Questionamento no Blog Árvores de São Paulo vira matéria na Folha de São Paulo

O último post “Arborização de Madagascar na Avenida Paulista – Paisagem insustentável” gerou discussão no Jornal Folha de São Paulo. Esperamos que isso ajude a sensibilizar a troca da vegetação insustentável em implantação no cartão-postal paulistano. Abaixo, o artigo:

Madagascar na Paulista

Azaleias dão lugar a pândanos africanos na avenida símbolo da cidade; ‘estrangeirização’ dos canteiros da via é criticada por ambientalistas

 Nos canteiros centrais da avenida Paulista, saem azaleias que secaram e entram plantas ornamentais originárias da ilha de Madagascar, na África Leia mais

OLÍVIA FLORÊNCIA COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Nos canteiros centrais da avenida Paulista, saem azaleias que secaram e entram plantas ornamentais originárias da ilha de Madagascar, na África.

As 47 jardineiras da avenida, símbolo paulistano, agora têm três pândanos cada uma. A árvore africana, com folhas que se formam em espiral, pode chegar a até dez metros de altura.

O projeto é uma parceria entre a Prefeitura de São Paulo e o HCor (Hospital do Coração), que vai bancar tanto o plantio como a manutenção. Os canteiros laterais também terão novas espécies.

A intenção é que ainda sejam plantadas no canteiro central palmeiras-triângulo, espécie também originária do país africano. As duas espécies exóticas já são produzidas e vendidas no Brasil.

O paisagista responsável, Marcelo Queiroz, diz que a escolha das plantas foi determinada pelo espaço.

Segundo ele, por causa do metrô, as raízes das plantas não têm para onde crescer e, caso fosse escolhida uma espécie grande, ela poderia ter uma raiz que estragaria o asfalto ou desceria aos túneis.

“Uma opção seria a bromélia, mas seu uso é proibido por causa da água que ela acumula, podendo causar a reprodução do mosquito da dengue”, explica Queiroz.

Para o paisagista, um diferencial do projeto é o fato de que, dessa vez, consta no plano o cuidado diário das plantas, que custará cerca de R$ 250 mil por mês.

CRÍTICAS

Márcia Hirota, diretora de gestão do conhecimento da Fundação SOS Mata Atlântica, afirma que o ideal é que essa arborização fosse realizada com espécies brasileiras, adaptadas para um espaço pequeno.

“A Mata Atlântica tem uma diversidade imensa de espécies, daria para transformar esses espaços com opções nativas. Trazer espécies que não são daqui choca”, diz.

Segundo o engenheiro agrônomo e consultor ambiental Geza Arbotz, o Jardim Botânico de São Paulo e o Instituto Agrônomo de Campinas oferecem opções de plantas de pequeno porte que poderiam ter fim decorativo.

Mas o engenheiro pondera: “Falta pesquisa. Temos poucas plantas com o ciclo [de reprodução] dominado. Mesmo assim, há opções para todos os gostos na flora brasileira. Não é fácil encontrar nos viveiros, mas é possível”.

Para Arbotz, há na escolha o peso da moda. “A maioria das plantas que usamos no paisagismo Brasil são estrangeiras. Tem aqui também uma questão de gosto”, afirma.

ALTERNATIVAS

O botânico Ricardo Cardim criticou a iniciativa em seu blog, o Árvores de São Paulo. Na postagem, classificou o fato de as espécies serem africanas como “um absurdo”.

“Em vez de uma palmeira-triângulo, por exemplo, poderia ser usada a palmeira-jerivá [espécie brasileira]”, diz o especialista à Folha.

Outra opção, afirma, é a clusia, arbusto nativo da serra da Cantareira. “Poderiam colocar também espécies frutíferas de pequeno porte, como a lântana. Isso tudo resulta de uma situação de pouca pesquisa.”

Queiroz, paisagista responsável, diz que espécies brasileiras também serão usadas. Segundo ele, foi pedida uma autorização da prefeitura para plantar ipês (roxos, amarelos e brancos), pau-brasil e pau-ferro nos canteiros laterais.

 Site da matéria:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/80401-madagascar-na-paulista.shtml

Sobre Ricardo Cardim

www.arvoresdesaopaulo.com.br
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11 respostas para Questionamento no Blog Árvores de São Paulo vira matéria na Folha de São Paulo

  1. Andréa Assis disse:

    Oi Ricardo.
    Nossa, até que enfim a Folha atendeu a minha sugestão.
    Num tweet do dia 24.10, enviei “@folha_com que tal ver as sugestões de @ricardocardim sobre os canteiros da Av. Paulista ? migre.me/bj0Vu . São coerentes…”.
    Tá vendo ? Ainda bem que tenho feed do seu blog. O Tweeter fez o resto…
    Essas redes sociais, hein ? São uns trombones cibernéticos, né ?
    Parabéns pelo seu incansável trabalho !!!! 🙂

  2. Inês disse:

    A Prefeitura Municipal tem um guia bem bacana de arborização urbana, com sugestão de vários arbustos e árvores pequenas. Que tal ela mesma começar a usar? http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/manual_arborizacao_1253202256.pdf

    • Andréa Assis disse:

      Oi Inês,
      Super legal o manual. Vou mostrar p’rô pessoal do prédio.
      Obrigada.

  3. dalva disse:

    Tem que questionar mesmo! Árvore importada na Avenida Paulista… coisa mais esquisita, não fosse o país inteiro uma esfinge, um enigma, um paradoxo. Aproveito para berrar mais uma vez: CADÊ OS CUIDADOS COM AS ARAUCÁRIAS DO LARGO DA BATATA, HADDAD?! ESTÃO MORRENDO À MÍNGUA!!!!” Prontofalei.

  4. Thereza Camara Chini Nisi disse:

    A necessidade de implantação de vegetação nos centros urbanos tem sido uma das ações mais desafiantes dos governantes, tendo em vista, dentre outros, o acúmulo de problemas ambientais nos últimos tempos. O processo de estruturação e de expansão urbana dos meios urbanos está diretamente ligado à produção e a evolução do espaço florestal. É preciso combinar a dinâmica da sua ocupação e dos limites intra-urbanos no qual o espaço está caracterizado, por isto, é preciso ter presente propostas de racionalidade estrutural para tornarmos ambientes externos no meio urbano bem vegetado e com muita qualidade.Existem vários estudos, principalmente na biologia conservacionista que consideram a introdução de espécies exóticas como a segunda maior causa de extinção da diversidade biológica mundial.
    O conceito Conservacionista é uma ciência multidisciplinar que utiliza conhecimentos históricos, ecológicos, sociólogos, entre outros, na busca de soluções práticas aos problemas socioambientais da atualidade.Quando utilizamos espécies exóticas, sejam em ambientes urbanizado ou natural, poderá ocorrer alteração dos ciclos da cadeia alimentar, polinização, etc.. Animais, plantas e microorganismos de um determinado lugar que são levados para outro onde não há predadores e não adaptação, é possível causar limitação da sua população causando alteração em todo ecossistema. É importante demonstrar e ter como objetivo principal que é possível manter a flora nativa da região no ambiente urbano, para preservar a biodiversidade e promover a sustentabilidade. Essa preocupação com o ambiente urbano que leva em conta a biodiversidade local é um tanto quanto recente. Programas de arborização urbana mal saíram do papel e menos ainda incluem a utilização de plantas nativas específicas de cada região. Fora a falta de desejo na utilização de espécies nativas, deve-se a falta de pesquisas de plantas nativas próprias para uso urbano. Quando pensa-se em nativa está se referindo aquela específica do Bioma de tal região. Por exemplo, a araucária (Araucaria angustifolia) nativa da região sul do país que não se adapta na região norte e nordeste, ou o pau-brasil (Caesalpinea echinata) é nativa do Brasil, mas não do sul do país. Fico pensando, como exemplo, das espécies nativas da região paulista que são próprias para o uso urbano e que têm como princípio, além da importância ambiental do embelezamento da paisagem, atrair polinizadores como as aves nativas e até migratórias, abelhas nativas, beija-flor e muitas outras espécies importantes pertencentes à fauna típica paulista, e que estão desaparecendo da área urbana por serem dependentes de plantas que fornecem frutos e flores para alimentação. Existem muitas publicações e normas que dispõem sobre as espécies nativas brasileiras próprias para uso em arborização urbana, o que interpreto como um avanço. Porém, se pesquisarmos na imensa área de Mata Atlântica que dispomos na região paulista, ainda temos espécies preservadas que poderão servir de referência para implantação em locais semelhantes à Avenida Paulista. Com uma simples ação de plantar uma árvore nativa estamos contribuindo para que estas e muitas outras espécies não desapareçam, e perpetuar o Bioma paulista. Vivemos em um país com a maior biodiversidade do mundo, não faz sentido trocar essa riqueza pelo cinza das cidades e menos ainda a implantação de espécies exóticas.

    • Olá Thereza, muito obrigado por disponibilizar essas informações importantes para os leitores!! Assino embaixo as suas colocações.
      Abs
      Ricardo

  5. Sempre que vemos esses absurdos sendo “aplaudidos” pela nossa sociedade, consideramos uma perda irreparável à nossa belissíma flora. Lamentável.

  6. David Kim disse:

    Importemos lêmures para soltar na Paulista!
    Será que a seguinte ação poderia sensibilizar a população quanto a esse absurdo? Fincaríamos ao lado dos pândanos plaquinhas com nome e descrição de plantas nativas de São Paulo que poderiam ter sido usadas, para evidenciar a ironia.

  7. Vania Lacerda disse:

    Horrível a sensação de deserto que essas plantas trazem. Sempre tive imenso carinho pelos canteiros de azaléias. Talvez a azaléia seja também uma “alienígena”, vou me informar melhor. Mas sempre me pareceu a flor de São Paulo por excelência, obviamente bem adaptada ao clima, à poluição, às condições hostis. Explodindo em flor todos os anos, até nas coberturas dos prédios varridos pelo vento, e trazendo cor e beleza pra nossa cidade cinzenta…

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