Telhados verdes, plantas suculentas de deserto e economia de água – insustentável

Os telhados verdes são uma solução importante para a qualidade ambiental e resgate do bem-estar nas cidades. Agora, com os prédios verdes ou “green buildings”, são criados diversos parâmetros para estas áreas verdes. E um deles, que ouvi outro dia, me supreendeu pelo absurdo – a exigência de escolha das espécies para compor o telhado verde que consumissem pouca água, de forma ao edifício ser mais “sustentável”. Então escolheram plantas do deserto, suculentas, de origem estrangeira.

Em tal pensamento, essas plantas consumiriam menos água e não “gastariam”. Incrível. Um dos principais serviços ambientais promovidos pela vegetação urbana é justamente umidificar o ar através da sua transpiração no processo de fotossíntese, liberando litros e litros de água e com isso resfriar o meio e tornar o ar respirável. Fora a filtragem e reciclagem do ar.

A água da irrigação que retorna ao ambiente é um presente para a cidade e população, tanto é que em cidades como Brasília se construíram enormes lagos para umidade do ar. Não é desperdício! Usando vegetação de deserto, que além de não ter nada a ver com a nossa gigantesca biodiversidade nativa, perde-se esse importante benefício proporcionado pela vegetação autóctone ou “normal” .

Quase toda a água usada na irrigação de um telhado verde ideal, com espécies nativas da região e atrativas da fauna urbana e consequente equilíbrio ecológico, retorna ao sistema (macro e microclima) pela respiração das plantas, e ao ar que respiramos, principalmente na estação seca do ano e faz toda a diferença em uma metrópole como São Paulo.

Isso sim é sustentabilidade.

Ricardo Henrique Cardim

www.skygarden.com.br

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Sobre Ricardo Cardim

www.arvoresdesaopaulo.com.br
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3 respostas para Telhados verdes, plantas suculentas de deserto e economia de água – insustentável

  1. Aline disse:

    Isso é coisa de técnicos que vivem dentro de um escritório com ar condicionado e paredes de vidro, e tem que ter idéias mirabolantes para agradar seus chefes em reuniões monótonas.legal

  2. Juliano disse:

    Prezado Ricardo, trabalho com consultoria em certificação LEED e posso afirmar que esta ideia que você “ouviu” está equivocada. Não sei sobre que tipo de green building ou certificação ouviu a respeito, mas posso afirmar que não foi sobre a certificação LEED. Uma das questões mais esclarecidas no que se refere ao paisagismo é o uso de espécies nativas. Não sou especialista em paisagismo, mas sei que o uso de espécies nativas pode trazer todos estes benefícios que voce citou. Além disso, espécies nativas são completamente adaptadas ao ambiente onde serão plantadas. Um abraço.

    • Ricardo Cardim disse:

      Olá Juliano,

      Na verdade não ouvi, mas vi com meus próprios olhos. Me refiro ao uso de espécies exóticas da família Crassulaceae, infelizmente muito comuns ainda em projetos “sustentáveis” envolvendo telhados verdes. Essa é a minha preocupação, como vi em alguns prédios intitulados “green building”. Outro aspecto é a exigência de um suposto “gasto menor de água pela planta” – uma colocação absurda, considerando a importância da evapotranspiração para o meio ambiente urbano. Mas fico feliz que há uma postura mais favorável as nativas regionais em tais empreendimentos. Abraço.

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