Esta rara canela está ameaçada de desaparecer

 

E muitas outras árvores nativas da Mata Atlântica viventes no antigo terreno da família Matarazzo também. A Avenida Paulista, o cartão-postal e “praia” dos paulistanos, que todos os finais de semana lotam suas calçadas, perderá em breve um grande espaço verde e permeável para dar lugar a outro lançamento de shopping e escritórios. Ficam as questões – para que mais? A quem interessa isso?  – A população certamente que não.

Conservando em seu interior muito verde, mesmo depois da implosão à dinamite da mansão Matarazzo de forma clandestina pelos proprietários no começo dos anos 1990, apresenta ainda árvores nativas raras atualmente na metrópole, como diversas canelas (Nectandra sp. – grande árvore de madeira nobre e frutos consumidos pelos pássaros) tapiás, embaúbas e jerivás – todas nativas e descendentes da floresta original da região – a Mata do Caaguaçú.

Na atual São Paulo, com uma quantidade ínfima de áreas verdes na malha urbana perante o número de habitantes, resultado da especulação imobiliária histórica e incessante, perder uma grande área arborizada assim é cometer mais um grave erro, e justificar o apelido de “selva de pedra ” para a metrópole – principalmente em região tão turística e frequentada. Não há compensação ambiental que diminua esse impacto local.

Em outubro de 2009 denunciamos essa possibilidade em um artigo. Pela mobilização das máquinas, se nada for feito, em breve teremos mais sombra, trânsito, calor, enchentes e menos biodiversidade, história e principalmente qualidade de vida para todos.

Máquinas e equipamentos mobilizados para começo das obras.

Folhas da canelinha (Nectandra megapotamica) - existem várias na área com grande porte - sua madeira era utilizada para a construção de casas na época dos bandeirantes - século XVII.

Jerivás - palmeiras típicas da Mata Atlântica paulistana que denominaram de "Jurubatuba" - rio dos jerivás, em tupi - o atual Rio Pinheiros. Alimenta diversos periquitos e papagaios.

 Endereço – Avenida Paulista esquina com a Rua Pamplona, no lado do Centro.

Ricardo Cardim

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Sobre Ricardo Cardim

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23 respostas para Esta rara canela está ameaçada de desaparecer

  1. Marina disse:

    Não é possivel….as arvores não são tombadas?
    Como mandar um artigo deste para o prefeito???

  2. dalva disse:

    Não bastava só demolir a linda casa dos Matarazzo, história viva de São Paulo, agora decerto vão acabar com esse restinho de verde. Seria tão bom outro parque igual ao Mário Covas!

    • Ricardo Cardim disse:

      Dalva, vc leu meus pensamentos! ehe
      Esse seria o melhor dos mundos – uma avenida símbolo de SP com vários parques em seu percurso e, para completar a velha mansão de 1906 ao lado do Pq. mário Covas restaurada e entregue à população.

  3. Triste. O que podemos fazer é divulgar, escrever, fazer barulho.

    Um abraço

    Fernando Salvio

    • Ricardo Cardim disse:

      é verdade Fernando. Até onde SP irá assim?

      abraço
      Ricardo

  4. Sérgio Silveira disse:

    Bela foto Ricardo. Li no jornal que vão compensar com mais de 600 mudas… Mas é o que citou aí, quem ou o que vai compensar a sombra, calor, enchentes, trânsito, consumismo com essas atrocidades construtivas. E ainda mais com esse aspecto de árvores – filhas (é isso mesmo?) da floresta original da área.
    Vida longa!
    Sérgio Silveira

  5. O mínimo que estes mercenários insensíveis teriam que fazer, era tentar uma transferência das árvores, método que a prefeitura usa em algumas regiões. Na Zona Leste no Parque Tiquatira tem várias árvores antigas que foram transportadas para lá e se recuperaram muito bem.

    • Ricardo Cardim disse:

      Olá Reinaldo,

      Na minha opinião o transplante é a última opção, pois já vi muitas árvores morrerem nesse processo, ainda mais as nativas. É difícil para um organismo adulto perder grande parte de sua biomassa de raízes e folhas, mesmo com o “desmame” e depois se reestabelecer. E essas árvores são “filhas” da formação florestal da antiga “Mata do Caaguaçú”, participam da história ambiental local e detém a genética local. Ao meu ver devem ficar por lá mesmo. Mas a discussão aí acredito ser maior – perda de importante, área permeável, possibilidade de um parque, e outras questões…

      Obrigado!
      abs

  6. Adelina disse:

    ja li a respeito de projetos de revitalização de grandes centros urbanos, visando uma melhor qualidade de vida, eliminando especialmente aquilo que alem de nao contribuir p/ essa melhoria, ainda degrada o ambiente… Sera q se trata disso? ? será mesmo q + um shopping, é o q a população necessita? ? bem, eu nao sei… e peço desculpas pois desconheço qto aos trâmites que se consolidam, ate a concretização do projeto. Se antes da construção, sao avaliados fatores q atendam aos anseios da população, como tb de moradores nas proximidades, qto de frequentadores locais… sera q opinaram pela construção? ? avaliando alem dos lucros, os fatores q vc enumera aí tambem? ? “como diria na letra de Sampa: é a força da grana que ergue e destroi coisas belas”…

    • Ricardo Cardim disse:

      Adelina,

      penso que uma obra como essa só contribuirá para degradar ainda mais a Av. Paulista, um parque não, poderia resolver erros históricos da nossa urbanização. A letra de Sampa tem tudo a ver…

  7. Gustavo Moreira disse:

    Ricardo, você tem alguma informação a respeito da autorização pra retirar essas árvores? A Prefeitura necessita emitir algum documento a construtora? Não entendo nada de legislação sobre esse assunto.

    Creio que uma boa idéia seria mobilizarmos contra a construtora (você sabe qual é?) exigindo um plano pra manutenção ou transferência dessas árvores.

  8. Uma coisa que eu acho absurda é isso “Como forma de compensação ambiental, será necessário plantar 106 mudas no interior do terreno e 621 no Parque Trianon, na mesma avenida, para revitalização da área.”

    O Parque Trianon pelo que eu me lembro já tem uma densidade arbórea grande. Não imagino como caberiam mais 621 árvores naquele espaço. É a típica manobra pra inglês ver… E ainda, acho que os parques devem sempre receber novas mudas independente de obras.

    O mínimo que deviam fazer num caso como esse era uma compensação muito maior que simplesmente plantar mudas em um parque já lotado de árvores. Já que nunca irá compensar a área permeável, as aves que ali residem, a importância histórica, arquitetônica do local e todo o malefício ambiental, de saúde, de bem estar da população.

  9. Lendo o meu comentário, ainda peguei outra discrepância…

    “Como forma de compensação ambiental, será necessário plantar 106 mudas no interior do terreno e 621 no Parque Trianon, na mesma avenida, para revitalização da área.”

    Para revitalização da área? O Parque Trianon, pelo que me lembro anda muito bem obrigado. 😀 Não vejo porque “revitalizar” o parque Trianon.

    • vitor garcia de almeida disse:

      Infelizmente, as coisas vao sendo feitas aos poucos – para que ninguém note: a mansao, já histórica, foi derrubada primeiramente de forma clandestina – houve alguma pena por esse crime aos moradores da cidade? Note-se que, apesar de ser uma propriedade particular, passa a ser um bem comum pelo valor histórico – por isso o tombamento de prédios pelo patrimonio histórico.
      Agora, vinte anos depois, quando a poeira abaixou, sao as árvores que vao desaparecer na calada da noite. Mais dois anos e, passando-se de onibus por alí, poucos sao os que se lembrarao dessas árvores.

      Na cidade de Stuttgart na Alemanha fizeram um projeto para uma nova estacao de trem com shoppings por perto e por isso derrubariam árvores de 200 anos de idade. Houve uma revolucao na cidade: velhos e criancas do jardim de infancia, gente que deixou o trabalho e donas-de-casa – todos foram para lá abracar as árvores. O resultado foi que logo houve uma intensa briga com a polícia e as máquinas. Pessoas passaram a acampar aos pés das árvores e o governador do estado acabou perdendo feio as eleicoes.
      Eu sei que infelizmente estamos no Brasil ainda longe disso. Só forcas populares como esse blog é que fazem e fazerao a diferenca para um futuro melhor para a natureza do Brasil.
      Eu espero que as árvores consigam sobreviver depois de um possível replante. Creio, infelizmente, que contra a forca do dinheiro elas infelizmente já perderam.

    • Ricardo Cardim disse:

      Vitor, infelizmente é exatamente como descreveu. Aqui no Brasil poucos tem o sentimento de que a cidade pertence ao cidadão, e o interesse privado não pode prevelecer sobre o coletivo. Quem sabe um dia chegamos ao nível de cidadania da Alemanha…
      Abraços
      Ricardo

  10. Guilherme Leite Gaudereto disse:

    Caro Ricardo,
    Por favor, como eu posso diferenciar a Juçara da Seafórtia, sem que estas estejam com frutos?

    • Ricardo Cardim disse:

      Guilherme,

      as folhas do palmito quando jovem estão implantadas alternadamente na estipe, e são mais delgadas e claras que a da seafortia.

  11. Guilherme Gaudereto disse:

    Obrigado Ricardo,
    Mas e quando adulta, além da floração e da frutificação, algumas das árvores apresentam algum aspecto que me ajuda a diferenciá-las?

    • Ricardo Cardim disse:

      sim, sua arquitetura tipica, casca, raizes… é ir treinando o “olho”

  12. Onde encontro arvore chamada de Canela de Velho,ou Folha branca,ou Pau de tucano,é da familia das Melastomaceae,Nome Ciêntifico:Miconia Albicans

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