Roça em São Paulo

mamoeiro no anhangabaú foto de Ricardo Cardim

Andando ontem pelo Vale do Anhangabaú, me deparei com uma cena inusitada – um pé de mamão adulto e carregado de frutos – em pleno centro da maior cidade brasileira. A cena na verdade é mais comum do que se parece em São Paulo. Muitos paulistanos, mesmo como homens urbanos por natureza, mantém ainda um “pé” na roça.

A prova são as inúmeras árvores frutíferas plantadas por toda a Cidade, formando um verdadeiro pomar urbano. Quem as planta não é o Poder Público, que não as recomenda, salvo casos espécificos, mas a população. O ato de guardar as sementes da fruta que acabou-se de comer, colocá-la em uma lata com terra, vasinho, formar a mudinha e depois a plantá-la na calçada em frente ou praça próxima, acabou contribuindo para respeitável parte do nosso verde hoje.

As fruteiras plantadas no últimos 50 anos refletem exatamente o gosto da alimentação atual, como o mamão, limão, laranja, manga e abacate, diferente daquelas de outros tempos, a grumixama, marmeleiro, cabeludinha, cambuci, jabuticaba. 

Na falta  de um belo quintal ou sítio , como nossos antepassados tinham para plantar as árvores queridas por alguma razão, o homem urbano atual continuou a exercer o seu gosto da “roça” em nichos em meio ao concreto e asfalto, seja nas calçadas ou praças. Pedaços do mato na cidade.

Ricardo Henrique Cardim   

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Sobre Ricardo Cardim

www.arvoresdesaopaulo.com.br
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3 respostas para Roça em São Paulo

  1. Em período de lua cheia, bom para observar a natureza. Também sugere boas
    leituras.

    Dica de livro: Botânica para quem gosta de plantas. Tarciso S. Filgueiras,
    Editora Livro Pronto.

    Site: http://www.arvoresdesaopaulo.wordpress.com

    “Em 1914 os bondes chegaram até as proximidades da represa de Guarapiranga,
    facilitando o acesso do público ao local, que se transformou em ponto de
    lazer dos paulistanos.Em 1926 tem início a construção da Represa Billings.
    Datam dessa época a criação do bairro de Interlagos, entre as duas represas,
    a implantação do Clube de Campo e a construção das principais chácaras às
    margens das represas, onde se formaram alguns bairros para apoio às
    atividades de lazer.” fonte: São Paulo e outras cidades, Nestor Goulart Reis
    Filho, Hucitec.

    abraços,
    Vera Lucia Dias
    Passeio Paulistano | Guia Cultural
    http://www.passeiopaulistano.com

  2. dalva disse:

    Que legal o seu texto, Ricardo. Eu sou uma amante dessa nossa cidade que não deixa de nos surpreender. O Anhangabaú tem tanta história, é realmente uma surpresa encontrar o pezinho de mamão naquele lugar, e pensar no quanto a cidade vai mudando…

  3. Djalma Ribeiro disse:

    Bom dia e parabéns pelo blog.

    Pelo que percebi você é também um observador de árvores de nossa caótica metrópole de pedra e asfalto.

    Interessante como um dia também passando pelo vale do Anhangabaú, parei e fiquei observando este mesmo pé de mamão. Que coisa linda pensei.

    Realmente muitas pessoas sentem prazer ao ver cenas como estas.

    Procure qualquer dia destes passear pela avenida Inajar de Souza na Freguesia do Ó. Tem tantas árvores frutíferas. Tem uma pracinha onde o ônibus 8542 faz o retorno que dá gosto de ver. O pessoal ali é apaixonado por manga. De várias qualidades.

    Em vez de vir trabalhar de carro ou moto, eu apanho este ônibus às 5:45 hs só para poder observar as árvores diversas como mangueiras, jabuticabeiras, maracujás, mexiricas………….vale a pena.

    Bom trabalho este o seu.

    Continue. Abraços

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