Ingá, árvore que habitou as extintas matas ciliares dos rios paulistanos

Frutos do ingá-amarelo, da Mata Atlântica

Quando os rios e córregos da atual cidade de São Paulo corriam livres  e eram cercados por Mata Atlântica – há muito tempo atrás – os peixes tinham certeza da alimentação abundante nessa época do ano, por ser o tempo de frutificação do ingá (Inga sp.), que costumava crescer debruçado nas margens em direção as águas.

Assim foi com o Rio Tietê e Pinheiros, onde os relatos contam de grandes árvores do gênero. E provavelmente com muitos outros rios atualmente cimentados ou com árvores estrangeiras nos seus taludes e sem peixes.

Seus frutos também são coméstiveis ao ser humano, de sabor levemente adocicado e polpa refrescante, mas hoje é bem raro encontrá-los na metrópole. Trata-se de uma árvore excelente para arborização de calçadas estreitas, e que atrai pássaros e abelhas, apresentando um porte médio e crescimento rápido.

Para quem quer experimentar, existem alguns exemplares carregados na Cidade Universitária da USP, na rotatória em frente ao ICB.

Ingá ainda jovem

Ingá carregado de frutos

As belas e melíferas flores do ingazeiro

Uma peculiaridade do ingazeiro é a presença de nectários (na foto o pequeno círculo na junção das folhas) - estruturas que secretam néctar - e alimentam insetos como formigas, que em troca, defendem a árvore.

 

Ricardo Cardim

 

Sobre Ricardo Cardim

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17 respostas para Ingá, árvore que habitou as extintas matas ciliares dos rios paulistanos

  1. Daniel Bednarski disse:

    Legal! Encontrei uma vez vendendo ingá e nunca mais, foi a única vez que comi. Não encontro em lugar nenhum, agora pegarei uns lá na USP. Obrigado!

  2. José Antonio disse:

    Eu tinha um Ingá, estava com 01 metro de altura, mas como mudei de casa para apartamento, não pude leva-lo, mas comsegui uma pessoa (minha prima) para cuidar dele, ela mora em uma casa e tem quintal, só sinto, não poder vê-lo dar frutos nas minhas mão.

    Sei que é raro uma árvore que necessita de muita irrigação, possa viver nesta metropole de pedra, mas a vida reserva surpresas, perto da rua onde moro tem um “INGÁ”.

  3. Ricardo disse:

    Ola.Seu blog é muito bom.
    Sempre escuto sua participação na Estadão Espn.
    O ingá é uma arvore que está na minha memória.
    Sou de Santos e as avenidas de canal, eram e ainda são arborizadas com Ingás.
    Contudo esse Inga que vc colocou no blog não é da mesma espécie que existe em Santos.
    Acho que as daqui tem um fruto menor e as flores não são iguais.
    As folhas tb são diferentes.
    Antes quando eu era menino, nós comiamos ingá, cuca, pitanga, coquinho catarro, goiaba e mamão amarelo dos quintais e ruas da cidade.
    Os ingás ainda estão por aqui, mas o sistema de podas esta acabando com a frutificação deles.
    Acho que é até proposital.
    No meu tempo de moleque era muito comum ver a noite os morcegos de fruta.
    Hj eles quase não existem

  4. Yoko disse:

    Sempre que levava minhas cadelas para passear, próximo a casa de meus pais, via esta árvore. Não sabia que seu fruto era comestível.
    Da próxima vez, experimentarei.

  5. Rui Nakaoshi disse:

    Olá Ricardo, parabéns pelo trabalho….árvores são importantes para a vida das cidades, no entanto, os ingaziros que existem em Santos, causam transtornos quando são derrubadas pelo vento, suas raízes se desenvolvem muito na superfície, não sutentando a árvore, e rompendo calçadas e limitando o caminhar de pessoas com dificuldade de locomoção.
    Como disse árvores são importantes para a vida das cidades, entretanto, a politica pública sobre arborização adequada nos parece insuficiente e pouco técnica, com repetição de plantio e poda inadequado……

  6. CLAUDIO HATTENHAUER disse:

    É UMA ARVORE MUITO BONITA.FRONDOSA E OTIMA SOMBRA.
    TENHO VARIAS ARVORES NO MEU SITIO.SO ESTE ANO FIZ UMAS 15 MUDAS.

  7. ITO disse:

    EU TINHA VARIOS PE DE INGA AMARELO,UMA VEZ ELES DERAM FRUTAS EM ABUNDANCIA ,DEPOIS DISSO ACABARAM MORRENDO TODOS E ATE HOJE NAO SEI O MOTIVO. SE ALGUEM ENTENDE SOBRE ESSE TIPO DE ARVORE ME RESPONDAM?

  8. Márcia disse:

    Ricardo, ganhei 2 mudas pequenas de ingá. As folhas das minhas mudinhas parecem estar com uma textura mais fina do que a mostrada na foto acima, mas o formato e o nectário são iguais. Gostaria de saber o porte da árvore adulta e cuidados com o plantio e manejo. Me disseram que as raízes são boas para segurar terrenos inclinados, é verdade?

  9. Maria das Graças disse:

    No meu sítio existe vários pés de ingá. As árvores estão carregadinhas. Já estão maduros, pronto para comer. Acho uma delícia…

  10. Ronaldo Eyer Rocha disse:

    Ola boa noite,gostaria de saber quanto tempo leva para o ingá dar frutos.

  11. vino gk.lbn disse:

    é preciso com a maior urgência possivel refazer as matas ciliares, principalmente devolvendo a ela as árvores que dao alimento(fruto) aos peixes, pássaros e animais em geral, inclusive ao homem também.As autoridades deste pais, precisam cumprir seus deveres, retirando todos os ranchos e casas de lazeres das margens e reflorestá-las, como deve, em fim, fazer respeitar e refazer todas matas ciliares de rios e córregos e as reservas legais em todo o país

  12. Alice disse:

    Olá Ricardo tudo bem? Eu acabei de ganhar uma muda de Ingá linda, porém não sai como cuidar dela, estou com duvida sobre quanto de agua ela precisa, além disso moro em apartamento não sei quanto de sol ela precisa tomar, se cresce muito rápida ou não. enfim se você puder me ajudar com alguma informação te agradeço.

  13. marilda moretto disse:

    isso me lembra meu tempo de infancia

  14. Ricardo disse:

    Na minha infância comi muito desse fruto, muito doce, que um dia eu fui pegar um cacho e cai da árvore quebrando as duas pernas. Coisa de moleque…

  15. Katiucia disse:

    Aqui na avenida Escola Politécnica (que dá acesso à USP), há vários pés de ingá na beira do antigo “Ribeirão Jaguaré”. A área hoje é um parque linear, com árvores plantadas pelos próprios moradores (abacates, jacas, goiabas, enfim rsrs). O único problema dos ingazeiros daqui da avenida é que, apesar de sempre muito carregados, os frutos têm muito bicho, e assim nunca tive coragem de provar.

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