Novas árvores na Avenida dos Bandeirantes e o certo e o errado lado-a-lado

Novas mudas na Avenida dos Bandeirantes.

Novas mudas na Avenida dos Bandeirantes.

Recentemente a tumultuada Avenida dos Bandeirantes, na Zona Sul de São Paulo, recebeu algumas novas mudas de árvores no seu canteiro central. Mesmo não sendo na melhor época, já que estamos em plena seca e as árvores precisarão de irrigação periódica para sobreviver, é um alento para a poluída região.

O amplo canteiro das novas mudas ao lado das antigas.

O amplo canteiro das novas mudas ao lado das antigas.

A curiosidade ficou pelo seguinte: porque será que os paus-ferros que já viviam no local também não tiveram o mesmo tratamento das novas mudas de ter um amplo espaço sem cimento em volta? A situação ficou típica dos cuidados com a arborização urbana da cidade, o certo e o completamente errado convivendo lado-a-lado, sem nenhuma justificativa óbvia. Já que abriram o concreto para as mudas, porque não abrir também para as árvores vizinhas e sufocadas?

Pau-ferro (Caeasalpinia ferrea) completamente enforcada pelo concreto.

Pau-ferro (Caeasalpinia ferrea) completamente enforcada pelo concreto.

Pau-ferro enforcado e só piorando conforme cresce...

Pau-ferro enforcado e só piorando conforme cresce…

Os paus-ferros que estão cada vez mais enforcados pelo concreto, serão, certamente em um futuro próximo, fortes candidatos à queda em tempestades e causadores de sérios transtornos na movimentada avenida.

Ricardo Cardim

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USP destrói raro Cerrado em São Paulo que havia sido prometido “Museu Vivo” em 2011

Surreal: Trecho onde existia um raro Campo Cerrado nativo da Cidade de São Paulo foi tratorado e recebeu o plantio de mudas de árvores de outro Bioma.

Surreal: Trecho onde existia um raro Campo Cerrado nativo da Cidade de São Paulo foi tratorado, arrasado e recebeu um galpão e o plantio de mudas de árvores de outro Bioma por cima.

Em 2011 iniciou-se na Cidade Universitária da Universidade de São Paulo um polêmico conjunto de obras para o “Parque dos Museus” e o novo Centro de Convenções da Universidade. O local escolhido foi uma extensa mancha de vegetação abrigada próxima a Faculdade de Veterinária, o que provocou diversos protestos.

No local existia facilmente à vista dos passantes muitas árvores exóticas (de origem estrangeira) e muitas também invasoras, e isso foi usado como justificativa como atenuante para os cortes, como pode ser conferido nas matérias abaixo:

Esclarecimento sobre o corte de árvores no campus de SP

http://www.usp.br/imprensa/?p=14460

Corte de árvores no novo Centro de Convenções e Parque dos Museus – USP

http://www.youtube.com/watch?v=5N3dspshhms

O que não se sabia ou não se levou em consideração foi a existência de uma área nos fundos do terreno, e mais escondida da visão do público, que abrigava uma vegetação ancestral e praticamente extinta na cidade de São Paulo: os Campos-Cerrados. Essa formação nativa, de grande biodiversidade, já existiu em profusão na metrópole, a ponto de nomear bairros como “Campo Belo” e “Perdizes”, e principalmente a cidade nos seus primórdios, de “São Paulo dos Campos de Piratininga” em alusão a essa vegetação.

Embora estudada por importantes botânicos da USP como o professor da Politécnica Dr. Alfred Usteri em 1911 (personalidade que nomeou a 1° Reserva Municipal de Campos Cerrados de São Paulo no Jaguaré em 2010), pelo professor da Botânica da USP, Dr. Aylthon Brandão Joly no Butantã em 1950 (que nomeia um edifício na Botânica do ICB – USP) e pelo fundador do Jardim Botânico de São Paulo, Frederico Hoehne em 1925 no Ipiranga, foi desaparecendo do território da cidade e da vista de seus habitantes.

Recentemente, o “Livro Vermelho das Espécies Vegetais Ameaçadas do Estado de São Paulo” publicado pelo Instituto de Botânica em 2007 mostrou a importância dessa vegetação no trecho – “Os resultados obtidos evidenciam o destaque da região abrangida pelo município de São Paulo, tanto no que se refere à grande concentração de espécies ameaçadas em todas as categorias, quanto no que se refere à quantidade de espécies já extintas, … a intensa degradação ambiental que o município sofreu desde o período colonial, incluindo a remoção de florestas e a ocupação do solo de forma desordenada, com pouca ou nenhuma preocupação com a conservação dos ecossistemas naturais, especialmente os campos que, ainda hoje são negligenciados apesar de serem ecossistemas com flora particular e biodiversidade considerável.”

Descoberta a existência dessa rara vegetação em profusão nas margens da grande escavação, a Reitoria da Universidade foi alertada. Cientes do fato, e com ampla divulgação nos meios de comunicação como uma página inteira no Jornal O Estado de São Paulo, de domingo, 16 de outubro de 2011, não houve outra saída a não ser paralisar as obras e divulgar que a área seria preservada, com a criação de um “Museu Vivo do Cerrado na capital” nos entornos da obra que conservavam a vegetação.

A Coordenação de Gestão Ambiental da USP na ocasião afirmou ao jornal “ Vamos agora transplantar toda a vegetação de cerrado que ainda está na área das obras para as novas reservas que vamos criar nesse entorno”. A inauguração do “museu vivo” foi prometida para o dia 7 de dezembro de 2011, fato que não se cumpriu.

USP vai criar um “museu vivo” do cerrado na capital – O Estado de S. Paulo:

http://arvoresdesaopaulo.files.wordpress.com/2010/08/ricardo-cardim-cerrado-da-usp.pdf

Jornal do Campus – USP:

http://www.jornaldocampus.usp.br/index.php/2012/04/obras-no-campus-ameacam-especies-raras-de-vegetacao/

A vegetação de cerrado que foi removida das obras para transplante não aguentou e a maioria perdeu-se, mas o entorno da obra continuou com as raríssimas plantas típicas dos antigos “Campos de Piratininga” e agora supostamente asseguradas pela criação do “Museu Vivo”. Nessa área a vegetação típica de Cerrado encontra-se em alguns trechos misturada com uma planta invasora nativa, a samambaia-do-campo, que pode ser facilmente manejada para o retorno dos Campos Cerrados típicos.

Em 2012 o Jornal USP Destaques, um boletim de imprensa da Reitoria da USP,  trouxe uma notícia animadora: declarava através da portaria n° 5.648 de 05 de junho de 2012 assinada pelo Reitor João Grandino Rodas, a preservação de duas áreas no Campus da capital, uma área de 10.000 m² (supostamente os campos cerrados em volta da obra como prometido) e outra, de mesmo tamanho e próxima ao ICB com também campos-cerrados, como “…caráter de preservação permanente e destinadas apenas à conservação , restauração, pesquisa, extensão e ao ensino… denominadas Reservas Ecológicas da USP”.

 

USP Destaques – “USP declara mais de mil hectares de seus campi como reservas ecológicas”

http://www.usp.br/imprensa/wp-content/uploads/Destaque-61.pdf

Entretanto, não foi o que ocorreu nesse terreno. As obras prosseguiram e acabaram destruindo outras parcelas importantes de campos cerrados, incluindo uma (foto abaixo) com um excelente grau de conservação e que não encontrava semelhança a nenhuma outra área natural de campos-cerrados na malha urbana paulistana. Uma paisagem extinta – relíquia da história ambiental paulistana

Cerrado USP destruído pelas obras do novo centro de convenções - foto de Ricardo Cardim - todos os direitos reservados

Espécies de plantas nativas totalmente ligadas a história da cidade e que sobreviveram a poucas dezenas de exemplares na metrópole, como o arbusto frutífero araçá-do-campo, que nomeou o antigo “Caminho do Araçá” e depois “Cemitério do Araçá” e a língua-de-tucano, uma bela planta que o Padre Anchieta utilizava para fazer alparcatas, e muitas outras, começaram a sofrer diretamente o impacto das obras, e foram arrancadas ou esmagadas.

Para conhecer as plantas dessa vegetação, suas flores e frutos:

http://arvoresdesaopaulo.wordpress.com/fotos-plantas-do-cerrado/

Em 2014 recebi de Daniel Caballero, um artista plástico que desde 2011 pesquisa e  retrata a biodiversidade ancestral paulistana em suas obras, uma notícia inesperada para o prometido “museu vivo” da Universidade de São Paulo: que estavam destruindo com tratores os remanescentes dos campos-cerrados nos entornos da obra.

Indo recentemente ao local com Daniel Caballero o cenário foi assustador, ainda mais considerando o local do ocorrido. Cerca de 40% da vegetação “relíquia” de campos cerrados que haviam sobrevivido tinham sido totalmente arrasadas – tratoradas literalmente –  e receberam o plantio de mudas de árvores em desenho geométrico (aparente e absurda “compensação ambiental” em cima de uma vegetação raríssima). Outra extensa parte virou o refeitório e chuveiros dos funcionários da obra. Perdeu-se para sempre espécies nativas e material genético únicos na cidade de São Paulo e não se sabe que destino terão os outros 60% da área de campos cerrados que restaram.

Local ainda com os campos cerrados preservados retratados por Daniel Caballero.

Local ainda com os campos cerrados preservados retratados por Daniel Caballero.

Acima, desenho de 2011 do artista Daniel Caballero retratando o aspecto dos campos cerrados da USP (ao fundo o vazio do buraco causado pela obra na época), que já foi exposto no MASP. Abaixo, o mesmo local retratado hoje, 2014, com um enorme barracão e aterro sobre a vegetação em extinção.

O mesmo local hoje, 2014, com o cerrado destruído por um aterro e barracão.

O mesmo local hoje, 2014, com o cerrado destruído por um aterro e barracão.

Cerrado destruído USP 2014

 

Cerrado USP destruído pelas obras do novo centro de convenções - foto de Ricardo Cardim - 2 todos os direitos reservados (2)

 

Cerrado USP destruído pelas obras do novo centro de convenções - foto de Ricardo Cardim - 2 todos os direitos reservados (3)

 

Cerrado USP destruído pelas obras do novo centro de convenções - foto de Ricardo Cardim - 21 todos os direitos reservados.

Na década de 1940, o Professor Aylthon Brandão Joly publicou em seu doutorado na USP um estudo dos “Campos do Butantã” (de onde a vegetação dos atuais entornos da obra são remanescentes) com várias fotos das espécies que considerou na época mais importantes e significativas. Não é coincidência que são as mesmas e atualmente raras espécies hoje totalmente esquecidas e largadas no canteiro de obras. Abaixo um comparativo com as fotos originais do Prof. Joly e as tiradas recentemente:

Cerrado USP destruído pelas obras do novo centro de convenções - foto de Ricardo Cardim - 2 todos os direitos reservados (4)

 

Cerrado USP destruído pelas obras do novo centro de convenções - foto de Ricardo Cardim - 2 todos os direitos reservados (5)

 

Cerrado USP destruído pelas obras do novo centro de convenções - foto de Ricardo Cardim - 2 todos os direitos reservados (6)

 

Cerrado USP destruído pelas obras do novo centro de convenções - foto de Ricardo Cardim - 21 todos os direitos reservados

É fundamental que a atual gestão da Universidade de São Paulo – considerada a melhor instituição do Hemisfério Sul – tenha a sensibilidade de imediatamente cercar toda a área proposta e cumprir a promessa pública feita em 2011 de transformá-la em um “Museu Vivo” da História, Botânica e Cultura da cidade de São Paulo e também recuperar os trechos arrasados para a “compensação ambiental” e construção do galpão.

Ricardo Cardim

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Passeio gratuito pelas árvores do Parque Ibirapuera no VIVA MATA 2014

No VIVA MATA organizado pela S.O.S Mata Atlântica desse ano iremos participar no dia 24/05, sábado, às 10 hs, com um passeio inédito pela história, cultura e botânica das árvores e vegetação do parque mais querido de São Paulo, o Ibirapuera. Segundo a SOSMA:

“A 10º edição do “Viva a Mata: Encontro Nacional pela Mata Atlântica acontecerá entre os dias 23 e 25 de maio, das 09h às 18h, na Marquise do Parque Ibirapuera, em São Paulo. O evento celebra o Dia Nacional da Mata Atlântica, comemorado oficialmente em 27 de maio.

O tema da 10ª. edição é “Mata Atlântica, Sua Casa”, para sensibilizar a população a respeito da relação entre a floresta, o ambiente urbano e a qualidade de vida.

Gratuito e aberto ao público, o evento trará diversas atrações como exposições, shows, peças de teatro, palestras e debates, além das atividades interativas que acontecem nos espaços temáticos: Floresta, Mar, Bichos da Mata, Água e Ambiente Urbano.   A 10ª edição conta com uma atração inédita: um passeio guiado pelo parque, no qual o botânico Ricardo Cardim irá mostrar diferentes espécies de árvores e falar da história e importância de cada uma para São Paulo.”

viva mata

No final do passeio plantaremos 4 exemplares de cambuci, a árvore frutífera da Mata Atlântica que é símbolo da cidade de São Paulo e hoje está quase extinta. E também duas cerejeiras nativas para ajudar a biodiversidade do Ibirapuera.

Espero vocês lá!!

Ricardo Cardim

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A fragilidade da metrópole perante o verde

 

Na vastidão de concreto, pedra e asfalto que é a cidade de São paulo, é fácil pensar que a natureza perdeu a competição. Mas nada. A metrópole na verdade é muito frágil, basta ficar alguns meses sem manutenção que a natureza retoma tudo.

Esse carro abandonado em uma rua do Brooklin mostra bem isso – diferentes plantas pioneiras como gramíneas e até a jurubeba estão formando um “matagal” na movimentada via. A verdade é que se São Paulo fosse abandonada por uma década, não daria para andar sem um facão para abrir trilhas em suas ruas.

rua com vegetação em São Paulo - foto de Ricardo Cardim - direitos reservados (2)

rua com vegetação em São Paulo - foto de Ricardo Cardim - direitos reservados (1)

Um fato interessante em São Paulo sobre isso é que o hábito de preferir plantas estrangeiras no paisagismo e arborização alterou a sucessão ecológica, ou a “colonização vegetal” que virou algo com a marca humana, e pode ser conferido nesse vídeo:

Veja – A Flora reconquista seu espaço

Ricardo Cardim

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Árvores de São Paulo: o pau-cigarra em floração

 

árvores de são paulo - foto de Ricardo Cardim - direitos reservados -

Árvore que chama atenção pela forte coloração amarela de sua floração, o pau-cigarra (Senna multijuga) se destaca nas matas paulistanas nesse começo de outono. Na Serra do Mar, divide o colorido com os manacás-da-serra (Tibouchina mutabilis), criando paisagens amarelas, brancas e roxas. Na Serra da Cantareira, onde foram tiradas essas fotos, aparece geralmente sozinho pontilhando as matas.

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O pau-cigarra é uma árvore pioneira típica das florestas secundárias e capoeiras, aquelas que sofreram alterações significativas, e servem de “termômetro” para observarmos como a maioria da Mata Atlântica paulistana é formada por florestas assim, ainda muito jovens e que estão se recuperando de desmatamentos ocorridos até o século passado por causa da agropecuária, extração de lenha e carvão.

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Também é uma espécie ótima para arborização de ruas estreitas e com fiação elétrica acima, crescendo muito rápido e produzindo alimento para a fauna com suas flores.

Ricardo Cardim

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A última floresta e brejos nativos do Rio Pinheiros estão condenados a virar concreto em frente ao Parque Burle Marx no Panamby

Vista da área em frente ao Parque Burle Marx

Vista da área em frente ao Parque Burle Marx – restos de um Rio Pinheiros que já teve curvas sinuosas, brejos e muita biodiversidade

Aquilo que na verdade todo paulistano frequentador do Parque Burle Marx, no Panamby – Zona Sul, pensava que era um pedaço do querido parque repleto de Mata Atlântica não passava infelizmente de uma farsa. A área com 5000 árvores é privada e não tem nada a ver legalmente com o parque… Mais uma pegadinha para o já tão sofrido verde e qualidade de vida da metrópole. E a sentença de morte da área já parece que está anunciada com a intenção de se construir ali mais algumas torres e shopping.

Área que está sendo ameaçada de desaparecer junto com sua raríssima fauna e flora

Dentro do tracejado amarelo, a área que está sendo ameaçada de desaparecer junto com sua raríssima fauna e flora

O absurdo dos absurdos em qualquer país civilizado. A convite do advogado Roberto Delmanto,  que representa três associações de moradores da região, visitamos a área e elaboramos um laudo técnico sobre sua biodiversidade. O resultado foi totalmente surpreendente. Começou com a interessante mata ciliar (um tipo de Mata Atlântica que habita a beira dos rios, áreas alagáveis) repleta de espécies típicas das antigas margens do Rio Pinheiros quando ainda era selvagem, há cerca de 80 anos atrás. Exemplos são árvores como ingá, copaíba, jacatirão e figueira-brava.

Entre a mata, pequenos riachos cristalinos desembocavam em lagoas habitadas por peixinhos e pererecas, cercadas por brejos com plantas extintas na atual malha urbana, e tudo isso a poucos metros do poluído trânsito da  marginal pinheiros e o seu finado rio. Saindo dos brejos chega-se a um campo com várias espécies típicas dos ameaçados campos cerrados de São Paulo, como a rara língua de tucano mirim (Eryngium elegans). Em meio ao capim, assustada, uma marreca-caneleira sai de cima de seu ninho com 11 grandes ovos, pássaro aquático que já foi abundante no Rio Pinheiros. Realmente um pedaço do passado da maior metrópole brasileira, uma área que reúne diversas paisagens naturais desaparecidas pela nossa intensa urbanização.

Além de ser obviamente protegida pela legislação devido a condição do terreno com seus riachos e lagoas, nada pode autorizar legalmente ou justificar economicamente a destinação do local senão como parte do Parque Burle Marx.

Abaixo, a conclusão de nosso Laudo:

“A área avaliada contempla diversos elementos importantes da biodiversidade original da cidade de São Paulo. Entretanto, dentre esses elementos, um deles apresenta imenso valor ambiental e histórico para os paulistanos: os trechos remanescentes das várzeas e florestas inundáveis do Rio Pinheiros, únicos sobreviventes dessa formação ecológica tão dilapidada.

Preservar tal área, em sua totalidade, é de suma importância como patrimônio ambiental, cultural e histórico que constitui, e se nos espelharmos na imagem da personalidade que batizou o parque adjacente ao terreno, Roberto Burle Marx, defensor e divulgador incansável da nossa biodiversidade, torna-se ainda mais emblemático e necessário o seu tombamento e preservação para aproveitamento das atuais e futuras gerações de paulistanos.”

Ninho com 11 ovos que a marreca-caneleira está chocando na área

Ninho com 11 ovos que a marreca-caneleira está chocando na área

Desenho da marreca-caneleira, uma ave do tamanho de um pato doméstico. Fonte livro Fauna Silvestre

Desenho da marreca-caneleira, uma ave do tamanho de um pato doméstico. Fonte: livro Fauna Silvestre – Quem são e ondem vivem os animais na metrópole paulistana

Brejo natural em frente a Marginal do rio Pinheiros,  próximo aonde foi encontrado ninho.

Brejo natural em frente a Marginal do rio Pinheiros, próximo aonde foi encontrado ninho e deve ser fonte de alimento da marreca.

 

Riacho com água cristalina e peixinhos ao lado do morto Rio Pinheiros

Riacho com água cristalina e peixinhos ao lado do morto Rio Pinheiros

Lagoa com pererecas e peixes que parece ter saído de uma São Paulo de 200 anos atrás.

Lagoa com pererecas e peixes que parece ter saído de uma São Paulo de 200 anos atrás.

 

Uma surpresa: orquídea nativa das antigas florestas do Rio Pinheiros. A árvore onde ela está já tem uma demarcação com um número suspeito.

Uma surpresa: orquídea nativa sobrevivente das antigas florestas do Rio Pinheiros. A árvore onde ela está já tem uma demarcação com um número suspeito.

Uma imponente figueira-brava da Mata Atlântica, uma Ficus organensis, da mesma espécie da Figueira-das-Lágrimas e da Figueira do Largo da Memória

Uma imponente figueira-brava da Mata Atlântica, uma Ficus organensis, da mesma espécie das emblemáticas Figueira-das-Lágrimas e Figueira do Largo da Memória

língua-de-tucano-mirim (Eyngium elegans) em frente ao Parque Panamby

língua-de-tucano-mirim (Eyngium elegans) em frente ao Parque Burle Marx – planta rara típica dos antigos “Campos de Piratininga”

 

arbusto frutífero dos campos cerrados, a pixirica (Leandra lacunosa)

Um antigo sabor esquecido dos campos cerrados, o arbusto frutífero conhecido como pixirica (Leandra lacunosa)

 

Assim eram as amrgens dos rios paulistanos antes de serem sepultados sob o asfalto.

Assim eram as margens dos rios paulistanos antes de serem sepultados sob o asfalto. Só sobrou ali, nesse pequeno terreno em frente ao Parque Burle Marx, Panamby, que agora pode virar um shopping

 

Para saber mais leia a matéria que saiu no Jornal O Estado de S. Paulo de domingo:

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,empreendimentos-ameacam-emparedar-parque-burle-marx-e-cortar-5-mil-arvores,1138788,0.htm

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,areas-preservam-fauna-e-flora-de-mata-atlantica,1138696,0.htm

 

Ricardo Cardim

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4° edição do nosso curso no Green Building Council – Paisagismo Sustentável e Técnicas Construtivas para Telhados e Paredes Verdes

Caros amigos do blog “Árvores de São Paulo”, apresento a 4° edição do meu curso no Green Building Council Brasil, uma organização que tem como missão desenvolver a indústria da construção sustentável no país.

“Paisagismo Sustentável e Técnicas Construtivas para Telhados e Paredes Verdes”

Objetivo:

Apresentar conceitos e propostas para um paisagismo sustentável no Brasil, abordando a discussão sobre biodiversidade, biomas, nativas, adaptadas, invasoras, consumo de água e serviços ambientais. Preparar o aluno com conhecimentos de botânica, historia, técnicas construtivas e tecnologias para áreas verdes, dentre elas telhados e paredes verdes.

Capacitar o entendimento e a importância das áreas verdes no Green Building dentro da realidade brasileira de país megabiodiverso e seus resultados na melhora da qualidade de vida urbana e reequilíbrio ambiental.

A quem se destina:

Arquitetos, paisagistas, consultores de sustentabilidade, consultores LEED, engenheiros, construtores, incorporadores, representantes de entidades de classe, gestores públicos, estudantes, profissionais da área de meio ambiente.

Conteúdo Programático:

* História do paisagismo no Brasil;
* Biomas e biodiversidade nativa;
* Plantas invasoras;
* Paisagismo sustentável;
* Arborização, biomassa e serviços ambientais;
* Telhados verdes;
* Jardins verticais;
* Áreas verdes e paisagismo LEED na realidade brasileira.

Metodologia:

-Exposição dialogada áudio/visual
-Apostila
-Exercícios práticos com paisagismo sustentável

Professor: Ricardo Cardim

Data:  27 e 28/03/2014 09h00 às 18h00.

Carga horária:  16h

Local:Avenida Paulista, 1159 – Cerqueira Cesar – São Paulo/SP

 Para se inscrever, clique abaixo:

http://gbcbrasil.org.br/?p=educacao-detalhes&I=280

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