A esquecida cultura que nomeou um viaduto em São Paulo – o chá

Flores do chá.

 

Muitos lugares na cidade de São Paulo tem o nome de plantas, lembrando que elas já foram muito mais presentes no cotidiano dos antigos paulistanos. Uma delas, de grande prestígio em todo o mundo, aportou no Brasil  no começo do século XIX – o chá – trazido da China a mando de D. João VI.

Na pequena São Paulo de 1818, José Arouche de Toledo, um homem de visão da época, trouxe furtivamente duas sementes de chá-preto (Camellia sinensis) do Jardim Botânico do Rio de Janeiro para experiências. Escolheu para área de cultivo sua chácara que ficava onde hoje é o Largo do Arouche e o Bairro da Vila Buarque, no Centro. Ali, com seus escravos, cultivou 44.000 pés de chá e dedicou-se intensivamente ao seu melhoramento e na qualidade da produção. Também testou suas sementes para produção de óleo, a fim de ser usado na iluminação da cidade, substituindo o caro óleo de baleia trazido de Santos.

Os resultados não permitiram que a cidade virasse uma grande exportadora de chá, como ele almejava, mas deixou uma marca  – o viaduto do chá – que recebeu esse nome por passar onde era parte da plantação.

Ver um pé de chá na metrópole hoje é muito difícil. Esse das fotos está no jardim didático do Departamento de Botânica da USP, e aparenta já ter idade.

 
Aspecto da planta florida dentro de uma mata.
As folhas do chá, que após processamento são a origem da bebida

 

 Ricardo Cardim 

Sobre Ricardo Cardim

www.arvoresdesaopaulo.com.br
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21 respostas para A esquecida cultura que nomeou um viaduto em São Paulo – o chá

  1. Caro Ricardo:
    As áreas de cultura do “chá” existiam por toda parte da pequena São Paulo do século XIX. além do Centro velho, se viam no Ibirapuera, Bexiga, Morumbi e Santana (em propriedade dos Rudges).
    Foi provavelmente deste último bairro que as aves levaram sementes para a Serra da Cantareira, onde hoje as plantas de “chá” são comuns wem bordas e clareiras.
    Trata-se, portanto, de espécie exótica invasora da mata atlântica em São Paulo.
    Obrigado pelo artigo e pelas fotos.
    Celso

    Celso do Lago Paiva
    instituto_proendemicas@hotmail.com
    Instituto Pró-Endêmicas
    http://br.groups.yahoo.com/group/proendemicas/

  2. dalva disse:

    Que máximo! São Paulo é rica em tradições, e a toponímia daqui não foge à regra, revelando fatos significativos da história local.

    • Ricardo Cardim disse:

      Pois é, a “selva de pedra” já foi verde um dia…
      abraços
      Ricardo

  3. Leda Lucas disse:

    A flor do chá é linda. Parece a da goiabeira.
    Abraços.

  4. Peter disse:

    Fantástico… pensei que o chá era uma erva “sem graça”. Gosto muito do seu trabalho Ricardo, olhar a vegetação com pinceladas históricas faz enxergar a cidade de outra forma, muito mais agradável 🙂
    ab
    Peter

  5. Adelina disse:

    muito interessante! Nem tem como esquecermos, algo que não conhecemos…rs. Legal, participar-nos dessa historia esquecida, sempre bom conhecermos um pouco mais ne! sequer imaginavamos q seria esse o motivo q originou o nome do viaduto, e q ali houvesse uma plantação de chás… Eu no minimo, iria supor q na São Paulo dos tempos aureos, o costume inglês de tomar chás, em mesinhas ao ar livre, ou em jardins, e coisa e tal, tivesse motivado nome…
    Apesar de gostarmos muito de café, alias, como se sabe, o café do BR, figura entre os melhores, tb sabemos apreciar um bom chá, nao é mesmo!

    • Ricardo Cardim disse:

      É verdade Adelina! Quem diria que a enorme SP de hoje já foi rural e pacata? Dá saudades desse tempo mesmo sem tê-lo vivido, rsrs
      abraços

  6. hulda nascimento felix de lima disse:

    Olá Ricardo! prazer. estavamos conversando, meu marido e eu sobre o Vale do Anhangabaú e me surgiu a ideia de saber origem do nome do Viaduto do Chá . Achei sensacional as suas explicações. Obr. parabens Hulda

  7. David Kim disse:

    Gosto muito de chá, e fui atrás de uma muda (apesar de saber que não é bom cultivar espécies exóticas que têm potencial para se tornarem invasoras). É realmente muito difícil encontrá-las à venda. Ninguém no CEASA tem, exceto por um senhor japonês que tem um pé em seu sítio e o usa para consumo próprio. Quando ela dá sementes?

  8. luna1966 disse:

    Republicou isso em suautoestimae comentado:
    vamos plantar calma, amor e compreensão..

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