O absurdo da arborização urbana “anã”

 

Caso tipico de arborização anã no Bairro de Perdizes, com árvore adulta e quase inútil em serviços ambientais para a Cidade.

Caso típico de arborização anã no Bairro de Perdizes, com árvore (?) adulta e quase inútil em serviços ambientais para a Cidade.

Os centros urbanos desde o advento da eletricidade vivem um conflito. O embate são a falta de planejamento  com fios pendurados em postes acima da cabeça dos pedestres e as árvores urbanas nas calçadas. Nos países desenvolvidos e raras cidades brasileiras (como parte do Rio de Janeiro) essa fiação passa por galerias subterrâneas, não prejudicando a cidade, a arborização e a qualidade de vida.

Para o poder público e as empresas privadas de luz e telefone, antes estatais, o investimento não  é prioridade, e o mais lucrativo é passar os fios em postes. As  prejudicadas diretas desta decisão subdesenvolvida são as árvores, que são mutilladas com podas drásticas para não “atrapalhar” os fios e um outros aspecto importante, a recomendação de plantar árvores pequenas, arbustos, que não cresçam até os fios.

Vários manuais e cartilhas foram publicados ao longo do tempo por estas empresas, além de pressão e “treinamentos” nas prefeituras e técnicos responsáveis,  para a realização desta arborização anã, com arvoretas e arbustos que adultos, não produzem sombra e não  realizam serviços ambientais urbanos (ver as funções da árvore). O resultado são cidades desérticas.

Outro aspecto, é que a grande maioria é de origem estrangeira, eliminando a biodiversidade urbana, e são apenas meros enfeites muito propensos ao vandalismo por  sua fragilidade. Exemplos destas plantas: resedá (Lagerstroemia indica) originária da Índia,  pata-de-vaca (Bauhinia blakeana) de Hong-Kong,  falsa-murta (Murraya paniculata) da Ásia, hibisco (Hibiscus sp.) vinda da Ásia e  calistemon (Callistemon speciosus) da Austrália.

Mais uma vez o interesse privado prevalece sobre o coletivo.

Ricardo Henrique Cardim

Sobre Ricardo Cardim

www.arvoresdesaopaulo.com.br
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19 respostas para O absurdo da arborização urbana “anã”

  1. Pedro disse:

    Olá
    Talvez voce possa me ajudar.
    Tenho um varanda de 5x4m e eu gostaria de ter uma árvore num vaso. Gostaria de saber qual as espécies que ficam maiores e faça bastante sombra. E se possível um local que venda mudas já grandes em São Paulo
    Grato
    Pedro

  2. Ricardo disse:

    Olá Pedro,

    o ideal é usar frutiferas nativas de Sp, que atraem passarinhos e dão sombra.
    exemplos – cabeludinha (arbusto com frutos comestiveis e gosta de meia sombra), pitanga e jaboticabeira (meia sombra tb) vc encontra essas arvores no ceagesp.
    abs
    Ricardo Henrique Cardim

  3. Cris disse:

    > Boa tarde
    >
    > Tentarei ser breve, gostaria de saber se voces conhecem algum
    > programa que replante os pinheiros usados nessa epoca de natal?
    > Nao é uma arvore utilizana na cidade, talvez pela altura… enfim…
    >
    > Voces conhecem algum programa desse tipo?
    >
    > Muito obrigada e boas festas.
    >
    > Sinceramente, Cris Kizzy.

  4. Ricardo disse:

    Boa tarde Cris,

    Não existe, talvez devido ao pinheiro de natal ser de origem estrangeira e não indicado para arborização das cidades.

    Boas festas,
    Ricardo

  5. luci disse:

    boa tarde!
    No parque do Ibirapuera, entrada pelo portão 7, existe uma figueira centenária com outras figueiras em sua volta mas todas unidas com a arvore central, através de seus galhos com cerca de 20 cms ou mais de diâmetro. O impressionante que esses galhos grossos se ligam entre si sem conseguir entender como ocorreu esse processo com tal perfeição.
    É muito interessante que os entendidos, curiosos conheçam e se souber explicar o que aconteceu me expliquem por favor, pois fiquei muito encasquetada. obrigada. luci

    • Dayse Lucia de Freitas disse:

      Sou uma amante da natureza e parabenizo voce pela matéria, sou técnica em plantio urbano participativo, (árvore certa no lugar certo ) sempre briguei, e adotei como causa a questão de árvores de qualidade e floridas em vias urbanas . Gostaria de apresentar um projeto denominado Mão Verde (arborização urbana uma ação humana) um projeto porta a porta com participação popular, onde pretendemos elaborar um documentário estilo cinema -poderia nos ajudar com seus conhecimentos ?…..
      contato -e-mail apoetadafloresta@hotmail.com – 31- 83 29 79 67
      visite ORKUT dayselucida@hotmail.com.
      obrigada .aguardo resposta .

  6. elvis disse:

    Faz tempo que venho lutando e tentando conscietizar a população
    > urbana a utilzar-se de árvoes frutiferas para florestamento urbano,
    > mas, a tentação do ficus ´[e maior, e, aui em Foz do Iguaçu-Pr.,
    > esta praga já está completamente disseminda, sendo que as árvoes
    > mais velhas devem ter em média 15 anos, potanto, daqui a alguns anos
    > a cidade estará sendo destruida e ninguém faz nada pra mudar isto.
    > Qunao a pessoa terminar de pagar o financiamento da csa própria,
    > trinta anos, a árvore o estará derrubando com suas raizes enormes.
    > Interessante que a ávrode simbolo da cidade é o Ipê Roxo, porém, as
    > pessoas e as autoridades se recusam a plantá-los.

  7. Ricardo disse:

    Olá Beti

    são tipuanas, nativas da bolivia e argentina.

    abrços,

    Ricardo Henrique Cardim

  8. Beti Guimarães disse:

    Caro Ricardo,

    Gostaria de saber o nome das arvores que margeam a Av. Republica do Líbano em São Paulo?

    As folhas parecem uma sibipiruna gigante e devem ter sido plantadas há décadas.
    Vi essas arvores tbem na Av 23 de Maio, são bem altas e o tronco escuro.

    Obrigada

    Abs

    Beti Guimarães
    beti.guimar@uol.com.br

  9. Ricardo disse:

    Olá Luci
    essa figueira tem raízes suporte, que conferem esses “troncos-acessórios”.
    são grandes raízes, mas nesse caso elas foram provavelmente direcionadas de forma a ficarem em círculo.

    Ricardo

  10. Ricardo disse:

    Caro Renato,

    obrigado. o ipê-rosa plantado nas calçadas da cidade não é nativo, vem da América Central. Como sugestão para o quintal: cabeludinha, pitanga, goiaba, jerivá.A passarada paulistana agradece.

    abs

    Ricardo Henrique Cardim

  11. Renato disse:

    Ricardo,

    Meu nome é Renato, em primeiro lugar gostaria de lhe parabenizar pelo site. Moro no Bairro da Vila Sônia, entre a USP e o Morumbi. Estou construindo uma casa que tem 12,5 m de frente, onde pretendo plantar na calçada 2 arrvores nativas da região, escolhi 1 Manacá-da-Serra e 1 Ipe-Rosa. No fundo deixei 104 m^2, onde pretendo plantar 6 arvores frutiferas ntivas da região, por enqunato escolhi Jabuticaba e Uvavia, imaginei que vc teria alguma sugestão sobre quais outras 4 arvores frutiferas nativas eu poderia plantar no quintal, uma vez que é muito dificil conseguir informação sobre esse assunto.

    Bem, espero estar correto sobre as escolha da calçada.

    Obrigado, e parabéns novamente.

    []’s

    Renato

  12. Anastasia disse:

    Parabéns pela matéria! É detestável observar a apologia desses arbustos inúteis em publicações de jardinagem. Em nosso terreno de 1800 m2 estamos privilegiando o plantio de árvores altas: sapucaia, paineira branca, pau-ferro, pau-brasil, angico vermelho, baobá do Senegal, jacarandá mimoso e ipês variados são algumas das que já plantamos. Os pássaros já começaram a chegar, e até contribuíram com um pé de amora e umas dez goiabeiras ao longo da cerca! A idéia é que as monumentais árvores da frente, plantadas alguns metros atrás da fiação, possam formar suas copas POR CIMA desta. O resultado está ficando ótimo, e até agora não tivemos que realizar nenhuma poda trabalhosa.

    Em um clima quente não há nada uma casa bem sombrada, e parece-me incompreensível que as pessoas prefiram passar calor a ter algumas folhas no chão ou uma rachadura na calçada…

    E para quem ainda duvida da possibilidade de se plantar árvores grandes na cidade, sugiro uma visita ao Museu Lasar Segall, na Vila Mariana.

    • Obrigado Anastasia, realmente as pessoas precisam perceber que árvore além da sua beleza tem que prestar serviços ambientais na cidade, e isso só pode ser possível com espécies que alcancem médio e grande porte. Parabéns pelos plantios, Abraços

    • DAYSE LUCIA DE FREITAS disse:

      OLÁ! Ricardo Cardim ,gostaria de reforçar o convite , para desenvolvermos esse documentário sobre arborização urbana .
      Já tem meu contato.
      forte abraço
      Dayse Lucia .

    • Ricardo Cardim disse:

      Obrigado Dayse, vc já tem um patrocinador para o doc?

      abraços
      Ricardo

  13. Dayse Lucia de Freitas disse:

    Bom dia Ricardo ! ainda não … continuo com a perspectiva em conseguir aquele documentário e com certeza será convidado a fazer parte dele quando chegar a hora .Tenho trabalhado para isso. Parabéns pelo seu trabalho ,acompanho você faz tempo, e é claro que nenhum de nós fará essa mudança sem a participação popular ,aposto da mobilização social e na compatibilização de interesses mútuo.
    (veja : youtube -“UMA ONÇA NO PLANALTO.”
    Já passou da hora da população conhecer a técnica de plantio urbano .
    E acredito que através deste documentário poderemos sim instruir as pessoas com muito bom gosto técnica , obedecendo a lei, e a ordem natural das coisas plantando árvores de grande porte na cidade .
    FORTE ABRAÇO .

    • Ricardo Cardim disse:

      Olá Dayse,

      Desejo sucesso nessa importante ideia e fico à disposição!

      abraços

  14. Obrigada será um prazer e uma grande contribuição poder contar com seus conhecimentos.
    Comunico. Me add no FACEBOOK- (Dayse Lucia Freitas)

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