Construções históricas contam como eram as árvores de São Paulo séculos atrás.

Barro e madeira. Esses eram os materiais disponíveis para construção usados pelos primeiros habitantes do Planalto de Piratininga. A dificuldade de transportes, a escassez de pedras e cal, levaram a adoção de métodos construtivos como a taipa, o barro socado entre duas tábuas, o pau-a-pique, com traves e pilares de madeira entremeados de barro, e a madeira, como opção para os telhados, janelas e tudo mais, disponíveis nas ainda abundantes matas da época.

Poucas são as construções dos primeiros séculos de colonização que chegaram aos tempos atuais. Temos, como exemplo, algumas casas do ciclo bandeirista, o Mosteiro da Luz, a Casa do Grito e Igrejas. Na maioria destas edificações ainda é possível encontrar materiais originais do tempo de sua construção e que resistiram a restaurações e ao próprio passar dos séculos.

A madeira, um material perecível, geralmente é atacada por cupins e fungos, típicos de nosso clima tropical, e apodrece, sobrando apenas alguns fragmentos, ou mais raramente, no caso de algumas espécies mais duráveis em condições ambientais propícias, continuam resistentes durante os anos.

A Botânica, pode, através de estudos macroscópicos e microscópicos, identificar as madeiras escolhidas pelos primeiros paulistanos para edificar suas casas e igrejas. Para isso, bastam alguns pequenos pedaços, e a Anatomia da Madeira, uma parte da Botânica, observa as estruturas presentes dentro da madeira como os vasos por onde a seiva passa, as fibras e outras características, que apresentam diferenças entre as famílias, gêneros e espécies de plantas. Os resultados permitem chegar muitas vezes até a espécie da árvore de onde foi tirada uma peça.

Com essa avaliação, em restaurações ou solicitação de estudos, o madeiramento presente na edificação, torna-se um importante documento histórico, respondendo a perguntas como quais eram as árvores presentes na região, se essas espécies ainda existem, e como eram as técnicas e critérios de escolha de madeiras usados pelos construtores. Todos esses dados ajudam a entender melhor a história da vegetação da cidade e podem ser usados na arborização urbana atual.

 

Ricardo Henrique Cardim

Associação dos Amigos das Árvores de São Paulo

casa do século 17

parede de pau-a-pique e madeiras

Imagem aumentada de uma madeira histórica com os vasos (grandes vazios de cor branco redondos) e fibras (pequenas células entre os vasos)

 

Sobre Ricardo Cardim

www.arvoresdesaopaulo.com.br
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