Presentes de grego para o verde das cidades

Artigo publicado também no “Blog do Planeta” da Revista Época

Muita gente amiga da natureza tem o hábito de plantar pelas cidades. Aquela arvorezinha triste no pequeno vaso da sala, a semente da fruta da sobremesa germinada em uma lata, um presente recebido onde as flores murcharam. Os amigos do verde logo procuram um novo “lar” para a planta, seja na calçada, praça ou mesmo quintal. 

Parece um ato sustentável e benéfico para toda a cidade. Mas nem sempre é. Pode ser uma ação equivalente a queimar uma floresta. As espécies vendidas nos supermercados e floriculturas, as chamadas “ornamentais” são na maioria de origem estrangeira e nada tem a ver com a nossa rica biodiversidade.

Esse absurdo traz muitas plantas de países onde o clima e meio são desfavoráveis comparados ao nosso, resultando em vantagem na reprodução e competição perante as plantas nativas. Assim, é comum ver nos fragmentos de Mata Atlântica paulistana plantas exóticas substituindo palmitos, perobas e jequitibás. A rica biodiversidade vai desaparecendo rapidamente, podendo até a floresta sumir.

O assunto é tão sério, que a Prefeitura de São Paulo fez recentemente uma portaria com a lista das espécies invasoras visando seu controle e erradicação do Município. Não é porque é uma ação verde que é sustentável, plante muito, mas procure saber qual é aquela muda no seu vaso.

Na foto acima, palmitos no Pico do Jaraguá. Os palmitos juçaras, nativos na Mata Atlântica paulistana, e fundamentais para a fauna e o equilíbrio ecológico, são ainda dominantes na floresta preservada no Pico do Jaraguá.

Na foto abaixo, palmeiras da Austrália. Onde antes existiam palmitos como na primeira foto, agora existem palmeiras invasoras de origem australiana em plena Mata Atlântica remanescente na Cidade Universitária da USP, comprometendo a biodiversidade

Clique aqui para ler a Portaria no Diário Oficial e conhecer a lista de espéciesl

Ricardo Cardim

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Sobre Ricardo Cardim

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6 respostas para Presentes de grego para o verde das cidades

  1. dalva disse:

    Depois que li o seu artigo sobre a cheflera, não paro de encontrar ou de perceber espécimes por toda a cidade! Agora vão ser as palmeirinhas australianas…

    • Ricardo Cardim disse:

      vc vê como elas estão em todos os cantos? a invasão é bem silenciosa, mas eficaz…

  2. glenn makuta disse:

    olá ricardo
    acompanho o blógue há algum tempo, e sempre são abordados temas pertinentes aos espaços urbanos de nossa cidade.
    o tema de bioinvasões em áreas urbanizadas é bastante complexo e intrigante.
    concordo que o efeito deletério sobre a biodiversidade local é enorme, mas é difícil, se não humanamente impossível, a contenção da dispersão de espécies exóticas, principalmente devido à composição paisagística das casas e edificações urbanas que pouco ou nada se preocupam com o impacto negativo a longo prazo que estas ações causam além do espaço em que foram (im)plantados.

    além de uma portaria pra conter e erradicar espécies exóticas seria necessária a promoção de espécies nativas para se minimizar o quanto for possível através de iniciativas sinérgicas da sociedade civil, governos e cientistas.

    abs

  3. Gustavo Hs Queiroz disse:

    Tenho visto muito a Pata de Elefante (da Índia). mas só em vasos POR ENQUANTO.

  4. Irene Asanuma disse:

    A autoridade ambiental abandona os pequenos proprietarios de imóveis na zona rural deixando de proceder o inventário da mata existente; apenas permite-lhes uma porcentagem do uso desse imóvel, e dessa porcentagem o proprietário simplesmente ceifará toda a mata existente; dessa maneira, não mostram, na prática, quanto é importante a mata atlântica.

    De uns tempos para cá, as notícias sobre ecosistemas tem se tornado cada vez mais públicas, e ainda assim é incoerente e desastrosa a maneira pela qual o ibama/incra/autoridades e interessados ambientalistas simplesmente impedindo o uso total do imóvel, não fornecendo apoio algum aos proprietários.

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