Afinal, a grama é para pisar ou não?

 

 

Há cerca de um século atrás, os jardins públicos dentro das cidades eram vistos como um espaço de contemplação, como uma bela pintura da natureza, e deveriam ser mantidos inacessíveis a população, de forma a se ter uma “paisagem” perfeita e impecavelmente cuidada. Assim, o cidadão tinha que se restringir ao caminho cimentado, e se ousasse pisar na área verde era logo constrangido e repreendido pela autoridade de plantão por desobedecer as placas “não pise na grama”.

O mundo se tornou outro depois de tanto tempo, mas essa regra continuou. As cidades viraram amontoados de prédios e vias asfaltadas, as pessoas perderam seus quintais e hortas e passaram a morar em lugares cada vez mais apertados e sem contato com a natureza. Qual o sentido de uma proibição arcaica como essa ainda exisitir nos espaços públicos?

Me fiz essa pergunta visitando o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, repleto de pequenas placas com informações botânicas sob as árvores em meio a extensos gramados “inacessíveis” por avisos e guardas. O visitante interessado precisará certamente de um binóculo para enxergá-las.

Situações como essa mostram o atraso dessas proibições. Grama em espaços públicos é para pisar, as crianças brincarem, se fazerem pic-nics e outras formas de lazer e convívio com a natureza. E ela  não estraga. Basta ver os gramados do Parque do Ibirapuera, pisoteados por milhares todos os dias.

Placas inúteis em um gramado "intocável" no Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

Placas inúteis em um gramado “intocável” no Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

 

 

Ricardo Cardim

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Sobre Ricardo Cardim

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14 respostas para Afinal, a grama é para pisar ou não?

  1. Já vi muitas pessoas falarem isso, para não se pisar na grama.
    É muito importante que as pessoas interajam com o ambiente verde, até mesmo porque eles são cada vez mais raros nos centros urbanos.
    Outra justificativa para se pisar na grama são os jogos de futebol de campo!

    Parabéns pelo texto.

    Abraços,
    Felipe Furtado Frigieri

    • Obrigado Felipe, abs!

    • Miguel Pinheiro disse:

      Prezado Felipe,

      Justamente por serem raros merecem todo nosso cuidado e respeito, a interação não precisa ser tátil, pode ser visual ou mesmo olfativa, não concorda?

  2. Pingback: Grama foi feita para ser pisada (e algumas regras, para serem quebradas) | blog da kikacastro

  3. Lamentável erro. Como é bom no final do dia, tirar o calçado e relaxar os pés na grama.

    • Miguel Pinheiro disse:

      Vou dar uma ideia pra senhora dona Valdete; a senhora adquire um imóvel, contrata um paisagista e constrói um belo jardim onde poderá relaxar a vontade.

  4. Ivan disse:

    Acho muito irrelevante pisar na grama, mesmo que ela estrague! As pessoas têm o direito de pisar na grama, de tocar em uma árvore e de cheirar uma flor. Essas são as atitudes que fortalecem a harmonia entre ser humano e natureza, e não uma placa escrito “respeite a natureza”. Portanto, essas primeiras atitudes deveriam ser inclusive incentivadas! As gramas que fazem parte de um canteiro de flores, por exemplo, eu concordo que devem ser preservadas, e nesse caso devem ser protegidas com uma simples cerquinha, apenas para desviar o rumo dos pedestres. Ninguém vai se dar ao luxo de ficar pulando cerca pra pisar em grama ou pra pegar um atalho, aí sim as pessoas percorrerão o calçamento e nem lembrarão da grama, é quase que inconsciente. Em relação às gramas de praças, parques, matas, calçadas, entre outras devem ser pisadas sim!

    • Miguel Pinheiro disse:

      Concordo que seja muito prazeroso passear sobre um gramado ou mesmo permanecer sobre uma área gramada. No entanto dependendo da intensidade desse uso corre-se o risco do gramado não resistir. A grama é um organismo vivo e como tal há limites que têm que ser respeitados sob pena desse gramado não resistir. Mesmo nos campos de futebol é preciso que haja um tempo para recuperação do gramado. Um aspecto que deve ser observado é se a cidade conta com há área verde por habitante suficiente o que poderia promover uma distribuição equilibrada minimizando o problema e criando um regime de uso suportável pelo gramado. Observa-se que as cidades brasileiras têm pouca oferta de áreas verdes para a população o uso é muito concentrado. Enquanto essas questões não forem tratadas com a devida importância continuaremos a ter as terríveis plaquinhas.

  5. Antonio disse:

    Vão pisando tudo, usando tudo, gastando tudo, esgotando tudo, quem sabe se agente não consegue destruir tudo até 2050?

    • Rick disse:

      Tipico comentário de quem é desinformado. A maioria dos gramados públicos no Brasil são de grama esmeralda, que são feitas sim para SEREM pisadas. Elas aguentam muito bem o trafego. Não acredita? Então saiba que as gramas dos estádios de futebol são de grama esmeralda. Já pensou jogar bola sem pisar no gramado?

    • Miguel Pinheiro disse:

      Calma Antonio,
      Te entendo e compartilho do teu sentimento mas não adianta radicalizar.

  6. Miguel Pinheiro disse:

    Discordo Rick. Grama é um ORGANISMO VIVO não é uma COISA fabricada pelo homem pra pisar. Pode ser pisada mas se você exagerar, não vai resistir. Se vc colocar uma multidão passando constantemente sobre um gramado ele não vai resistir, um jogo de futebol acontece em 90min e pronto, dai os jogadores se retiram e o gramado tem tempo de se recuperar. Além disso.se a área não for bem drenada com o pisoteio formar-se-ão buracos onde a grama não sobreviverá. Outra questão é se o gramado for em área sombreada onde as pessoas geralmente gostam de ficar a grama fica fraca e também não resiste. A manutenção também é importante vc tem que manter a grama bem nutrida, o substrato em boas condições, tem que haver tempo de descanso, não é tão simples.

  7. Miguel Pinheiro disse:

    Prezado Ricardo Cardim,

    Para seu conhecimento o jardim Botânico do Rio de Janeiro não é simplesmente uma área de lazer; é sobretudo uma ´coleção de plantas tropicais de grande importância; um espaço criado com objetivo científico cultural, mundialmente conhecido. Seu traçado é tradicional mas permite grande liberdade para os visitantes; há alamedas cortando toda sua extensão. Realmente seu uso é direcionado para observação e conhecimento das espécies e para um laser contemplativo. Além disso é histórico não é admissível que alguém queira usa-lo para pisar nas áreas plantadas. No entanto há no seu interior uma área de recreação infantil onde as crianças têm toda liberdade.

  8. Miguel Pinheiro disse:

    Para conhecimento de todos:
    A área verde total do centro de São Paulo por habitante, é de 1,34 m², conforme dados da Prefeitura em 2012. Para a ONU, a quantidade aceita internacionalmente é de 12 m², ou seja quase 9 vezes mais que o disponível atualmente. Por ia vocês podem ter uma ideia do déficit que se encontra a cidade nesse aspecto. É claro que um gramado no interior de um parque nessa região seria massacrado se fosse permitido o pisoteio.

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