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Esse passeio é ainda mais desconhecido do que a figueira-das-lágrimas para o paulistano apreciador das árvores. Dentro de uma praça que ocupa um quarteirão, a Casa Bandeirista do Caxingui é uma das raríssimas casas rurais de São Paulo remanescentes do século 17.
Mas a atração não se restringe a construção histórica. A vegetação se destaca por duas espécies tradicionais da nossa flora paulistana original e atualmente quase extintas: a figueira (Ficus organensis) e a araucária (Araucaria angustifolia). Com isso, forma-se um cenário realmente dos primeiros séculos de colonização no Planalto.
As figueiras são provavelmente muito antigas pelo porte e aparência. Já deviam acompanhar a casa quando tudo ali era zona rural, antes da Companhia City lotear a área em 1937. Hoje a bela construção e suas espessas paredes de taipa-de-pilão pertencem a Prefeitura, tombada desde 1983.
O renque de araucárias, formação muito escassa na cidade, deve ter mais de 50 anos e completa a paisagem. Entretanto, muitas espécies estrangeiras invasoras estão descaracterizando a vegetação típica da Casa e escondendo, por exemplo, a figueira. Precisam ser removidas. No lugar, poderia se plantar exemplares de canela-preta (Ocotea catharinensis) a madeira de preferência usada na época.
Para conhecer:
Casa do Sertanista Pça. Dr. Enio Barbato, s/nº – Caxingui, Zona Oeste, São Paulo, SP Fone 11 3726 6348
Ricardo Henrique Cardim
Acredito que tenha sido a primeira vez na história de São paulo que uma avenida foi desviada por causa de uma árvore. E ainda no começo da década de 1990, quando sequer existia o termo ”sustentabilidade”!
Milagre ou não, o fato é que o portentoso jequitibá-rosa sobreviveu. Antes do prolongamento da avenida, ele tinha uma vida calma em um quintal de uma residência na outrora pacata Vila Olímpia. Como o jequitibá-rosa (Cariniana legalis) não ocorre naturalmente na floresta paulistana, somente o branco (Cariniana estrellensis), essa árvore deve ter sido plantada há bastante tempo.
Resistente, aprendeu a viver em meio a fumaça dos carros e as camadas de asfalto ao redor. Considero-o um marco na história da consciência ambiental na metrópole, um exemplo de novos tempos. Mas quando lembro das obras na marginal Tietê, vejo que ainda temos um longo caminho pela frente…
Ricardo Henrique Cardim
Ela é a árvore mais comum na arborização urbana paulistana e símbolo de alguns bairros da cidade. Trata-se da tipuana (Tipuana tipu - Família Leguminosae), que enfeita o começo da primavera com suas pequenas flores amarelo-ouro no topo de seus galhos.
Colorindo o concreto com um espesso tapete de pétalas, locais como os Jardins e a Cidade Universitária ganham uma paisagem diferente nessa época do ano, quebrando o persistente cinza do nosso cotidiano.
As tipuanas de São Paulo estão em sua maioria no final da vida, já são “velhinhas”, foram plantadas antes dos anos 1950, principalmente pela Cia. City, que criou os bairros-jardins, como Pacaembú, Jardim Europa, Alto de Pinheiros e outros. Originárias da Bolívia, alcançam grande porte e densa folhagem por aqui, formando as ruas mais verdes da Capital. Exemplos são a Avenida República do Líbano e Alameda Santos, com exemplares muito antigos.
O seu plantio hoje não é mais recomendado, devido ao seu grande porte, madeira frágil e susceptível à cupins, sendo substituída gradativamente por espécies nativas pela Prefeitura. Entretanto, não há como negar que ela já é uma das “caras” de São Paulo.
Ricardo Henrique Cardim
A nêspera ou ameixa-amarela (Eriobotrya japonica família Rosaceae) é uma árvore frutífera que se tornou muito comum na cidade de São Paulo. Difícil é o bairro que não a tenha na arborização urbana, principalmente nas praças e parques, onde são queridas pelos paulistanos amigos das árvores.
Na gravura chinesa acima, do século XIII – XIV, exposta em um catálogo da Christie’s de Nova Iorque de 1998, pássaros pousam em um galho carregado de frutos amarelos, mostrando como é antiga a apreciação dos povos orientais pela árvore.
Trazida para o Brasil pelos imigrantes japoneses no começo do século passado, rapidamente seus frutos doces e azedos caíram no gosto dos pássaros paulistanos, que trataram de espalhar as sementes por todos os lugares.
O resultado é a presença maciça da espécie na metrópole, até em lugares improváveis, como na fresta do concreto dessa ponte sobre o Rio Pinheiros a muitos metros de altura, na foto abaixo.
Ricardo Henrique Cardim
Mais um exemplo típico de arborização inútil em São Paulo. Cenas como a acima, infelizmente, estão cada vez mais comuns nas nossas calçadas. Nos locais onde a Prefeitura não implantou árvores adequadas, a população em um gesto de boa-vontade, acaba plantando o popular ficus (Ficus benjamina – família Moraceae – origem Ásia) totalmente inadequado para calçadas e o equilíbrio ambiental e, para piorar, ainda faz podas horripilantes e desnecessárias como essas acima, formando as “árvores-cotonetes” que não trazem nenhum serviço ambiental para os pedestres e a metrópole.
Na Zona Leste de São Paulo, a região menos arborizada da cidade e onde a foto foi tirada, em frente a igreja do Cambuci (ironicamente) o ficus já é tranquilamente a árvore mais presente nos passeios.
Quando essas plantas estiverem adultas, não vão faltar encanamentos, pisos, asfalto e fundações arrebentados. Quem dera se tivéssemos cambucis no lugar dos ” ficus cotonetes”.
Ricardo Henrique Cardim
Incrível como no fim de semana é fácil achar árvores sendo cortadas ou depredadas na cidade de São Paulo pelos moradores! Aproveitam a menor fiscalização. Essa araucária-colunar (Araucaria columnaris) com 20 metros de altura foi picotada nesse sábado, 24, de uma residência no Alto de Pinheiros (Zona Oeste).
O morador não devia ter qualquer tipo de autorização legal, e temendo ser multado pelo vandalismo, começou a buzinar seu carro de dentro da garagem na tentativa que eu parasse de fotografar. No domingo tudo foi limpo, só sobrou um grande toco encostado no poste.
Esse pinheiro é nativo da Nova Caledônea, na Polinésia, e foi muito usado como planta ornamental de jardins, principalmente nos anos 70. Menos uma árvore adulta e prestadora de serviços ambientais na nossa cinza metrópole.
Ricardo Henrique Cardim
Com o tema “Árvores – Plantando a Mudança” Ricardo Cardim e Juliana Gatti ministraram palestra na Universidade Metodista abordando a Arborização Urbana e sua importância para a sustentabilidade das cidades.
Discutiu-se também sobre o que é arborização urbana; Funções e benefícios; Conectando a população; Educando sobre as árvores – encantando para preservar; Despertando o olhar e inspirando nossas ações; Árvores e natureza na cidade.
Uma amostra de como São Paulo tem de tudo. Em plena calçada de uma rua movimentada, alguém resolveu fazer ali a sua plantação de jacas. Muito bem-cuidadas, as jacas estão devidamente cercadas e protegidas de outros apreciadores.
A jaqueira (Artocarpus heterophyllus família Moraceae), uma árvore originária do sudeste asiático, é difícil de ser encontrada na cidade. No Rio de Janeiro ela faz parte da paisagem e foi até usada no reflorestamento da Floresta da Tijuca no século XIX, virando assim uma quase carioca .
Seu plantio na calçada é no mínimo arriscado, podendo causar obviamente acidentes graves…
Ricardo Henrique Cardim
Dia 24 de outubro, às 11 horas, ocorrerá na Casa do Administrador no Parque da Luz, a abertura da exposição sobre a família Etzel, uma das grandes responsáveis pelo verde que a cidade ostenta hoje. Antonio Etzel começou a arborizar a cidade na administração do Prefeito Antônio da Silva Prado (1899-1911), para o qual já trabalhava anteriormente, como responsável pela administração do verde urbano. São Paulo aquela época queria ser Paris e árvore era sinônimo de salubridade.
Seu filho Arthur seguiu os passos do pai e continuou arborizando a cidade. A exposição é uma justa homenagem a essa família que foi tão importante para São Paulo. Por mais incrível que pareça, ainda existem muitas árvores vivas na cidade plantadas pelo Antonio Etzel.
Vale a pena conferir. Entrada franca.
Ricardo Henrique Cardim
Aproveitando o domingo de sol, plantamos duas árvores da flora paulistana ameaçadas de extinção. O local escolhido foi a calçada do bairro de Pinheiros. O cambuci (Campomanesia phaea) e o cambucá (Marlierea edulis) são duas espécies de árvores frutíferas nativas da nossa Mata Atlântica outrora muito abundantes nos pomares do século XIX e florestas. Pertencem à família Myrtaceae, a mesma da goiabeira, jaboticabeira e pitangueira.
Em São Paulo as duas praticamente não mais existem. Só conheço dois lugares para ver o cambucá – o velho pomar da fazenda de Affonso Sardinha no Pico do Jaraguá e o da casa de direção do Butantã. Já o cambuci, no Jardim Botânico e no Largo do Cambuci. Plantar árvores em praças, parques, alças de acesso é importante, mas muito mais conectado e benéfico para a população e a cidade é o plantio nas calçadas.
Ricardo Henrique Cardim
A cena acima está cada vez mais comum em nossa cidade de São Paulo. Infelizmente. A verticalização desenfreada, que atende mais aos interesses de poucos em detrimento do coletivo, só tem aumentado nos últimos anos.
Para a arborização da cidade, esse fato é especialmente terrível, considerando que árvores de porte em terrenos particulares, adultas, nascidas em uma época onde a cidade era mais verde e horizontal, são cada vez mais raras. Muitas inclusive são nativas da Mata Atlântica paulistana e guardam importante material genético.
Um ótimo exemplo é o terreno da antiga mansão da família Matarazzo, esquina da Avenida Paulista com a Pamplona, onde em breve teremos mais um shopping (para que mais um??). Ali em um dos cartões-postais de São Paulo, depois da derrubada ilegal da casa há duas décadas, existe uma profusão de velhas árvores nativas da floresta paulistana que hoje sombreiam os carros do estacionamento lá instalado.
As paulistanas da gema - canelas, tapiás, jerivás e embaúbas convivem com antigas árvores remanescentes dos jardins de época, início do século XX, como a grande laranjeira na guarita da Paulista, que há algumas semanas atrás espalhava seu raro perfume nas calçadas da avenida.
Até quando?

Grandes árvores no terreno da mansão Matarazzo esperando a chegada de mais um shopping, com mais carros, sombra, consumismo...
Ricardo Henrique Cardim
Os jacarandás-mimosos estão intensamente floridos nesse começo de primavera nas ruas de São Paulo. Outrora mais abundantes na cidade, a ponto de em meados do século passado forrarem o asfalto de bairros inteiros com suas flores arroxeadas, hoje são resquícios. Restos de antigas arborizações, com exemplares sobreviventes isolados de idade avançada.
Lembro-me de uma história com meu avô paterno, morador da Alameda Campinas, que há mais de 40 anos atrás escorregou no tapete roxo das flores dos jacarandás que arborizavam aquela rua quando chegava em casa (hoje não mais existentes) e quebrou a perna(!). Percalços da necessária qualidade de vida na metrópole…
A boa notícia é que estão plantando muitas novas árvores, praticamente iguais ao jacarandá-mimoso, e do mesmo gênero – a caroba (Jacaranda macrantha) que é nativa, uma vez que o jacarandá-mimoso (Jacaranda mimosaefolia) é argentino. Assim a tradição paulistana poderá se manter, e agora com equilíbrio ecológico.
Ricardo Henrique Cardim
Um passeio aéreo pelo Google Earth em São Paulo nos traz algumas supresas interessantes. Como por exemplo terrenos que nunca foram construídos em pleno centro da metrópole paulistana. Em outro artigo falei sobre o talude do Pátio do Colégio que desde o século da fundação continua descoberto, uma raridade em nossa intensa urbanização.
Aqui, na foto acima, outro exemplo. Trata-se do Convento da Luz, um dos últimos prédios coloniais da cidade, que esconde de quem passa na movimentada Avenida Tiradentes a sua “fazendinha” urbana atrás dos muros construídos em taipa-de-pilão. E não se trata de um terreninho. O solo recortado por diversas culturas diferentes da freiras que habitam o claustro apresenta um extensão considerável.
Essas terras lavradas remanescentes dos antigos “Campos da Luz” citados desde o começo dos Registros da Câmara, ainda devem produzir parte da alimentação dos moradores do edifício. À direita no canto superior da foto, um pomar com prováveis laranjeiras velhas e mudas entre elas, com uma terra bem carpida. Pedaços do interior na Capital.
O ritmo de vida nessa extensa área cultivada no centro de São Paulo parece pertencer mesmo a outro tempo, a da fundação do convento no século XVIII. Como foi possível sobreviver tal área em uma cidade onde não conseguimos enxergar o fim do asfalto e concreto?
Ricardo Henrique Cardim
Uma confusão típica é entre pinheiro, araucária e pinus. Pinheiro é nome popular genérico dado a essas espécies de Gimnospermas (plantas sem frutos e flores). Mas entre a araucária (Araucaria angustifolia) e o pinus (Pinus Elliottii) existe uma grande diferença. Além das famílias, tem origem em locais diferentes.
Originário da América Central, o pinus foi, apartir do final da década de 1960, plantado intensamente no Brasil estimulado por políticas governamentais de incentivos fiscais. Sua finalidade foi e é principalmente a produção de madeira serrada. Um lado muito bom dele é a preservação de matas nativas quando seu plantio é feito de forma sustentável, fornecendo madeira. O lado ruim é se propagar de forma agressiva e invasora das vegetações naturais com sua sementes aladas “voadoras”.
Já a araucária, paulistana nata, precisa voltar a cidade, principalmente em nossos parques e praças. O pinus não é uma espécie para se plantar, a não ser para produção de madeira.
Um fato interessante do pinus, é que até pouco tempo atrás suas mudas eram comumente distribuídas em eventos com fachada de “verde”, como aqueles infelizes pintinhos de algumas feiras de animais. Nada mais insustentável. Com isso, encontramos muitos exemplares adultos no meio da metrópole, principalmente em quintais (os que sobraram).
Ricardo Henrique Cardim

Com um dia da árvore perfeito para se plantar árvores - bem chuvoso - a peroba foi plantada próxima a reserva de floresta nativa da Cidade Universitária da USP, de forma que no futuro possa contribuir para o enriquecimento da biodiversidade e a reintrodução da espécie hoje inexistente na matinha através da dispersão de suas futuras sementes. Que esse remanescente de floresta possa ainda existir por muitas gerações de paulistanos.
No próximo dia 21 iremos plantar uma árvore rara na cidade de São Paulo em comemoração ao dia da árvore. Pretendemos fazer isso de uma forma conectada, como tentamos imprimir nos Amigos das Árvores de São Paulo.
Em 2007 coletou-se as sementes de uma antiga peroba (Aspidosperma sp.) da Mata Atlântica original do Município, remanescente (até quando?) em um terreno particular no Morumbi, Zona Sul de São Paulo, outrora florestado. Suas sementes, pouco férteis, permitiram a formação de uma única muda que a certo custo cresceu e hoje está pronta para continuar a aventura empreendida por sua mãe, de sobreviver na metrópole.
Com quase três anos de idade, essa muda representa a genética de uma bem-formada árvore genuinamente paulistana, adaptada milenarmente às condições do terreno original da cidade. Seus parentes já estavam aqui muito antes de nós. A sua raridade atual se deve a ser considerada madeira de lei, o que levou ao quase extermínio da espécie no decorrer dos séculos e seu sumiço mesmo nas atuais florestas paulistanas. Para saber mais: clique aqui
É urgente resgatarmos as árvores nativas das matas paulistanas que podem servir de matrizes a novas mudas para melhorar nossa condição ambiental urbana e equilíbrio ecológico tão necessários em São Paulo. Para esta e as futuras gerações.
Ricardo Henrique Cardim
Hoje é comum encontrar em praças e parques de São Paulo muitas árvores sem seus galhos menores, com uma poda agressiva. Essas plantas geralmente estão assim devido a terem sido transplantadas de um outro local, e o processo exige essa redução da copa.
As fotografias acima apresentam dois casos típicos – a transplantada que sobrevive no seu novo lar, e a morta (infelizmente a mais comum). Árvores adultas, mesmo sendo retiradas de seu local original com metodologia adequada, correm grande risco de morrer pelo enorme trauma sofrido. É um ato que deve ser evitado a todo o custo.
O problema é que nos últimos anos se vê cada vez mais ‘troncos” como esses das fotos pela Cidade. Maior consciência ecológica? Sim, mas não é só isso. Trata-se de um termômetro de como o verde está sendo empurrado de dentro da malha urbana e expulso a locais cada vez mais restritos, formando verdadeiros “campos de concentrações” de árvores.
Carros e lançamentos imobiliários. Esses são os responsáveis pelo sumiço e despejo de muitas áreas verdes da Metrópole. Ampliação das marginais, casas com grandes quintais verdes que viram condomínios fechados com jardins de arbustos em cima de garagens, cidadãos inimigos das árvores que pedem remoção da sua calçada, fazem, silenciosamente, São Paulo cada vez mais cinza e sem qualidade de vida.
Por isso, quando passar por esses palitos gigantes, lembre-se que uma área verde deixou de existir na Cidade para aquela árvore estar em seu novo ambiente. Menos bem-estar para essa e as próximas gerações.
Ricardo Henrique Cardim
Recebemos muitos e-mails de leitores nos perguntando como diferenciar as mudas de diferentes palmeiras quando elas ainda estão pequenas, principalmente no chão da floresta. Como na cidade de São Paulo nós encontramos normalmente três espécies de palmeiras dentro das matas residuais da malha urbana, fotografei essas mudinhas a fim de ajudar na identificação. A principal diferença é na primeira folha lançada pela plântula. As paulistanas nativas jerivá (Syagrus romazoffiana), tem apenas uma folha inteiriça, o palmito-jussara (Euterpe edulis) a divide em 6 partes, enquanto a australiana e invasora seafórtia (Arconthophoenix cunninghamii) a divide em dois.
Visitando uma senhora japonesa admiradora e cultivadora de várias plantas, em meio aos muitos vasos do seu quintal paulistano, um me chamou atenção por sua floração exuberante e intensa visita de diversos tipos de insetos. Tratava-se de um sakura, ou cerejeira-do-japão, bem adaptada à condição no vaso.
Mesmo com pouco solo, praticamente um bonsai, esta árvore da fotografia acima é um exemplo de vitalidade e beleza, uma prova que a dedicação e carinho fazem diferença no cultivo de árvores. Como a Juliana Gatti diz – por que nós não desenvolvemos um apego como esse que os orientais tem pelas sakuras por árvores brasileiras tão belas como os ipês?
Ricardo Henrique Cardim
O doce perfume de laranjeiras floridas ao fim do dia e começo da noite era algo corriqueiro na cidade de São Paulo de outrora. Quintais e pomares caseiros sempre tinham alguma laranjeira entre suas árvores frutíferas. Até Anchieta, fundador de São Paulo, as trouxe de Portugal e as cultivava na sua “cerca” há mais de 450 anos trás.
Hoje, quantos são os paulistanos adultos que conhecem um pé de laranja na Metrópole? E crianças? Aposto que muitas não sabem sequer que laranjas vem de árvores…O delicioso perfume da floração não faz mais parte de nosso cotidiano. Infelizmente.
Embora raríssima, ainda existe um lugar dentro de São Paulo para apreciar tão bom perfume – é o Instituto Biológico, na Vila Mariana, onde dentro de seu extenso quintal, tão grande que até um cafezal há, algumas velhas laranjeiras sobrevivem e cobrem a copa de flores muito brancas.
Para conhecer:
Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 1.252 – Vila Mariana – SP
Ricardo Henrique Cardim
É inacreditável observar como existem pessoas capazes do ato acima vivendo em pleno século 21. A colaboradora Luciana Vilaça de Azevedo nos enviou a denúncia sobre os atos de vandalismo que estão ocorrendo na Rua General Sócrates, altura do número 211, no bairro da Penha, Zona Leste de São Paulo. Seu relato - ”Há cerca de 20 dias eu passando por esta rua observei que esta árvore havia sido ferida creio que gravemente, algum maníaco retirou uma parte da casca (mais ou menos a 1,5 metro do chão) e estacou a mesma com dois pedaços de ferro cruzados. Existe também um buraco com outro ferro enganchado. Ontem observei a árvore e me parece que jogaram óleo de motor dentro desse buraco.”
A retirada da casca em volta da árvore é um método usual por vândalos desse tipo, o “anel de malpigh” mata a árvore em pé pela interrupção no fluxo de seiva do floema, e na tentativa de aprimorar o assassinato ainda fez furos no lenho para introduzir material venenoso.
A árvore em questão é um chapéu-de-sol adulto, que com sua ampla copa presta serviços ambientais relevantes a toda a população de um bairro carente de verde. Possivelmente, o criminoso autor de tal vandalismo, se sente no direito de suprimir algo que é benefício de todos em prol de algum mesquinho motivo particular. Depois ainda quer parar o carro na sombra da árvore do vizinho…
Ricardo Henrique Cardim
Andando ontem pelo Vale do Anhangabaú, me deparei com uma cena inusitada – um pé de mamão adulto e carregado de frutos – em pleno centro da maior cidade brasileira. A cena na verdade é mais comum do que se parece em São Paulo. Muitos paulistanos, mesmo como homens urbanos por natureza, mantém ainda um “pé” na roça.
A prova são as inúmeras árvores frutíferas plantadas por toda a Cidade, formando um verdadeiro pomar urbano. Quem as planta não é o Poder Público, que não as recomenda, salvo casos espécificos, mas a população. O ato de guardar as sementes da fruta que acabou-se de comer, colocá-la em uma lata com terra, vasinho, formar a mudinha e depois a plantá-la na calçada em frente ou praça próxima, acabou contribuindo para respeitável parte do nosso verde hoje.
As fruteiras plantadas no últimos 50 anos refletem exatamente o gosto da alimentação atual, como o mamão, limão, laranja, manga e abacate, diferente daquelas de outros tempos, a grumixama, marmeleiro, cabeludinha, cambuci, jabuticaba.
Na falta de um belo quintal ou sítio , como nossos antepassados tinham para plantar as árvores queridas por alguma razão, o homem urbano atual continuou a exercer o seu gosto da “roça” em nichos em meio ao concreto e asfalto, seja nas calçadas ou praças. Pedaços do mato na cidade.
Ricardo Henrique Cardim
Essa bela árvore acima acredito ser a árvore nativa de maior importância histórica durante os nossos quatro séculos de urbanização. Mas qual a razão? Quando a cidade de São Paulo ainda era restrita à colina entre os rios Tamanduateí e Anhangabaú e suas casas construídas de barro socado, a taipa-de-pilão, essa planta fornecia a madeira mais querida pelos colonizadores.
Resistente, durável e bonita, o cerne escuro da canela-preta (Ocotea catharinensis) foi o preferido para as vigas, caibros e tábuas pelos primeiros moradores e existia em profusão nas florestas paulistanas. Grande parte das raras casas rurais coloniais da Cidade ainda existentes como a Casa Bandeirista do Butantã, a Casa do Tatuapé e o Sítio Morrinhos tem ou teve a árvore no seu madeiramento.
Hoje muito rara na Cidade, está restrita a poucas florestas urbanas como a Serra da Cantareira, e é uma espécie presente na Lista Oficial de Espécies da Flora Brasileira Ameaçada de Extinção do IBAMA. É uma árvore que precisa ser mais plantada, tanto pelo seu importante aspecto histórico-cultural, quanto por sua beleza e indicação para áreas urbanas. Plantei uma no final de 2007 nos jardins da Faculdade de Odontologia da USP junto com muitas outras espécies nativas, e ela se adaptou muito bem à condição urbana.
Ricardo Henrique Cardim
Ao contrário do que muitos pensam, os morcegos são importantes para o equilíbrio ambiental das cidades. Afamado como animal nocivo, vampiro, transmissor de doenças e que deve ser combatido a todo o custo, essa visão é superficial e errada, pois a maioria dos morcegos não se alimenta de sangue (das 953 espécies existentes, somente 3 são hematófagos).
Grande responsável pelo plantio de árvores e florestas, esses animais alimentam-se de inúmeros tipos de frutos diferentes e quando defecam, ”bombardem” as sementes ao solo, ajudando a regenerar a vegetação e aumentar a biodiversidade local. Também são polinizadores eficazes.
Em São Paulo, cidade onde a maioria das árvores urbanas são de origem estrangeira e nada tem a ver com a Mata Atlântica original da região, o morcego desempenha um papel fundamental, trazendo sementes nativas das matas próximas e enriquecendo a biodiversidade arbórea paulistana, o que melhora nossa qualidade de vida e ajuda a preservar florestas urbanas como o Parque do Trianon. A verdade é que sem morcegos nossas já raras matas definhariam em poucos anos.
Ricardo Henrique Cardim
Várias jabuticabeiras na Metrópole já estão densamente floridas esse mês. Algumas até apresentam frutos precoces, inclusive maduros. Daqui há poucos meses vai ter muita árvore carregada de frutos nos nossos parques para serem disputados pelos apreciadores.
Para quem não tem uma jabuticabeira no quintal (acredito que como eu, a maioria dos paulistanos) a dica é ir por volta de setembro ao Butantã, Ibirapuera e Pico do Jaraguá, onde ainda existem grandes pomares com a espécie.
Ricardo Henrique Cardim
Embora a presença de árvores nas cidades seja fundamental para a qualidade de vida, como todo ser vivo, elas possuem uma durabilidade e são susceptíveis a pragas e doenças em seu ciclo de vida. Pragas como os cupins, tão comuns na metrópole paulistana, podem provocar a queda da planta por perda de sustentação.
Esse jacarandá-mimoso (Jacaranda mimosaefolia) adulto da fotografia acima, uma árvore de origem argentina de madeira mole e apreciada por cupins, não resistiu ao ninho no seu tronco e caiu ontem na Cidade Universitária, sem qualquer vento, em cima de dois carros. Por sorte, ninguém se machucou.
Vale lembrar que além de plantar também é muito importante a inspeção da fitosanidade em árvores habitantes nas cidades, já que é um ser dinâmico e precisa ser acompanhado profissionalmente, a fim de que possa executar seus serviços ambientais urbanos e só gerar benefícios à todos.
Ricardo Henrique Cardim
English translator for the #38 Festival of the Trees:
Fall of the urban trees and the termoids in São Paulo City, Brazil.
Although the presence of trees in the cities is fundamental to life welfare, like ever human being they have a life spam and are susceptible to plagues and sicknesses in their life cycle. Plagues such as termoids, so common in São Paulo city, can cause the fall of the plants because the lost of their sustentability.
This adult “Jacarandá mimoso” at the photo above, a soft Argentinian wood tree and appreciated by termoids, did not hold the nest on its trunk and fell yesterday at University city, without any wind. The tree fell on the top of two cars – luckly, no one got hurt.
It is good to remember that besides planting, it is also very important the inspection of the trees health that live in the cities, once they are dynamic beings and need to be proffessionally kept, to do their enviromental services and just offer benefits to everybody.
Ricardo Henrique Cardim
Um leitor do blog doa as seguintes árvores adultas:
1) Mangueira de aproximadamente 8 metros de altura, deve ter uns 15 anos, produz muito bem num ano e no outro é fraco. É uma árvore heróica porque não tem nenhum trato especial e dá frutos muito doces.
2) Uma mexeriqueira enchertada num limoeiro. Tem galhos que dão mexirica tipo pokan e outras limão.
3) Laranjeira. São árvores rústicas, sem nenhum tratamentos especial de adubação, correção do solo e provavelmente não foram de sementes selecionadas. Provavelmente caroços ou sementes de frutas normais.
Elas tem que ser removidas porque ficam num terreno onde irei construir uma casa em meados de Set/2009 e não haverá sobra de terreno para o replantio delas no mesmo terreno. Além de que a construção agredirá as árvores de forma irreversível. Localização: Barueri Custos por conta do Receptor. Dou preferência para pessoas que tenham plenas condições técnicas de transporte e replantio sem agredir as árvores. Se possível ainda permitir a vistoria das árvores replantadas por algum tempo (meses…) Se alguém se interessar favor entrar em contato por email: apto2003@ig.com.br
A tipuana (Tipuana tipu), uma árvore muito comum na arborização urbana de São Paulo e dominante em diversos bairros da Capital, chega a ser um símbolo de alguns, como o Jardins. As ruas repletas delas formam “túneis verdes” e podem ser consideradas um cartão-postal de São Paulo. Geralmente grandes árvores, na Cidade seus exemplares são antigos, remanescentes de plantios da década de 20 a 60 do século passado.
Nativa da Bolívia e Argentina, seu nome vem do rio boliviano Tipuani, onde vivem no seu vale, uma zona montanhosa e de atividade mineira. Quem as observa, percebe uma densa “grama” crescendo e cobrindo o tronco e ramos de tipuanas, aumentando ainda mais a sensação de vegetação densa que elas proporcionam.
Trata-se de uma samambaia epífita nativa, que mal nenhum causa à árvore. É a Microgramma vaccinifolia, ou samambaia-grama, que gosta da rugosidade e umidade do tronco da tipuana, além de sua ampla sombra. Usa a tipuana apenas como suporte, e traz ainda mais beleza aos bairros arborizados com ela.
Ricardo Henrique Cardim
Ontem, domingo, os Amigos das Árvores de São Paulo participaram junto ao pessoal do Pedal Verde, Árvores Vivas, Plant-Ar e Bicicletada.org de uma manifestação de repúdio ao corte de árvores do canteiro central da Marginal Tietê e impermeabilização de mais áreas verdes na Capital.
Aproveitei a ocasião para conhecer melhor a condição ambiental local e chegar na margem do Rio Tietê, abaixo do talude concretado, a menos de um metro de suas águas(!?). A impressão é realmente forte. Rapidamente um cheiro pesado impregna o nariz e o corpo. A água parece sólida de tão poluída, infestada de flocos escuros e dezenas de garrafas pet, além de todo o tipo de objeto plástico desfilando na minha frente.
Pisar em cima da sua escura e fétida lama não foi nada agradável e tive que deixar os tênis de molho depois. Quando teremos novamente um rio na Cidade e não isso? Se depender do rumo atual das coisas…
Matéria no G1:
Ricardo Henrique Cardim
Colher a semente, plantá-la na terra, fazer a muda, irrigar constantemente, podar a muda até ter o formato desejado, transportar até o local de plantio definitivo, abrir uma grande cova, espalhar adubo, plantar a muda, irrigar, estaquear e pronto! Deu trabalho, custou dinheiro, mas mais uma árvore foi plantada. Sim. Embora isso seja apenas uma parte de se plantar uma árvore. Falta a manutenção. Falta quase tudo.
A manutenção, etapa pós-plantio, é crucial para a muda ter sucesso e virar uma árvore adulta. Quando se organizam plantios, muitas vezes fazem-se mutirões comunitários, festas, presença de autoridades, e depois de tudo, as mudinhas são largadas à própria sorte. Assim como filhotes de qualquer espécie animal, as mudas precisam de cuidados para ter futuro. E um fator de grande importância é a disponibilidade de água, seja de chuva ou irrigação.
Em São Paulo existe uma época onde NÃO se deve plantar árvores – a estação seca – de abril a setembro, sendo muito fácil a muda morrer nesses meses por falta de água se não for regada constantemente, e todo o trabalho despendido ser inútil. Por isso, caso queira plantar árvores, fazer uma ação legal de plantio, e não pode regar as mudas duas vezes por semana durante muitos meses, espere as chuvas do mês de outubro, você terá mais chances de ver seu trabalho dar frutos.
Ricardo Henrique Cardim
Embora seja uma árvore não indicada para se plantar em cidades devido ao seu grande porte e facilidade de queda de galhos, o eucalipto (Eucalyptus sp) aparece frequentemente na Metrópole, principalmente em praças e parques. A razão disso é geralmente histórica, com velhos exemplares remanescentes da pré-urbanização, como antigas chácaras ou resquícios rurais. O Parque do Ibirapuera, por exemplo, teve o eucaliptal plantado para “secar” seus brejos no começo do século XX.
Já foi usado na arborização urbana paulistana no final do século XIX pelo Prefeito Antônio Prado e seu encarregado Arthur Etzel graças ao rápido crescimento. Em1993, o Prefeito Paulo Maluf teve a absurda idéia de plantar milhares de mudas de eucaliptos nas áreas verdes urbanas (coincidentemente ele tinha um grande viveiro dessas árvores em sua empresa, a Eucatex) que foi logicamente rechaçada.
Originário da Austrália, teve seu plantio disseminado por Navarro de Andrade no começo do século passado para suprir de lenha as locomotivas. Entretanto, ainda é mal visto por alguns. Exagero. Quando praticada de modo sustentável, é uma cultura agrícola importante para satisfazer nossas necessidades de celulose e madeira e evita o corte de mais matas nativas. A velha história que arruína o solo, não é verdade se os cuidados necessários forem tomados, basta para isso ver a Fazenda Melhoramentos em Caieiras, que o planta há mais de 80 anos.
Agora, em áreas de preservação ambiental como beiras de rios substituindo as árvores nativas ou na malha urbana, ele não pode e nem deve ser plantado.
Ricardo Henrique Cardim
Quarta-feira passada, na noite antes do feriadão, São Paulo teve seu maior recorde de congestionamento: quase 300 quilômetros! Ontem na televisão, dezenas de chamadas publicitárias dos feirões para venda de automóveis novos de todas as marcas que irão ocorrer nesse final de semana. Centenas de árvores adultas estão sendo cortadas agora em uma das áreas mais áridas e cinzas da Metrópole, a marginal Tietê. Tudo relacionado.
Até quando vamos ampliar as avenidas e ruas na Cidade para comportar mais e mais automóveis? De onde sairá o espaço para isso? A resposta dada pelo Poder Público é óbvia – das áreas verdes urbanas, claro! Afinal, árvores não gritam e nem entram na justiça, só ficam lá quietas, à espera da moto-serra…é bem mais fácil e barato do que desapropriar terrenos construídos. E perdemos mais da já escassa qualidade de vida aqui dentro.
Com a ampliação das marginais Tietê, cerca de 228 mil m² não receberão mais a luz do sol e nem a água da chuva, estarão sepultos para sempre por espessa camada de asfalto. As árvores plantadas há dois anos nas margens do Tietê também desaparecerão, além de várias figueiras, paineiras, ipês e tipuanas adultas dos canteiros centrais. Não vai ser fácil, depois da obra pronta, ficar parado no trânsito da marginal em pleno sol, sem essas árvores para dimuir o calor, melhorar o microclima e a paisagem.
E o trânsito vai voltar nas novas marginais, mesmo com as obras, é só uma questão de (pouco) tempo, com o número de carros novos que entram nas ruas paulistanas todos os dias.
Velha fórmula: para problemas do século 21, soluções do século 20.
Veja o vídeo de André Pasqualini com a derrubada noturna das árvores da foto acima:
http://www.youtube.com/watch?v=ZJglfUILR5k
Assine também o manifesto do IAB para lutarmos a favor da qualidade de vida em São Paulo:
http://www.iabsp.org.br/noticias.asp?nota=1057
Ricardo Henrique Cardim
Com o céu azul e o frio do mês de junho, vários ipês-roxo das ruas e praças paulistanas já perderam suas folhas e estão com exuberante floração. As cores variam do roxo ao róseo, conforme a espécie.
Embora existam em menor quantidade na Cidade perante o estrangeiro ipê-rosa (Tabebuia pentaphyla), a floração do nosso ipê-roxo enfeita a Cidade nessa época do ano e traz uma beleza intensa, ainda mais contrastando com o profundo azul dos dias de outono.
Na marginal Tietê, no canteiro central que em breve será destruído para abrigar mais asfalto e carros, existem belos exemplares em talvez sua última floração da vida.
Ricardo Henrique Cardim
No começo do ano passado, plantei experimentalmente uma muda já grande de cabeludinha (Plinia glomerata) da família Myrtaceae, em um vaso do terraço no apartamento. Não sabia qual seria a sua reação a viver confinada, já que é uma planta adepta do sub bosque da Mata Atlântica, inclusive das matas paulistanas.
Qual não foi a supresa ao ver que ela aceitou muito bem a vida em vaso e ainda frutificou abundantemente no ano passado, cobrindo seus ramos com inúmeros frutinhos amarelos de gosto adocicado. Esse ano, repetindo o anterior, sua floração efêmera foi intensa com constante visita de abelhas e outros insetos polinizadores, o que promete mais uma boa safra.
Essa é uma ótima opção para quem mora em apartamento e dispõe de varanda, até porque não precisa de muito sol, uma vez que vive na sombra das grandes árvores da floresta naturalmente.
Ricardo Henrique Cardim
Na última terça-feira, 2, os Amigos das Árvores e o projeto Árvores Vivas realizaram uma ação de educação e sensibilização sobre as árvores e a arborização da cidade de São Paulo. Começamos com uma exposição do acervo de elementos recolhidos das árvores, seguida de palestras de Juliana Gatti e Ricardo Cardim. Na sequência fizemos uma caminhada no entorno da unidade reconhecendo as árvores e vegetações.
Agradecemos à todos que compareceram, ao Luciano Ogura, e a equipe do SENAC Santa Cecília - em especial a Fátima Vilela.
Uma árvore não muito apreciada pelas pessoas, mas muito querida pelos animais e insetos, assim pode ser definida a embaúba (Cecropia sp.). Seu formato diferente, até bizarro, é inconfundível. E nas florestas brasileiras mostra-se presente em diversos tipos de vegetação. Nativa da Mata Atlântica paulistana, ela pode ser considerada uma árvore símbolo, de tão comum em alguns lugares.
Sua ampla distribuição é devido ao apreço da fauna por seus frutos, principalmente os morcegos e pássaros, que depois de digeri-los, espalham as sementes por todos os cantos, até em cima de telhados e frestas de muros. O bicho-preguiça tem nas suas folhas o prato principal.
Com grande diversidade de espécies, em algumas seu tronco abriga formigas, que a defendem de invasores e são alimentadas em troca pela planta. Não são poucos os “lenhadores” que ao dar a primeira batida com o machado no tronco receberam uma dolorosa chuva de pequenas (e ardidas) formigas vermelhas.
Acredito ser uma árvore interessante para plantar em calçadas estreitas, conheço alguns exemplares na cidade e nunca os vi derrubar grandes galhos depois das tempestades, além de suas folhas serem facilmente removidas. Mas sua principal contribuição é o equilíbrio ecológico urbano com a atração da fauna, além de embelezar a cidade com uma estética bem tropical.
Ricardo Henrique Cardim
Em 455 anos de colonização e urbanização que geraram a maior metrópole brasileira um fato inusitado e pouco notado chama a atenção. Um terreno, em pleno núcleo da fundação de São Paulo permaneceu não construído durante todo esse tempo. O seu solo, desde a chegada de Anchieta na colina histórica entre o rio Anhangabaú e o Tamanduateí em 1554, ainda recebe os raios solares dentro de uma região onde seus vizinhos há muito estão cobertos de concreto e asfalto.
Trata-se do largo desnível que separa o Pátio do Colégio da atual Rua 25 de março, antiga região de várzeas e capoeiras do rio Tamanduateí até começo do século passado. Hoje cercado por grades, o acesso não é permitido para passear embaixo das dezenas de árvores adultas que acompanham e sombreiam o talude. Em gravuras e fotografias do século 19, ali eram os grandes quintais das casas nobres da São Paulo de Piratininga.
As árvores existentes ali não são muito antigas e refletem um pouco da história da arborização da Cidade, com muitas espécies estrangeiras misturadas as nativas. Mas trazem um verde para a paisagem tão densamente cinza do Centro histórico. Como é possivel, um grande terreno na parte mais antiga de São Paulo ter permanecido intacto por tantas gerações e à predatória especulação imobiliária tão típica de nossa história?
Ricardo Henrique Cardim
Na Semana do Meio Ambiente o Amigos das Árvores de São Paulo em parceria com o Projeto Árvores Vivas realizarão um evento gratuito na unidade Santa Cecília do SENAC – São Paulo! PARTICIPEM!

semana do meio ambiente - SENAC SP
Evento gratuito
DIA 02 de junho das 13h30 às 16h30
Atividade educacional estimulante sobre as Árvores de nossa Cidade
Facilitadores:
- Juliana Gatti Pereira e Luciano Ogura – Árvores vivas (www.arvoresvivas.com.br)
- Ricardo Cardim – Amigos das Árvores de SP (http://arvoresdesaopaulo.wordpress.com)
Programação:
13h30 – Exposição aberta, acervo de coletas realizadas na cidade e matas.
14h00 – Palestra – Apresentação de histórias sobre as árvores da cidade de São Paulo
15h30 – Caminhada coletiva nas ruas do entorno da unidade Senac Santa Cecília, apreciação estética das árvores e vegetação.
Local: Senac Santa Cecília – Al. Barros 910
Inscrições no Atendimento da unidade, pessoalmente ou por telefone (11) 2178-0200 ou ainda por e-mail: santacecilia@sp.senac.br
A natureza não admite se dar por vencida, mesmo na maior cidade do País. Prédios, casas, calçadas, asfalto e, entremeado a isso tudo, jardins enfeitando e trazendo um pouco de verde para a paisagem. Verde artificial, assim por dizer, respondendo a escolhas e gostos das pessoas que o plantaram. Geralmente com canteiros simétricos e desenhados, juntando plantas parecidas e coloridas.
O jardineiro, responsável por sua manutenção, constantemente é chamado para podar, recolher folhas e arrancar ervas daninhas…daninhas!? Quem são essas? As diferentes das plantas compradas. Consideradas prejudiciais ao jardim e sua organização, muitas vezes não podem ser chamadas assim.
Nas calçadas e jardins paulistanos, principalmente naqueles onde o jardineiro não é muito requisitado, parte das “ervas daninhas” são mudas de árvores da Mata Atlântica originais do local onde está a Metrópole, mostrando que a natureza sempre tenta conquistar de volta o terreno tomado. Na fotografia acima, várias mudas de tapiá (Alchornea sidifolia), bela árvore típica de nossa floresta, plantadas por morcegos que gostam dos seus frutos e depois dispersam.
Ervas daninhas…
Ricardo Henrique Cardim
Como é bizarra essa mania de inserir plantas estrangeiras em São Paulo! O Brasil é a terra dos ipês, temos diversas espécies com florações fantásticas de muitas cores, onde não são poucas as que tem madeiras tão resistentes a ponto de não pegar fogo. Mas sabem qual é a origem da espécie de ipê mais plantada nas ruas da Cidade?
El Salvador, na longínqua América Central, acima de toda a Amazônia (que também tem muitos ipês). Essa árvore na foto acima, é ela, o ipê-de-el salvador (Tabebuia pentaphylla) . Sua floração é bonita, com flores rosas de tom suave, mas sua madeira é fraca quando comparada aos outros ipês nacionais como o ipê-roxo. Essa semana, por exemplo, com a ventania de terça, diversos caíram ou tiveram a copa danificada, enquanto aos ipês-roxo nativos nada ocorreu.
É o que eu ouvi outro dia sobre uma planta típica de jardim por aqui, o podocarpo (Ásia) - “Essa daí é mais bonita, é rara! Vem lá de longe, não é mato…”
Ricardo Henrique Cardim
A fotografia mostra pequenos quadrados de verde espremidos na paisagem construída do centro velho de São Paulo, mais precisamente nos fundos da rua do Carmo. São uma das raras áreas particulares de solo exposto em toda a região.
A divisão original dos terrenos ainda é visível, remontando a Cidade nos seus primeiros tempos. Hoje abandonados e tomados por arbustos e capim, são depósitos informais de entulho. No século 19, esses fundos de casas já estiveram plantados de jaboticabeiras, laranjeiras, limoeiros e pequenas hortas ladeando galinheiros. Recebiam sol o dia inteiro, e o cuidado de seus moradores, que dali tiravam parte do que ia para a mesa.
São pedaços da história de uma qualidade de vida perdida.
Ricardo Henrique Cardim








































































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