Retalhos de Mata Atlântica – Panamby e Burle Marx

 

No começo dos anos 1990, passar em frente ao atual bairro do Panamby, na Zona Sul de São Paulo, era observar um pedaço ininterrupto de Mata Atlântica por vários minutos no lado direito da Marginal Pinheiros. Trazia uma sensação de ter saído da cidade, aliada a visível diminuição na quantidade de veículos depois da Ponte Morumbi.

Essa grande mancha de floresta começou a ser maculada com a criação do Parque Burle Marx em 1995, que sob a boa notícia da inauguração de mais um parque na metrópole trouxe um paliteiro de prédios no lugar das embaúbas e copaíbas que não tiveram a sorte de estar dentro do conveniente terreno preservado em formato de quebra-cabeça.

Outras áreas próximas de Mata Atlântica, como aquelas que ficavam em volta do Shopping Jardim Sul – inaugurado em 1990 - também não resistiram e se transformaram em altos condomínios envoltos por jardins franceses construídos sobre a antiga biodiversidade nativa. E assim, um dos últimos redutos de floresta nativa contínua de São Paulo virou retalhos em pouco mais de uma década.

Até hoje os lançamentos imobiliários não param, e terrenos com remanescentes de floresta aguardam mais prédios. O caso típico é esse anúncio de capa em uma revista especializada em imóveis divulgando o infeliz pedaço de mata que receberá o “ON Panamby” um “produto” com localização privilegiada – pelo menos até as árvores dos lados caírem.

Ricardo Cardim

 

 

 

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Sobre Ricardo Cardim

www.arvoresdesaopaulo.com.br
Esse post foi publicado em amigos das árvores de São Paulo, Biodiversidade paulistana, destruição do verde em São Paulo, Mata Atlântica, meio ambiente urbano e marcado , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

11 respostas para Retalhos de Mata Atlântica – Panamby e Burle Marx

  1. MArina Medici disse:

    a cidade morre enquanto as torres nascem

  2. Kauê Fakri disse:

    O mais engraçado de tudo isso é que apenas alguns poucos moradores privilegiados terão acesso às paisagens, ar mais limpo e beleza das ex-Matas Atlânticas. O que é um real absurdo liberado pela Prefeitura, já que todas estas áreas deveriam ser parques que permitissem a integração da cidade em si com seus moradores. Áreas de lazer e de contato com a pouca natureza que temos. Como sempre, benefícios de poucos em detrimento de sacrifícios de muitos.

  3. “Privilegiados” por enquanto… do jeito que a carruagem anda o Panamby se tornará uma “Vila Nova Conceição” cheio de “topiárias” nas imensas sacadas de travertino… Salvo o Parque, Ibirapuera para um e Burle Marx para o outro.
    (http://www.gardensofmylife.blogspot.com.br/)

  4. Kauê Fakri disse:

    Reblogged this on Projeto Mudae comentado:
    Vejam que interessante este post do Blog Amigos das Árvores. A invasão da Construção Civil em áreas que deveriam ser preservação da Mata Atlântica se contrasta com a questão do Desenvolvimento. Como discutido em outro post do Projeto Muda, será que estamos DISPOSTOS a um PIB verde ou Desenvolvimento EFETIVAMENTE Sustentável?

  5. Estão acabando com as nossas florestas em prol de um “desenvolvimento” fajuto, que só visa o dinheiro. Muito triste de se ver!!
    Gostaria que você conhecesse o nosso blog, vandaloverde.blogspot.com, que visa combater o corte indiscriminado de árvores.
    Confira nosso último post, que fala sobre os critérios das prefeituras brasileiras em relação ao corte de árvores: http://vandaloverde.blogspot.com.br/2012/05/sera-que-todas-as-prefeituras-estao.html

    Um abraço e até mais

  6. Daniela Rizzi disse:

    Oi Ricardo, antes de mais nada, parabéns pela paixão que você coloca nesse blog.
    Sobre a área remanescente de mata atlântica secundária localizada em frente ao Parque Burle Marx (veja aqui no Wikimapia: http://wikimapia.org/#lat=-23.637423&lon=-46.725398&z=16&l=0&m=b): parece que, salvo o condomínio Ventana, localizado ao norte do terreno, a mata ainda está preservada.
    Só que só mesmo indo lá para saber (as fotos de satélite não são sempre atuais e da marginal do rio Pinheiros não dá para acompanhar se está havendo desmatamento).

    Para a minha surpresa, pelo que eu vi hoje no plano regional da subprefeitura do Campo Limpo, essa área não está marcada como APP urbana, mas como uma “zona mista de alta densidade”. Um absurdo…!

    Fiquei aqui pensando se não é possível gerar uma campanha, talvez junto com o apoio de algumas ONGs, para que a preservação dessa área seja reestudada e garantida por lei.

    Abraços,

    Daniela

    • Olá Daniela,

      Sim, é verdade isso mesmo! Já conversei muito a respeito dessa área, e em breve podemos ter uma péssima surpresa…

      Abraços

    • Daniela Rizzi disse:

      Olá Ricardo,
      você está se referindo a mais um lançamento imobiliário na área? Isso realmente seria uma péssima surpresa…
      A agressividade do mercado imobiliário em São Paulo acaba destruindo muitas oportunidades e visões, principalmente no quadrante sudoeste da metrópole. Não só nesse vetor, mas em São Paulo como um todo vê-se uma uma mentalidade mediana, imediatista e sem nada de visionário construindo a cidade. Pensa-se em lucros imediatos em detrimento da qualidade do espaço urbano a longo prazo. As decisões são tomadas sem qualquer conexão com qualquer estratégia ou plano. Frustrante…

      Para esse comentário não ficar só negativo, parabenizo novamente a sua iniciativa com esse blog!!! Dá um certo conforto ler artigos como os seus na internet, já que na mídia tradicional posts como esse não são reportados.

      Abraços,
      Daniela

    • Olá Daniela,

      Obrigado! Aquela região do Morumbi há duas décadas atrás era outra paisagem mesmo… só verde. Onde chegaremos?
      Abraços

  7. Oi Ricardo, é Roberto Delmanto Jr, lembra de mim ? Estivemos juntos no SOS Mata Atlântica vendo aquela área anexa ao Burle Marx que logo irá abrigar vários prédios. Consegui o projeto do que será feito; MUITO TRISTE… A solução é a PMSP desapropriar e unificar o Burle Marx I com o Burle Marx II…. O único parque no mundo dividido em dois ! Vou te mandar a foto.
    E estão agora também ameaçando desmatar a área em cima do Extra Morumbi ! Nos falamos !

  8. Todos querem morar perto de árvores em bairros que tenham verde, mas quanto mais constroem mais esse verde, mais essa floresta vai sumindo para criar a casa para esses moradores morarem, é uma coisa sem sentido.

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