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Ela é a árvore mais comum na arborização urbana paulistana e símbolo de alguns bairros da cidade. Trata-se da tipuana (Tipuana tipu - Família Leguminosae), que enfeita o começo da primavera com suas pequenas flores amarelo-ouro no topo de seus galhos.
Colorindo o concreto com um espesso tapete de pétalas, locais como os Jardins e a Cidade Universitária ganham uma paisagem diferente nessa época do ano, quebrando o persistente cinza do nosso cotidiano.
As tipuanas de São Paulo estão em sua maioria no final da vida, já são “velhinhas”, foram plantadas antes dos anos 1950, principalmente pela Cia. City, que criou os bairros-jardins, como Pacaembú, Jardim Europa, Alto de Pinheiros e outros. Originárias da Bolívia, alcançam grande porte e densa folhagem por aqui, formando as ruas mais verdes da Capital. Exemplos são a Avenida República do Líbano e Alameda Santos, com exemplares muito antigos.
O seu plantio hoje não é mais recomendado, devido ao seu grande porte, madeira frágil e susceptível à cupins, sendo substituída gradativamente por espécies nativas pela Prefeitura. Entretanto, não há como negar que ela já é uma das “caras” de São Paulo.
Ricardo Henrique Cardim
A nêspera ou ameixa-amarela (Eriobotrya japonica família Rosaceae) é uma árvore frutífera que se tornou muito comum na cidade de São Paulo. Difícil é o bairro que não a tenha na arborização urbana, principalmente nas praças e parques, onde são queridas pelos paulistanos amigos das árvores.
Na gravura chinesa acima, do século XIII – XIV, exposta em um catálogo da Christie’s de Nova Iorque de 1998, pássaros pousam em um galho carregado de frutos amarelos, mostrando como é antiga a apreciação dos povos orientais pela árvore.
Trazida para o Brasil pelos imigrantes japoneses no começo do século passado, rapidamente seus frutos doces e azedos caíram no gosto dos pássaros paulistanos, que trataram de espalhar as sementes por todos os lugares.
O resultado é a presença maciça da espécie na metrópole, até em lugares improváveis, como na fresta do concreto dessa ponte sobre o Rio Pinheiros a muitos metros de altura, na foto abaixo.
Ricardo Henrique Cardim
Uma amostra de como São Paulo tem de tudo. Em plena calçada de uma rua movimentada, alguém resolveu fazer ali a sua plantação de jacas. Muito bem-cuidadas, as jacas estão devidamente cercadas e protegidas de outros apreciadores.
A jaqueira (Artocarpus heterophyllus família Moraceae), uma árvore originária do sudeste asiático, é difícil de ser encontrada na cidade. No Rio de Janeiro ela faz parte da paisagem e foi até usada no reflorestamento da Floresta da Tijuca no século XIX, virando assim uma quase carioca .
Seu plantio na calçada é no mínimo arriscado, podendo causar obviamente acidentes graves…
Ricardo Henrique Cardim
Aproveitando o domingo de sol, plantamos duas árvores da flora paulistana ameaçadas de extinção. O local escolhido foi a calçada do bairro de Pinheiros. O cambuci (Campomanesia phaea) e o cambucá (Marlierea edulis) são duas espécies de árvores frutíferas nativas da nossa Mata Atlântica outrora muito abundantes nos pomares do século XIX e florestas. Pertencem à família Myrtaceae, a mesma da goiabeira, jaboticabeira e pitangueira.
Em São Paulo as duas praticamente não mais existem. Só conheço dois lugares para ver o cambucá – o velho pomar da fazenda de Affonso Sardinha no Pico do Jaraguá e o da casa de direção do Butantã. Já o cambuci, no Jardim Botânico e no Largo do Cambuci. Plantar árvores em praças, parques, alças de acesso é importante, mas muito mais conectado e benéfico para a população e a cidade é o plantio nas calçadas.
Ricardo Henrique Cardim
A cena acima está cada vez mais comum em nossa cidade de São Paulo. Infelizmente. A verticalização desenfreada, que atende mais aos interesses de poucos em detrimento do coletivo, só tem aumentado nos últimos anos.
Para a arborização da cidade, esse fato é especialmente terrível, considerando que árvores de porte em terrenos particulares, adultas, nascidas em uma época onde a cidade era mais verde e horizontal, são cada vez mais raras. Muitas inclusive são nativas da Mata Atlântica paulistana e guardam importante material genético.
Um ótimo exemplo é o terreno da antiga mansão da família Matarazzo, esquina da Avenida Paulista com a Pamplona, onde em breve teremos mais um shopping (para que mais um??). Ali em um dos cartões-postais de São Paulo, depois da derrubada ilegal da casa há duas décadas, existe uma profusão de velhas árvores nativas da floresta paulistana que hoje sombreiam os carros do estacionamento lá instalado.
As paulistanas da gema - canelas, tapiás, jerivás e embaúbas convivem com antigas árvores remanescentes dos jardins de época, início do século XX, como a grande laranjeira na guarita da Paulista, que há algumas semanas atrás espalhava seu raro perfume nas calçadas da avenida.
Até quando?

Grandes árvores no terreno da mansão Matarazzo esperando a chegada de mais um shopping, com mais carros, sombra, consumismo...
Ricardo Henrique Cardim
Os jacarandás-mimosos estão intensamente floridos nesse começo de primavera nas ruas de São Paulo. Outrora mais abundantes na cidade, a ponto de em meados do século passado forrarem o asfalto de bairros inteiros com suas flores arroxeadas, hoje são resquícios. Restos de antigas arborizações, com exemplares sobreviventes isolados de idade avançada.
Lembro-me de uma história com meu avô paterno, morador da Alameda Campinas, que há mais de 40 anos atrás escorregou no tapete roxo das flores dos jacarandás que arborizavam aquela rua quando chegava em casa (hoje não mais existentes) e quebrou a perna(!). Percalços da necessária qualidade de vida na metrópole…
A boa notícia é que estão plantando muitas novas árvores, praticamente iguais ao jacarandá-mimoso, e do mesmo gênero – a caroba (Jacaranda macrantha) que é nativa, uma vez que o jacarandá-mimoso (Jacaranda mimosaefolia) é argentino. Assim a tradição paulistana poderá se manter, e agora com equilíbrio ecológico.
Ricardo Henrique Cardim
Uma confusão típica é entre pinheiro, araucária e pinus. Pinheiro é nome popular genérico dado a essas espécies de Gimnospermas (plantas sem frutos e flores). Mas entre a araucária (Araucaria angustifolia) e o pinus (Pinus Elliottii) existe uma grande diferença. Além das famílias, tem origem em locais diferentes.
Originário da América Central, o pinus foi, apartir do final da década de 1960, plantado intensamente no Brasil estimulado por políticas governamentais de incentivos fiscais. Sua finalidade foi e é principalmente a produção de madeira serrada. Um lado muito bom dele é a preservação de matas nativas quando seu plantio é feito de forma sustentável, fornecendo madeira. O lado ruim é se propagar de forma agressiva e invasora das vegetações naturais com sua sementes aladas “voadoras”.
Já a araucária, paulistana nata, precisa voltar a cidade, principalmente em nossos parques e praças. O pinus não é uma espécie para se plantar, a não ser para produção de madeira.
Um fato interessante do pinus, é que até pouco tempo atrás suas mudas eram comumente distribuídas em eventos com fachada de “verde”, como aqueles infelizes pintinhos de algumas feiras de animais. Nada mais insustentável. Com isso, encontramos muitos exemplares adultos no meio da metrópole, principalmente em quintais (os que sobraram).
Ricardo Henrique Cardim
No próximo dia 21 iremos plantar uma árvore rara na cidade de São Paulo em comemoração ao dia da árvore. Pretendemos fazer isso de uma forma conectada, como tentamos imprimir nos Amigos das Árvores de São Paulo.
Em 2007 coletou-se as sementes de uma antiga peroba (Aspidosperma sp.) da Mata Atlântica original do Município, remanescente (até quando?) em um terreno particular no Morumbi, Zona Sul de São Paulo, outrora florestado. Suas sementes, pouco férteis, permitiram a formação de uma única muda que a certo custo cresceu e hoje está pronta para continuar a aventura empreendida por sua mãe, de sobreviver na metrópole.
Com quase três anos de idade, essa muda representa a genética de uma bem-formada árvore genuinamente paulistana, adaptada milenarmente às condições do terreno original da cidade. Seus parentes já estavam aqui muito antes de nós. A sua raridade atual se deve a ser considerada madeira de lei, o que levou ao quase extermínio da espécie no decorrer dos séculos e seu sumiço mesmo nas atuais florestas paulistanas. Para saber mais: clique aqui
É urgente resgatarmos as árvores nativas das matas paulistanas que podem servir de matrizes a novas mudas para melhorar nossa condição ambiental urbana e equilíbrio ecológico tão necessários em São Paulo. Para esta e as futuras gerações.
Ricardo Henrique Cardim
Hoje é comum encontrar em praças e parques de São Paulo muitas árvores sem seus galhos menores, com uma poda agressiva. Essas plantas geralmente estão assim devido a terem sido transplantadas de um outro local, e o processo exige essa redução da copa.
As fotografias acima apresentam dois casos típicos – a transplantada que sobrevive no seu novo lar, e a morta (infelizmente a mais comum). Árvores adultas, mesmo sendo retiradas de seu local original com metodologia adequada, correm grande risco de morrer pelo enorme trauma sofrido. É um ato que deve ser evitado a todo o custo.
O problema é que nos últimos anos se vê cada vez mais ‘troncos” como esses das fotos pela Cidade. Maior consciência ecológica? Sim, mas não é só isso. Trata-se de um termômetro de como o verde está sendo empurrado de dentro da malha urbana e expulso a locais cada vez mais restritos, formando verdadeiros “campos de concentrações” de árvores.
Carros e lançamentos imobiliários. Esses são os responsáveis pelo sumiço e despejo de muitas áreas verdes da Metrópole. Ampliação das marginais, casas com grandes quintais verdes que viram condomínios fechados com jardins de arbustos em cima de garagens, cidadãos inimigos das árvores que pedem remoção da sua calçada, fazem, silenciosamente, São Paulo cada vez mais cinza e sem qualidade de vida.
Por isso, quando passar por esses palitos gigantes, lembre-se que uma área verde deixou de existir na Cidade para aquela árvore estar em seu novo ambiente. Menos bem-estar para essa e as próximas gerações.
Ricardo Henrique Cardim
Recebemos muitos e-mails de leitores nos perguntando como diferenciar as mudas de diferentes palmeiras quando elas ainda estão pequenas, principalmente no chão da floresta. Como na cidade de São Paulo nós encontramos normalmente três espécies de palmeiras dentro das matas residuais da malha urbana, fotografei essas mudinhas a fim de ajudar na identificação. A principal diferença é na primeira folha lançada pela plântula. As paulistanas nativas jerivá (Syagrus romazoffiana), tem apenas uma folha inteiriça, o palmito-jussara (Euterpe edulis) a divide em 6 partes, enquanto a australiana e invasora seafórtia (Arconthophoenix cunninghamii) a divide em dois.
O doce perfume de laranjeiras floridas ao fim do dia e começo da noite era algo corriqueiro na cidade de São Paulo de outrora. Quintais e pomares caseiros sempre tinham alguma laranjeira entre suas árvores frutíferas. Até Anchieta, fundador de São Paulo, as trouxe de Portugal e as cultivava na sua “cerca” há mais de 450 anos trás.
Hoje, quantos são os paulistanos adultos que conhecem um pé de laranja na Metrópole? E crianças? Aposto que muitas não sabem sequer que laranjas vem de árvores…O delicioso perfume da floração não faz mais parte de nosso cotidiano. Infelizmente.
Embora raríssima, ainda existe um lugar dentro de São Paulo para apreciar tão bom perfume – é o Instituto Biológico, na Vila Mariana, onde dentro de seu extenso quintal, tão grande que até um cafezal há, algumas velhas laranjeiras sobrevivem e cobrem a copa de flores muito brancas.
Para conhecer:
Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 1.252 – Vila Mariana – SP
Ricardo Henrique Cardim
É inacreditável observar como existem pessoas capazes do ato acima vivendo em pleno século 21. A colaboradora Luciana Vilaça de Azevedo nos enviou a denúncia sobre os atos de vandalismo que estão ocorrendo na Rua General Sócrates, altura do número 211, no bairro da Penha, Zona Leste de São Paulo. Seu relato - ”Há cerca de 20 dias eu passando por esta rua observei que esta árvore havia sido ferida creio que gravemente, algum maníaco retirou uma parte da casca (mais ou menos a 1,5 metro do chão) e estacou a mesma com dois pedaços de ferro cruzados. Existe também um buraco com outro ferro enganchado. Ontem observei a árvore e me parece que jogaram óleo de motor dentro desse buraco.”
A retirada da casca em volta da árvore é um método usual por vândalos desse tipo, o “anel de malpigh” mata a árvore em pé pela interrupção no fluxo de seiva do floema, e na tentativa de aprimorar o assassinato ainda fez furos no lenho para introduzir material venenoso.
A árvore em questão é um chapéu-de-sol adulto, que com sua ampla copa presta serviços ambientais relevantes a toda a população de um bairro carente de verde. Possivelmente, o criminoso autor de tal vandalismo, se sente no direito de suprimir algo que é benefício de todos em prol de algum mesquinho motivo particular. Depois ainda quer parar o carro na sombra da árvore do vizinho…
Ricardo Henrique Cardim
Andando ontem pelo Vale do Anhangabaú, me deparei com uma cena inusitada – um pé de mamão adulto e carregado de frutos – em pleno centro da maior cidade brasileira. A cena na verdade é mais comum do que se parece em São Paulo. Muitos paulistanos, mesmo como homens urbanos por natureza, mantém ainda um “pé” na roça.
A prova são as inúmeras árvores frutíferas plantadas por toda a Cidade, formando um verdadeiro pomar urbano. Quem as planta não é o Poder Público, que não as recomenda, salvo casos espécificos, mas a população. O ato de guardar as sementes da fruta que acabou-se de comer, colocá-la em uma lata com terra, vasinho, formar a mudinha e depois a plantá-la na calçada em frente ou praça próxima, acabou contribuindo para respeitável parte do nosso verde hoje.
As fruteiras plantadas no últimos 50 anos refletem exatamente o gosto da alimentação atual, como o mamão, limão, laranja, manga e abacate, diferente daquelas de outros tempos, a grumixama, marmeleiro, cabeludinha, cambuci, jabuticaba.
Na falta de um belo quintal ou sítio , como nossos antepassados tinham para plantar as árvores queridas por alguma razão, o homem urbano atual continuou a exercer o seu gosto da “roça” em nichos em meio ao concreto e asfalto, seja nas calçadas ou praças. Pedaços do mato na cidade.
Ricardo Henrique Cardim
Essa bela árvore acima acredito ser a árvore nativa de maior importância histórica durante os nossos quatro séculos de urbanização. Mas qual a razão? Quando a cidade de São Paulo ainda era restrita à colina entre os rios Tamanduateí e Anhangabaú e suas casas construídas de barro socado, a taipa-de-pilão, essa planta fornecia a madeira mais querida pelos colonizadores.
Resistente, durável e bonita, o cerne escuro da canela-preta (Ocotea catharinensis) foi o preferido para as vigas, caibros e tábuas pelos primeiros moradores e existia em profusão nas florestas paulistanas. Grande parte das raras casas rurais coloniais da Cidade ainda existentes como a Casa Bandeirista do Butantã, a Casa do Tatuapé e o Sítio Morrinhos tem ou teve a árvore no seu madeiramento.
Hoje muito rara na Cidade, está restrita a poucas florestas urbanas como a Serra da Cantareira, e é uma espécie presente na Lista Oficial de Espécies da Flora Brasileira Ameaçada de Extinção do IBAMA. É uma árvore que precisa ser mais plantada, tanto pelo seu importante aspecto histórico-cultural, quanto por sua beleza e indicação para áreas urbanas. Plantei uma no final de 2007 nos jardins da Faculdade de Odontologia da USP junto com muitas outras espécies nativas, e ela se adaptou muito bem à condição urbana.
Ricardo Henrique Cardim
Várias jabuticabeiras na Metrópole já estão densamente floridas esse mês. Algumas até apresentam frutos precoces, inclusive maduros. Daqui há poucos meses vai ter muita árvore carregada de frutos nos nossos parques para serem disputados pelos apreciadores.
Para quem não tem uma jabuticabeira no quintal (acredito que como eu, a maioria dos paulistanos) a dica é ir por volta de setembro ao Butantã, Ibirapuera e Pico do Jaraguá, onde ainda existem grandes pomares com a espécie.
Ricardo Henrique Cardim
Embora a presença de árvores nas cidades seja fundamental para a qualidade de vida, como todo ser vivo, elas possuem uma durabilidade e são susceptíveis a pragas e doenças em seu ciclo de vida. Pragas como os cupins, tão comuns na metrópole paulistana, podem provocar a queda da planta por perda de sustentação.
Esse jacarandá-mimoso (Jacaranda mimosaefolia) adulto da fotografia acima, uma árvore de origem argentina de madeira mole e apreciada por cupins, não resistiu ao ninho no seu tronco e caiu ontem na Cidade Universitária, sem qualquer vento, em cima de dois carros. Por sorte, ninguém se machucou.
Vale lembrar que além de plantar também é muito importante a inspeção da fitosanidade em árvores habitantes nas cidades, já que é um ser dinâmico e precisa ser acompanhado profissionalmente, a fim de que possa executar seus serviços ambientais urbanos e só gerar benefícios à todos.
Ricardo Henrique Cardim
English translator for the #38 Festival of the Trees:
Fall of the urban trees and the termoids in São Paulo City, Brazil.
Although the presence of trees in the cities is fundamental to life welfare, like ever human being they have a life spam and are susceptible to plagues and sicknesses in their life cycle. Plagues such as termoids, so common in São Paulo city, can cause the fall of the plants because the lost of their sustentability.
This adult “Jacarandá mimoso” at the photo above, a soft Argentinian wood tree and appreciated by termoids, did not hold the nest on its trunk and fell yesterday at University city, without any wind. The tree fell on the top of two cars – luckly, no one got hurt.
It is good to remember that besides planting, it is also very important the inspection of the trees health that live in the cities, once they are dynamic beings and need to be proffessionally kept, to do their enviromental services and just offer benefits to everybody.
Ricardo Henrique Cardim
Embora seja uma árvore não indicada para se plantar em cidades devido ao seu grande porte e facilidade de queda de galhos, o eucalipto (Eucalyptus sp) aparece frequentemente na Metrópole, principalmente em praças e parques. A razão disso é geralmente histórica, com velhos exemplares remanescentes da pré-urbanização, como antigas chácaras ou resquícios rurais. O Parque do Ibirapuera, por exemplo, teve o eucaliptal plantado para “secar” seus brejos no começo do século XX.
Já foi usado na arborização urbana paulistana no final do século XIX pelo Prefeito Antônio Prado e seu encarregado Arthur Etzel graças ao rápido crescimento. Em1993, o Prefeito Paulo Maluf teve a absurda idéia de plantar milhares de mudas de eucaliptos nas áreas verdes urbanas (coincidentemente ele tinha um grande viveiro dessas árvores em sua empresa, a Eucatex) que foi logicamente rechaçada.
Originário da Austrália, teve seu plantio disseminado por Navarro de Andrade no começo do século passado para suprir de lenha as locomotivas. Entretanto, ainda é mal visto por alguns. Exagero. Quando praticada de modo sustentável, é uma cultura agrícola importante para satisfazer nossas necessidades de celulose e madeira e evita o corte de mais matas nativas. A velha história que arruína o solo, não é verdade se os cuidados necessários forem tomados, basta para isso ver a Fazenda Melhoramentos em Caieiras, que o planta há mais de 80 anos.
Agora, em áreas de preservação ambiental como beiras de rios substituindo as árvores nativas ou na malha urbana, ele não pode e nem deve ser plantado.
Ricardo Henrique Cardim
Quarta-feira passada, na noite antes do feriadão, São Paulo teve seu maior recorde de congestionamento: quase 300 quilômetros! Ontem na televisão, dezenas de chamadas publicitárias dos feirões para venda de automóveis novos de todas as marcas que irão ocorrer nesse final de semana. Centenas de árvores adultas estão sendo cortadas agora em uma das áreas mais áridas e cinzas da Metrópole, a marginal Tietê. Tudo relacionado.
Até quando vamos ampliar as avenidas e ruas na Cidade para comportar mais e mais automóveis? De onde sairá o espaço para isso? A resposta dada pelo Poder Público é óbvia – das áreas verdes urbanas, claro! Afinal, árvores não gritam e nem entram na justiça, só ficam lá quietas, à espera da moto-serra…é bem mais fácil e barato do que desapropriar terrenos construídos. E perdemos mais da já escassa qualidade de vida aqui dentro.
Com a ampliação das marginais Tietê, cerca de 228 mil m² não receberão mais a luz do sol e nem a água da chuva, estarão sepultos para sempre por espessa camada de asfalto. As árvores plantadas há dois anos nas margens do Tietê também desaparecerão, além de várias figueiras, paineiras, ipês e tipuanas adultas dos canteiros centrais. Não vai ser fácil, depois da obra pronta, ficar parado no trânsito da marginal em pleno sol, sem essas árvores para dimuir o calor, melhorar o microclima e a paisagem.
E o trânsito vai voltar nas novas marginais, mesmo com as obras, é só uma questão de (pouco) tempo, com o número de carros novos que entram nas ruas paulistanas todos os dias.
Velha fórmula: para problemas do século 21, soluções do século 20.
Veja o vídeo de André Pasqualini com a derrubada noturna das árvores da foto acima:
http://www.youtube.com/watch?v=ZJglfUILR5k
Assine também o manifesto do IAB para lutarmos a favor da qualidade de vida em São Paulo:
http://www.iabsp.org.br/noticias.asp?nota=1057
Ricardo Henrique Cardim
Na última terça-feira, 2, os Amigos das Árvores e o projeto Árvores Vivas realizaram uma ação de educação e sensibilização sobre as árvores e a arborização da cidade de São Paulo. Começamos com uma exposição do acervo de elementos recolhidos das árvores, seguida de palestras de Juliana Gatti e Ricardo Cardim. Na sequência fizemos uma caminhada no entorno da unidade reconhecendo as árvores e vegetações.
Agradecemos à todos que compareceram, ao Luciano Ogura, e a equipe do SENAC Santa Cecília - em especial a Fátima Vilela.
Uma árvore não muito apreciada pelas pessoas, mas muito querida pelos animais e insetos, assim pode ser definida a embaúba (Cecropia sp.). Seu formato diferente, até bizarro, é inconfundível. E nas florestas brasileiras mostra-se presente em diversos tipos de vegetação. Nativa da Mata Atlântica paulistana, ela pode ser considerada uma árvore símbolo, de tão comum em alguns lugares.
Sua ampla distribuição é devido ao apreço da fauna por seus frutos, principalmente os morcegos e pássaros, que depois de digeri-los, espalham as sementes por todos os cantos, até em cima de telhados e frestas de muros. O bicho-preguiça tem nas suas folhas o prato principal.
Com grande diversidade de espécies, em algumas seu tronco abriga formigas, que a defendem de invasores e são alimentadas em troca pela planta. Não são poucos os “lenhadores” que ao dar a primeira batida com o machado no tronco receberam uma dolorosa chuva de pequenas (e ardidas) formigas vermelhas.
Acredito ser uma árvore interessante para plantar em calçadas estreitas, conheço alguns exemplares na cidade e nunca os vi derrubar grandes galhos depois das tempestades, além de suas folhas serem facilmente removidas. Mas sua principal contribuição é o equilíbrio ecológico urbano com a atração da fauna, além de embelezar a cidade com uma estética bem tropical.
Ricardo Henrique Cardim

Os vários troncos da figueira-das-lágrimas ao centro e, na extrema direita, uma ficus plantada recentemente. Ricardo Cardim
Com o céu azul do mês de abril, resolvi finalmente conhecer a histórica figueira-das-lágrimas situada nos limites de São Paulo, perto da via Anchieta. Chegar lá não é fácil para quem não conhece, e se passar rápido corre o risco de não a vê-la. Escondida atrás de um muro gradeado de aspecto antigo, ela continua lá, lutando.
Seus inúmeros troncos apresentam marcas de uma história mais que secular, com restos ainda de cascas da antiga copa da árvore que caiu na década de 1970 e continuou a brotar até formar uma nova árvore. Seu nome vem devido a ser ali, onde ela está, o antigo limite da Cidade para a despedida dos entes queridos que seguiam pela estrada de terra de Santos até porto, como os militares na Guerra do Paraguai (1865-1870) e os estudantes da Academia de Direito no século XIX.
O viajante Emilio Zaluhar, no seu livro Peregrinação pela Província de São Paulo, de 1862, conta: “Pouco mais adiante do Ipiranga encontra-se uma belíssima figueira brava, cujos galhos bracejando em sanefas de verdura, formam um bonito dossel em toda a largura da estrada (“Caminho do Mar”). É este o sítio das despedidas saudosas. Aqui vêm abraçar-se, e jurar eterna amizade, aqueles que se separam para, em opostas direções da estrada, seguirem depois, e quantas vezes na vida, um caminho e um destino também diverso.”
Na literatura, internet e na própria placa embaixo da planta dizem ser uma Ficus microcarpa, conhecido como Figueira-benjamina ou outra espécie, a Ficus benjamina, a popular “ficus”, ambas da Ásia. Mas vendo de perto suas folhas posso assegurar que a identificação está equivocada, na verdade é uma figueira-brava, como Zaluhar afirmou, e nativa das matas paulistanas. Trata-se provavelmente de uma Ficus gomelleira, espécie de crescimento lento e longeva.
Perto dela foi plantada uma ficus estrangeira (Ficus benjamina), que hoje faz companhia à anciã e confunde quem passa em uma só massa verde. Para visitar: Estrada das Lágrimas entre os números 515 e 530, Ipiranga.
Ricardo Henrique Cardim
As cidades, como estruturas artificiais que são, tendem a repelir a árvore fora de seus domínios, e em São Paulo isso não é diferente. Nossa cidade atualmente tem verde, mas muito mal distribuído, sendo na verdade algumas “manchas verdes” concentradas em parques e bairros privilegiados, ou quando fora deles, em áreas de difícil acesso para os pedestres e aproveitamento urbano, como as alças de acesso e espaçosos canteiros centrais em avenidas movimentadas.
Plantar árvores em locais não usados por pedestres tornou-se a ação mais comum, benéfica é verdade, por melhorar a qualidade de vida urbana, mas também desconectada, já que não exerce efeitos diretos nas calçadas, local onde as pessoas trafegam e mais precisam dos fatores amortecedores das árvores, como sombra, diminuição de barulhos, umidade do ar, entre outros. Porque?
A resposta é simples: Plantar árvores em lugares isolados da cidade aumenta muito mais a chance de sucesso no “pegamento” da muda, é mais fácil. Não precisa, como nas calçadas, de educação ambiental da comunidade de entorno para evitar vandalismo, convencimento de comerciantes e camêlos sobre a sombra nos seus comércios, verificar os encanamentos e estruturas debaixo da calçada, os postes cheios de fios logo acima, cerca de proteção para não depenarem suas folhas…a lista é longa.
Porém, a calçada é que precisa de árvores, ali é onde se vive o cotidiano. Uma rua arborizada é um convite a ir a pé ao trabalho, à convivência, à uma Cidade mais habitável. O desafio tem que ser encarado por todos aqueles que plantam árvores em São Paulo, uma árvore na calçada dá mais trabalho, mas vale por várias que não tem sua sombra aproveitada.
Ricardo Henrique Cardim
Todo outono em São Paulo tem a coloração rosa e branca das paineiras (Ceiba sp) plantadas pela Cidade. Nas marginais Tietê e Pinheiros elas são muito comuns nos canteiros centrais e descansam a vista daqueles que enfrentam o trânsito de todo dia. Se reparamos, a maioria das árvores da espécie existentes são plantas grandes, adultas, algumas com idade até bem avançada, isso se deve a suas avantajadas dimensões e madeira frágil, o que não a torna aconselhável para calçadas e locais de muitos pedestres ou edificações próximas, e seu plantio na Metrópole vem diminuindo. Fato necessário, mas uma pena…
Ricardo Henrique Cardim
Raros são os privilegiados conhecedores dessa frutinha aparentemente sem-graça. Quem já provou, sabe que por trás da aparência insípida existe um sabor doce intenso, parecido até com “pipoca-doce” segundo alguns. A calabura (Muntingia calabura), produtora do fruto, é uma árvore originária da América Central, e relativamente comum na metrópole. Plantada nas ruas e parques por cidadãos amigos do verde, ela acabou sendo mais espalhada pelos pássaros e morcegos, ainda seus principais consumidores.
A calabura só tem um porém: com muitas sementes dentro do fruto, que germinam rápido e em quantidade, ela tem grande potencial de se tornar mais uma invasora das nossas já tão invadidas florestas nativas urbanas. Em São Paulo, um bom lugar para experimentá-la é o Parque Villa-Lobos, na Zona Oeste, ali, árvores jovens e acessíveis estão atualmente carregadas de frutos esperando alguém colher.
Ricardo Henrique Cardim
Nas bancas de todo o Brasil o “Guia de Árvores do Brasil” publicado pela Editora Online em parceria de informações e fotografias com os Amigos das Árvores de São Paulo. A publicação traz 84 espécies nativas de diferentes biomas brasileiros, além de artigos e reportagens sobre árvores urbanas, educação ambiental, sustentabilidade, árvores e as mudanças climáticas, consumo consciente e mais.
Para ler nossos artigos e conhecer mais clique nos links abaixo:
Defensores das Árvores – Guia de Árvores do Brasil 2008
Ficus – Invasão silenciosa nas cidades – Artigo parte 1
Ficus – Invasão silenciosa nas cidades – Artigo parte 2
Árvores antigas revelam mudanças climáticas – artigo parte 1
Árvores antigas revelam mudanças climáticas – artigo parte 2
Lição de casa – contemple a natureza parte 1
Lição de casa – contemple a natureza parte 2
Árvores do Brasil – Guia de Árvores do Brasil 2008
Árvores do Brasil – Guia de Árvores do Brasil 2008 2
Para adquirir clique no endereço:
http://loja.revistaonline.com.br/online/vitrines/detalhes/Detalhe20203.asp
Muitos leitores do blog vem denunciando ataques as árvores de São Paulo. Eu mesmo assisti a um desses atos no domingo de manhã, no Alto da Lapa, bairro nobre e arborizado do Oeste da Cidade. Uma árvore adulta de uva-japonesa (Hovenia dulcis), planta nativa do Japão e muito apreciada pelos pássaros, foi podada no começo da manhã de domingo irregularmente com um facão(!!) em frente a uma residência por funcionários imperitos contratados pela proprietária , na surdina.
Aparentemente, a copa da árvore estava deixando folhas no insípido jardim, e isso bastou para que galhos de grande diâmetro fossem derrubados à golpes do instrumento deixando extensas porções de casca arrancadas nos tocos remanecescentes. Ao chamarmos a atenção, o ato foi paralisado, porém, o estrago já estava feito. O mais incrível, é ver como a pessoa que não valoriza a árvore dentro da Cidade geralmente também não tem menor noção de cidadania e respeito aos outros. Algumas horas após, os galhos cortados jaziam na calçada da Avenida Cerro Corá, 200 metros longe do corte, obstruindo a passagem de pedestres da movimentada avenida, talvez na tentativa de esconder o crime.
Em tempo: somente a Prefeitura, concessionárias elétricas e bombeiros podem realizar podas nas árvores urbanas, patrimônio público de todos nós. Depois, pessoas como esse proprietário acima, fazem alarde e falam que é culpa da árvore e da Prefeitura quando essa cai em cima da casa delas.
Ricardo Henrique Cardim
Um costume bastante difundido entre os paisagistas, jardineiros e empresas de manutenção de áreas verdes em São Paulo é o corte das folhas mais “velhas” das palmeiras urbanas, principalmente quando se trata do jerivá (Syagrus romanzoffiana). Se apenas as folhas mortas fossem removidas por motivo de segurança em lugares movimentados, tudo bem. A questão é que geralmente ocorre a mutilação de quase toda a copa da palmeira, desfigurando-a. Nem mesmo as bainhas (base das folhas) e os cachos com flores e frutos são poupados.
Assim como passar cal nos troncos, o ato de “devastar” a copa de palmeiras é de total inutilidade, pois debilita a árvore por diminuir a área de fotossíntese, abre entradas para causadores de doenças, tira alimento da fauna urbana e principalmente traz um aspecto horrível a tão estética palmeira. Quem conhece o jerivá em matas ou no meio rural sabe a bela aparência que a palmeira adquire quando ninguém a molesta, apresentando uma copa redonda com inúmeras folhas pendentes para todos os lados.
Ricardo Henrique Cardim
Talvez a árvore nativa da cidade de São Paulo mais presente dentro da metrópole. Dentre uma imensa maioria de espécies estrangeiras (acredito que 80% do total da Cidade), a quaresmeira – Tibouchina granulosa – enfeita e alegra os paulistanos com suas coloridas flores roxas variando ao lilás nesse começo de 2009.
Presente naturalmente na floresta Atlântica de Encosta, aquela abundante na Serra do Mar, foi muito plantada a partir de meados do século passado nas ruas e praças. Embora adaptada ao ambiente urbano e sua poluição em diversos níveis, não são raros os indivíduos que sofrem na Capital e ficam com porte pequeno e poucas folhas e flores.
Mas por sua beleza, origem, e conexão cultural com São Paulo é um árvore indicada para plantio nas calçadas, já que possui um porte médio e raízes profundas.
Ricardo Henrique Cardim
Passar cal nos troncos das árvores é um costume disseminado há bastante tempo em alguns jardins, deixando as árvores com uma “saia” branca. Não se sabe quem começou com essa idéia e nem quando. Talvez no intuito de passar uma aparência de higiene, sofisticação e evitar possíveis pragas. O fato, é que esse procedimento é de completa inutilidade e ainda pode fazer mal a árvore.
Algumas espécies não respiram somente pelas folhas e possuem nos troncos estruturas chamadas “lenticelas” que servem para trocas gasosas que auxiliam no funcionamento da planta. Quando o tronco da árvore é pintado essas importantes estruturas são fechadas, prejudicando-a. Portanto, para ajudar a manter uma árvore saudável, nunca se deve caiar os troncos, o que também é esteticamente muito feio.
Ricardo Henrique Cardim
Raras são as árvores antigas na Capital paulistana. Como diria o historiador Benedito Lima de Toledo, São Paulo foi três cidades em um século, ou seja, foi destruída e reconstruída diversas vezes no século 20. Destas intensas transformações, as árvores também foram vítimas assim como as construções.
Uma árvore centenária, como por milagre, sobrou no centro da Cidade, trata-se do chichá (Sterculia chicha) do Largo do Arouche. Propriedade do General José Toledo de Arouche Rendon há cerca de 200 anos atrás, que foi urbanizada e calçada no final do século 19, essa árvore deve ter sido plantada nesta época ou antes. A fotografia de 1940 nos dá forte indício disto, já que há 68 anos passados ela já era enorme.
Em tempo: embora o chichá não seja uma árvore nativa da cidade de São Paulo, e sim do Centro-Oeste brasileiro, ela está presente em outros locais como o Pico do Jaraguá, Cidade Universitária e Trianon.
Ricardo Henrique Cardim
A arborização realizada no parque paulistano Villa-Lobos é uma das mais modernas da cidade de São Paulo. Nas composições, muitas espécies nativas da Cidade, e principalmente nativas frutíferas, foram usadas. O resultado é uma grande diversidade de pássaros, bem maior do que nas ruas e outras regiões menos arborizadas da metrópole. Parabéns a quem idealizou e plantou, com certeza as futuras gerações de paulistanos agradecerão.
Porém, uma importante espécie foi esquecida. Situado no Bairro de Pinheiros, onde era o antigo aldeiamento indígena de Pinheiros no século 16 e 17, esse nome não foi dado ao acaso. Naquela área existiam muitos pinheiros brasileiros, a araucária (Araucaria angustifolia), que se estendiam por todo o rio Pinheiros até a vertente dos morros onde hoje são as Avenidas Cerro Corá, Heitor Penteado e Paulista.
Ali, no Parque Villa-Lobos, existem excelentes locais para se plantar centenas pinheiros, inclusive no meio das matas implantadas, recriando a situação original de outrora, já que as araucárias não são adequadas para as ruas devido aos pesados galhos e pinhas, mas no Parque esse problema não existe e elas podem ser plantadas em extensas áreas.
Ricardo Henrique Cardim
O seu formato bizarro chama a atenção de quem passa no trecho da marginal Pinheiros ao lado do extenso muro do Jóquei Clube. Essa árvore, uma figueira (Ficus benjamina), sobrevive isolada na estreita margem do Rio Pinheiros e apresenta uma copa precisamente podada, como um paciente e assíduo trabalho de algum jardineiro.
A “poda” nesse caso, é realizada pelos muitos caminhões que passam diariamente na marginal, principalmente a noite, quando devido a menor quantidade de carros eles aproveitam e usam a faixa da extrema esquerda, que é proibida, e vão arrancando os galhos e folhas, criando esta “obra de arte”.
Ricardo Henrique Cardim
Uma história muito disseminada entre as pessoas é o fato de qualquer planta que viva em cima de uma árvore ser um “parasita”, levando a ações destruidoras destes importantes vegetais, principalmente aqueles que não apresentam flores vistosas, causando imensos prejuízos ao equilíbrio ambiental.

Bromélias nativas em tipuana na USP, repare em volta delas um outro tipo de epífita comum no tronco de todas as árvores desta espécie na Cidade, da família das samambaias.
Na biodiversidade tropical, em biomas como a Mata Atlântica, onde a cidade de São paulo está inserida, quase todas as árvores de uma floresta madura apresentam epífitas, plantas herbáceas que apenas usam a árvore como suporte, sem prejudicar e sugar nada, e neste grupo estão as orquídeas, bromélias, aráceas e samambaias. Sua importância no ambiente vai muito além da beleza, sendo bioindicadoras do estado de conservação da floresta, contribuindo, dependendo da espécie, com o fornecimento de recursos alimentares e água à cadeia alimentar e na ciclagem de nutrientes na mata.
Os verdadeiros parasitas de árvores na natureza são muito poucos, sendo o mais comum a erva-de-passarinho e o cipó-chumbo, e nunca as epífitas.
Em 1918, o eminente Botânico Hoehne fez um trabalho de campo sobre as orquídeas dos arredores de São Paulo, e encontrou um grande número de espécies diferentes e novas para a ciência, como a Spiranthes butantanensis Hoehne, batizada com seu nome. Provavelmente, essas espécies não ocorrem mais na Cidade atualmente devido a nossa intensa urbanização.
Ricardo Henrique Cardim
Cidade plural em vários aspectos, São Paulo tem um espaçoso imigrante vindo da Índia em raros locais da malha urbana. Seu nome popular é figueira-de-bengala (Ficus benghalensis). Árvore de porte impressionante, mesmo para as figueiras, se destaca facilmente na paisagem com sua ampla copa que sombreia centenas de metros a sua volta quando adulta.
Seu nome popular tem duas possíveis origens, uma pelo fato de ser original da região do Golfo de Bengala na Índia, e outra pelo seu aspecto, devido a suas raízes formarem verdadeiros “troncos secundários”, parecendo que a árvore está se apoiando em bengalas. Sua casca tem coloração esbranquiçada e as folhas são grandes, de verde intenso.
Na Índia e Bangladesh, sua terra natal, é considerada sagrada, e as raízes novas são protegidas com tubos de bambu pelos habitantes locais, sendo denominada “árvore banian” nome este que significa negociante, referente ao fato dos indianos montarem seus pequenos negócios debaixo de sua sombra. No jardim Botânico Indiano existe um exemplar com 412 metros de diâmetro de copa.
Na Cidade, exemplares de grande beleza podem ser vistos. No restaurante Figueira Rubayat, na Haddock Lobo, Jardins, a figueira-de-bengala é o centro das atenções, e resistiu a diversas demolições e construções no endereço, continuando atualmente com sua forma típica e servindo de cenário ao ambiente. Um grupo de três árvores da espécie compõem um dos principais cartões-postais do Parque do Ibirapuera, perto do Viveiro Manequinho Lopes. Outro bem interessante é no Parque da Luz, atrás da Pinacoteca.
Estéril no Brasil, só se multiplica por estacas, devido a inexistência da mosquinha que executa a polinização dos sicônios (inflorescência em forma de fruto que envolve inúmeras flores internas), não formando sementes. Pode ser plantada em locais amplos, livre de construções, onde desempenha o papel de monumento e referencial urbano, bem melhor que os antigos outdoors.
Ricardo Henrique Cardim
Uma árvore rara na cidade, ainda mais em grupo, o ipê-amarelo do cerrado (Tabebuia ochracea) apresenta as características típicas de uma planta adaptada ao bioma cerrado: tronco retorcido, com casca bem espessa (ajuda a planta a se proteger das constantes queimadas), folhas coriáceas, isto é, com textura e espessura semelhante ao couro, e baixa altura quando adulta. Sua floração ocorre uma vez por ano, no fim da estação seca, e tem duração efêmera. Esse grupo está localizado na praça em frente ao Instituto de Oceanografia, na Cidade Universitária – USP.
Essa espécie, nativa dos cerrados do Estado de São Paulo, existiu na Cidade Universitária quando aquela área ainda era campo cerrado antes da urbanização, como relatado na pesquisa de doutorado em Botânica de Aylthon Joly, na USP em 1950, que estudou a vegetação do terreno onde hoje está o Campus da Capital.
Ricardo Henrique Cardim
Uma cena diferente chama a atenção de quem passa por esta árvore, um pau-viola (Citharexylum myrianthum), típico das matas paulistanas alteradas pela ação humana.
Na forquilha de seu tronco, que se divide após alguns metros do solo, uma palmeira vive como epífita (como algumas bromélias e orquídeas), usando a árvore de suporte sem prejudicá-la, enraizada na escassa matéria orgânica formanda por restos de folhas e galhos depositados ao longo do tempo.
Essa palmeira, a palmeira seafórtia ( Archontophenix cunninghamii) já foi descrita em um artigo anterior “Palmeira-seafórtia – Uma invasão silenciosa em São Paulo” e aqui mostra toda a sua grande capacidade de adaptação a situações extremas. Possivelmente, algum pássaro, dentre os muitos que apreciam seus frutos vermelhos, acabou defecando a semente no exíguo espaço, e como para muitas plantas a passagem da semente pelo intestino dos animais é benéfico para a germinação, uma pequena palmeira aí se desenvolveu.
A curiosa composição fica na rua do Matão, em frente ao prédio da Botânica, na Cidade Universitária da USP – Capital.
Ricardo Henrique Cardim
Como todo ano, chegando julho os ipês-amarelos perdem suas folhas e começam a apresentar milhares de botões para a florada que vai de agosto até outubro. Com diversas espécies dentro do seu genêro Tabebuia, uma palavra de origem indígena, o ipê-amarelo arboriza diversas partes da cidade, sendo mais comum o Tabebuia serratifolia, presente em muitas calçadas. Resistente à poluição urbana, vive bem adaptado como árvore de cidade.
São Paulo, primitivamente localiza-se uma região de vegetação de transição entre a floresta atlântica de encosta (área da Serra do Mar) e a mata semi-decídua (Interior do Estado), e pode considerar o ipê-amarelo como nativo do território onde está a metrópole.
Ricardo Henrique Cardim
Com certeza você já a viu, pode não conhecê-la de nome, mas ela está presente em praticamente todos os bairros, ruas, jardins, casas, escritórios, lojas e varandas com algum verde na Cidade de São Paulo. Seu nome é conhecido popularmente como “ficus”, cientificamente Ficus benjamina Linné. Ela é a árvore da moda.
Vinda do distante sudeste asiático nas mãos dos produtores de plantas ornamentais e paisagistas que a elegeram informalmente como planta para interiores, prontamente se disseminou e caiu no gosto do público. Facilmente identificável por suas folhas verde-escuras brilhantes com ramos pendentes, é uma figueira (genêro Ficus), da família Moraceae, e possui um crescimento agressivo com raízes profundas, típico das figueiras.
Devido a grande disponibilidade da espécie graças ao baixo custo de produção e venda, com reprodução por estacas (pedaços da planta) e ampla distribuição em supermercados, floriculturas e viveiristas, milhões foram produzidas. Dentro de vasos seu tamanho permanece praticamente estável, uma bela arvoreta, porém, quando seus proprietários resolvem tirá-la do vaso e plantá-la nas ruas e praças seu crescimento e vigor são impressionantes, quebrando calçadas, pisos e o que houver na frente se suas raízes.
E onde não foi plantada uma árvore adaptada ao ambiente urbano e nativa como a prefeitura deve fazer, o cidadão, em um gesto de boa-vontade e apreço à sua cidade a planta, esperando estar fazendo bem pelo verde na cinzenta paisagem urbana. O resultado é uma floresta urbana da espécie, ocupando o espaço público com toda sua massa verde, causando muitas vezes grandes prejuízos as construções. Os viveiristas bem que podiam desenvolver um ipê-amarelo de vaso…
Ricardo Henrique Cardim
Associação dos Amigos das Árvores de São Paulo
Quando uma árvore de outra região, seja Estado, País ou continente, é introduzida, essa pode vir a ser uma potencial agressora ao equilíbrio ambiental local, pelo fato de muitas vezes possuir vantagens adaptativas perante as nativas.
Adaptadas durante milhares de anos e interagindo com as condições ambientais locais, as árvores nativas sofreram um rigoroso processo de seleção natural, gerando espécies plenamente ajustadas ao ambiente e interdependentes dos animais do meio para sobreviver, com muitos inclusive polinizando-as e dispersando suas sementes.
As árvores exóticas ao contrário, não passaram por todo esse caminho e geralmente apresentam vantagens, como menor ataque de doenças por insetos e fungos, crescimento mais vigoroso, reprodução agressiva e invasão de formações vegetais naturais, competindo com as plantas locais e tomando o lugar delas, prejudicando a fauna e o ecossistema em diversos níveis, problemas muitas vezes não perceptíveis, pela falta de pesquisas e demora do processo.
Oitenta por cento das árvores urbanas das cidades brasileiras são exóticas, isto é, de origem estrangeira, e o intrigante é que o Brasil apresenta a maior diversidade de árvores de todo o globo. Este paradoxo, fruto de nossa história e cultura reflete bem como tratamos aquilo que é nativo, nosso, sempre ou quase sempre definido como inferior. No caso das árvores, quase tudo é “mato” salvo raras exceções.
A beleza estava (ou ainda está) sempre na grama do vizinho, mais verde aos olhos distorcidos dessa filosofia. As nossas árvores nativas, de tantas formas e cores, não puderam participar da vida urbana brasileira, e foram substituídas por outras mais “adiantadas” que representassem a “civilização”, “o progresso” como nas obras higienistas do começo do século passado.
Para conferir os problemas advindos da questão, basta visitar os fragmentos de vegetação natural remanescentes na cidade, repletos de plantas estrangeiras no seu interior, que podem até inviabilizar o fragmento, como o caso da palmeira-seafórtia, já descrito aqui.
Não podemos privar uma cidade como São Paulo da beleza de suas inúmeras árvores nativas, como os cedros, araribás, canelas, cambucis, cabeludinhas, manacás e tantas outras.
Vamos plantar mais árvores nativas!
Ricardo Henrique Cardim
Associação dos Amigos das Árvores de São Paulo
Veja a reportagem publicada no Planeta Sustentável da Editora Abril:
http://planetasustentavel.abril.com.br/blog/redacao/20080728_lst_assuntos.shtml
Típico das matas semi-decíduas, aquelas florestas onde parte das árvores perdem as folhas em determinada época do ano, o Tamboril (Enterolobium sp.), aparece em alguns parques e ruas de São Paulo.
Considerando que a mata semi-decídua também compõe parte das florestas paulistanas, o Tamboril pode ser chamado de cidadão paulistano. Com a estiagem deste ano, muitos exemplares já perderam suas folhas e estão carregados de frutos de um formato inusitado, parecido com uma orelha humana, tanto que em algumas regiões do Brasil ele é conhecido popularmente como “orelha-de-negro”, portanto, se você cruzar com estas pequenas “orelhinhas” nas ruas de São Paulo, pode olhar para cima que provavelmente verá um tamboril com sua copa característica, cheia de pequenos pontos pretos.
Ricardo Henrique Cardim
Associação dos Amigos das Árvores de São Paulo












































































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