Pau-brasil no meio da Mata Atlântica – árvore rara achada na cidade do Rio de Janeiro

 

Árvore que nomeou nosso país, o pau-brasil (Caesalpinia echinata) é hoje mais fácil de ser encontrado na arborização e paisagismo urbano graças ao trabalho de alguns preservacionistas que divulgaram e propagaram mudas da espécie nas últimas duas décadas. Mas na natureza, em seu local original – a Mata Atlântica do Rio Grande do Norte ao Rio de Janeiro – é extremamente difícil encontrá-lo, principalmente em porte adulto e bem-formado, dado o histórico severo de devastação que a espécie sofreu.

A surpresa maior foi achar um velho exemplar de pau-brasil, com tronco comprido e retilíneo de grande altura, no meio da Mata Atlântica que fica debaixo do famoso bondinho que liga a pedra do Pão-de-Açucar ao Morro da Urca, em uma trilha muito frequentada.

Exemplar de pau-brasil adulto nas matas do cartão-postal carioca.

Exemplar de pau-brasil adulto nas matas do cartão-postal carioca.

Não é possível saber se ele é nativo e remanescente de populações antigas ou alguém plantou o exemplar  há mais de 60 anos atrás (idade mínima que o exemplar aparenta).O trecho de Mata Atlântica onde vive tem um históricos de agressões e devastações que remonta a quase 500 anos, já que a cidade do Rio de Janeiro foi fundada por ali. Independente dessas possibilidades, o fato é que a árvore representa excelentemente como era o porte da espécie na Mata Atlântica pré-descobrimento, com tronco reto e ideal para fornecimento de madeira, justamente as preferidas para corte. Merecia uma placa da prefeitura carioca e participar das atrações turísticas locais.

Escala para observar as dimensões do exemplar.

Escala para observar as dimensões do exemplar.

Endereço: Na Praia Vermelha, em sua extremidade esquerda para quem olha ao mar fica a trilha Cláudio Coutinho, e após algumas centenas de metros existe uma placa indicando a entrada da trilha à esquerda, que tem uma escadaria de troncos e terra batida. O pau-brasil fica logo depois dos primeiros lances, visível por sua casca descamante de cor avermelhada.

Ricardo Cardim

 

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Coluna Natureza Urbana na Rádio Estadão agora duas vezes por semana

 

O Botânico e ambientalista  Ricardo Cardim, apresenta no programa Metrópole o quadro Natureza Urbana, falando sobre meio ambiente urbano, espaços verdes públicos, árvores e dá dicas para cuidar da natureza em casa.

Novos dias e horários: toda segunda e quarta-feira às 11:25 da manhã.

 

 

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Telhados verdes no Brasil e sua vegetação – o desafio da sustentabilidade real

Cidades sustentáveis já estão se tornando realidade em países como Alemanha, Japão e EUA. No Brasil, ainda existem muitos desafios em nossas metrópoles, mas novas ferramentas estão se popularizando, como os telhados verdes. Fundamentais para aumentar a cobertura verde urbana e os serviços ambientais que resultam em mais qualidade de vida e saúde pública, já são incentivados por lei em algumas cidades como o Rio de Janeiro, através da Certificação Qualiverde.

Trabalho também com telhados verdes, e no Brasil muitas coberturas assim ainda são literalmente copiadas da Europa e Estados Unidos sem uma adaptação adequada para a nossa realidade, resultando em situações como telhados recobertos por plantas suculentas ou sedum - plantas estrangeiras e típicas de desertos – para se economizar na irrigação.

Tais plantas suculentas evoluíram em situações drásticas como os desertos americanos e da Ásia – bem diferentes da realidade brasileira – e apresentam uma fotossíntese especial para economizar água, chamada CAM. Justamente por isso, o uso de plantas suculentas  em áreas urbanas trazem escassos serviços ambientais, já que praticamente não liberam umidade no ar e resfriam o ambiente.

Outro aspecto importante é atentar para o fato de o Brasil ser o país com a maior biodiversidade do mundo, e o paradoxo de se usar plantas de desertos estrangeiros nas nossas cidades, que não atendem a aviafuna e o equilíbrio ecológico.

Pensando nisso, desenvovemos em nossa empresa, a SkyGarden, telhados verdes que recriam os Biomas nativos na cobertura dos edifícios. Com tecnologia simples e durável, pode se ter vegetação de Cerrado  em um jardim com 7 cm de espessura e 60 kg. por m² e Mata Atlântica com árvores de até 4 metros e grande densidade em 20 cm de espessura e 400 kg. por m².

A proposta é trazer para cima dos edifícios parte da biodiversidade perdida com a urbanização, e ao mesmo tempo fortalecer os serviços ambientais com uma baixa manutenção e grande durabilidade natural, em um telhado verde ideal para a realidade ambiental brasileira.

Telhado verde com plantas suculentas de deserto nos Estados Unidos.

Telhado verde com plantas suculentas de deserto nos Estados Unidos.

Telhado verde SkyGarden com Mata Atlântica e paisagismo -serviços ambientais efetivos.

Telhado verde SkyGarden com Mata Atlântica e paisagismo -serviços ambientais efetivos.

Para conhecer melhor, recomendo -

http://www.skygarden.com.br/index.php/biodiversidade/telhado-verde-biodiversidade

 

Ricardo Cardim

POST NÚMERO 300

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Árvores do Parque Siqueira Campos (Trianon) na Avenida Paulista – 2

Continuando nosso protesto ao plantio absurdo somente com espécies da África que continua a ocorrer nos canteiros centrais da Avenida Paulista, apresentaremos mais um pouco da fantástica biodiversidade nativa do Parque na Avenida e suas árvores.  

Uma das maiores árvores do Parque Siqueira Campos, esse angico (Anadenanthera peregrina) provavelmente é sobrevivente da floresta primitiva do antigo Caaguaçu dos índios (mata grande em tupi). Espécie rara na atual metrópole.

Uma das maiores árvores do Parque Siqueira Campos, esse angico (Anadenanthera peregrina) provavelmente é sobrevivente da floresta primitiva do antigo Caaguaçu dos indígenas (mata grande em tupi). Espécie rara na atual metrópole.

Outra árvore secular na mata é o jequitibá-branco (Cariniana estrellensis). Além desse imponente exemplar existem outros no entorno, fato muito raro se considerarmos o histórico de devastação que as matas paulistanas sofreram ao longo da urbanização.

Outra árvore secular na mata é o jequitibá-branco (Cariniana estrellensis). Além desse imponente exemplar existem outros no entorno, fato muito raro se considerarmos o histórico de devastação que as matas paulistanas sofreram ao longo da urbanização.

O Parque Siqueira Campos também apresenta as principais palmeiras da Mata Atlântica ocorrentes na cidade de São Paulo, inspiração para substituição das palmeiras-triângulo de Madagascar que serão plantadas nos canteiros centrais da Avenida Paulista.

A palmeira pati (Syagrus pseudococos) é outra raridade da Mata Atlântica no Parque Siqueira Campos. Palmeira esbelta e resistente, poderia ser usada com sucesso na arborização.

A palmeira pati (Syagrus pseudococos) é outra raridade da Mata Atlântica no Parque Siqueira Campos. Palmeira esbelta e resistente, poderia ser usada com sucesso na arborização.

Frutos maduros e comestíveis do jerivá  (Syagrus romanzoffiana) no Parque, palmeira que foi tão comum no território paulistano a ponto de nomear o antigo rio Pinheiros de "Jurubatuba" ou rio das palmeiras jerivás em tupi.

Frutos maduros e comestíveis do jerivá (Syagrus romanzoffiana) no Parque, palmeira que foi tão comum no território paulistano a ponto de nomear o antigo rio Pinheiros de “Jurubatuba” ou rio das palmeiras jerivás em tupi.

Palmito-jussara (Euterpe edulis) muito antigo no Parque Siqueira Campos, apresentando grande altura. É considerada a  planta-mãe da Mata Atlântica devido aos seus frutos que alimentam grande parte da fauna nativa. Espécie ameaçada.

Palmito-jussara (Euterpe edulis) muito antigo no Parque Siqueira Campos, apresentando grande altura. É considerada a planta-mãe da Mata Atlântica devido aos seus frutos que alimentam grande parte da fauna nativa. Espécie ameaçada.

Frutos do palmito-jussara, "irmão" do açaí da Amazônia, com as mesmas propriedades.

Frutos do palmito-jussara, “irmão” do açaí da Amazônia, com as mesmas propriedades.

Ricardo Cardim

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FELIZ NATAL E EXCELENTE 2013!!!

araucária - pinheiro de natal - em São Paulo - foto de Ricardo Cardim - direitos reservados

Pinheiro brasileiro – ou araucária – na cidade de São Paulo. Espécie nativa da metrópole e hoje praticamente extinta na malha urbana, esse exemplar fica na Granja Julieta, na Zona Sul.

 

 

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Folha de São Paulo: Prefeitura instala 400 árvores sintéticas em SP; contrato custou mais de R$ 1 mi

LÍVIA SAMPAIO DE SÃO PAULO

Av. Paulista recebeu 80 árvores de LED: equipamento foi alugado pela prefeitura para vários pontos da cidade por R$ 1,6 milhão

Av. Paulista recebeu 80 árvores de LED: equipamento foi alugado pela prefeitura para vários pontos da cidade por R$ 1,6 milhão. Gabo Morales/Folhapress

A avenida Paulista, polo da decoração natalina paulistana por onde passam 1,5 milhão de pessoas por dia, em média, ganhou uma novidade: 80 árvores sintéticas de LED de cerca de 4 m de altura. Os modelos foram instalados ao longo do canteiro central pela prefeitura.

“De relance, parece que a cidade está mais arborizada, mas é um simulacro. Impossível engolir”, afirma o botânico Ricardo Cardim, que mantém o blog Árvores de São Paulo. Segundo ele, a instalação de árvores reais, além de mais barata –R$ 500 por unidade, no máximo, com frete e mão de obra–, é “superviável” no canteiro central da avenida, desde que sejam utilizadas espécies de raízes não agressivas. “Isso sim seria um presentão de Natal para cidade. Agora, esses palitos de plástico não dá para entender.”

As peças decorativas foram distribuídas em 400 pontos da capital –entre eles a praça Roosevelt e o Itaquerão– e podem ser vistas nas cores azul, amarela, verde, vermelha, lilás e branca. Cada uma delas possui “6.900 LEDs, diodos emissores de luz, em formato de pétalas nos mais de 70 galhos da estrutura”, diz o release da prefeitura.

A SPTuris, empresa que gerencia o turismo na capital, alugou os modelos para o período de festas. O contrato inclui manutenção, instalação e desmontagem por R$ 1.629.600 –desta forma, cada árvore terá custo de R$ 4.074.

Segundo a empresa, a decoração “não tem pretensão de imitar uma árvore”. Os modelos já integraram o Natal Iluminado de 2011 e, por receberem “elogios da população”, foram instalados em maior quantidade neste ano, informou a SPTuris.

O Natal Iluminado 2012 custou R$ 38 milhões, dos quais R$ 30 milhões vieram da iniciativa privada e R$ 8 milhões do município –incluindo as árvores artificiais alugadas.

Para além do plástico, a cidade, por meio da Secretaria do Verde e Meio Ambiente, tem um projeto de plantio de árvores reais: qualquer munícipe pode ir aos parques da cidade e solicitar, de graça, mudas de até 3 m de altura para plantar na rua ou no quintal de casa. Mais informações aqui.

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Comentário do Blog – O valor de uma muda de árvore urbana no padrão DEPAVE (o exigido pela SVMA) é no máximo por volta de R$ 500,00 com o plantio. Ou seja, para cada arvoreta de plástico, poderiam ser plantadas 8 árvores naturais. Com o montante gasto em tal ação, São Paulo poderia ganhar de Natal 3.260 novas árvores!!

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Link para a matéria na Folha de São Paulo:

http://www1.folha.uol.com.br/saopaulo/1199625-prefeitura-instala-400-arvores-sinteticas-em-sp-contrato-custou-mais-de-r-1-mi.shtml

 

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Decoração de Natal em São Paulo – a ilusão das árvores de plástico

 

árvores da ilusão na avenida paulista - foto de ricardo cardim - direitos reservados

Realmente moramos no País da piada pronta. Uma metrópole que necessita urgentemente de mais árvores nas suas ruas recebe de Natal 400 árvores de plástico - ou petróleo, como preferirem – com 4 metros de altura e 70 galhos cheios de lâmpadas de LED. Quem vê de relance tem a impressão de que os nossos canteiros centrais finalmente tem uma arborização decente, com árvores bem-formadas, semelhante a uma cidade desenvolvida.

Avenida Paulista na última semana

Avenida Paulista na última semana – Novos ipês?

Na Avenida Paulista então, a situação chega a ironia da insustentabilidade. O recente projeto de “arborização” dos canteiros centrais repletos de plantas originárias da África ficam alternados com as arvorezinhas sintéticas espetadas em uma base de concreto, criando uma paisagem surreal. Se tivessem plantado araçás e uvaias de bom porte nos canteiros, não precisaria de nada disso – era só iluminar e pronto. A cidade ficava bonita e o meio ambiente e nossa saúde agradeceriam.

Para terminar, o mais interessante é compararmos quanto custa uma muda de árvore natural do mesmo tamanho, capaz de melhorar a vida de todos os paulistanos por décadas, frente ao bizarro simulacro sintético. Certamente custa menos e não é produzido sabe-Deus-como na China.  

Ricardo Cardim

 

 

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