O paisagismo “importado” dos jardins paulistanos

 

 

Ao passarmos os olhos nas ruas da cidade percebemos, principalmente nos bairros de maior poder aquisitivo, as inúmeras construções novas fruto do último “boom” imobiliário, principalmente de prédios e condomínios fechados. Logo no muro, geralmente existe um esbelto arbusto que, enfileirados um ao lado do outro, o cobrem na maior parte, com um verde-escuro intenso no seu interior e claro nas pontas.

Esse “arbusto”, que na verdade é uma árvore colocada nesta condição pelos jardineiros e paisagistas, é comumente conhecido no mercado como “podocarpo” ou “pinheiro-de-buda” (Podocarpus macrophyllus), originário do Japão e China. No Brasil temos duas espécies da mesma família deste, o Podocarpus sellowii e o Podocarpus lambertii, conhecidos popularmente como “pinheiro-bravo” e muito semelhantes a espécie importada. Porém estes dois seguem esquecidos nos seus redutos de origem, chamados de “mato” e nunca “ornamentais”.

Esse exemplo é somente um, no verdadeiro jardim de plantas de origem estrangeira que é São Paulo. Quase nada significa a nossa riqueza botânica e suas inúmeras plantas fantásticas e belas, com biomas como a Mata Atlântica, cerrados e outros. A pergunta é: porque será que os profissionais das áreas verdes na cidade em sua maioria preferem as espécies estrangeiras em suas composições e viveiros com tanta biodiversidade nativa disponível?

Precisamos urgente uma “Semana de 22” para as nossas praças e jardins.

Ricardo Henrique Cardim

Associação dos Amigos das Árvores de São paulo

Sobre Ricardo Cardim

www.arvoresdesaopaulo.com.br
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6 respostas para O paisagismo “importado” dos jardins paulistanos

  1. Tatiana Meyer disse:

    Ricardo
    Primeiramente, parabéns pelos textos! Peço permissão para colocar o link do seu blog na minha página.
    Sou paisagista e em relação ao podocarpo penso da mesma forma. Em meus projetos procuro optar por nativas, porém esbarro na falta de oferta por parte dos produtores. Infelizmente ficamos na mão dos modismos. Não sei bem onde isso começa, se na produção ou na demanda. O pingo-de-ouro, a moréia, a murta e o ficus, como já foi dito por aqui, são exemplos disso. A cidade sofre uma verdadeira invasão dessas espécies que tem grande oferta e bom preço e as espécies nativas acabam sendo deixadas de lado por esses motivos. É uma pena.
    Um abraço
    Tatiana Meyer

  2. O pinheiro-bravo (Pinus pinaster) é uma espécie de pinheiro originária do Velho Mundo, mais precisamente da região da Europa e Mediterrâneo.

    Não me venha com churumelas.

    • Ricardo Cardim disse:

      Caro pior sorvete do mundo

      nomes populares podem designar várias espécies, essa no caso é o Podocarpous macrophyllus…

  3. Luciana Adelmann disse:

    Caro Ricardo, existe um componente de mercado que não podemos ignorar quando especificamos as espécies as serem utilizadas em projetos de paisagismo – oferta x qualidade de mudas no mercado.
    Eu sempre que possível tento utilizar as nativas brasileiras, sou uma apaixonada e estudiosa de nossa mata nativa, mas pela terceira vez consecutiva tento comprar mudas de Erythrina speciosa ‘Andrews’ para compor uma cerca viva, não encontro disponível no mercado, e vou fornecer podocarpos para meu cliente.
    É muito fácil e simples achar que os problemas da sociedade se referem somente a um grupo de profissionais do mercado que não tem consciência, quando na verdade temos um grande defit de educação em todas as esferas da nossa sociedade.
    Não temos investimentos em pesquisas, que são necessárias para garantir competitividade de nossas ornamentais nativas, então não temos produção.
    Concordo contigo quando diz que devemos nos mobilizar, fazer encontros, discutir, é por aí mesmo, mas sair publicando que a culpa de estarmos usando exóticas no paisagismo brasileiro pertencem aos paisagistas, me poupe, realmente me indignei!
    E sim, sim, há centenas de anos os paisagistas do mundo utilizam podas de formação para compor espaços com espécies que se adaptam a esse fim. Os orientais fazem bonsais há milhares de anos. É um instrumento de trabalho nosso!

    • Luciana, não concordo e também me indigno com seu pensamento. O mercado de paisagismo é hoje enorme e milionário no Brasil, bastam as nativas entrarem na “moda” com os profissionais para termos situações vitoriosas como a produção de bromélias nativas em alta tecnologia como são hoje. Há 15 anos atrás, bromélia só na beira de estrada e catada!!! Falta estudo e vontade!

  4. Odorico disse:

    Acho que é mesmo uma questão de oferta e preços, melhor que utilizar a murta – hospedeira de bactéria que ataca pomares e que é vendida as pencas. Existem outras espécies para cercas vivas urbanas, mas o podocarpus não exige tanto trato e com podas oferece um efeito interessante, mas sugiro que sua preocupação se estenda também a sugestão de que espécies os paisgistas poderiam trabalhar é só ir na Feira de Flores do Ceasa e observar o que é ofertado.

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