Porque defender que se plantem árvores nativas da cidade de São Paulo na arborização urbana?

 

Grupo de Araribás na Av. Paulista (Centrolobium tomentosum)

Grupo de Araribás nativos na Av. Paulista (Centrolobium tomentosum)

  Quando uma árvore de outra região, seja Estado, País ou continente, é introduzida, essa pode vir a ser uma potencial agressora ao equilíbrio ambiental local, pelo fato de muitas vezes possuir vantagens adaptativas perante as nativas.

 Adaptadas durante milhares de anos e interagindo com as condições ambientais locais, as árvores nativas sofreram um rigoroso processo de seleção natural, gerando espécies plenamente ajustadas ao ambiente e interdependentes dos animais do meio para sobreviver, com muitos inclusive polinizando-as e dispersando suas sementes.

 As árvores exóticas ao contrário, não passaram por todo esse caminho e geralmente apresentam vantagens, como menor ataque de doenças por insetos e fungos, crescimento mais vigoroso, reprodução agressiva e invasão de formações vegetais naturais, competindo com as plantas locais e tomando o lugar delas, prejudicando a fauna e o ecossistema em diversos níveis, problemas muitas vezes não perceptíveis, pela falta de pesquisas e demora do processo.

 Oitenta por cento das árvores urbanas das cidades brasileiras são exóticas, isto é, de origem estrangeira, e o intrigante é que o Brasil apresenta a maior diversidade de árvores de todo o globo. Este paradoxo, fruto de nossa história e cultura reflete bem como tratamos aquilo que é nativo, nosso, sempre ou quase sempre definido como inferior. No caso das árvores, quase tudo é “mato” salvo raras exceções.

  A beleza estava (ou ainda está) sempre na grama do vizinho, mais verde aos olhos distorcidos dessa filosofia. As nossas árvores nativas, de tantas formas e cores, não puderam participar da vida urbana brasileira, e foram substituídas por outras mais “adiantadas” que representassem a “civilização”, “o progresso” como nas obras higienistas do começo do século passado.

   Para conferir os problemas advindos da questão, basta visitar os fragmentos de vegetação natural remanescentes na cidade, repletos de plantas estrangeiras no seu interior, que podem até  inviabilizar o fragmento, como o caso da palmeira-seafórtia, já descrito aqui.

  Não podemos privar uma cidade como São Paulo da beleza de suas inúmeras árvores nativas, como os cedros, araribás, canelas, cambucis, cabeludinhas, manacás e tantas outras.

Vamos plantar mais árvores nativas!

Ricardo Henrique Cardim

Associação dos Amigos das Árvores de São Paulo

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Sobre Ricardo Cardim

www.arvoresdesaopaulo.com.br
Esse post foi publicado em Árvores de São Paulo, Mata Atlântica, meio ambiente, Paisagem e marcado , , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

9 respostas para Porque defender que se plantem árvores nativas da cidade de São Paulo na arborização urbana?

  1. Raphael Paixão Branco Teixeira disse:

    Ola, estou trabalhando com aves de fragmentos florestais e tambem de perimetros urbanos ”e em verdade vos digo” precisamos unir forças ”se preciso um mutirão” para acabar com essa ?Mania? de propagar arvores exóticas na nossa cidade. Precisamos de arvores nativas, pois não só as aves mas todos os animais precisam de Abrigo, Alimento e etc, e essas arvores não contribuem de forma saudavel com o ambiente, e quase sempre devido a sua facil dispersão acabam ocupando o lugar das NOSSAS arvores!

    • Olá Raphael,
      realmente precisamos difundir mais essa questão, fundamental inclusive para a sobrevivência dos fragmentos florestais urbanos e sua fauna. Ainda é difícil, como por exemplo um engenheiro agrônomo que ao ver reportagens nossa defendendo as nativas insiste em querer me convencer e relutar dizendo ser as nativas “fragéis e incompatíveis” com a cidade. Como se na nossa imensa biodiversidade de Mata Atlântica não existissem mais de 200 espécies de árvores, com espécies adequadas a cada tipo de situação. Continuemos a luta!
      Abraços,
      Cardim

  2. Snake disse:

    Quando construiram a Av Rio Branco (RJ), plantaram várias mudar de Pau-Brasil, mas os estrangeiristas da época acreditaram que seria uma vergonha ter árvore da mata naquela que seria uma das localidades mais importantes da capital. Derrubaram tudo e colocaram umas espécies que hoje sofrem com o descaso das nossas sucessivas prefeituras.

    Antigamente havia uma secretária chamada “Parques e Jardins” e sempre via esses homens de verde cuidando das árvores e praças da cidade. Não existe mais. Hoje fazem podas tão mutiladoras que acabam matando a planta e, se não mata, melhor fosse, pois ela fica completamente inútil, apenas um poste com uma copa minguada. São poucos os pássaros, em comparação com antigamente. Morcegos, então, nem se fala! Não há meios para eles viveram entre nós.

    Numa cidade do interior do Rio, de nome Rio das Ostras, o prefeito da época, Alcebiades Sabino (ironicamente do PV), decretou morte a todas às árvores exóticas e mandou abaixo todas as amendoeiras da cidade (árvores muito antigas, algumas verdadeiros monumentos vivos), que eram a maioria, por assim dizer, seguida pela Flamboyant, em que alguns lugares foram plantadas de modo a fazer um degrade quando florissem. Ele ainda alegou num jornaleco local que o fez por não gostar de tais árvores, que preferia as nativas (algumas tbm foram abaixo).

    O argumento de não plantar uma exótica é válido, mas não deve ser usado para as que já existem e já estão mais do que consagradas no lugar. Hoje, mais do que nunca, não se deveria derrubar árvores, mas é o que mais se faz, mesmo com sol tórrido e calor doentio.

    • Ricardo Cardim disse:

      Snake,

      não se deve derrubar árvores adultas somente por serem exóticas, salvo exceções. O ideal, no meu ver, é intercalar mudas de nativas em arborizações antigas com exóticas de modo que no futuro naturalmente elas ocupem o lugar das estrangeiras, sem traumas na qualidade ambiental urbana, e no futuro melhorem o equilíbrio ecológico local, com atração da avifauna e manutenção da biodiversidade.

      att.
      Ricardo

  3. Ana Basaglia disse:

    ricardo, tão importante esse seu post…
    plantar árvores nativas nas nossas calçadas é uma questão de CIDADANIA. repeito por nossa história, por nosso passado, por nosso futuro!
    vamos plantar mais árvores nativas sim!
    [e eu estou esperando até hoje que a regional venha plantar alguma árvore nativa na minha calçada… lembra?]
    abs
    ana

    • Ricardo Cardim disse:

      Olá Ana, obrigado! Por que vc mesmo não compra a muda e planta com outras pessoas? é um trabalho terapeutico e tem outro sabor depois acompanhar uma árvore plantada por vc!abs, Ricardo

    • Ana disse:

      Sobre plantar minha pp árvore: não vejo nenhum problema, claro!
      Só achava q fazia parte da organização de uma cidade ter essa opção ao alcance do cidadão, entende?
      E a regional me deu essa opção! Eu falei e solicitei formalmente essa árvore. E estou há meses esperando, sem nenhuma satisfação por parte da autoridade competente/responsável…
      Acho q faz parte de exercitar uma “boa” cidadania exigir q os serviços públicos funcionem a contento, antes de partir para uma ação individual…
      Mas essas são divagações minhas…! Daqui a pouco, de fato, vou plantar minha árvore nativa!
      Abs e parabéns pelo blog!
      Ana

    • Ricardo Cardim disse:

      Boa sorte Ana! abraços,

      Ricardo

  4. Edgar A.B.Prado disse:

    Eu sou uma pessoa q faço o reflorestamento de arvores nativas do estado de São Paulo, estamos reflorestando em algumas cidades da região, por ex. em campinas o plantio de nativas é de 25.000(mil arvores ), em Indaqiatuba fizemos um plantio de 700(arvores), em Nova Odessa o plantio é de 28.000(mil arvores), em Valinhois sera de 7.650(mil arvores).
    Gosto muito destes serviço que faço, pois sei que estou contribuindo para a melhora do nosso planeta, para as gerações futuras, e estou procurando melhorar o estrago que nossos antepassados fizeram no planeta, com o devastamento de nossas florestas.

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