Cerrado raro ameaçado na cidade de São Paulo

 

Poucos sabem, mas a cidade de São Paulo já teve originalmente extensas manchas de cerrado, aquela vegetação típica do Centro-Oeste Brasileiro, em seu território. Quase tudo que existia da formação no município desapareceu sem deixar vestígios, e atualmente remanescentes são encontrados apenas em áreas íngremes do Pico do Jaraguá e pequenos retalhos na Cidade Universitária e Parque do Estado.

Entretanto, a grande mancha da vegetação que existia na região do Butantã e Jaguaré (Zona Oeste) ainda guardou alguns fragmentos como o da USP e este apresentado nas fotografias, encravado entre o supermercado Extra Jaguaré e um condomínio de prédios residenciais sobre uma antiga pedreira.

O cerrado ladeado por prédios novos

 Com espécies típicas, tão raras por aqui que podem ser chamadas de “relíquias”, o trecho mais bem preservado do terreno ainda conserva suas características  e infelizmente já vem sofrendo com o desconhecimento de sua importância para o meio ambiente urbano, nossa história e cultura. Um largo pedaço sofreu um desbaste que retirou metade de suas árvores e foi gramado.

 Na foto acima, perto do supermercado Extra, o cerrado foi destruído só restando algumas árvores maiores e capim cortado, onde observei algumas espécies tentando voltar mesmo com o constante cortar da vegetação.

Esse pedaço de cerrado maltratado  merecia ser preservado como “museu-vivo” que é, e apresentado à população como um testemunho do que já foi São Paulo.

 

O cerrado devastado em sua formação original na tentativa de torná-lo um "jardim"

Endereço: Avenida Corifeu de Azevedo Marques, 4070 com a Rua Cangati – Rio Pequeno, São Paulo – SP

Ricardo Henrique Cardim

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Sobre Ricardo Cardim

www.arvoresdesaopaulo.com.br
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19 respostas para Cerrado raro ameaçado na cidade de São Paulo

  1. dalva disse:

    Eu conheço aquele lugar, aquelas pedras… Não imaginava que fosse um pedacinho de cerrado!

  2. Ana Basaglia disse:

    Puxa, a-do-rei seu blog!!
    Morei por 20 anos no Jaguaré, e de fato ninguém lá dá muita atenção (como, aliás, no resto dessa cidade, infelizmente) pras nossas plantas…
    Agora mudei para um bairro vizinho, a Lapa, e gostaria de plantar alguma árvore nativa na minha calçada… que espécie vc me recomendaria?
    Gosto muito do resedá, por conta do seu tronco “sequinho”, liso, e de suas folhas pequenas, e do fato dela ser “decídua”… mas, como disse, sei que não é nativo, e eu realmente gostaria de ter uma planta nativa…
    O quê vc me sugere?
    Aguardo ansiosa um contato!
    Abs,
    Ana

  3. Angelo disse:

    Prezado Ricardo Cardim, primeiramente quero parabenizá-lo pela descoberda de um relicto de cerrado no bairro do Jaguaré. Li a reportagem na Veja São Paulo e fiquei muito curioso em conhecer de perto a área.

    Sou geógrafo e professor de Geografia e morador do bairro há quase vinte anos. Inclusive já publiquei num livro a história do bairro. Gostaria de saber se há possibilidade de eu acessar a área que consta na reportagem, visto que ela, acredito, faz parte de um conjunto de condomínios erguidos se eu não me engano, uns dois ou três anos.

    Parabéns mais uma vez pela descoberta e preocupação junto a Prefeitura de São Paulo em manter essa importante vegetação. Ainda quero fazer um trabalho de campo com os meus alunos juntamente com a professora de Biologia da instituição onde leciono.

    Atenciosamente,

    Angelo Tiago de Miranda

    • Ricardo Cardim disse:

      Olá Angelo,

      Muito obrigado pela força! Quando acessei a área na última vez fui abordado por um segurança de terno do condomínio como se a área fosse deles… Mas a área é realmente pública e todos podem ter o direito de ir lá e conhecer, caso desejem. Espero que possamos fazer de lá uma reserva com a vegetação mais bem preservada e aberta ao público, como seus alunos, de forma a se perpetuar a nossa antiga riqueza florística paulistana
      abraços
      Ricardo.

  4. Andre disse:

    Moro nesse condominio. O condominio já “adotou” essa faixa verde. E está preservando. Isso inclusive é de conhecimento da subprefeitura.

    • Ricardo Cardim disse:

      A questão Andre, é que a “preservação” atual feita pelo condomínio não atenta para as espécies nativas arbustivas e rasteiras, que são cortadas junto com grama e destruídas. Outro problema é o plantio de árvores estranhas a vegetação, como a espatódea, de origem africana, que pode inviabilizar a reserva. Para muitas empresas de paisagismo aquela vegetação não passa de “mato” e deve ser cortada para ficar como um jardim, o que é justamente destruir uma biodiversidade ancestral e que vem sendo feito. Essa faixa verde precisa de um manejo por especialistas como Taxionomistas e Ecólogos. Além do que, quando acessei a reserva, fui “interceptado” por um segurança a mando de um morador, como se a área fosse do condomínio.

  5. André disse:

    Concordo com sua preocupação Ricardo, mas se o condomínio não “cuidar” (devemos instruir a empresa de paisagismo corretamente), acho que acaba virando realmente mato, pois além do cerrado, verificasse muito capim também. Da última vez que demoraram um tempo para “limpar” o terreno estava realmente parecendo abandonado. Quanto a atitude do segurança realmente foi errada, pois todos aqui sabem que o terreno não é do condomínio. O medo dos moradores é ocorrer algum tipo de invasão de barracos neste terreno ou uso por viciados/bandidos etc…
    Esse manejo especializado que vc comenta Taxionomistas e Ecologos de quem é a responsabilidade Prefeitura ? Alguma Secretaria do Verde ? Será que eles estão REALMENTE preocupados ? Eu tenho minhas dúvidas…
    Abraços.. André

    • Ricardo Cardim disse:

      é verdade André, é fundamental ter manutenção, senão espécies invasoras acaba virando um “mato” que realmente atrapalha de diversas formas, inclusive as espécies nativas do cerradinho, que é o quadro atual. A Secretaria do Verde do Municipio junto com os Botânicos do Herbário Municipal estão nos ajudando e acredito que em breve existirá um parque na área.
      Abraços,

      Ricardo

  6. Pingback: Decretada a preservação dos campos cerrados do Jaguaré « Árvores de São Paulo

  7. vania disse:

    Tambem sou moradora do condominio Panorama.
    E realmente como relata o morador Andre quando a empresa de paisagismo do condominio demora de cortar a grama”capim” fica horrivel parecendo um matagal.
    Fiquei feliz de saber que tenho essa raridade frente a minha janela.Espero que a prefeitura realmente preserve essa área.
    Nosso condominio faz o que pode – essa poda e corte da grama não é barata junto com nossa manutenção paisagismo do condominio.

    Acho que se a prefeitura começar a cuidar do terreno vai ser bom para todos.

    • Ricardo Cardim disse:

      Sim, Vânia, será bom para todos e, principalmente a população paulistana, que poderá contar com biodiversidade nativa e mais qualidade de vida.

  8. Pedro A de Figueiredo disse:

    Ricardo,

    Parabens pelo achado…e fico feliz em saber que tudo isto está tão perto de casa.
    Sou proprietário de imóvel no condominio em questão e totalmente favorável para que a idéa de transformar a área em um Parque se concretize.
    Como já foi dito o condomínio tem mantido a área como pode, respeitando as limitações de recursos e conhecimentos sobre o assunto. Diante disto, fica aqui meu apoio e torcida para que esta proposta se concretize o quanto antes e que posteriormente sejam feitos os devidos acompanhamentos e manutenção.
    Você tem informações recentes sobre o andamento do projeto na Prefeitura ?

    Grato,

    Pedro Airton

    • Ricardo Cardim disse:

      Obrigado Pedro. Venho acompanhando de perto o trabalho da SVMA e espero que fique pronto ainda esse semestre.

      att
      Ricardo

  9. Adelina disse:

    Sucesso nessa sua empreitada, em ‘favor do verde’. Parabens por sua descoberta, seu empenho e iniciativa. Atentos p/ qnao se torne um terreno abandonado e sim preservado e protegido. Que todos os cidadaos possam tb contribuir p/ a preservação e usufruir de seus beneficios.

  10. Adelina disse:

    Sucesso nessa sua empreitada, em ‘favor do verde’, Sr. Cardim. Parabens por sua descoberta, seu empenho e iniciativa. Atentos p/ que nao se torne um terreno abandonado e sim preservado e protegido. E que todos os cidadaos possam tb contribuir p/ essa preservação e usufruir de seus beneficios.

  11. Adriana disse:

    Infelizmente desde qe descobriram e a prefeitura tombou,virou um matagal só,as espécies raras se esconderam dentre o mato,do lado do extra as grades estão entortando ,pois tem gente tentando entrar lá,adorei sua descoberta ,mas agora passou o fogo,a mídia,agora virou terreno abandonado

  12. Pedro Airton disse:

    Ricardo,
    O mato está tomando conta da área e por enquanto nenhuma ação por parte da prefeitura, você tem alguma informação recente sobre a implantação do parque ?

    • Ricardo Cardim disse:

      é verdade Pedro, com o calor e chuvas isso está acontecendo. Mas tenho acompanhado as reuniões e nessa semana estaremos aí, acredito que em breve estará pronto.

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