Árvores raras no novo parque da Avenida Paulista

Raízes de um velho jacarandá bico-de-pato (Macherium nictitans)

O Parque Mário Covas, inaugurado há apenas alguns meses, entregou aos paulistanos uma área  de mata nativa em plena Avenida Paulista, e com ela algumas raridades. Árvores típicas da Mata Atlântica paulistana resistiram por décadas de especulação imobiliária e hoje habitam ali dezenas de espécies como jacarandás (Macherium nictitans), canelas (Ocotea sp. e Nectandra sp.), guatambu (Aspidosperma sp.) e cedros (Cedrella fissilis) .

Esse trecho da antiga mata do Caaguaçu (mata grande em Tupi) que cobria todo o morro da Paulista até dois séculos atrás, tem sua origem nos antigos jardins da Vila Fortunata, dos primeiros anos da Avenida (década de 1890) e propriedade da família Thiollier.

Foto aérea da Vila Fortunata em meados do século passado, hoje destruída. Notem a vegetação adulta ao lado e que hoje compõe o parque (exceto o casarão ao lado)

Raridade - grande exemplar de palmito jussara (Euterpe edulis)

Com belos exemplares remanescentes, essa área verde contribuiu para semear através dos pássaros e  vento, árvores  que colonizaram espaços livres na região, trazendo canelas e embaúbas para outras áreas ajardinadas próximas como os da antiga mansão Matarazzo e alguns estacionamentos.

O Parque é uma ótima novidade para a cidade de São Paulo, bem planejado e funcional. Mas também poderia ter contemplado o belo casarão eclético de 1905 ao lado, que além do valor histórico, merece sair do abandono e ruína em que se encontra atualmente, e suas várias árvores nativas fazerem parte da área verde. 

Endereço: altura do número 1.853 da Avenida Paulista.

Mansão construída por Joaquim Franco de Mello em 1905 com árvores nativas à sua volta: deveria virar parte do parque, ser restaurada e entregue como centro cultural à população.

Os jacarandás dominam o topo da matinha, formando um grande grupo. Sua madeira é muito valorizada, sendo difícil entender como sobreviveram naqueles caros m².

Com as chuvas desse verão muitas árvores caíram, inclusive essa canela, que espalhava ainda seu agradável perfume da madeira pelos arredores.

E muito correto por parte dos implantadores, araucárias (Araucaria angustifolia) foram plantadas pelo Parque, lembrando que no final do século XIX o Botânico Usteri fotografou dezenas de exemplares nativos onde hoje é a Avenida.

Ricardo Henrique Cardim

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Sobre Ricardo Cardim

www.arvoresdesaopaulo.com.br
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3 respostas para Árvores raras no novo parque da Avenida Paulista

  1. dalva disse:

    Que alegria! Nos anos 70 eu costumava passar por ali (namorando) e sempre pensava na destinação que seria dada àquela área. Temia que tudo fosse cortado e que surgisse mais um arranha-céu ou um estacionamento todo cimentado, como aconteceu com outras preciosidades da Paulista. Mais um parque, mais oxigênio, mais vida!

  2. Gentil disse:

    É muito bom saber que há pessoas preocupadas com a natureza e fazendo divulgação dos trabalhos na direção da preservação do meio ambiente! Essas atitudes estimulam mais pessoas a fazerem o mesmo! Parabéns a todos que fazem alguma coisa para melhorar a qualidade de vida!!!

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