Universidade de São Paulo (USP) fará manejo de palmeiras invasoras na Cidade Universitária

Mesmo estando no país de maior biodiversidade do planeta, o Brasil, a cidade de São Paulo tem hoje a maior parte de sua vegetação – nas ruas, parques, praças e jardins privados e públicos – de origem estrangeira, ou seja, que não ocorria naturalmente no município. Os motivos desse absurdo (já secular) são culturais, comodidade em copiar o pronto e até mesmo preconceito com o nativo, relegado à “mato” no sentido pejorativo.

Como procuramos sempre apresentar aqui, no trabalho dos Amigos das Árvores de São Paulo, a metrópole paulistana já foi um local de grande biodiversidade, com florestas, campos cerrados, várzeas e araucárias e um extensa fauna associada. A maior parte de toda essa riqueza foi coberta por concreto e asfalto e recebeu plantas exóticas sobre essa camada e, o pouco que sobreviveu hoje está seriamente ameaçado na sua sustentabilidade por plantas exóticas invasoras usadas principalmente no paisagismo.

A reserva de Mata Atlântica de Planalto do Campus da Capital da USP é um dos raros fragmentos remanescentes da vegetação nativa do município de São Paulo e, como mostram os trabalhos científicos da universidade, está perdendo rapidamente sua biodiversidade graças à invasão de plantas exóticas, onde a palmeira seafórtia (Archontophoenix cunninghamii) é a mais agressiva. Trazida da Austrália para o Brasil a fim de compor os jardins no começo do século XX, ela se espalhou rapidamente com sua grande produção de sementes viáveis e consumo por parte das aves urbanas.

Se estas palmeiras não forem urgentemente removidas, a floresta deixará de existir em poucos anos e será um “palmeiral”, ocupando até os últimos espaços e recursos da vegetação nativa. Perda incalculável.

Nós apresentamos esse problema  no segundo post do Blog em 7 de junho de 2008. Segundo a comissão de manejo da reserva, a remoção terá o menor impacto possível na mata, e ainda serão plantadas 5000 mudas nativas do local para enriquecer a biodiversidade. Uma questão importante é que os pássaros não passarão fome sem os frutos da invasora, já que segundo estudos apenas pequena parte das espécies utiliza esse recurso e ainda não de forma exclusiva.

Uma ação corajosa e necessária para remediarmos os estragos causados por nós mesmos na riqueza nativa que recebemos de herança. Que sirva de exemplo para outras diversas áreas semelhantes na metrópole e restante do País.

Vista do interior da reserva de Mata Atlântica da USP - No lugar de perobas, palmitos e canelas, milhares de palmeiras exóticas.

De tão intensa a invasão, podemos observar a mancha de palmeiras australianas do satélite. Foto do Google Earth.

Ricardo Cardim

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Sobre Ricardo Cardim

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4 respostas para Universidade de São Paulo (USP) fará manejo de palmeiras invasoras na Cidade Universitária

  1. Eduardo brandão disse:

    Excelente notícia. A educação dos usuários e população são fundamentais para entendermos que precisamos consertar os erros de geraçoes passadas.
    Brandão

  2. Linden disse:

    Bem legal essa iniciativa! espero que não apareçam aquele monte de ecochatos choramingando… depois de toda essa divulgação, só não entende quem não quer! biodiversidade é fundamental para nossas matas nativas. Parabéns À toda comissão.

    Linden

  3. Guilherme Gaudereto disse:

    Ricardo,
    Humildemente pergunto como diferenciar a juçara da seafórtia (já adultas) sem os frutos visíveis.

    • Ricardo Cardim disse:

      Guilherme,

      não é fácil, precisa treinar os olhos antes. Normalmente as folhas da seafórtia são mais largas nos foliolos, e apresenta um tronco mais espesso comparado ao da jussara de mesmo porte, que parece mais “esguio”. No Jardim Botânico de São Paulo dá para ver bem as diferenças, já que lá tem seafórtias e palmitos plantados lado a lado.

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