brasileiras (como parte do Rio de Janeiro) essa fiação passa por galerias subterrâneas, não prejudicando a cidade, a arborização e a qualidade de vida.
Para o poder público e as empresas privadas de luz e telefone, antes estatais, o investimento não é prioridade, e o mais lucrativo é passar os fios em postes. As prejudicadas diretas desta decisão subdesenvolvida são as árvores, que são mutilladas com podas drásticas para não “atrapalhar” os fios e um outros aspecto importante, a recomendação de plantar árvores pequenas, arbustos, que não cresçam até os fios.
Vários manuais e cartilhas foram publicados ao longo do tempo por estas empresas, além de pressão e “treinamentos” nas prefeituras e técnicos responsáveis, para a realização desta arborização anã, com arvoretas e arbustos que adultos, não produzem sombra e não realizam serviços ambientais urbanos (ver as funções da árvore). O resultado são cidades desérticas.
Outro aspecto, é que a grande maioria é de origem estrangeira, eliminando a biodiversidade urbana, e são apenas meros enfeites muito propensos ao vandalismo por sua fragilidade. Exemplos destas plantas: resedá (Lagerstroemia indica) originária da Índia, pata-de-vaca (Bauhinia blakeana) de Hong-Kong, falsa-murta (Murraya paniculata) da Ásia, hibisco (Hibiscus sp.) vinda da Ásia e calistemon (Callistemon speciosus) da Austrália.
Mais uma vez o interesse privado prevalece sobre o coletivo.
Ricardo Henrique Cardim
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Para o internauta interessado em árvores, o livro “Biologia & Mudanças
Climáticas no Brasil” traz uma abordagem geral de como plantas, animais e o homem irão responder aos efeitos do aquecimento global. O livro tem uma dimensão botânica que contém capítulos interessantes sobre as árvores, explicando como elas respondem ao clima e como algumas de nossas árvores na Mata Atlântica estão respondendo ao aumento de gás carbônico na atmosfera. Se quiser ler uma resenha do livro, visite o seguinte link na internet
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Raras são as árvores antigas na Capital paulistana. Como diria o historiador Benedito Lima de Toledo, São Paulo foi três cidades em um século, ou seja, foi destruída e reconstruída diversas vezes no século 20. Destas intensas transformações, as árvores também foram vítimas assim como as construções.
Uma árvore centenária, como por milagre, sobrou no centro da Cidade, trata-se do chichá (Sterculia chicha) do Largo do Arouche. Propriedade do General José Toledo de Arouche Rendon há cerca de 200 anos atrás, que foi urbanizada e calçada no final do século 19, essa árvore deve ter sido plantada nesta época ou antes. A fotografia de 1940 nos dá forte indício disto, já que há 68 anos passados ela já era enorme.
Em tempo: embora o chichá não seja uma árvore nativa da cidade de São Paulo, e sim do Centro-Oeste brasileiro, ela está presente em outros locais como o Pico do Jaraguá, Cidade Universitária e Trianon.
Ricardo Henrique Cardim
A arborização realizada no parque paulistano Villa-Lobos é uma das mais modernas da cidade de São Paulo. Nas composições, muitas espécies nativas da Cidade, e principalmente nativas frutíferas, foram usadas. O resultado é uma grande diversidade de pássaros, bem maior do que nas ruas e outras regiões menos arborizadas da metrópole. Parabéns a quem idealizou e plantou, com certeza as futuras gerações de paulistanos agradecerão.
Porém, uma importante espécie foi esquecida. Situado no Bairro de Pinheiros, onde era o antigo aldeiamento indígena de Pinheiros no século 16 e 17, esse nome não foi dado ao acaso. Naquela área existiam muitos pinheiros brasileiros, a araucária (Araucaria angustifolia), que se estendiam por todo o rio Pinheiros até a vertente dos morros onde hoje são as Avenidas Cerro Corá, Heitor Penteado e Paulista.
Ali, no Parque Villa-Lobos, existem excelentes locais para se plantar centenas pinheiros, inclusive no meio das matas implantadas, recriando a situação original de outrora, já que as araucárias não são adequadas para as ruas devido aos pesados galhos e pinhas, mas no Parque esse problema não existe e elas podem ser plantadas em extensas áreas.
Ricardo Henrique Cardim

A figueira, logo atrás da Pirâmide, já com algumas décadas de vida em 1922.
O Largo da Memória é um local especial para a história da cidade de São Paulo. Ali, em tempos idos, era a confluência dos caminhos de tropeiros vindos do sul do País em direção a cidade de Sorocaba. Um monumento singular, todo em pedra – a pirâmide do Piques – foi inaugurado nesse espaço em 12 de outubro de 1814, sendo o primeiro da Cidade.
Até o fim do século XIX o terreno em volta da Pirâmide era um capinzal, sendo arborizado nessa época. Uma velha figueira implantada provavelmente nessa ocasião, resiste até hoje no coração da maior cidade brasileira. Trata-se de uma Ficus organensis Miquel, árvore nativa da vegetação original do Município e que pode alcançar grandes dimensões, como é o caso deste indivíduo, com as impressionantes raízes típicas do gênero e ampla copa.
Os dois monumentos, a figueira e o Piques, valem a visita para quem gosta de árvores e história. Fica ao lado da estação Anhangabaú do metrô e Rua Xavier de Toledo e Quirino de Andrade (antigo caminho de Sorocaba).
Ricardo Henrique Cardim

A mesma figueira hoje, com seu porte impressionante
O Cambuci, árvore já muito bem retratada neste site pela Juliana Gatti ( ver o texto ), é difícil de observar atualmente na Cidade. Antes muito comum na beira do rio Cambuci, rio que deu nome ao Bairro, e onde o Caminho do Mar atravessava ligando a antiga São Paulo de Piratininga a Santos, hoje sumiu devido a urbanização e é um desconhecido.
Achei uns exemplares perto do ICB na Cidade Universitária da USP, que estão floridos e já com pequenos frutos nessa época. Quem quiser conhecê-los, pode usar essas fotografias abaixo para ajudar na identificação.
- vista do cambuci ainda jovem
- casca descamante do cambuci
- folhas do cambuci
- a bela flor do cambuci
- frutos ainda novos do cambuci
Ricardo Henrique Cardim
Por mais incrível que possa parecer, a cidade de São Paulo não possui nenhum tipo de levantamento ou estatística sobre a quantidade, estado e espécies de árvores que habitam a metrópole. E uma questão onde que não se acha a resposta é sobre as árvores mais comuns em nosso município.
Na minha opnião, dentre as observações que tenho feito, grande parte das árvores adultas existentes são de origem estrangeira ou de outros Estados, e com a idade aparente muito variada, retratando arborizações de diversas épocas. Uma lista das 10 espécies mais ocorrentes seria (com as épocas de plantio das espécies estimadas):
1. tipuana (Tipuana tipu) – nativa da Bolívia, muito plantada entre 1940 e 1980.
2. ficus (Ficus benjamina) – nativa do sudeste asiático, muito plantado pela população a partir de 1990.
3. alfeneiro – (Ligustrum Japonicum) nativo do Japão, teve sua época entre 1900 e 1990.
4. jerivá – (Syagrus romanzoffiana) – típico das matas originais da Cidade, é plantado desde os tempos coloniais.
5. sibipiruna – (Caesalpinia peltophoroides) – nativa da Mata Atlântica do Rio de Janeiro para o norte, plantado desde 1940.
6. pau-ferro (Caesalpinia ferrea) – nativo do nordeste do Brasil, é usado em arborização desde o começo do século XX.
7. jacarandá-mimoso (Jacaranda mimosaefolia) - nativo da Argentina, plantado desde o começo do século XX.
8. ipê-de-El Salvador (Tabebuia heterophylla) – nativo da América Central, bastante plantado nos últimos 30 anos.
9. resedá (Lagerstroemia indica) – nativo do sudeste asiático, plantado desde o segundo quartel do século XX.
10. quaresmeira (Tibouchina granulosa) – nativa da Serra do Mar, plantado desde a segunda metade do século XX.
Ricardo Henrique Cardim
Essa cena retrata bem o verde e a megalópole em que vivemos. Na principal avenida de São Paulo, a Paulista, ao lado da estação Brigadeiro do metrô, uma figueira-lacerdinha (Ficus microcarpa), árvore que pode chegar a vinte metros de altura e dois metros de espessura de tronco, se instalou em meio ao concreto subterrâneo deste respiro da estação. O seu “adubo” resume-se a restos de cigarros atirados pelos pedestres e sujeiras urbanas.
Nativa da Ásia, essa árvore foi muito plantada pela Prefeitura nas décadas de 1930 a 1960, e por produzir pequenos figos que atraem a atenção das aves, são espalhadas por eles nos mais inesperados lugares, como na foto.
Ricardo Henrique Cardim




























































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