Ilhas de biodiversidade nas cidades – salvando a natureza do desconhecimento

O que ouvimos normalmente sobre biodiversidade e meio ambiente sempre nos leva a lembrar de densas florestas tropicais, como a Amazônica ou Mata Atlântica. Comumente, outros tipos de Biomas como o Cerrado e os Campos Sulinos não  são valorizados e consequentemente preservados, ainda mais se estiverem em áreas urbanas, já que não despertam a atenção da população como a beleza óbvia das florestas.

Fato injusto. Essas vegetações mais baixas, de formas muitas vezes retorcidas, apresentam uma beleza particular e grande complexidade biológica, sendo o resultado de milênios de evolução, com espécies de plantas e animais típicos que possuem tanto valor ambiental quanto as florestas.

No Rio de Janeiro me chamou a atenção o projeto em parceria com a iniciativa privada de replantar a restinga (uma vegetação biodiversa das regiões arenosas do litoral da Mata Atlântica) na praia de Ipanema, hoje muito destruída e desconhecida da maioria das pessoas.

 

Restinga replantada depois de seu desaparecimento há mais de 50 anos em Ipanema.

 

Assim como a restinga no Rio, em São Paulo temos os Campos Cerrados, um tipo de cerrado que chegou a nomear a cidade nos primeiros séculos de “São Paulo dos Campos de Piratininga”.

Áreas verdes da metrópole deveriam ganhar recriações desse ambiente paulistano ameaçado, de forma a divulgar sua existência e preservação. Bons lugares seriam o Parque Villa Lobos, Ibirapuera, do Carmo e do Povo, onde existem grandes espaços gramados e ensolarados aptos a receber  essas plantas nativas. Repetindo o clichê – “Só preservamos aquilo que conhecemos”.

 

Campos cerrados no remanescente da Cidade Universitária da USP em São Paulo - poderia estar em outras áreas verdes da cidade para divulgar sua importância e preservação.

 

No Jardim Botânico de Buenos Aires, Argentina, a recriação dos pampas - trabalho de fundamental importância para a preservação.

 

Ricardo Cardim

 

 

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Sobre Ricardo Cardim

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6 respostas para Ilhas de biodiversidade nas cidades – salvando a natureza do desconhecimento

  1. Parabéns pelo trabalho Ricardo, gostei muito do conteúdo. Em relação aos ecossistemas não florestais, concordo contigo que a atenção deve ser redobrada para compensar décadas e séculos de negligência e devastação. Trabalhei em restingas do Paraná há 10 anos atrás e era muita briga para manter os remanescentes livres da especulação imobiliária. Cerrado então nem se fala, facinho de passar o trator “naquele campinho sujo”. Legal o movimento em chamar a atenção para esses ambientes rejeitados e não menos importantes que as florestas. Abrs

    • Ricardo Cardim disse:

      Muito obrigado Nelson! Temos que mudar esse pensamento geral.

      abraços

    • Rafael De Sordi Zanola disse:

      Olá Ricardo, onde conseguiríamos exemplares para o plantio?
      Sou membro da Associação Santa Cecília Viva em São Paulo e em nosso distrito temos a Praça Marechal Deodoro que está sendo zelada e mantida pelo SIEMACO (http://www.siemaco.com.br/).
      Pretendo aprofundar um contato já iniciado com o pessoal ocupado pela jardinagem da praça para trocarmos a vegetação plantada por mudas de árvores nativas.
      Achei a idéia de manter uma praça com vegetação de campos cerrados interessante.
      Temos a vantagem de ter quem cuide do espaço diariamente.
      Um abraço,
      Rafael Zanola

    • Ricardo Cardim disse:

      Rafael, a idéia pode ser mesmo interessante já que tem quem cuide. Me ligue para conversarmos, tel na parte “contato”

      abraços
      Ricardo

  2. ANTONIO SÉRGIO FARIAS CASTRO disse:

    Caro Ricardo Cardim,

    Parabéns por seu trabalho em prol das árvores e da biodiversidade !
    Sou botânico, pesquisador independente e estudo a flora nativa do Ceará (www.floradoceara.com.br) e então agora estamos iniciando o movimento Pró-Árvore aqui em Fortaleza, na mesma linha que o seu.
    Mas me diga – você trabalha só ? Há um grupo de amigos que colaboram com o trabalho ? Como vocês dividem as inúmeras tarefas ?

    Um abraço e boa sorte na defesa de nossas amadas Árvores !

    ANTONIO SÉRGIO FARIAS CASTRO
    Eng. Agrônomo – Botânico
    Fortaleza CE

  3. Alan Delgado disse:

    Gostaria de comprar Zórnia latifolia, seria possível? É uma planta resistente?

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