Os últimos ipês do cerrado da cidade de São Paulo

Remanescentes de campos cerrados em volta da caixa de água da USP

As duas últimas áreas de campo cerrado na cidade de São Paulo, uma vegetação nativa do terreno original da metrópole, conservam ainda espécies quase extintas na malha urbana atual e detentoras da genética resultante de milênios de adaptações e seleção natural.

Essas áreas, que foram unidas até o começo do século passado, estão no Jaguaré, transformada recentemente em reserva pela Prefeitura, e no maçico verde da Cidade Universitária, em volta da caixa de água da Universidade de São Paulo (USP).

Essa última, tem somente um pequeno pedaço preservado dentro do Jardim Botânico da Biologia, e o restante está abandonado, sendo talvez a maior parte contínua da vegetação de campos cerrados paulistanos e com espécies que só sobreviveram ali, além das presentes nas outras áreas protegidas.

Dentro dessa grande parte largada à própria sorte, percebe-se o vandalismo em várias plantas raras da vegetação, inclusive em indivíduos de grande porte e longevidade, como belos exemplares do frutífero murici quebrados na sua base. 

Murici-do-campo (Byrsonima intermedia) de grande porte e idade, vandalizado em sua base.

Mesmo em meio à invasão de plantas estrangeiras, como o capim gordura e braquiária (ambos africanos), e tantas outras ameaças, uma espécie típica da biodiversidade desses cerrados sobreviveu – o ipê-amarelo-do-cerrado (Handroanthus ochraceae).

O último exemplar de ipê-amarelo-do-cerrado nativo da cidade de São Paulo ainda em pleno sol.

Descrito pelo Botânico Joly na mesma área na década de 1940, essa espécie de ipê continua existindo sessenta anos depois. Encontrei somente dois indivíduos na última sexta-feira, e acredito serem os últimos realmente nativos desta vegetação na metrópole paulistana.

Folhas - clique para aumentar.

casca - clique para aumentar.

 

Toda essa área em volta da caixa de água da USP deveria ser cercada, cuidada e preservada, como detentora de elementos em altíssimo risco de extinção da flora original paulistana. Extinção é para sempre.

Ricardo Cardim

 

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Sobre Ricardo Cardim

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12 respostas para Os últimos ipês do cerrado da cidade de São Paulo

  1. Raissa disse:

    Coitado!! ele é o último? como é que o governo não faz nada sobre isso???
    temos que fazer barulho

    valeu pelo post e trabalho

    bjk

    Raissa

    • thaynara disse:

      eu n sou de são páulo mais temos q ajudar essa especie
      temos q fazer alguma coisa isso n pode ficar assim.
      Ogoverno vai ficar de braços crusados é??
      eu n acredito nisso
      @_@ thaynara

  2. Fabia Ricatto disse:

    Poxa, é uma pena ver exemplares de nossa flora serem perdidos pelo descaso de nossos representantes, que não dão o devido valor a áreas verdes.

  3. Aline disse:

    boa estória triste história… cidade do cinza que espreme o verde, e assim vamos.

    Aline

  4. Leticia disse:

    Ricardo:

    Cheguei aqui por acaso (atrás de mais informações sobre como lidar com uma epífita que trouxe do Jardim Botânico – caída de uma palmeira, na alameda asfaltada, bem entendido).

    Adorei o blog! Um bálsamo, ainda mais para uma leiga! Já vai para meus preferidos. Abraço!

    • Ricardo Cardim disse:

      Obrigado Leticia! Espero poder sempre continuar ajudando!

      abraços
      Ricardo

  5. deborah disse:

    tenho uma muda de ipé amarelo esta por volta de mais ou monos 45 cm gostaria de saber se posso plantar na minha calçada que é de 2 m ou se poderi plantar em um vasso grande e ir podando ela sempre,tipo um bonzai ?
    obrigada aguardo sua resposta
    Deborah Lagoa Santa MG

    • Ricardo Cardim disse:

      Melhor é plantar na calçada, onde o ipê pode trazer muito mais benefícios para vc e toda a cidade.

  6. deborah disse:

    oi
    tenho um pé de pequí no meu quintal na beirada do muro ,e parece que ele esta morrendo pois suas folhas caíram todos os galhos estão fracos e não tem nada verde nele em 3 dias isso aconteceu ,e não e época das folhas cairem pois estamos no mes de março e estou preocupada
    Deborah Lagoa Santa MG obrigada

    • Ricardo Cardim disse:

      Deborah,

      é dificil diagnosticar uma eventual doença sem olhar de perto. Sugiro primeiramente que adube a planta e afofe a terra em volta da árvore. Consulte um Eng. Agronomo de sua região ou da prefeitura para lhe ajudar melhor.

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