As árvores gigantes da Mata Atlântica do Parque Estadual de Porto Ferreira

Com uma distância de pouco mais de 220 km da capital paulistana, o Parque Estadual de Porto Ferreira, situado próximo a cidade mesmo nome, conserva uma paisagem rara de ser observada nos dias de hoje: uma floresta de Mata Atlântica ainda com parte das suas antigas árvores de madeira-de-lei originais.

Até o final do século XIX e XX era comum no interior de São Paulo em direção Oeste a partir da cidade de Valinhos a presença de uma floresta de Mata Atlântica Semidecidual (uma floresta que perde parte das folhas na estação seca) que apresentava árvores gigantescas de até 50 metros de altura e alguns metros de diâmetro, alimentadas pelo fértil solo roxo derivado da rocha basalto. Essas matas, derrubadas rapidamente em menos de um século, deram lugar para o ciclo das plantações de café e depois a cana-de-açucar no Oeste Paulista, que deve o sucesso ao seu solo.

No Parque de Porto Ferreira ainda existem na beira do Rio Mogi-Guaçú, árvores seculares como jequitibás, perobas-rosa, pau-marfim, pau-alho e figueiras-bravas que resistiram não só a agricultura, mas a intensa extração madeireira do século passado. Visitar uma paisagem como essa que já cobriu o Estado e hoje é raríssima, nos faz pensar na capacidade do ser humano de mudar cenários milenares em tão pouco tempo – e que não voltam mais.

Um dos enormes jequitibás-rosa (Cariniana legalis), árvore com mais de 40 metros de altura que pode ser considerada a símbolo dessas formações florestais.

Um dos enormes jequitibás-rosa (Cariniana legalis), árvore com mais de 40 metros de altura que pode ser considerada a símbolo dessas formações florestais.

 

Figueira-brava (Ficus sp.).

Figueira-brava (Ficus sp.).

 

 

Peroba-rosa (Aspidosperma polyneuron). Árvore preticamente extinta no Estado de São Paulo na forma nativa e adulta, gerou um verdadeiro ciclo econômico com sua útil madeira no começo do século XX.

Peroba-rosa (Aspidosperma polyneuron). Árvore preticamente extinta no Estado de São Paulo na forma nativa e adulta, que gerou um verdadeiro ciclo econômico com sua útil madeira no começo do século XX.

 

Fungos da Mata Atlântica.

Fungos da Mata Atlântica.

Para visitar:

http://www.ambiente.sp.gov.br/parque-porto-ferreira/

Ricardo Cardim

 

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Telhado verde com Mata Atlântica e Cerrado – atendendo a realidade brasileira

O jornal Hoje da Rede Globo fez uma interessante matéria com o trabalho que venho desenvolvendo de resgate da biodiversidade nativa para aplicação nos telhados verdes SkyGarden. A proposta é trazer para a cobertura de prédios verdes não somente uma vegetação, mas aquela mais próxima da original existente antes da construção da cidade, de forma a resgatar plantas em extinção local e reequilibrar o meio ambiente urbano.

Para conhecer melhor:

http://www.skygarden.com.br

Ricardo Cardim

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Árvores nativas na arborização urbana de São Paulo – bons exemplos

Nos últimos anos ocorreram na cidade de São Paulo alguns plantios de árvores nas calçadas com espécies diferentes das costumeiras sibipiruna e pau-ferro. Observei em diversos pontos da metrópole o uso de espécies nativas regionais, produtoras de frutos para a avifauna e com ótimas qualidades para a arborização de espaços construídos. Mesmo que ainda não pareça ser regra, essa ação de diversificação e respeito à biodiversidade nativa traz novos ares no rumo a uma floresta urbana sustentável do ponto de vista ecológico e cultural.

 

Exemplar de "canelinha" (Nectandra megapotamica) na arborização de calçada na rua Borges Lagoa. Boa ação.

Exemplar de “canelinha” (Nectandra megapotamica) na arborização de calçada na rua Borges Lagoa. Boa ação.

 

O importante é o ensaio e adaptação continuada das espécies típicas de nossa vegetação, para que possa ser aprimorado seu uso, assim como já vem sendo feito há décadas com as muitas exóticas em São Paulo, como a tipuana (Argentina) e sibipiruna (Norte do Rio de Janeiro e Estados acima). Feliz o dia em que São Paulo puder ter uma arborização densa e efetiva em seus espaços, com espécies dos seus Biomas que reequilibram o meio ambiente e sejam resistentes à condição urbana.

Folhas da canelinha

Folhas da canelinha

 

 

Ricardo Cardim

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Novo curso Green Building Brasil – Paisagismo Sustentável e Técnicas Construtivas para Telhados e Paredes Verdes

Caros amigos do blog “Árvores de São Paulo”, apresento o meu novo curso no Green Building Brasil, uma organização que tem como missão desenvolver a indústria da construção sustentável no país.

“Paisagismo Sustentável e Técnicas Construtivas para Telhados e Paredes Verdes”

Objetivo:

Apresentar conceitos e propostas para um paisagismo sustentável no Brasil, abordando a discussão sobre biodiversidade, biomas, nativas, adaptadas, invasoras, consumo de água e serviços ambientais. Preparar o aluno com conhecimentos de botânica, historia, técnicas construtivas e tecnologias para áreas verdes, dentre elas telhados e paredes verdes.

Capacitar o entendimento e a importância das áreas verdes no Green Building dentro da realidade brasileira de país megabiodiverso e seus resultados na melhora da qualidade de vida urbana e reequilíbrio ambiental.

A quem se destina:

Arquitetos, paisagistas, consultores de sustentabilidade, consultores LEED, engenheiros, construtores, incorporadores, representantes de entidades de classe, gestores públicos, estudantes, profissionais da área de meio ambiente.

Conteúdo Programático:

* História do paisagismo no Brasil;
* Biomas e biodiversidade nativa;
* Plantas invasoras;
* Paisagismo sustentável;
* Arborização, biomassa e serviços ambientais;
* Telhados verdes;
* Jardins verticais;
* Áreas verdes e paisagismo LEED na realidade brasileira.

Metodologia:

-Exposição dialogada áudio/visual
-Apostila
-Exercícios práticos com paisagismo sustentável

Professor: Ricardo Cardim

Data:  20 e 21/06/2013 08h30 às 17h30.

Carga horária:  16h

Local:R: Maestro Cardim, 1.170 – Paraíso – São Paulo/SP

São Paulo: 20 e 21/06/2013

 Para se inscrever, clique abaixo:

http://www.gbcbrasil.org.br/?p=educacao-detalhes&I=280

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Frutas da Mata Atlântica no supermercado – novos sabores da biodiversidade brasileira

frutas brasileiras - pitanga - foto de Ricardo Cardim - direitos reservados

Das 20 frutas mais consumidas atualmente do Brasil, apenas três são nativas. Nos supermercados brasileiros quase todas as frutas disponíveis tem a origem ancestral em lugares distantes como Ásia, Oriente Médio e Europa. Sabendo que o Brasil é o país detentor da maior biodiversidade do mundo isso pode parecer no mínimo estranho, mas é resultado de escolhas culturais e do pouco investimento na pesquisa e melhoramento das nossas centenas de frutas nativas.

Até o começo do hábito de se comprar frutas e não mais pegá-las nos quintais e pomares, as frutas nativas eram muito apreciadas, tradição secular que vinha dos índios e que se passava entre gerações, mas que não resistiu a urbanização, o morar em apartamentos a e facilidade do comércio de alimentos e sua imposição de gostos. Assim, conhecer os sabores de algumas frutas “do mato” virou luxo, uma experiência rara, onde cada vez menos pessoas tem acesso para decidir se gostam ou não.

 A boa notícia é que alguns supermercados da capital paulistana estão dando espaço para atuais “raridades” nativas como o cambuci, abiu, jenipapo, pitanga e outras, valorizando os produtores e resgatando sabores esquecidos, além de preservar o meio ambiente. Essas fotos foram tiradas no supermercado Mambo, na Avenida José Diniz, 2329, fone 11 3507-3782. Parabéns para a empresa, ação muito mais eficaz do que qualquer propaganda alardeando “sustentabilidade”.

jenipapo

jenipapo

 

cambuci

cambuci

 

Ricardo Cardim

 

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Depois de 3 anos as araucárias desaparecem novamente de Pinheiros

 

2013 - A desolação da praça com as araucárias mortas e o abandono.

2013 – A desolação da praça com as araucárias mortas e o abandono.

2010 - A mesma praça digna de uma metrópole sustentável e que valoriza sua História e a sustentabilidade.

2010 – A mesma praça antes, digna de uma metrópole sustentável e que valoriza sua História.

O que foi um ato de grande sensibilidade ecológica e histórica nas reformas da região do Largo da Batata em 2010 acabou exatamente três anos depois na forma de mudas secas retorcidas em meio ao lixo e mato. Trata-se do plantio de dezenas de mudas de araucárias (Araucaria angustifolia) que a Prefeitura na época realizou em homenagem a espécie que batizou o bairro de Pinheiros e onde ocorria em abundância em um passado remoto.

Araucárias na Praça em Pinheiros-São Paulo - foto de Ricardo Cardim -3 -direitos reservados

araucárias

Aqui no Blog publicamos a boa notícia em 08 de março de 2010 no post Depois de 300 anos os pinheiros voltam a Pinheiros. Hoje, não sobrou nenhuma araucária viva para lembrar a ação. O que aconteceu foi a falta de manutanção básica para a sobrevivência das mudas, já que a espécie normalmente vai bem no ambiente urbano, como na foto abaixo, de uma araucária jovem plantada na calçada pelo proprietário em uma rua na Zona Sul.

Araucária bem adaptada a condição urbana em uma rua paulistana.

Araucária bem adaptada a condição urbana em uma rua paulistana.

Com isso perde a História e o Meio Ambiente da cidade de São Paulo, e também o investimento financeiro público.

 

Ricardo Cardim

 

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Bem-vindo ao Parque Vila dos Remédios! Sente-se e sinta-se em casa…

E no meio da trilha na Mata Atlântica... um  sofá de veludo (!?)

E no meio da trilha na Mata Atlântica… um sofá de veludo (!?) Só em São Paulo mesmo…

Independente dessa cena insólita na trilha do Parque Vila dos Remédios, pode-se afirmar que esse é um dos parques mais interessantes da metrópole paulistana. Escondido em meio a um bairro residencial tranquilo na Zona Oeste, essa área verde parece não prometer muito para quem chega na tímida portaria localizada no final de uma rua sem saída.

Com uma área de 109.800 m², sendo boa parte um  fragmento de Mata Atlântica típico da cidade de São Paulo, logo após passar o portão com plantas exóticas de paisagismo percebe-se a densa floresta com diversas trilhas bem sinalizadas e algumas até pavimentadas percorrendo-a em diversos sentidos. Na mata, árvores nativas típicas de um histórico secular de agressões como camboatã, capixingui, embaúba e pau-jacaré, mas também outras mais raras, como a copaíba, a palmeira brejaúva, o cauassú e canelas.

Essa área verde pertencia à Congregação Franciscana Filhas da Divina Providência, sendo conhecida também por “Bosque das Freiras”. Em 1976 a área foi cedida à Prefeitura e em junho de 1979 o parque foi inaugurado. O trecho de Mata deve ter sido preservado durante sua época rural por envolver uma nascente, e sofreu os usos comuns dessas áreas verdes ao longo de nossa colonização e urbanização,  como o corte seletivo das árvores de madeira nobres, retirada de lenha e até derrubadas completas com rebrotes de capoeiras. Mas hoje pode ser considerado uma das “jóias” da biodiversidade paulistana.

Vale a visita e pode ser equiparado ao Parque Volpi, no Morumbi, e Parque Siqueira Campos ou Trianon, na Paulista.

O tápia, árvore muito comum nas matas paulistanas e que poderia ser usada com sucesso na arborização urbana da cidade, com seu rápido crescimento e boa sombra, além de alimentar a fauna.

O tápia, árvore muito comum nas matas paulistanas e que poderia ser usada com sucesso na arborização urbana da cidade, com seu rápido crescimento e boa sombra, além de alimentar a fauna.

Lagartas em "transporte coletivo" atravessando a trilha.

Lagartas em “transporte coletivo” atravessando a trilha.

Trecho mostrando a bem preservada Mata Atlântica.

Trecho mostrando a bem preservada Mata Atlântica.

Esses grandes e arredondados blocos de granito eram típicos daquela região paulistana e chegavam até o Jaguaré e Butantã.

Esses grandes e arredondados blocos de granito eram típicos daquela região paulistana e chegavam até o Jaguaré e Butantã.

Uma trepadeira da Mata Atlântica do gênero Smilax

Uma trepadeira da Mata Atlântica do gênero Smilax

 

Aqui também aparecem as palmeiras-seafórtia, espécie de origem australiana e com forte capacidad de invasão biológica, que provoca intensa perda de biodiversidade.

Aqui também aparecem as palmeiras-seafórtia, espécie de origem australiana e com forte capacidade de invasão biológica, que provoca intensa perda de biodiversidade.

 

Endereço - Rua Carlos Alberto Vanzolini, 413 – Vila Jaguara. Funcionamento: diariamente das 7h às 18h. Fone: (11) 3625-1419

 

Ricardo Cardim

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