Não espere encontrar as frutas da fotografia acima nos supermercados. Conforme exposto no Blog ano passado, das 20 frutas mais comercializadas no Brasil, apenas 3 são nativas de nosso país, e atualmente conseguir experimentar um desses sabores “do mato” pode ser considerado luxo.
Mudar essa concepção cultural e agronômica é algo que leva um bom tempo ainda, mas podemos começar a divulgar e cultivar nas cidades os frutos nativos, de forma a resgatarmos sabores esquecidos e ajudarmos no reequilíbrio ecológico urbano. Plantar árvores frutíferas nativas da região é um método eficaz de atrair a biodiversidade e tornar as cidades mais acolhedoras.
1. cereja-brasileira ou grumixama (Eugenia brasiliensis) - árvore da Mata Atlântica, frutifica perto do Natal com frutos muito semelhantes em sabor e cor com a cereja nativa da Europa.
2. guabiroba (Campomanesia pubescens) – arbusto produtor de frutos muito saborosos e refrescantes. Já foi comum nos campos cerrados da cidade de São Paulo e hoje sobreviveu na metrópole com poucos exemplares dentro da Cidade Universitária da USP.
3. tarumã-do-cerrado (Vitex polygama) – árvore dos cerrados com frutos semelhantes a uma azeitona-preta e sabor levemente adocicado. Na cidade de São Paulo sobrevive no Parque Usteri e na Cidade Universitária da USP.
4. perinha-do-cerrado (Eugenia klotzschiana)- arbusto que produz um fruto nobre, a perinha é típica dos cerrados abertos. Não existe mais na cidade de São Paulo.
5. uvaia (Eugenia uvalha) – árvore da Mata Atlântica, produz frutos bons para sucos e ainda pode ser encontrada no Parque Trianon, na cerca próxima a Avenida Paulista.
6. jerivá (Syagrus romanzoffiana) – Talvez o único fruto fácil de encontrar nas ruas e jardins paulistanos. Seus “coquinhos” – como são conhecidos - já foram a alegria das crianças do passado.
7.sete-capotes (Campomanesia guazumifolia) – semelhante a uma goiaba, tem a polpa doce e hoje é muito difícil de ser visto na Mata Atlântica da metrópole.
8. cambuci (Campomanesia phaea) – fruta da Mata Atlântica e considerada símbolo da cidade de São Paulo, está quase extinta por aqui. Seus frutos são levemente azedos e refrescantes.
9. cagaita (Eugenia dysenterica) - árvore do cerrado que produz frutos saborosos, mas não recomendado para ser ingerido em grande quantidade – o próprio nome da planta explica. Não existe mais na cidade de São Paulo.
10. melancia-do-cerrado (Melancium campestre) – muito parecida com a melancia comercial, essa fruta está extinta dentro da cidade de São Paulo. Até o começo do século passado era comum nos campos-cerrados do Butantã, Ipiranga e até na região da Avenida Paulista.
Encontrar mudas dessas frutíferas ainda não é tarefa fácil. Uma recomendação é contatar o Sítio Frutas Raras, Sr. Helton, pelo fone (oxx15) 8132 5140 ou frutasraras@uol.com.br .
Ricardo Cardim












O que vc chama de “cereja brasileira”, conheço como grumixama. A Eugenia involucrata é cereja do rio grande.
Relamente Inês, falha nossa! já mudei a espécie, obrigado
Obrigada especialmente porque com estas fotos será mais fácil colaborar neste trabalho árduo mas permanente que o reflorestamento nos impõe. Sabendo destas frutas nativas várias pessoas poderão entender e contribuir, replantando-as.
Oi Ricardo, adoro esse site e sendo apaixonada pela flora, sempre leio com atenção. Das frutas que colocou nesse post, só conheço o jerivá e a uvaia (que adoro). Pode indicar onde essas outras frutas são encontradas dentro da USP? Poderiamos iniciar um projeto de reflorestamento urbano com essas frutas, não acha? abçs, Angela Santos
Oi Angela, obrigado! perto do ICB tem várias, abs
Há várias delas no Parque do Povo.
Oi Ricardo. Boa noite!
Parabéns pelo texto, realmente é fundamental mantermos essas plantas nas cidades.
Fiz mudas na minha casa de uvaia, palmito juçara, pitanga, guariroba (Campomanesia xanthocarpa), sete capotes, jabuticaba e cereja-do-rio-grande. Algumas estou vendendo e outras pretendo plantar na cidade que eu moro (Itapetininga-SP).
Abraços e mais uma vez parabéns pelo seu trabalho.
Obrigado Felipe! abraços
Sou produtor de mudas e posso afirmar que a maioria destas espécies se encontra facilmente no mercado: cereijeira-brasileira, guabiroba, tarumã do cerrado, uvaia, jerivá, sete capotes, cambuci e cagaita. Aliás, o jerivá é tão comum, pela facilidade de reprodução. Quanto ao mercado de frutas eu não conheço (pois não produzo frutas), mas as mudas são fáceis.
Pingback: A Unique Patch of Native Forest Survives at the Heart of America’s Largest City
Hoje mesmo eu estava conversando com o meu marido sobre uma árvore da minha infância, cujos frutos amarelos, aveludados e azedos eu adorava. Lembro de ter levado algumas para a casa e minha avó dizer que se tratava de uvalha…na época as pessoas riam de mim e achavam que a fruta não existia. Muito legal encontrá-la nessa postagem e saber que minha vó além de sábia estava certíssima. E os coquinhos também fizeram parte da minha infância. Triste das crianças de hoje, que estudam em escolas sem árvores e só comem frutas cheias de agrotóxicos.
ESTOU PRECISANDO DE UMA CAGAITA… ONDE COMPRO..? RS RS
Olá Ricardo, tenho algumas dúvidas sobre a Pitanga, ela é nativamente brasileira? Na época das bandeiras, tinham Pitangas por São Paulo?
sim Natália, abraços
Pingback: » Sete capotes, sietecapotes (campomanesia guazumifolia), video Huertas Urbanas
onde vendo frutos do cerrado?
tenho pomar de murici
Ricardo , bom dia !
Muito bom, parabéns pela matéria. Anotei dois equivocos: verifique a escrita da espécies Eugenia klotzschiana, bem como Eugenia uvalha é sinõnimo de Eugenia pyriformis nome correto da uvaia.
Osny T. Aguiar
03/11/2012
Valeu a dica Osny, vou tentar alterar. Como está a sua coleção de Myrtaceae no IF?
Abraços
Na casa vizinha onde morava em São Manuel Sp tinha pé de gariroba, uvaia!!!Lembranças da minha
infancia. Gostei!!!
Olá Ricardo, tudo bom…
Como sempre bom texto sobre nossa mata atlantica.
Estou procurando um livro com espécies de frutos comestiveis da Mata Atlantica, já havia o encontrado mas não consegui adquirir o exemplar na ocasião, se voce souber por gentileza me envie email (ruinakaoshi@yahoo.com.br) com nome da editora titulo correto etc…
obrigado
Abç,
Rui Nakaoshi