A figueira do último andar

Estamos acostumados a assistir na paisagem paulistana a natureza ser oprimida pelo cinza das edificações. Mas não devemos subestimar sua força. A cidade está cheia de exemplos da vegetação lentamente retomando o seu lugar original e criando “matos”.

Na  rua do Carmo, umas das regiões mais antigas da cidade de São Paulo, um prédio inacabado persiste há algumas décadas sem manutenção. No seu subsolo existe um estacionamento aparentemente clandestino e habitações improvisadas logo acima. 

Passando no fim do ano passado perto do alto esqueleto de concreto  reparei em um “matagal” no último andar, de verde bem-escuro. Uma densa copa de árvore saia pelo prédio, vivendo em companhia de outros arbustos e capins, em um local quase sem solo – uma laje nua – a muitos metros de altura.

Aparentemente tratava-se de um Ficus microcarpa, uma figueira de origem estrangeira comum na arborização urbana e que cresce em frestas e construções abandonadas, com sementes levadas pelos pássaros. Formava um cenário supreendente no meio dos edifícios. Infelizmente, foi removida no começo desse ano, depois de vários anos crescendo. 

 

 

Para conhecer mais sobre esse processo de retomada da vegetação em São Paulo, sugiro assistir o vídeo abaixo:

 

Ricardo Cardim

 

Sobre Ricardo Cardim

www.arvoresdesaopaulo.com.br
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10 respostas para A figueira do último andar

  1. dalva disse:

    Adorei o artigo, adorei o vídeo. Muito bons mesmo, Ricardo. Lembrou-me do que aconteceu com civilizações desaparecidas, como as das cidades das florestas da Guatemala, ou de Machu Picchu no Peru, ou de Angkor no Camboja… É exatamente isso que acontece, e a Bíblia já dizia: não há nada novo debaixo do sol. Viajei na maionese!

  2. Eu me lembro dessa Figueira. 😀 Seria bom pensar que ela teria sido transplantada para algum outro lugar… :’-(

    • Ricardo Cardim disse:

      Pois é Fernando, seria legal…mas acho que foi realmente destruída! uma pena…abs

  3. glenn disse:

    um viva pra sucessão ecológica!
    a natureza é mesmo implacável.
    o que me lembra que não temos que salvar o planeta (este que é um argumento demasiado paternalista e equivocado), mas a humanidade…
    talvez bastasse essa pequena mudança de perspectiva pra muita gente perceber os verdadeiros impactos e consequencias de manipular, a bel prazer, a natureza.

    • Ricardo Cardim disse:

      É verdade Glenn, isso tudo que fazemos é na verdade para nós, que só estamos por aqui há 300 mil anos enquanto o planeta tem 4,5 bilhões de anos…somos apenas um “faísca” de tempo na terra, se não tomarmos cuidado passaremos por aqui muito mais brevemente do que queremos.
      abs

  4. Snake disse:

    Pois é… a carcaça quase desmoronando e se preocuparam e cortar a arvorezinha…

    Isso me lembra quando as pessoas compram casas usadas… tanta coisa pra fazer na casa, mas a primeira providência é detonar com as árvores – e outras plantas – do quintal, como se fossem elas a estragaram a construção.

  5. Pierre disse:

    Parabéns mais uma vez pelo trabalho. A resiliência urbana tem se tornado um grande tema de atualidade do urbanismo a procura da sustentabilidade.

    Abraços,

  6. Cristiane disse:

    Olá, gostei muito da reportagem e encontrei o seu site por acaso porque estou procurando arvores de SP que retratam bem essa interferencia toda da cidade.
    Parabéns pelo vídeo.
    Ricardo, verifiquei que a Figueira, pelo seu comentário foi destruida, né?
    Uma pena, estou querendo tirar fotos dessas árvores que representam toda uma paisagem tipica de SP.
    Sou formada em geografia e gostei muito da região do colégio onde você mostra essa mistura de valores e interferências, e penso em ir lá para tirar umas fotos, você tem mais algum lugar para indicar?
    grata

    • Ricardo Cardim disse:

      Obrigado Cristiane! recomendo visitar a figueira do largo da memória, é uma das árvores mais impressionantes do centro. e tem outra figueira áerea gigante no viaduto maria paula. att

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