Quando os rios e córregos da atual cidade de São Paulo corriam livres e eram cercados por Mata Atlântica – há muito tempo atrás – os peixes tinham certeza da alimentação abundante nessa época do ano, por ser o tempo de frutificação do ingá (Inga sp.), que costumava crescer debruçado nas margens em direção as águas.
Assim foi com o Rio Tietê e Pinheiros, onde os relatos contam de grandes árvores do gênero. E provavelmente com muitos outros rios atualmente cimentados ou com árvores estrangeiras nos seus taludes e sem peixes.
Seus frutos também são coméstiveis ao ser humano, de sabor levemente adocicado e polpa refrescante, mas hoje é bem raro encontrá-los na metrópole. Trata-se de uma árvore excelente para arborização de calçadas estreitas, e que atrai pássaros e abelhas, apresentando um porte médio e crescimento rápido.
Para quem quer experimentar, existem alguns exemplares carregados na Cidade Universitária da USP, na rotatória em frente ao ICB.

Uma peculiaridade do ingazeiro é a presença de nectários (na foto o pequeno círculo na junção das folhas) - estruturas que secretam néctar - e alimentam insetos como formigas, que em troca, defendem a árvore.
Ricardo Cardim










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