Construtora ameaça Mata Atlântica na Zona Leste

Na parte esquerda grupo de jerivás - muito apreciado por papagaios e maritacas - e ao fundo o gigante jatobá - todos ameaçados.

Encravada na árida Zona Leste, a parte menos arborizada da cidade de São Paulo, uma ilha de verde luta para permanecer viva. A ameaça é mais uma vez a construção de condomínios fechados, que tanto tem contribuído para a diminuição do já escasso verde urbano paulistano.

Mas a importância da área na Vila Ema não está somente nos serviços ambientais das árvores do local – são 477 – o fato é que a maioria é constituída por espécies nativas da Mata Atlântica, e muitas certamente remanescentes da floresta original. Estive lá e pude observar raridades como mamicas-de-porca, palmito-jussara, pitangueiras, uvaias, jerivás, canelas e até um velho e enorme jatobá.

A Construtora Tecnisa prevê para o terreno quatro torres com 400 apartamentos. No projeto apresentado sobrarão somente 55% das árvores no estado original e o restante será privilégio dos condôminos. Perdem com isso mais uma vez a Metrópole, a qualidade de vida da população, fauna urbana, biodiversidade  e principalmente a comunidade de entorno, que ficará sem um parque, tão necessário para aquele bairro cinza.

Essa área verde tem que ser da população.

 

Veja a matéria que saiu na Folha de S. Paulo  –

Moradores se mobilizam para preservar área verde na Vila Ema

pé de uvaia de grande tamanho na entrada do terreno - frutífera da Mata Atlântica rara na Cidade.

Ricardo Cardim

Sobre Ricardo Cardim

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15 respostas para Construtora ameaça Mata Atlântica na Zona Leste

  1. glenn disse:

    Isso é muito revoltante e ao mesmo tempo dá uma sensação de impotência perante a vontade da elite econômica que só quer saber de ganhar sozinhos. Nunca pensam no coletivo.

    Ricardo, v. conhece como são as políticas para o desmate desses raros resquícios de mata na nossa cidade? Porque eles conseguem tantas coisas de forma impune?
    O que é possível fazer? O que já está sendo feito?, se é que algo está sendo feito…

    • Ricardo Cardim disse:

      Glenn,
      a forma de impedirmos esse desmatamentos é “botar a boca no trombone” hoje temos a internet e a divulgação pode ser viral…

      Ricardo

  2. Rita de Cassia Gomes de Oliveira disse:

    “Companheiro de luta”

    Fico profundamente entristecida com o que você informa, principalmente porque, trabalhando no IBAMA em São Paulo, convivo todos os dias com situações semelhantes.
    É realmente muito triste e desanimador saber que o interesse de empresários prevalesce sobre o interesse dos demais, em favor da vida.
    Pior é constatar que existe gente dentro das instituições ambientais que acredita mesmo que “o meio ambiente atrapalha o desenvolvimento do país”. Acredite! Já ouvi isso de colegas!
    Saiba que no governo atual a instituição está a serviço do capital. A população que se dane……Belo Monte, Rodoanel, transposição do São Francisco………existe muito mais.
    No cotidiano, na esfera local ,a devastação acontece todos os dias. Seguimos trabalhando “pra inglês ver”, licenciando obras, obras, obras.
    Hoje estou passando mal com a poluição e terei que ir ao médico. Todos reclamam do calor, do ar seco………mas não podem ver um pé de alface que vão logo destruindo. Permitimos que se pratiquem ações que vão levar o planeta ao fim, seja por concordãncia ou omissão.

    Não acredito que o pequeno oásis da Zona Leste vá resistir. Que pena.
    Rita de Cassia

    • Ricardo Cardim disse:

      Olá Rita!

      realmente não é fácil… Mas temos que seguir em frente, se olharmos para tras podemos ver muitas coisas que “utopicos” como eu, vc e todos amigos da natureza já fizeram e conseguiram… mas é uma batalha diária!

      abraços

      Ricardo

  3. glenn makuta disse:

    Caro Ricardo,
    Considerando que v. sempre defende as plantas nativas, gostaria de ouvir de v. uma coisa a respeito de invasões biológicas. Vale lembrar que tais invasões são consideradas uma das principais causas de perda de biodiversidade e, apesar de ocorrer naturalmente, o homem intensifica isso de forma demasiada a ponto de ser bem danoso.
    Sei que idealmente teríamos apenas biotas nativas em cada ecossistema, mas dado o tamanho de nosso impacto devido a diversos fatores como a demografia e o consumo per capita (e fazendo as devidas considerações antropológica-culturais, políticas e econômicas), muitas vezes nem encaramos a questão das bioinvasões como problema. Não por perversão, mas provavelmente por ignorância.

    Bastante difícil deve ser conscientizar as pessoas do uso de nativas no paisagismo, apesar dos grandes esforços de pessoas notáveis como Burle Marx (creio que hajam outros, mas não conheço).
    Não tiro o mérito dos serviços ambientais que as plantas (e outros organismos ), sejam elas exóticas ou nativas, apresentam para o benefício da qualidade de vida dos seres vivos, mas a escala em que agimos parece superar a capacidade de resiliência dos sistemas dos quais dependemos mas danificamos direta e indiretamente.

    Nesse contexto minha maior preocupação tem sido os sistemas alimentares.

    Só duas considerações antes de prosseguir:
    – Em dados publicados pela ONU, em seu relatório intitulado Millenium Assessment, em que se avaliava os impactos ambientais para o bem estar humano, a produção de alimentos desponta em primeiro lugar como a atividade que mais causa impactos ambientais. A produção alimentar ocupa mais de 1/4 da superfície do planeta, tendendo a aumentar conforme a população.
    – Outro dado, não lembro se era desse relatório, mas era um da ONU também, que dizia que apesar da produção alimentar mundial ser suficiente para alimentar 12 bilhões de pessoas, 1 bilhão passa fome!… São as contradições da humanidade as quais nos deparamos o tempo todo, não?

    Não sei quanto a sistemas alimentares de outros países, mas, pelo menos no nosso, não temos a valorização de alimentos nativos. Aliás, não respeitamos nem sazonalidade nem valorizamos produções locais. Todos comportamentos que agravam ainda mais os impactos gerados pela “simples existência” do homem ocidental. Imagino que boa parte das pessoas nem se questione, como não se questionam muitas coisas por aqui.

    Apesar de nosso subcontinente ser um dos núcleos de origem da agricultura, interesses políticos e econômicos do agribusiness (tão “bem intencionados” como a especulação imobiliária das construtoras em nossa cidade) reduz drasticamente nossa agrobiodiversidade e nossa autonomia e autenticidade alimentar. Vale ressaltar que a perda de agrobiodiversidade significa perda de conhecimento etnobotânico (ou mesmo etnoagrícola) quanto a formas de cultivo de alimentos e preparos de pratos, sendo extintas junto com variedades agrícolas. É um preço alto que pagamos pelos processos globalizantes que, apesar disso, também têm seus pontos positivos (não nego isso).
    Pra todo lugar que vamos vemos monoculturas a perder de vista. Cana, soja, milho e outros poucos. Transgênicos que causam contaminação genética em plantios convencionais e possivelmente em populações silvestres. Tudo isso no país da maior biodiversidade do planeta…

    Enfim, queria saber o que v. acha do uso de seres exóticos de forma geral.
    Li seu post sobre as plantas na ZL e me veio tudo isso.
    Desculpa pela verborragia acima, mas foi inevitável.

    abs
    glenn

    • Ricardo Cardim disse:

      Glenn,

      muito interessante sua abordagem, é para refletirmos como ainda temos que aprimorar a questão! obrigado por dividir conosco.

      abraços
      Ricardo

  4. Obrigado pelo apoio Ricardo. Agradeço de coração!

    Forte abraço,

    Fernando Salvio

  5. Lucimara disse:

    Bom dia Ricardo

    Vi algumas de suas entrevistas e me interessei bastante, precisamos mesmo de pessoas interessadas em fazer a coisa certa em relação a arborização.

    Bom, sou Bióloga pela UFMS e Mestranda em Biologia Vegetal pala UFMS. Apesar de meu infinito interesse por arborização, trabalho com fungos endofíticos de árvores do Pantanal e testo contra fungos fitopatógenos de algumas culturas da região.

    Não tenho muita experiência com arborização (trabalhei em apenas um projeto), mas vejo a necessidade gritante de fazermos algo pela cidade onde moro. Tenho uma turma de biologia a distância da UFMS aqui em Rio Brilhante e como estão no final do último ano, alguns alunos gostaram da idéia de fazermos um levantamento em alguns bairros e centro, para verificar a quantas anda a arborização. O resultado é mesmo assustador, visualmente já se percebe isso, mas quando vemos os números ficamos ainda mais assuntados.

    Rio Brilhante é uma cidade do interior do Mato Grosso do Sul com 30 mil habitantes, fica 150 km da Capital Campo Grande. E o grande alvo do prefeito que está no poder desde que eu ainda era mocinha (rsrsrsrs) é a construção de novos bairros, projeta-se tudo, menos a arborização. E ainda por cima distribuem mudas de Oiti (Licania tomentosa) para o plantio. Fora os inúmeros moradores que estão plantando seriguela (Spondias purpurea) por ter crescimento rápido…

    Temos apoio da prefeitura para realização do projeto. Inclusive para o plantio. Mas creio que vou precisar mesmo trocar algumas idéias. Se você me permitir, gostaria de enviar uma lista que fiz de árvores que poderiam ser plantadas na nossa região.

    Abraço e muito obrigada por enquanto.

    Lucimara

  6. Pingback: Um remanescente de Mata Atlântica na Vila Ema « Viva o Parque

  7. joana neves disse:

    BOA NOITE!
    ESTOU ACOMPANHANDO , ESTOU ACHANDO OTIMO TODOS OS VIZINHOS ENTERESADOS NO MEIO AMBIENTE , NESSE PARQUE , MARAVILHOSO , MAS ACHO QUE A PREFEITURA NÃO VAI APROVAR , PORQUE A CONSTRUTORA É A PROPRIETARIA E NÃO VAI FICAR NO PREJUIZO , E ESTOU COM MEDO QUE ESTA AREA SEJA INVADIDA POR MPRADORES DE FAVELA , NÃO SE CONSTROI PREDIOS , NEM PARQUE , QUEM VAI FICAR NO PREJUIZO SÃO OS MORADORES SE HOUVER INVASÃO , O QUE VOCE ACHA?

  8. moises disse:

    Olá Rita, Ricardo e os demais amigos do meio Ambiente. Gostária de deixar aqui também o meu desapontamento, trabalho na guarda civil ambiental de são paulo, mais precisamente na região leste da cidade e por aqui não é diferente, deparamos constantemente com movintações monstruosas de terra, intervimos , prendemos em flagrante mas o crime ambiental raramente deixa alguém atrás das grades. Muitas vezes entram com pedidos na cetesb, subprefeituras,etc para movimentar terra e por conta da morosidade dos orgãos a lei os autorizam a trabalhar só com o protocolo, absurdo! Na maioria deles são criminosos, suprimem a mata com seus tratores esteiras, jogam residuos de construções sem nenhuma preocupação com o solo, caçam indiscriminadamente pelas matas e nós sem recursos ficamos enxugando gelo! ( nosso pior inimigo a Corrupição)!

    • Ricardo Cardim disse:

      É Moises, fica aqui gravado seu desabafo de quem luta pela natureza! Parabéns pelo empenho e continue enxugando esse “gelo” por favor… imagine sem… abraços

  9. Ricardo, enquanto pessoas como nós pensamos no meio ambiente, o governo da cidade e do estado resolvem que devem arrancar um monte de árvores aqui no meu bairro em prol de um projeto de transporte eleitoreiro e feito às pressas para poderem inaugurar antes das proximas eleições para Prefeito… Dá uma olhada:

    http://vivaoparque.wordpress.com/2010/09/29/o-progresso-chegou-a-vila-ema-via-aerotrem/

    E olha que legal… O Google fotografou o local do crime antes que pudessem passar por cima de tudo…

    http://vivaoparque.wordpress.com/2010/09/30/vejam-as-arvores-que-foram-arrancadas-pela-prefeitura/

    Absurdos…

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