Árvores derrubadas no rodoanel ajudam a pesquisar mudanças climáticas em São Paulo

Estes tênues anéis visíveis na madeira dourada do cedro (Cedrela fissillis) recém-cortado, na fotografia acima, conservam muitas informações relevantes do ambiente onde a árvore está inserida, sendo como um CD com uma enorme gama de dados.

Esses anéis chamam-se anéis de crescimento, e os desta espécie tropical são de grande utilidade para a ciência, por representarem cada um a estação de crescimento da planta durante um ano, regulado geralmente pela disponibilidade de água, que representa uma sazonalidade, isto é, alternância entre uma estação anual seca e uma chuvosa, diferentemente dos locais frios, onde a temperatura é que determina o crescimento.

Ainda existe a idéia de que as árvores dos trópicos não tem os anéis anuais, mas pesquisas científicas rigorosas usando de tratamento matemáticos comprovaram a anualidade de algumas espécies tropicais, dentre elas, o cedro.

Com a interpretação destas informações é possível saber a idade, taxa de crescimento, e o clima durante a vida de uma árvore ou de um grupo delas, e essa ciência chama-se Dendrocronologia. Em tempos de preocupação mundial com as mudanças climáticas, os anéis de crescimento vem nos ajudando a verificar como estas alterações estão ocorrendo, mostrando dados de temperatura e pluviosidade durante sua vida, fazendo o mesmo papel que as amostras de gelo estudadas na Antártica, com a diferença de que as árvores apresentam antiguidade menor que o gelo usualmente.

No final de 2007, parte dos cedros derrubados para a construção do rodoanel em São Paulo tiveram amostras resgatadas para a xiloteca do Departamento de Botânica da USP, que serão estudadas e possivelmente resultarão em informações valiosas sobre o clima da cidade e as mudanças ocorridas nas últimas décadas, e auxiliarão na previsão de um panorama futuro para a cidade.

Ricardo Henrique Cardim

Associação dos Amigos das Árvores de São Paulo

disco do tronco resgatado para pesquisas

Sobre Ricardo Cardim

www.arvoresdesaopaulo.com.br
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2 respostas para Árvores derrubadas no rodoanel ajudam a pesquisar mudanças climáticas em São Paulo

  1. Rodrigo disse:

    O clima de São Paulo mudou muito, principalmente no século XX com a expansão da cidade e a falta de verde pela cidade, documentos antigos, de viajantes e jornais, nos mostram neve acontecendo em média a cada 10 anos na cidade, grande geadas era freqüentes no inverno, há relatos de que as pessoas usavam agasalhos até mesmo em fevereiro, o padre Anchieta nos relata em documentos, geadas capazes de congelar a superficie dos rios, peixes migrando para o interior para fugir das águas frias do inverno, nos dias de hoje existe uma grande diferença entre São Paulo e as cidades vizinhas mesmo, no centro de São Paulo, ano passado, a menor temperatura foi de 7°C, aqui em Vargem Grande Paulista foi de -1°C (conheço gente que mora em caieras que registrou quase -3°C), efeito das ilhas de calor urbanas e da falta de uma cobertura maior de áreas verdes.

    • Ricardo Cardim disse:

      Rodrigo,

      é isso mesmo. Muito obrigado pelas informações enriquecedoras. E se ainda pensarmos em possíveis aumentos de 2 °C para as próximas décadas o clima em São Paulo não será fácil para nós sem mais verde.

      abraços
      Ricardo

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